científica
M aria Cecília Guedes Condeixa Zuleika de Felice M urrie M aria da Graça Bompast or Borges Dias Reginaldo Pint o de Carvalho
Considerações gerais
As dif erent es linguagens evoluíram com dif erent es áreas de co- nheciment o e são part e da cult ura, em sent ido amplo. As linguagens são ut ilizadas t ant o na descrição de dados e inf ormações, sendo seus inst rument os de regist ro, como são expressões de hipót eses, conceit os e t eorias. Um novo conheciment o é criado com a produção de uma nova linguagem, modif icando aquelas pré- exist ent es, conf erindo no- vos signif icados a palavras, est abelecendo novos códigos. Também são port adoras de emoções, regist ros de vivências e expressões mais subje- t ivas. Diversidade e t ransdisciplinaridade são caract eríst icas das lin- guagens, de modo geral.
A assimilação e a const rução das linguagens f az- se por múlt iplas aprendizagens ao lon- go da escolaridade, t ornando- se crescent ement e mais complexas, abrangent es e rigorosas. Tal aprendizagem envolve operações desde as mais f undament ais, t ais como nomear, comparar, medir e ident if icar regularidades, at é out ras mais complicadas, como const ruir explicações, deduzir, analisar e concluir sobre das mais diversas sit uações e represent ações do mundo.
Consideradas em conexão a dif erent es campos do saber humano, o domínio das lingua- gens envolve a apreensão de códigos e símbolos, as dist inções e as correlações ent re t ext o e cont ext o, a conf ront ação de opiniões e o respeit o à diversidade de manif est ações cult urais. Trat a- se de aprendizagem concomit ant e à f ormação da própria ident idade do sujeit o que aprende e se desenvolve.
Assim, a Compet ência I abarca desde a leit ura e int erpret ação da língua mat erna e a compreensão dos princípios dos element os gráf icos ou geomét ricos, da quant if icação e da est at íst ica, at é a est rut uração das diversas linguagens cient íf icas. Nesse campo, para a compre- ensão do alcance das t eorias, é requisit ada a dist inção ent re f at os, hipót eses e opiniões.
As habilidades associadas à Compet ência I são necessárias às int erpret ações de dados ou de objet os de conheciment o associados à mat emát ica, às ciências e às art es. Tais int erpret ações podem circunscrever- se ao âmbit o de det erminada ciência, como podem requerer o est abele- ciment o de relações ent re linguagens dif erent es. À luz dessas considerações gerais, f aremos breves coment ários a respeit o de cada habilidade a ela af im, dest acando alguns modos pelos quais as habilidades relacionam- se a essa compet ência.
Habilidades
1. Dada a descrição discursiva ou por ilust ração de um experiment o ou f enômeno, de nat ureza cient íf ica, t ecnológica ou social, ident if icar variáveis relevant es e selecio- nar os inst rument os necessários para a realização ou a int erpret ação do mesmo.
Desenhos, gráficos, esquemas e/ou textos que descrevem experimentos, situações reais e suas explicações ou hipóteses explicativas são registros que podem ser analisados e inter- pretados de diferentes formas, tais como a identificação, comparação e interpretação de variáveis. Indo mais além, pode- se propor intervenção, ou solução aos objetos em análise (experimento ou fenômeno), selecionando- se tecnologias ou instrumentos adequados.
2. Em um gráf ico cart esiano de variável socieconômica ou t écnico- cient íf ica, ident if i- car e analisar valores das variáveis, int ervalos de cresciment o ou decréscimo e t axas de variação.
A habilidade requer conheciment os f undament ais de est at íst ica, largament e empre- gados em várias sit uações do cot idiano ou das ciências.
3. Dada uma dist ribuição est at íst ica de variável social, econômica, f ísica, química ou bi ol ógi ca, t r aduzi r e i nt er pr et ar as i nf or m ações di sponívei s, ou r eor gani zá- l as, objet ivando int erpolações ou ext rapolações.
A habilidade t rabalha com os mesmos objet os de conheciment o da ant erior, sendo propost o maior alcance e complexidade da análise. Para t raduzir, int erpret ar ou reor- ganizar dados est at íst icos são requisit ados conceit os t eóricos de det erminada(s) ciência(s), o que supõe a apreensão mais subjet iva das linguagens que na habilidade ant erior. Desse modo, t ambém é possível selecionar e/ou just if icar int erpolações e ext rapolações.
4. Dada uma sit uação- problema, apresent ada em uma linguagem de det erminada área do conheciment o, relacioná- la com sua f ormulação em out ras linguagens ou vi ce- ver sa.
Trabalha- se aqui a possibilidade de apresent ar e int erpret ar uma mesma sit uação por meio de dif erent es códigos de linguagem, t ais como um gráf ico ou t abela, um esque- ma, ou t ext os de dif erent es nat urezas, relacionados à lit erat ura, às art es, às ciências ou ao cot idiano (quadrinhos, propaganda, et c.).
5. A part ir da leit ura de t ext os lit erários consagrados e de inf ormações sobre concep- ções art íst icas, est abelecer relações ent re eles e seu cont ext o hist órico, social, polí- t ico ou cult ural, inf erindo as escolhas dos t emas, gêneros discursivos e recursos expressivos dos aut ores.
A habilidade procura avaliar o conheciment o sobre uma linguagem manif est a por um código específ ico, o art íst ico, const ruído nas relações do campo da art e com seus esquemas de valores próprios, manif est os na produção de t ext os e na leit ura de det er- minados campos de divulgação do objet o art íst ico.
6. Com base em um t ext o, analisar as f unções da linguagem, ident if icar marcas de variant es lingüíst icas de nat ureza sociocult ural, regional, de regist ro ou de est ilo, e explorar as relações ent re as linguagens coloquial e f ormal.
A habilidade indica o reconheciment o da linguagem verbal como objet o de ref lexão sobre sua f unção e uso social, t endo em vist a a compreensão da língua mat erna como represent ação da cult ura e das ident idades.
11. Diant e da diversidade da vida, analisar, do pont o de vist a biológico, f ísico ou químico, padrões comuns nas est rut uras e nos processos que garant em a cont inui- dade e a evolução dos seres vivos.
A habilidade demonst ra a apreensão de códigos cient íf icos básicos (linguagem cien- t íf ica) que explicam o f enômeno da vida. Compreende a observação, ident if icação e/ ou int erpret ação de regularidades (padrões) em cert as cat egorias de f enômenos na- t urais, associados à caract erização dos ambient es e à sobrevivência, adapt ação, re- produção e evolução das espécies.
12. Analisar f at ores socioeconômicos e ambient ais associados ao desenvolviment o, às condições de vida e saúde de populações humanas, por meio da int erpret ação de dif erent es indicadores.
Manif est ações do cot idiano (t ext os de jornal, f ot os, depoiment os) e dados est at íst i- cos ou suas int erpret ações são objet os passíveis de análise para a ident if icação de f at ores int ervenient es na saúde e nas condições de vidas humanas. Comparar dados, const ruir explicações, dest acar opiniões e levant ar hipót eses são operações pert i- nent es a est a habilidade.
13. Com pr een der o car át er si st êm i co do pl an et a e r econ h ecer a i m por t ân ci a da biodiversidade para a preservação da vida, relacionando condições do meio e in- t ervenção humana.
A habilidade supõe a compreensão de hipót eses e t eorias explicat ivas a respeit o da interação entre os fenômenos naturais, no âmbito de determinado ambiente ou de todo o planeta, bem como a discussão a respeito da produção ou intensificação de fenômenos na natureza como efeitos da ação humana. Do mesmo modo que na habilidade anterior, comparar dados, construir explicações, destacar opiniões e levantar hipóteses são operações pert inent es.
14. Diant e da diversidade de f ormas geomét ricas planas e espaciais, present es na na- t ureza ou imaginadas, caract erizá- las por meio de propriedades, relacionar seus element os, calcular compriment os, áreas ou volumes, e ut ilizar o conheciment o geomét rico para leit ura, compreensão e ação sobre a realidade.
A habilidade sit ua os f undament os do conheciment o geomét rico, t omando como pont os de part ida f ormas nat urais ou imaginadas. Comparar element os geomét ricos e suas represent ações, analisar e aplicar conheciment o geomét rico são algumas pos- sibilidades de t rabalho com est a habilidade.
18. Valorizar a diversidade dos pat rimônios et nocult urais e art íst icos, ident if icando- a em suas manif est ações e represent ações em dif erent es sociedades, épocas e lugares.
A habilidade solicit a o est abeleciment o de relações ent re manif est ações art íst icas, regist radas em dif erent es linguagens, aos seus cont ext os ét nicos e hist óricos. Possibilit a
organizar a ident if icação e dif erent es análises de sit uações cult urais de valor univer- sal. A at ribuição de valores ét icos ou o repúdio aos preconceit os é princípio f unda- ment al no desenvolviment o e expressão dest a habilidade.