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METHODOLOGIES FOR GAS DETECTOR LAYOUT

No decorrer de toda a análise falaremos de apoio matricial como uma estratégia que permeia e direciona a proposta de ação do NASF como um todo. No entanto, nas entrevistas apenas dois psicólogos citam nominalmente o apoio matricial como parte de sua atuação. O fato de uma parcela tão pequena dos entrevistados falar sobre o apoio matricial (que deveria ser central na concepção do trabalho no NASF) é preocupante, mas mais alarmante é perceber que em apenas uma das entrevistas é percebida a real presença do apoio matricial nas atividades relatadas.

Apenas o Psicólogo 5 fala com propriedade e coerência sobre o Apoio Matricial, e indica este como base de sua atuação em todo seu relato. A equipe NASF em que atua o Psicólogo 5 teve uma trajetória peculiar de desenvolvimento. O Psicólogo 5, vindo de uma trajetória profissional ligada à Saúde Pública e ao estudo e implantação da Política Nacional de Humanização, entrou na equipe NASF no momento em que esta se estruturava, e sua experiência no campo teve importante influência no modelo de ação que esta equipe NASF desenvolveria.

Em um primeiro momento foram organizadas oficinas de formação para a equipe NASF que se estabelecia, nas quais o Psicólogo 5 assumiu um papel de liderança direcionando a capacitação na busca por elaborar estratégias de atuação que fossem coerentes e condizentes com os princípios da Atenção Básica, da PNH, e das diretrizes

75 do NASF. Somando-se às oficinas a equipe entrou em contato com a comunidade (construindo um diagnóstico da situação da mesma) observando as demandas e necessidades e iniciando, a partir daí, um trabalho pautado no apoio matricial e organizando-se enquanto equipe multiprofissional integrada.

Eu me lembro que a gente, durante a semana, a gente sentava duas ou três vezes pra discutir casos. Todo mundo, inclusive o pediatra, a farmacêutica, todo mundo. E a gente ia nas localidades, o pessoal falava dos casos (...) E os profissionais, eles iam contribuindo, a gente ia meio que montando um plano terapêutico compartilhado (Psicólogo 5)

Este modelo de atuação sofreu profundas mudanças quando houve o estabelecimento de uma nova gestão, que não havia passado pelo processo de preparo para a atuação que esta equipe NASF teve a oportunidade de construir e vivenciar. A postura da nova gestão (não conhecendo o modelo de trabalho desenvolvido no NASF) somou-se à pressão da comunidade que, sem compreender o papel do NASF e sofrendo com o esfacelamento da rede de saúde, requeriam atendimentos ambulatoriais nas especialidades.

A gente tinha noção do que é que era pra fazer, mas eles não estavam preparados. É interessante isso, né? Teve uma barreira muito grande por causa disso. Resumindo a história, eles pediram pra gente reestruturar tudo, né? Desfazer o que a gente estava fazendo. “Não, porque vocês têm que estar atendendo!”. Chegaram assim, né? E a gente tentou segurar a barra, mas não conseguiu. Tentamos segurar no apoio, mas a gestão bateu o pé: “não, vocês vão ter que atender, vai ter que ser assim”. E ai a gente teve que implantar o ambulatório. (Psicólogo 5)

76 Na tentativa de conciliar as pressões da gestão com o que entendiam como uma atuação apropriada para o NASF, hoje organizam suas atividades de forma que realizam atendimentos ambulatoriais em dois dias da semana e reservam os outros três dias para trabalhar o apoio matricial nas diversas atividades que desenvolvidas.

Nos três dias dedicados ao apoio matricial realizam atividades de capacitação direta às equipes, visitas domiciliares e grupos como apoiadores da equipe de referência, além do constante trabalho pedagógico nas discussões de casos e atividades realizadas sempre em conjunto com as equipes SF.

Então, as ações de apoio matricial, elas podem... Pode ser uma reunião, pra discutir algum caso. Eu entendo isso como parte do apoio matricial. Com cada profissional discutindo, dando a sua contribuição. Pode ser a participação do NASF em alguma ação coletiva (...) Eu acho que também é apoio matricial a gente cobrar deles, a iniciativa deles, das equipes de saúde da família (Psicólogo 5)

O apoio matricial propõe uma relação horizontalizada entre as equipes na qual a equipe apoiadora ofereça uma retaguarda especializada à equipe de referência, buscando, por meio do constante exercício pedagógico permeando as atividades matriciais, capacitar as equipes contribuindo com a autonomia da equipe SF na efetivação do cuidado integral, universal e equânime à saúde. “Assim também acontece, por exemplo, com o agente de saúde, enfermeiro, eu procuro muito passar pra eles que eles são capazes de dar conta de algumas demandas” (Psicólogo 5).

A prática do apoio matricial pela equipe do Psicólogo 5 faz com que este caso se diferencie dos dados das demais entrevistas na maioria dos tópicos de análise, pois o

77 apoio é mais do que uma atividade pontualmente realizada em seu cotidiano, mas sim um método de trabalho que permeia sua ação em tudo que realiza no trabalho no NASF.

Por ser o Apoio Matricial a estratégia primordial de orientação do trabalho no NASF, este deveria ser igualmente imprescindível na prática dos profissionais que lá atuam. No entanto o que vemos é a ausência de ações de apoio e mesmo de reflexões sobre o tema nas entrevistas obtidas. Em detrimento da lógica apoiadora e suas bases no trabalho em equipe com extensa troca de saberes, o que prevalece na prática dos psicólogos entrevistados (e pode ser observado nos tópicos de atividades que se seguem) é a orientação de suas ações preservando o viés clínico tradicional e individual, priorizando as ações diretas ao usuário em lugar de ações dentro da equipe NASF e com as equipes de referência.