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1 Innledning

1.5 Historisk utvikling og ulike terapiretningers syn på timefrekvens

Simultaneamente, apresentamos aspetos relacionados com a amostra (n=50), sobre a qual apreendemos alguns aspetos multidimensionais que a envolvem, sendo que a isolámos a partir da população em apreço (n=500) para analisarmos os dados empíricos recolhidos através das entrevistas presenciais, no sentido de expormos as perceções dos indivíduos sobre a época de pré-institucionalização. Olhamos esta fase dos seus percursos

38 Mais à frente referiremos os dados recolhidos neste mesmo contacto telefónico em relação aos entrevistados presenciais (n=50).

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como um tempo útil a ter em conta nas suas trajetórias de vida, dado que as experiências dos indivíduos nos foram relatadas na primeira pessoa.

A amostra (n=50) é composta maioritariamente por indivíduos do sexo masculino, tendo sido concretizadas cinquenta entrevistas presenciais, o que corresponde a 100% em relação ao proposto no projeto de pesquisa e foram admitidos na resposta LIJ na CPL num espaço temporal de onze anos. À data de admissão na resposta LIJ, na CPL, as c/j da amostra tinham idades compreendidas entre os quatro e os catorze anos.

Relativamente às áreas geográficas de origem das c/j na altura em que foram acolhidas em LIJ, constatámos que a maioria provinha do concelho de Lisboa, outros pertenciam a outros concelhos do distrito de Lisboa e uma parte residual era oriunda de concelhos de diferentes distritos do território nacional.

No sentido de concretizar uma caracterização da situação anterior ao acolhimento em LIJ na CPL, apelámos às representações e memórias que os indivíduos (n=50) tinham, sobre as pessoas com as quais haviam vivido, antes de serem acolhidos e às suas perceções sobre as razões que os encaminharam para o acolhimento.

Ao terem tido conhecimento que iam ser integrados num LIJ, muitos indivíduos experienciaram sentimentos negativos, sendo que a globalidade dos entrevistados não foi chamada a participar na decisão, potencialmente por terem uma idade/maturidade reduzida. Outros foram ouvidos sobre essa decisão, mas alguns não se recordam de ter sido chamados a participar. Uma margem residual assumiu que a sua opinião sobre o ingresso foi considerada.

Quando deram entrada em LIJ, a generalidade das c/j experienciaram sentimentos negativos, positivos ou indefinidos, como exemplificaremos mais à frente. A determinação do acolhimento foi uma “boa decisão” para a maior parte dos entrevistados, embora alguns, numa fase inicial, não tenham concordado/compreendido a resolução, o que os levou a experienciarem rejeição/ansiedade.

A amostra, entrevistada presencialmente, deu-nos a sua perceção sobre a própria proveniência antes de ingressar em LIJ na CPL, a qual agrupámos em três classes separadas: família (nuclear - monoparental ou não; alargada; reconstituída; compósita), de uma outra resposta social afeta à CPL (CAT; UE; REF; etc.), de uma resposta social exterior à CPL (CAT; UE; etc.).

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Na indiscutível maioria dos casos, a família da qual provinham era monoparental por viuvez ou por separação dos progenitores, tendo-se reconstituído nalgumas situações. Em situação de orfandade, total ou parcial, apresentavam-se algumas c/j. À data de ingresso em acolhimento a maioria dos entrevistados tinha irmãos.

No que concerne ao percurso escolar antes da institucionalização, a maioria dos indivíduos da amostra (n=50) iniciou a sua vida escolar entre os cinco e os seis anos, embora alguns tenham referido o começo entre os três e os quatro anos e entre os sete e os oito anos.

À data da admissão em acolhimento a generalidade dos entrevistados frequentava o 1.º ciclo e.b., sendo que os restantes encontravam-se distribuídos pela frequência do 2.º e do 3.º ciclo e.b., pelo ensino pré-escolar e alguns não tinham frequência do sistema de ensino.

Relativamente aos motivos que conduziram as c/j da amostra (n=50) ao ingresso na resposta LIJ na CPL, agrupámos as suas perceções de acordo com quatro ordens: 1) ausência ou instabilidade do suporte familiar (abandono dos cuidadores; reclusão dos cuidadores; orfandade parcial ou total; rejeição dos cuidadores; instabilidade familiar); 2) maus-tratos (violência doméstica; maus-tratos e negligência dos cuidadores (familiar ou institucional); absentismo escolar); 3) carência socioeconómica (pobreza; más condições habitacionais; desemprego dos cuidadores); 4) doença e comportamentos aditivos dos cuidadores (alcoolismo; toxicodependência; outras doenças não especificadas).

Outros indivíduos associam como problemáticas conducentes ao acolhimento duas das categorias anteriormente mencionadas: carência socioeconómica e maus-tratos ou carência socioeconómica e ausência ou instabilidade do suporte familiar. Assim, apresentamos quatro categorias isoladas e duas categorias associadas. A que surge com maior saliência é a categoria agregada carência socioeconómica e ausência ou instabilidade do suporte familiar.

2.2 Fase de institucionalização

A amostra teve b.p./p.t., a partir de LIJ/RAIA, durante um período de sete anos. Uma parte da amostra não teve este procedimento, mas sim b.d./p.s. Os casos em análise tiveram

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b.p./p. t. entre os onze e os vinte e um anos de idade. Efetivamente, a amostra teve um período de acolhimento em LIJ ou em LIJ e RAIA o qual pode ter ido dos quatro aos dezanove anos.

Relativamente à situação ocupacional das c/j quando saíram do acolhimento a maior parte estudava e os restantes trabalhavam, ou trabalhavam e estudavam, sendo que alguns procuravam emprego.

No decurso desta pesquisa julgámos adequado saber a apreciação da amostra, que iríamos posteriormente entrevistar presencialmente, sobre o que teriam alterado na sua passagem pelo acolhimento na CPL ao nível do seu comportamento pessoal e ao nível da resposta institucional, pelo que colocámos esta questão aquando dos contactos telefónicos de follow-up diretos. Assim, foram referidas sensibilidades positivas, negativas e conciliadas, como podemos confirmar pelas frases provindas dos nossos inquiridos de que nos servimos a título de exemplo.

Sensibilidades positivas

 “ (…) acho que foi bom (…) “ “Contribuiu para a formação da minha personalidade e para não andar pelas ruas. Foi positivo.”

 Aldair, 24 anos

 “Fui eu que pedi!”  “Mantinha tudo igual. Foi a

melhor coisa que me poderia ter acontecido.”

 Angélico, 29 anos

Sensibilidades negativas

 “ (…) nós sabíamos que não

estávamos nas melhores condições, e não tínhamos rotinas e hábitos que devíamos ter naquela altura.”

“No fim, mudava a forma como os educadores atuavam; era diferente de quando entrei. Agora, parece que têm medo de educar.”

 Madalena, 24 anos

 “Foi o melhor para nós, sem dúvida

alguma.”

 “Mais acompanhamento com

um projeto delineado desde cedo. Só na fase adulta poderá ser um pouco tarde.”

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Sensibilidades conciliadas

 “Acho bem… mas não gostei (…)” (quando entrou)

 “Foi positivo porque tinha

amigos no lar. Foi negativo porque ficava triste quando a minha mãe não me ia buscar ao fim de semana.”

 Otoniel, 19 anos

 “ (…) foi uma forma dela me meter

lá dentro para me pagarem os estudos (…) “ (mãe)

 “Foi positivo porque me

ajudaram em muitos aspetos. Senti falta de apoio na saúde quando saí do lar.”

 Clemente, 25 anos

No âmbito do período de institucionalização, avaliamos o percurso dos indivíduos recorrendo às suas perceções sobre o quotidiano institucional: vida pessoal, sociofamiliar, relacional e escolar/profissional. Assim, aproximamo-nos das representações individuais através das descrições pessoais sobre o dia-a-dia.

A adaptação às novas regras institucionais foi positiva para a maior parte dos indivíduos. Contudo, para outros a adaptação foi difícil/complicada, principalmente a nível emocional perante o contacto com um meio desconhecido.

Os entrevistados diferenciaram as regras institucionais ao nível educativo e ao nível comportamental. Assim, referiram ao nível educativo, aquelas que se relacionavam com a frequência escolar, com a higiene e organização pessoal e dos espaços e regras de conduta individual. Na extensão comportamental os sujeitos aludiram a aspetos relacionados com a educação e cortesia, ao mesmo tempo que era estimulada a relação de irmãos interpares.

As regras quotidianas eram definidas essencialmente pelos educadores, mas alguns indivíduos indicaram que eram definidas pela estrutura hierárquica da CPL e aplicadas pelos educadores. As regras eram discutidas em conjunto para a maioria mas, um número substancial de indivíduos, considera que as regras eram impostas pelos adultos, sem haver espaço de debate.

Genericamente, as regras foram consideradas importantes ao nível comportamental, da formação da personalidade e da autonomia, mas uma margem residual exprimiu-se no sentido de não considerar as regras importantes dado serem exageradas, por serem circunscritas as determinadas áreas ou porque não permitiam oportunidades.

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Tendo em conta a perceção e a avaliação do modo de organização da instituição pelos indivíduos, a maior parte destes disse-nos que cumpria as regras, embora alguns referissem que nem sempre as cumpriam.

Quando as regras não eram cumpridas, os sujeitos referenciaram que existiam consequências, tais como sansões disciplinares as quais poderiam passar por repreensões, aumento do tempo de estudo, maior rigidez no cumprimento de horários ou realização de maior número de tarefas domésticas.

A relação estabelecida com a família, em termos de qualidade e de quantidade, poderá ter influência numa melhor ou pior integração social aquando da saída do acolhimento, na medida em que a família está mais próxima ou mais afastada dos pormenores diários presentes na vida das c/j e, assim, conhece melhor ou pior o jovem que recebe.

A frequência das visitas dos educandos às famílias, pode ser indicador do tipo de relacionamento que era mantido pelas partes durante o acolhimento institucional. Por outro lado, as visitas das famílias aos educandos podem ser reveladoras do tipo de relacionamento que era mantido pelas partes durante o acolhimento institucional.

Os contactos telefónicos, por carta ou por visita, entre os educandos e as suas famílias indicam-nos o tipo de interação que as partes estabeleciam entre si e o nível relacional presente entre os significativos.

A satisfação ou insatisfação sentida pelas c/j através dos contactos que estabeleciam com os familiares indicam-nos se existia, ou não, uma boa relação entre as partes durante o período do acolhimento.

A participação das famílias no percurso escolar/profissional das c/j poderá ter influência numa melhor ou pior integração social aquando da saída do acolhimento.

Pouco mais de metade dos indivíduos confirmaram que existiam regras específicas relativas às visitas que os educandos recebiam ou faziam, as quais passavam pela identificação e responsabilização dos visitantes ou de quem recebia os educandos, nomeadamente ao nível do acompanhamento nas deslocações e do cumprimento de horários.

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Também, em relação à escola, existiam regras específicas a serem observadas, tal como nos informa integralmente a amostra, as quais se prendiam com aspetos como a assiduidade, pontualidade, bom comportamento e investimento nas atividades letivas.

As regras da instituição foram importantes para os indivíduos ao nível da formação da personalidade, do desenvolvimento e na adoção de códigos de conduta, nomeadamente na educação dos filhos.

A maioria dos indivíduos, entrevistados presencialmente (n=50), referiu alguns dos seus gostos no quotidiano institucional, isto é, certos aspetos que lhe davam mais satisfação, sendo que ressaltam a convivialidade, as boas condições habitacionais, as rotinas diárias, a oportunidade de poderem estudar e de terem férias e atividades de lazer, como integrando uma educação integral. Entre os aspetos menos apreciados são mencionados, entre outros, os conflitos relacionais, a falta de privacidade e o afastamento da família.

Para a generalidade dos jovens, a instituição tinha organizado um projeto de vida, o qual era comum aos outros jovens contemporâneos na resposta social. Para outros sujeitos a instituição tinha desenhado um projeto de vida que era individualizado. Na perceção de diversos inquiridos, a instituição tinha organizado um projeto de vida para o indivíduo que era semelhante ao dos seus pares nalguns aspetos e diferente noutros. Finalmente, alguns auscultados negaram a existência da construção de qualquer projeto de vida por parte da instituição.

O modo de organização do LIJ era semelhante a uma família devido à existência de regras familiares típicas (mas em maior número), à existência de relações interpessoais de qualidade e ao sentimento de pertença institucional – o LIJ era percecionado por alguns indivíduos como sendo a sua casa.

Outros casos exprimiram que o modo de organização do LIJ não era semelhante a uma família devido ao afastamento da família biológica, à elevada coexistência de indivíduos e à relação institucional que era mantida (impessoalidade; anonimato; distanciamento; respeito) e não de afeto – o que denota um ratio desequilibrado.

Por fim, alguns indivíduos revelaram que o modo de organização do LIJ era, concomitantemente, semelhante e diferente a uma família porque, por um lado, consideravam o LIJ “a sua casa”, porque existia bom relacionamento interpares (bom

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ambiente / entreajuda) e porque passavam muito tempo juntos, mas, por outro lado, por vezes, existia violência física e falta de respeito entre educandos e para com os educadores.

No LIJ alguns indivíduos sentiam-se “presos” devido ao afastamento familiar; à existência de restrição de movimentos e/ou de relacionamentos, porque recusavam o acolhimento ou pelo tipo de educação que recebiam (qualidade das inter-relações). Outras pessoas disseram que, enquanto estiveram acolhidos, podiam oscilar entre um sentimento de “liberdade” e um sentimento de “aprisionamento” porque a liberdade era limitada e controlada ou porque existiam, por exemplo, diferenças de abordagem aos educandos ao nível do género.

O sentir-se “livre” ou “aprisionado” também se relacionava com o estado de espírito circunstancial devido à impossibilidade de coexistência familiar, devido à localização geográfica do LIJ. Também podiam ter um sentimento de liberdade porque nunca sentiram a mesma declinada e um sentimento de clausura porque os horários eram muito controlados; podiam ter um sentimento de liberdade porque tinham garantias de bem-estar enquanto crianças e possuíam um sentimento de clausura porque tinham que dar satisfações (sentiam-se controlados).

Por fim, alguns entrevistados indicaram que se haviam sentido “livres”, enquanto viviam no LIJ, devido à ausência de restrição de movimentos físicos, à existência de bem- estar e de regras orientadoras.

Na perceção da maioria dos jovens, durante o tempo em que estiveram no LIJ/RAIA, não tiveram comportamentos que a instituição considerasse preocupantes, mas um grupo restrito, pelo contrário, revelou que teve condutas preocupantes a vários níveis (comportamental; criminal; educativo; escolar; socio relacional).

No âmbito das perceções e práticas da vida social/relacional, o que engloba o perfil dos amigos/relações, sentimentos, atividades e procedimentos quotidianos durante o período de institucionalização, a generalidade dos entrevistados assumiu ter tido uma relação positiva com os técnicos que operavam no LIJ, nomeadamente educadores, sendo que consideravam alguns (um, dois ou três) mais próximos de si durante o período de acolhimento.

No que toca a ações específicas desenvolvidas por técnicos afetos ao LIJ/RAIA, sentidas como tendo sido importantes, no sentido de preparar o futuro das c/j, foram

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mencionadas, a título ilustrativo, a construção do projeto de vida, o estabelecimento de rotinas diárias e inerente responsabilização, a participação em atividades desportivas e de lazer, a promoção da saúde e a transmissão de valores pessoais e de convivialidade.

A maioria dos auscultados teve, durante o acolhimento, auxílio especial no âmbito da psicologia ou do apoio escolar, como por exemplo, explicações e, sensivelmente, metade da amostra, considerou que foi positivo o usufruto desse apoio.

Tendo em conta as relações interpares dos entrevistados (os amigos na instituição), concluímos que existiam boas relações interpessoais embora, por vezes, existissem conflitos, essencialmente, porque foram construídas relações satisfatórias/saudáveis, num bom ambiente, (afeto; solidariedade; proteção; amizade; cumplicidade; respeito; etc.), sendo que algumas ainda perduram na atualidade.

Mais especificamente, maioritariamente, a relação da amostra com os colegas de quarto era positiva (afeto; saudável; próxima; cumplicidade; protetora; familiar; autoridade; interconhecimento; estabilidade) embora, por vezes, também existissem conflitos.

Grande parte dos entrevistados assumiu que eram recorrentes os conflitos interpares e que os mesmos eram resolvidos através de atos de violência, através do diálogo ou recorrendo à condescendência.

No que se refere às visitas em tempo de acolhimento, parte significativa das c/j visitavam as famílias ou contactavam com estas semanalmente ou quinzenalmente, aos fins de semana, e em férias escolares. Quase todos os inquiridos podiam visitar amigos e familiares no exterior do LIJ desde que combinado e autorizado pelos cuidadores.

As c/j eram, na generalidade, acompanhados por familiares nas idas e nos regressos a casa numa fase inicial e, posteriormente, passaram a empreender as deslocações sozinhos numa sequência que se prendia com o seu amadurecimento e autonomia. Porém, alguns mencionaram que eram sempre acompanhados por familiares nas deslocações. A maioria dos entrevistados escusou-se a responder sobre os sentimentos experimentados quando via os familiares menos vezes, no entanto, alguns disseram ter tido sentimentos negativos.

Os contactos telefónicos com pessoas do exterior eram permitidos desde que a autorização para os efetuar fosse solicitada segundo horários previamente acordados. Os contactos telefónicos eram feitos em condições de privacidade.

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No que se alude a conversas dos técnicos com as c/j, sobre as famílias dos segundos, as opiniões dividem-se, sendo que uma parte referiu que essa temática não era abordada e outra metade expôs que lhe falavam sobre a família no sentido de partilharem como se encontravam e como se relacionavam e para estimular a reaproximação familiar.

A maior parte da amostra não gostava de ter podido passar mais tempo fora da instituição porque em sua casa sentia-se sozinha, porque foi o período de tempo necessário para o seu desenvolvimento ou porque se sentia bem integrada no LIJ, uma vez que interagiam muito com o exterior, nomeadamente através da frequência escolar. Uma orla da amostra referiu que gostaria de ter podido passar mais tempo fora do acolhimento, mas reconhece as difíceis condições sociofamiliares, embora fosse gratificante estar com a família e, também porque gostava de se ter tornado autónoma mais cedo.

A maioria dos sujeitos referiu que em acolhimento tinha amigos fora do LIJ, nomeadamente na escola e na zona habitacional da família. Para muitos, os amigos mais importantes, nesta época, foram os do LIJ porque constituíam uma estrutura sólida (proximidade; cumplicidade; confiança; convívio; apoio), dado que partilhavam o mesmo tipo de situações.

Para outros entrevistados, ambos os amigos (do LIJ e do exterior) foram importantes porque uns e outros tiveram influência na sua personalidade/desenvolvimento porque, com os amigos do LIJ, podiam partilhar histórias de vida semelhantes e os amigos do exterior permitiam-lhes ter outra noção de família. Assim, era possível que existisse proximidade relacional (entreajuda; convívio) com os dois. Contudo, para uma parte residual de indivíduos os amigos mais importantes, nessa época, foram os que tinham no exterior do LIJ porque colmatavam lacunas sentidas no acolhimento, partilhavam interesses comuns e passavam mais tempo juntos e, também, porque permitiam o contacto com outras realidades/experiências e aproximavam-se mais do padrão social comum. Bastantes inquiridos ainda têm na atualidade relações de amizade criadas no período de acolhimento com pessoas exteriores à instituição.

A escolaridade adquirida até ao fim do acolhimento institucional pode ser indicadora do (in)sucesso da integração social na medida em que uma baixa escolaridade não permite empregabilidade ou apenas possibilita empregabilidade precária. Também, as

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escolas frequentadas pelos jovens, durante o período de acolhimento, podem indicar como foi trabalhada pelo LIJ a integração social.

Relativamente às perceções dos indivíduos sobre as suas práticas de vida escolar, durante o período de institucionalização, recolhemos dados relevantes para a compreensão das suas trajetórias de vida antes, durante e após a institucionalização. Praticamente todos os entrevistados iam à escola quando estavam em acolhimento, embora uma parte muito residual admita que que, às vezes, era absentista.

O facto de o LIJ promover ações de orientação escolar e profissional pode demonstrar a forma como a instituição se posiciona face aos percursos empreendidos pelas c/j no âmbito escolar e profissional.

A realização de curso profissional, durante o período de acolhimento, pode permitir compreender como foi o (in)sucesso da integração social. Em acolhimento a maior parte dos sujeitos frequentaram cursos profissionais de nível II ou de nível III e, uma ínfima parte, frequentou o ensino superior ainda em acolhimento. O apreço, ou não, dos jovens pela frequência escolar pode ser indicador do seu (in)sucesso ao nível da integração social.

Indagados sobre o que mais gostavam na escola, os entrevistados salientaram aspetos de que gostavam mais e outros de que gostavam menos.

Fig. 18 – Aspetos escolares de satisfação e insatisfação * Das aprendizagens/resultados

obtidos

* Das atividades extracurriculares * Das opções escolares possíveis