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O conjunto de ações desenvolvidas coletivamente pelos trabalhadores integrando-os socialmente em defesa de seus interesses na luta por melhoria salarial e condições de trabalho é conhecido como sindicalismo, força transformadora da própria sociedade, nos marcos do capitalismo. As teorias sobre a criação do sindicalismo têm caráter geral e refletem só uma ou outra das diversas alternativas presentes no movimento sindical em diversos países e períodos históricos (REGINI: 1150). Elas têm cumprido, ao mesmo tempo, um papel de análise e de doutrina apresentadas por Karl Heinrich Marx16 (1818-1883); por Georges Eugêne Sorel17 (1847-1922); Selig Perlman18 (1888-1959) e Martha Beatrice Potter Webb19 (1858 - 1943) e Sidney James Webb20 (1859-1947) sobre o sindicalismo anglo-saxão.

Para a teoria marxista, o sindicato é um instrumento importante de organização da classe operária para a luta econômica, contudo, cumpre um papel na luta política contra o Estado, o qual, para esta teoria, tem um viés de classe, o da classe dominante. O sindicalismo, formado pelo conjunto dos sindicatos é visto pelo marxismo como instrumento de mudança. A classe operária e suas lutas têm um papel central na constante tensão para transformação da sociedade e conquista de um novo ordenamento social.

Georges Sorel, considerado fundador do sindicalismo, busca na autonomia operária uma “sociedade total” contrapondo-se à burguesa em decadência, ao Estado a seu serviço, e aos partidos políticos. Seu conceito de greve geral espontânea contribuiu significativamente para formação das oposições anarco-sindicalistas que tiveram forte atuação no século XIX e início do XX, entre a classe operária européia.

No sindicalismo anglo-saxão, a abordagem de Beatrice e Sidney Webb, teóricos do trade-unionism inglês de tipo funcionalista, considera o sindicato como meio para atingir fins no dia 1º de Maio, origem do Dia do Trabalhador em todo o mundo. Apud CONFEDERACION FRANÇAISE DEMOCRATIQUE DU TRAVAIL. Le tertiaire eclaté: travail sans modèle. Paris: Ed. Du Seuil, 1980 p. 65-100.

16 Socialista alemão, pai do comunismo moderno dedicou sua vida a combater o regime capitalista, elaborou teorias como: a mais valia, a luta de classes, a determinação da consciência pela economia. Entre suas ações destaca-se a fundação da 1ª Internacional. Friedrich Engels (1820-1895) seu parceiro, escreveram o “Manifesto Comunista” em 1848.

17 Georges Eugene Sorel, (02/11/1847-29/08/1922) filósofo francês e teórico do sindicalismo, defensor da greve geral espontânea, estudou na Escola Politécnica de Paris, graduado em Engenharia, tinha ligações com o movimento sindical nacionalista italiano a partir do qual surge o Fascismo. Foi monarquista e tradicionalista antes de aderir ao marxismo ortodoxo que depois abandonou, apoiava os valores mais associados ao conservadorismo, embora acreditasse na aplicação da força como a única forma de se conquistar mudanças.

18 Nasceu na Polônia (1888), filho de judeu ganhou bolsa para o colégio estatal aprendendo russo e outras línguas. Através dos trabalhos de Georgi Plekhanov tornou-se um fervoroso marxista. Impedido de obter educação superior na Rússia partiu para a Itália. Na Universidade de Turim estudou medicina e aprendeu italiano, aderiu à União Geral do Trabalho judaica. Em 1908 chega à cidade de Nova Iorque através do casal William English Walling e Anna Strunsky, onde se graduou em Economia com tese sobre a história do socialismo, doutorando-se na Universidade de Wisconsin-Madison‟s em 1915. 19 Historiadora, socialista e ativista política da Inglaterra. Casou-se com Sidney James Webb em 1892, cujo nome de solteira é Potter. Ambos pioneiros em reformas econômicas e sociais na Inglaterra escreveram em conjunto obras importantes, destacando-se em 1894 A História do Sindicalismo.

34 limitados num duplo sentido: para a defesa dos operários e da ação do mercado. A atividade sindical para essa concepção deve ser compatível com a funcionabilidade do sistema no atendimento das exigências da indústria para conseguir a produtividade empresarial.

Selig Perlman nasceu na Polônia radicando-se nos Estados Unidos a partir de 1908, principal teórico norte-americano do sindicalismo anglo-saxão, ao contrário, hierarquiza as necessidades dos operários, entendendo-os como grupo autônomo, dando conseqüência à ação política reformadora baseada numa pretensa “mentalidade sindical” tendo como cerne a “consciência da escassez das oportunidades econômicas”. Essa teoria concebe a necessidade de a organização operária dominar os postos de trabalho e, de acordo com as regras sindicais, dividí-los entre os parceiros. Deixa evidente a rejeição da ação de massa para modificar o sistema capitalista – uma tendência business unionism americana – o sindicato de negócios.

Nesta evolução histórica, percebe-se que o sindicalismo, no fundamental tem dupla origem: primeiro na solidariedade e defesa para a constituição de sociedades de mútua ajuda e de ligas de resistência; e segundo de revolta contra o modo de produção capitalista lutando por direitos políticos. As tendências construídas no meio operário e visam à constituição de uma cultura autônoma, baixo grau de centralização, lutas repentinas, violentas e ilegais e careciam de uma burocracia. As características atuais do capitalismo conformam a capacidade de expansão das forças produtivas e a incapacidade de distribuir a riqueza produzida pelo trabalho, como afirma Marx no Manifesto. A hegemonia do setor financeiro, na atual fase, desvaloriza cada vez mais o trabalho humano provocando uma crise sem precedentes.

No final do século XX (década de 1990) as condições econômicas do capitalismo em geral se agravaram no mundo, prolonga-se até início século XXI acentuado nas camadas populares um comportamento defensivo voltado para a garantia de um posto de trabalho, levando trabalhadores e trabalhadoras a se deslocarem das ações coletivas num comportamento qual “cada um que se cuide”. Lideranças sindicais tornam administradores/as do sindicato, ser diretor sindical é a própria vida. Não há renovação do quadro sindical, antigos sindicalistas (em algumas categorias), incrustam-se no poder sobressaem práticas de prestação de serviços e formas de lazer para os afiliados. Articulação em nível do poder para tencionam o governo e avançar através das centrais sindicais, mas, depositam no governo central, esperanças para garantir mudanças objetivas.

35 Estudiosos do sindicalismo constatam dois fenômenos sociológicos: a redefinição de um novo campo de luta e o declínio do sindicalismo (GIROLETTI21, 2007: 311). Diante do que Ricardo Antunes aponta para o desenvolvimento de ações políticas no campo sindical articuladas ao movimento social na possibilidade de aglutinar trabalhadores empregados, pessoas com vínculo ao mercado formal e informal, mulheres e homens. Insiste em que o sindicalismo deve projetar perspectivas sociais para todos/as que vivem da sua FT para o ganha-pão. Expõe que os sindicatos devem mudar posturas e impulsionar a unidade da “classe-que-vive-do-trabalho”, homens e mulheres trabalhadores. Evidencia que as mulheres sempre estiveram excluídas, complementa: “Devem articular as questões de classe com aquelas que dizem respeito ao gênero” (ANTUNES, 1999)22.

Giovanni Alves (2007) expondo sobre as tarefas do sindicalismo no século XXI diante dos impasses da atualidade propõe que “o sindicalismo deve recuperar o princípio político clássico do sindicato como “escola da luta de classes”” tornarem-se centros de organização da classe, (...) ir além da luta econômico-corporativa (ALVES, 2007: 254).