4 Diskusjon
4.1 Betydningen av timefrekvens for behandlingsutfall
Aldair
Aldaír nasceu em 1990, portanto tem vinte e quatro anos em 2014. É natural de Lisboa, concelho em que se reinseriu, e tem nacionalidade portuguesa. Faz parte de uma fratria de quatro irmãos, que advinham de uma família monoparental feminina por separação dos pais. A mãe encontrava-se desempregada, mas possuía família de suporte no distrito de localização do LIJ (mãe) com a qual passava fins de semana e férias escolares. Quando Aldaír foi admitido em LIJ, na CPL, numa resposta social intramuros, no concelho de Lisboa, em 1995, contava cinco anos e provinha do seu núcleo familiar. Nos seus registos processuais consta que foi acolhido devido a problemas de saúde no agregado familiar, a negligência, a maus-tratos físicos e psicológicos, a violência doméstica e a carência socioeconómica. Teve acompanhamento psicológico, explicações escolares e terapia da fala. À entrada em LIJ, Aldaír tinha frequência do 1.º ciclo e.b. e quando cessou o acolhimento tinha frequência de um curso profissional de nível II, tendo frequentado em estabelecimentos de ensino da rede pública e da rede CPL, tanto o ensino regular como o ensino profissional, e existem registos de que reprovou dois anos em acolhimento. Teve b. p./p. t. em 2005, aos quinze anos, e b. d./p. s. em 2008, com dezoito anos. O seu acolhimento efetivo durou dez anos e teve descarga do sistema treze anos após o despacho de admissão, sendo que teve um período de transição de três anos em que foi apoiado pela CPL. A cessação do acolhimento ocorreu a pedido dos pais, por mudança do contexto sociofamiliar, tendo integrado a família nuclear.
Aldaír lembra-se que as suas condições de vida, antes de entrar para o acolhimento, “(…) não eram fáceis. A gente passava por bastantes (…) dificuldades… financeiras e não só. A própria família não se dava muito bem (…)”, e antes de entrar para acolhimento encontrava-se a viver com a família de origem, “com a minha mãe e com a minha irmã”, sendo que foi acolhido devido a complexidades familiares diversas, “dificuldades financeiras (…) problemas de saúde (mãe) (…) a minha mãe não se dava bem com a minha irmã e vice- versa, havia sempre problemas e eu lá no meio.” Pensa que a decisão de ter sido acolhido foi boa e foi chamado a participar na mesma, tendo sido acolhido sozinho. Todavia, quando teve conhecimento que ia entrar em acolhimento a ideia não foi do seu agrado devido a
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perspetivar um afastamento da família.
Para Aldaír, ao modo de organização do LIJ “podia-se chamar família. A gente dava- se todos bem (…) éramos quase irmãos”, e referiu que a sua adaptação às novas regras não foi demorada, “(…) foi rápido…” A relação de Aldaír com os outros jovens, que também estavam no LIJ, “em geral era boa. (…) se fosse preciso, eles ajudavam.” Em acolhimento podia-se sentir “livre” ou “preso” dependendo do seu “(…) estado de espírito. Se eu tivesse em baixo, sentia-me preso porque eu queria estar em casa. Mas, normalmente, gostava de lá estar (…).” O que Aldaír mais gostava no dia a dia em LIJ era da “(…) camaradagem, ajudarem-se (…)” e do que menos gostava era da impossibilidade de “(…) estar com a família” tanto quanto desejava. No seu ponto de vista, as regras foram importantes e orientadoras porque “(…) se não fossem as regras (…) Se calhar, andava aí drogado ou outra coisa qualquer”, mas na reta final do tempo que esteve em acolhimento manifestou comportamentos que a instituição considerou preocupantes.
Aldaír pensa que os projetos de vida tentavam abarcar a totalidade dos educandos, e acha que a sua relação com os adultos em funções no LIJ “era fixe. (…) eram todos bacanos. Ajudavam-nos todos, dentro do possível”, e exemplificou que os educadores “(…) se esforçavam para a gente estudar. (…) Aos mais velhos (…) ajudavam (…) à procura de trabalho (…) tentavam saber o que é que se passava (…) para tentar ajudar, tanto na escola como… em casa (…)”, considerando que este tipo de ações desenvolvidas por parte dos técnicos/pessoal afeto ao LIJ, foram importantes para a preparação do seu futuro. Para o inquirido, a sua relação com os técnicos não apresentava distinções.
Durante o período de acolhimento, Aldaír tinha amigos fora do LIJ, mas os mais importantes foram os do LIJ pela afinidade de histórias de vida. Perante a possibilidade de não ter sido acolhido, Aldaír referiu que, nos dias de hoje, teria uma vida associada à criminalidade/marginalidade, “de certeza que andava aí a roubar. Não tenho a certeza absoluta mas, vendo amigos meus que eu deixei de falar… ou roubar ou nas drogas (…).” Aldaír contou com apoio ao nível de explicações escolares, de terapia da fala e de psicologia, tendo mencionado que não chegou a compreender porque ia às sessões de psicologia. Em relação ao seu percurso de acolhimento disse que o mesmo “contribuiu para a formação da minha personalidade e para não andar pelas ruas. Foi positivo.” Aldaír disse que não recebia visitas no LIJ mas que ia a casa da família com uma frequência elevada, referindo, inclusive,
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que no LIJ não lhe falavam sobre a sua situação familiar. Aldaír não sentiu necessidade de passar mais tempo no exterior do LIJ, uma vez que sempre teve bastante contacto com a família, “(…) se eu quisesse sair a algum lado (…) se a gente pedisse, eles deixavam (…).”
Ao sair do LIJ, Aldaír foi viver com a família nuclear, por escolha sua, “era o único sitio para onde eu podia ir, e claro que eu queria viver com a minha mãe (…)”, sendo que, nessa altura se sentiu “contente”, mencionando que, quando voltou, não sentiu diferenças no meio familiar. Porém, alguns aspetos haviam sofrido alterações durante o tempo de acolhimento. Quando Aldaír saiu do LIJ sentiu-se “livre! Livre, mas não é aquela liberdade… é aquele à vontade. (…) a gente ter de seguir aquelas regras (…) a gente chega ali (casa) e é espetacular, só de não ter de fazer isso.” Desde que saiu do LIJ, até à atualidade, Aldaír viveu sempre com a família nuclear no concelho de Lisboa. Hoje em dia pensa que a sua verdadeira família é a nuclear. Aldaír ajuda a sua família no que pode, embora seja pouco, e gosta da sua família mas queria que tivessem um relacionamento melhor. O entrevistado não tem filhos, mas planeia vir a tê-los, sendo que espera vir a educá-los com recurso a determinados aspetos da sua própria experiência educativa.
Aldaír começou a frequentar a escola aos cinco anos e antes de integrar o LIJ, na CPL, frequentava o “(…) segundo ano ou terceiro ano (…)“, tendo referido que nessa época as aulas não corriam bem “(…) porque eu lembro-me de ter chumbado (…).” Em acolhimento, frequentou a escola “(…) até ao 7.º, só que eu chumbei duas vezes no 7.º. (…)”, e refere que, o que mais gostava na escola era “(…) o recreio, os amigos” e o que menos gostava era de “(…) algumas aulas (…).“ No LIJ tinha apoio para estudar que era prestado pelos “(…) próprios monitores (…).” Na sua ótica, nunca teve problemas na escola nem se sentiu discriminado por viver num LIJ, e considera que tanto os colegas como os professores interagiam de igual forma com todos os alunos. Após sair do acolhimento, continuou a estudar, “(…) os tais dois anos”, e apesar de ter passado um período de interregno, Aldaír retomou os estudos num curso de formação profissional.
Tem alguns objetivos traçados que se relacionam com a sua formação profissional, e as áreas em que tem trabalhado em nada se relacionam com a formação profissional que agora frequenta, mas espera vir a trabalhar nesse âmbito. Aldaír, enquanto esteve em acolhimento, não exerceu qualquer atividade profissional, começando a trabalhar, “(…) foi quando fiz 18… a trabalhar mesmo”, e sentiu-se satisfeito com o primeiro emprego embora
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tenha durado pouco tempo dado que teve dificuldade de adaptação. Contudo, gostou dessa primeira experiencia laboral, “(…), deu para aprender (…).” O facto de ter começado a trabalhar não influenciou o seu percurso escolar. Quando deixou o acolhimento, Aldaír teve dificuldade em encontrar emprego, e explanou o seu percurso profissional até à data, o qual se tem vindo a pautar por irregularidade inerente ao trabalho precário e por períodos de desemprego, referindo que está focado em terminar o curso que frequenta. Mencionou que as atividades profissionais que têm vindo a exercer, vão, relativamente, ao encontro das suas expectativas, sendo que gosta do que faz atualmente. Na perspetiva expressa por Aldaír, ter vivido numa instituição teve, concomitantemente, influência positiva e negativa nas suas oportunidades de inserção profissional. No entanto, encontra-se desempregado, “há cerca de três anos (…)”, pelo que a sobrevivência “neste momento… é difícil! Com a ajuda das minhas irmãs, com o pouco que a minha mãe recebe, quando recebe, e com o que o curso me paga, que não é grande coisa.” Indicou que está a tentar ser apoiado pela segurança social, “estou a tentar, mas não consigo.”
Aldaír saiu do LIJ quando tinha “17 ou 18… mais coisa, menos coisa.” A sua saída foi uma opção pessoal “eu andava a querer sair já há muito tempo, mas, só nessa altura é que acho que houve a possibilidade de o fazer” e foi ao encontro do que ambicionava naquela altura, mas desconhece se a sua saída foi parte constituinte de um projeto de vida que a instituição desenhou para si, “(…) não faço ideia. Nunca cheguei a perguntar nada sobre isso.” O entrevistado recorda o momento em que saiu do acolhimento com “«alívio!» Porque ia deixar de… ia estar em casa, ia estar com a família”, e disse não saber se havia outras soluções para poder ter saído mais cedo do acolhimento, “(…) Acho que tinha a ver com a escola (…) e com a parte de casa… da família.”
O inquirido sentiu que foi apoiado pela instituição na preparação da sua autonomia. Relativamente ao que acha que correu melhor na organização da sua vida diária referiu que “pelo menos em casa corria tudo bem.” As principais dificuldades que sentiu em se organizar quando saiu do acolhimento prenderam-se com o percurso escolar, “a escola não correu lá muito bem, pelo menos os dois primeiros anos. Uma das vantagens que a gente tinha lá, é que se tivéssemos dificuldades, eles ajudavam-nos e em casa não tinha ninguém para poder fazer isso. Ou perguntava na escola ou ficava ali a olhar para aquilo, a tentar perceber. Às vezes era difícil.” Hoje, considera que se encontrava preparado para sair do acolhimento na
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altura em que o fez. Quando Aldaír ainda se encontrava em acolhimento, os seus principais sonhos eram ter mais liberdade e deixar de viver no LIJ, “na altura, os nossos sonhos eram sair de lá, arranjar casa, trabalho… era o mais importante. O resto, depois, logo se via… a gente queria era sair de lá.” Ao nível das diferenças que encontrou entre a forma como imaginava que a sua vida ia correr fora do acolhimento e o que efetivamente aconteceu, o inquirido almejava ter, no presente, uma vida melhor, “eu pensava que, se calhar, ia estar um bocado melhor. (…) Está um bocado difícil.”
Desde que saiu do acolhimento, Aldaír não tem vindo a manter contacto com técnicos/pessoal afeto à instituição nem com amigos que lá deixou, denotando alguma tristeza por isso, “há pouco tempo tentei. Mas como eu acho que houve uma mudança muito grande… alguns lares fecharam, outros mudaram de sítio, eu nunca mais soube de nada. Em Nuno Alvares fecharam todos.” Referiu também que, quando precisa de algum tipo de apoio, recorre “à família… às minhas irmãs. A minha mãe, não posso contar muito por todos os problemas de saúde dela (…).”
No caso de Aldaír, os tempos livres são preenchidos no tempo que passa com amigos, com a namorada e com a mota, “(…) estou com os amigos, estou com a namorada… é mais com a namorada. Adoro estar de volta da minha mota (…).” Na vida familiar gostava de mudar o relacionamento intrafamiliar. O quotidiano é vivido de uma forma que o deixa satisfeito, sem projetar muito o futuro. Todavia, Aldaír tem alguns projetos para o futuro, “(…) arranjar uma casa, estar bem financeiramente e ter um trabalho que eu goste, neste caso com o curso que eu estou a fazer (…) E, entretanto, se correr bem, porque não abrir aí qualquer coisa? Hoje em dia, informática dá dinheiro.” A médio/longo prazo pensa vir a concretizar os seus objetivos, pois terá sempre alternativas de vida, “espero, bem melhor do que agora… tanto financeiramente, como a parte de família, entre outros…”
Pensa que é feliz na atualidade, pois sente que tem as suas necessidades satisfeitas, mas espera concluir a sua formação académica.
Ezequiel
Ezequiel é um individuo do sexo masculino, que nasceu em 1988, portanto com vinte e seis anos em 2014. É natural da Guiné-Bissau e originava do concelho de Lisboa
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quando foi admitido em LIJ; mais tarde, quando saiu do acolhimento, inseriu-se no concelho de Loures. Ezequiel era procedente de uma família em que os pais eram separados, e o pai era, simultaneamente, imigrante e emigrante, constituindo uma família monoparental masculina. Com a mãe, na Guiné-Bissau, ficaram outros três irmãos que se instalaram, anos mais tarde, em Portugal. Ao entrar em LIJ, Ezequiel era proveniente de uma resposta social exterior à CPL, pelo que já tinha uma colocação institucional. Ezequiel quando foi admitido em LIJ na CPL, numa resposta social intramuros, relativamente ao CED a que estava afeto, no concelho de Lisboa, em 2002, contava catorze anos de idade.
Nos seus registos processuais consta que foi acolhido devido a problemas de saúde, a acordo de saúde celebrado no âmbito dos PALOP, a abandono e a negligência, que se perfilavam num cenário de evidente carência socioeconómica. Ao integrar o LIJ foi alvo de relatórios de avaliação da saúde física e psicológica e teve envolvimento em atos disruptivos. À entrada em LIJ tinha frequência do 2.º ciclo e.b. e quando cessou o acolhimento havia concluído um curso profissional de nível III, tendo sempre frequentado em estabelecimentos de ensino da rede CPL o ensino regular e o ensino profissional. Ezequiel teve b. p./p. t. em 2006, aos dezoito anos e b. d./p. s. em 2011, com vinte e três anos.
O seu acolhimento efetivo durou quatro anos e teve descarga do sistema nove anos após o despacho de admissão, sendo que teve um período de transição de cinco anos em que foi apoiado pela CPL através da AIF. Nessa altura de transição Ezequiel estudava. Ezequiel cessou o acolhimento por maioridade, por autonomização, por conclusão dos estudos/formação, por vontade do próprio, por mudança do contexto sociofamiliar e para se reintegrar na família alargada. Ezequiel era imigrante e vivia em condições socioeconómicas precárias, “(…) em termos materiais, se calhar, não seria o mais adequado (…) um bairro de latas (…) eu sou hemofílico (…) tinha que ir ao hospital fazer tratamento (…) a pessoa à qual eu estava encarregue nunca aparecia (…)”, e encontrava-se sob os cuidados de um membro da família alargada, “(…) vivia com um tio e alguns amigos do meu tio (…)“, que não lhe dispensavam os cuidados básicos, nomeadamente no que concerne à saúde.
Sobre a decisão que determinou o seu acolhimento institucional, referiu que “na altura, o que me foi dito foi que ninguém me obrigaria a ir.” Quando soube que ia integrar o LIJ, na CPL, sentiu-se mal porque já havia criado relações na primeira instituição em que esteve acolhido,“(…) foi um mau estar porque eu já estava a criar amizades na Casa da
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Alameda (…).” Embora tivesse irmãos, na altura, estes encontravam-se no país de origem, pelo que foi acolhido “sozinho.” O modo de organização do LIJ era diferente de uma família, e apesar disso, Ezequiel teve uma boa adaptação às regras, “(…) nunca tive problemas em relação à adaptação às regras. (…) nunca foram um problema para mim (…).”
No que concerne à relação que Ezequiel tinha com os outros jovens que estavam também no LIJ, o mesmo referiu que “(…) era um miúdo um pouco reservado. Portanto, a relação pode-se considerar um pouco, se calhar, «complicada» (…) no todo era uma relação muito saudável, fiz muitos amigos, nós jogávamos à bola, que era aquilo que nos unia muito, jogávamos playstation. Posso dizer que sim, fiz bons colegas.” Quando vivia no LIJ, Ezequiel sentia-se, simultaneamente, “livre” e “preso”.
O que Ezequiel gostava mais no dia-a-dia em acolhimento era “(…) da forma como era tratado porque era hemofílico (…) “ e disse não conseguir “(…) apontar coisas negativas.” As regras foram importantes para Ezequiel, mas durante o tempo que esteve em acolhimento teve comportamentos que a instituição considerou preocupantes e por isso foi transferido de LIJ. Ezequiel observa que tinha uma boa relação com os adultos em funções no LIJ, e essencialmente, em prol da preparação do seu futuro, o inquirido referiu que “(…) houve condições básicas… ações não me recordo (…)”, sendo do que considerava um dos técnicos afetos ao LIJ mais próximo de si, “é sempre mau responder a essa questão… mas, sim.”
Quando estava em acolhimento, Ezequiel tinha amigos fora deste, mas é-lhe difícil estabelecer comparação, relativamente à importância, entre os do LIJ e os do exterior porque tinha boa relação com a generalidade dos seus pares. Ezequiel supõe que teria uma vida mais difícil se não tivesse sido institucionalizado devido ao meio socioeconómico em que se encontrava. Contou com apoio psicológico que considerou não ter sido essencial. Relativamente à avaliação da sua passagem pelo acolhimento residencial, Ezequiel referiu que a mesma “foi positiva… com altos e baixos. Proporcionou-me condições e aproveitei o que me deram.”
Ezequiel visitava a família amiga, essencialmente, nas férias escolares, até porque a família natural não se encontrava em Portugal. No LIJ não lhe falavam sobre a sua situação familiar, “também não sabiam muito sobre isso.” O entrevistado não é explícito relativamente a expor se gostava de ter passado mais tempo fora do LIJ, tendo dito: “eu não
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me arrependo. Eu não me senti fechado ou deixar de sentir fechado portanto, eu não tenho nada a comentar sobre isso.” Quando saiu do acolhimento, retornou ao bairro e à família de onde havia saído anos antes de ser institucionalizado. A sua saída foi uma opção pessoal mas não foi um projeto de vida que a instituição lhe tivesse desenhado.
Quando deixou o acolhimento, Ezequiel sentiu-se bem no seu novo ambiente. Ezequiel referiu quem considera ser, na atualidade, a sua verdadeira família, “(…) de momento, são os meus progenitores. Sem querer ser injusto com essa minha madrinha e com o marido, que eu trato por tio, que são pessoas muito, muito importantes na minha vida (…) sei que são pessoas que se eu, realmente, precisar de ajuda estão dispostos a ajudar-me… também fazem parte da minha família.” O entrevistado apoia a família, principalmente a mãe, financeiramente. Ezequiel disse ter um bom relacionamento com a sua família, e gosta da mesma com as características que esta tem. Tem uma filha, “já tenho uma menina”, que nasceu quando o inquirido tinha vinte e um anos e gostava de vir a ter mais filhos, “eu gostava, mas não sei.”
Sem objetivar, Ezequiel referiu desejar proporcionar à filha uma educação como a que ele próprio teve, ou ainda melhor, mas não vivem juntos atualmente, embora os contactos sejam constantes. Desde que deixou o acolhimento, até à atualidade, teve diversas situações habitacionais, nos concelhos de Lisboa e de Loures, sempre devido às suas próprias opções. Ezequiel começou a frequentar a escola “(…) a partir dos sete anos” e antes de ingressar em acolhimento encontrava-se no “(…) 5.º ano”, sendo que, na sua ótica, nessa altura, as aulas “(…) corriam normal.”
Ezequiel frequentava a escola quando estava em acolhimento, tendo ido até ao 11.º ano nesta condição, “como interno, creio que fui até ao 10.º ou 11.º, não me recordo. Lembro-me, perfeitamente, que fiz, pelo menos, dois anos como aluno externo. Embora ainda estivesse sobre a tutela da Casa Pia mas, nessa altura, já estava em casa de um primo.” Na escola não destaca aspetos de que gostasse muito mas, pelo contrário, referiu como menos agradáveis alguns condicionalismos impostos pelo colégio, “se calhar, não gostava muito do comer. (…) também gostava menos do facto de não poder sair à hora de almoço (…).”
O entrevistado mencionou que tinha apoio para estudar em acolhimento e que era ajudado “sobretudo, pelos educadores.” Pessoalmente não teve problemas na escola nem se
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sentiu discriminado por viver num LIJ mas admite que isso se pudesse ter passado com alguns dos seus pares. Na sua perspetiva, os professores abordavam os educandos internos de uma forma diferente dos educandos externos dada a proximidade física e institucional. Após sair do acolhimento, Ezequiel continuou a estudar, e atualmente, ainda estuda, pretendendo concluir o seu curso superior. O entrevistado fez dois cursos de formação profissional que foram úteis para o seu percurso, uma vez que trabalha no âmbito da sua área de formação. Ezequiel, enquanto esteve em acolhimento, não exerceu qualquer atividade profissional, e por volta dos dezoito anos começou a trabalhar. Presentemente, sendo mais reflexivo, pensa que não se sentiu satisfeito com o primeiro emprego, mas na