As obras de infraestrutura rodoviária, por serem fundamentais como indutoras do desenvolvimento econômico, produzem modificações ambientais significativas. Portanto, é constante a busca nessa área por materiais que reduzam os impactos ambientais, de forma a evitar ou mitigar os seus efeitos. Caso não sejam avaliados previamente, alguns materiais utilizados em infraestrutura podem provocar danos irreversíveis, em nível local e regional a médio e longo prazo (DNIT, 2006).
Com a finalidade de buscar produtos alternativos menos poluentes para aplicação em serviços de imprimação alguns autores fizeram uso de vários tipos de óleos de base vegetal para diluição do Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP). Seguindo essa tendência de uso de biodiluentes ao CAP, o Laboratório de Mecânica dos Pavimentos (LMP) da UFC (Universidade Federal do Ceará) vem estudando, desde o ano de 2005, óleos de base vegetal para modificação de ligantes, bem como novos ensaios que possam ser aplicados para melhor avaliar a imprimação. Os principais estudos desse grupo podem ser consultados em Rabêlo (2006), Silva (2009), Vasconcelos (2009), Silva (2012), Almeida (2013 e 2014) e Gondim (2015).
Dantas Neto (2001) estudou a utilização de uma emulsão asfáltica a base de óleo de xisto, denominada CM PLUS, como alternativa ao CM-30. De acordo com o pesquisador essa emulsão obteve valores de penetração no solo de forma semelhante ao CM-30, sendo recomendada sua utilização em serviços de imprimação. Entretanto, o mesmo autor relatou que em elevadas condições de secagem superficial do solo compactado, o ligante testado perde a capacidade de penetração, o que provavelmente se deve a ruptura prematura da emulsão provocada pela perda de água da emulsão para solo.
Castro (2003) estudou o emprego da emulsão de óleo de xisto em serviços de imprimação betuminosa e constatou vantagens quanto ao seu uso, do ponto de vista técnico, econômico e ambiental. Essa emulsão se mostrou ser mais econômica, oferecendo alta penetração devido a sua baixa viscosidade, e baixa volatilidade, reduzindo assim, a emissão de nocivos no meio ambiente.
Rabêlo (2006) em sua pesquisa investigou o comportamento de uma mistura composta por 60% de CAP (cimento asfáltico de petróleo) e 40% de LCC (Líquido da Casca da Castanha de Caju) quanto à penetração da imprimação. O autor obteve resultados favoráveis, do ponto vista técnico para a penetração em solo do tipo mais arenoso. Esse autor também testou a emulsão RM-1C sem diluição em água e, verificou que a mesma não penetrou em nenhuma das amostras de solos estudadas. Esse pesquisador concluiu que as emulsões convencionais não se adequam aos serviços de imprimação betuminosa.
Rabêlo (2006) relatou ainda que, de forma geral, na literatura nacional e internacional várias são as vantagens para a utilização de emulsões asfálticas em serviços de pavimentação, tais como economia de energia, produção de grandes volumes e baixas dosagens de ligantes. A pesquisa desse autor corroborou o trabalho internacional de Buttom e Mantilla (1994) que alertaram para o fato das emulsões não serem tão poluentes quanto os asfaltos diluídos, em virtude da presença dos emulsificantes necessários para estabilidade da emulsão.
Vasconcelos (2009) utilizou uma mistura de CAP com biodiesel de soja, denominado CAP/BIO, na proporção de 60% de CAP e 40% de biodiesel, como uma tentativa inicial de empregar biocombustíveis como diluentes do asfalto. Essa mistura foi aplicada como imprimação alternativa de uma base constituída por solo e Resíduo de Construção e Demolição (RCD). Esse autor verificou que o material testado se mostrou viável do ponto de vista de penetração, pois atingiu penetrações maiores que 4 mm, que é um valor de referência mínimo, segundo a literatura pesquisada.
Silva (2009) utilizou uma mistura de CAP com biodiesel de soja, denominado CAP/BIO, na proporção de 60% de CAP e 40% de biodiesel, como uma tentativa inicial de empregar biocombustíveis como diluentes do asfalto. Essa mistura foi aplicada como imprimação alternativa de uma base constituída por solo e Resíduo de Construção e Demolição (RCD), nas proporções de 40, 50 e 60% de RCD na mistura com o solo. Esse autor verificou que o material testado se mostrou do ponto de vista de penetração viável em bases mais secas e com energias de compactação abaixo da modificada, pois só assim, atingiu penetrações maiores que 4 mm, tida como satisfatória segundo a literatura pesquisada.
Ramalho (2011) ao testar uma emulsão de óleo de xisto na imprimação de solos finos lateríticos verificou que o material testado obteve baixas penetrações, mas todas dentro do limite mínimo encontrado na literatura pesquisada. Constatou também que o tempo de secagem da superfície interfere diretamente na penetração da emulsão.
Silva (2012) testou uma Emulsão de Cera de Carnaúba (ECC), acreditando-se que sua capacidade aglutinante pudesse ser aproveitada para fins de aplicação em serviços de imprimação de rodovias. Os testes iniciais foram satisfatórios do ponto de vista da penetração do material na base testada, embora sua percepção tenha sido dificultada pela transparência da emulsão e concluiu que seria necessário pigmentar a emulsão e realizar outros ensaios de avaliação de imprimação para atestar sua viabilidade para fins rodoviários.
Essa última autora testou ainda misturas de CAP/ECC, CAP/emulsão de LCC e uma Emulsão de LCC, onde as misturas à base de CAP não apresentaram penetração. Entretanto, a emulsão de LCC apresentou resultados médios de penetração favoráveis (6,0 mm) em uma amostra de solo arenoso, sendo, para tanto, necessários mais testes para atestar o emprego desse material em serviços de imprimação.
Gondim (2015), ao testar um CAP modificado com 10% de seiva de aveloz, diluído com D- limoneno na proporção de 52% CAP com 48% de solvente, verificou que o ADP obtido apresentou resultados satisfatórios quanto à penetração da imprimação quando comparado ao ligante de referência CM-30.
É consenso entre os autores pesquisados de que são necessários estudos de novas alternativas que visem à redução de poluentes nos serviços de imprimação betuminosa. Surgem como soluções as emulsões e ligantes alternativos que utilizam diluentes vegetais com o objetivo de reduzir as taxas de emissão de agentes nocivos, além do fato de contribuir para uma menor dependência do petróleo, reduzindo assim o efeito estufa, problema muito discutido na atualidade.