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7.5 Hypothesis Discussion

7.5.2 Hypothesis 2

Ainsworth nasceu no Ohio em 1913, mas passou grande parte da sua vida em Toronto, Canadá. Aos 16 anos entrou na Universidade de Toronto, tendo obtido o seu título de

graduação em 1935 e os seus pais apoiaram o seu desejo de fazer o doutorado. Na sua vida acadêmica de doutorado, conheceu William Blatz e a sua teoria da segurança, na qual ele defendia que a criança precisava de segurança e de se sentir segura para que pudesse crescer e se desenvolver em todos os níveis. Segundo ele, a criança desenvolvia um sentimento de

dependência segura ao estar junto de seus pais e era esse sentimento de segurança que lhe permitiria explorar o mundo à sua volta e dessa maneira, desenvolver as destrezas necessárias para lidar com esse mundo. No fundo, os pais forneciam uma base segura para a criança explorar o mundo (Carrillo, 1999; Bretherton, 2003).

Ainsworth continuou os seus estudos na Universidade de Toronto tendo obtido o seu mestrado em 1936 e o seu doutorado em 1939, tendo desempenhado de imediato a função de docente por três anos. Com o início da guerra, ela interrompeu os seus planos acadêmicos e ingressou no Corpo das Mulheres da Armada Canadense, onde permaneceu por quatro anos. Em 1946, retornou à Universidade de Toronto como professora assistente, tendo retomado a sua investigação na teoria da segurança com Blatz e onde também realizou trabalhos com técnicas projetivas de avaliação. Em 1950, casou-se com um veterano de guerra e estudante de psicologia, Leonard Ainsworth, tendo ido com ele para Inglaterra onde ele foi fazer o seu doutorado. Em Londres, Ainsworth conseguiu um emprego na Tavistock Clinic sob a

supervisão de Bowlby, entrando na pesquisa acerca da influência das separações prolongadas da criança de sua mãe. Bowlby e Ainsworth tornaram-se parceiros durante várias décadas partilhando as suas experiências e conhecimentos, os quais determinaram o curso das décadas que se seguiram no que diz respeito à psicologia do desenvolvimento (Carrillo, 1999;

Bretherton, 2003).

Na Clínica Tavistock, ela conheceu James Robertson com quem trabalhou na observação de crianças institucionalizadas e hospitalizadas. Naqueles tempos, as visitas parentais aos seus filhos hospitalizados não eram permitidas e o estresse infantil da separação dos seus pais era completamente ignorado e desvalorizado. Uma das tarefas de Ainsworth era ajudar Robertson na tomada de notas e observações detalhadas dessas crianças, tendo sido com ele que ela aprendeu o método e a arte da observação detalhada, que ela viria a usar mais

tarde durante os seus estudos. Por outro lado, como já mencionado, James Robertson

aprendeu o método de observação detalhada com Anna Freud, que exigia anotações cuidadas e completas de todos os comportamentos das crianças que passavam pelo seu centro de enfermagem e apoio, de forma, que essas anotações pudessem ser confrontadas com as dos outros profissionais que também trabalhavam no seu centro (Bretherton, 2003).

Em 1953, e após ter terminado o seu doutorado, o seu marido obteve um trabalho no Uganda, para onde ele e Ainsworth viajaram em 1954. Ainsworth permaneceu naquele país por dois anos, tendo também levado a cabo um estudo longitudinal na área do

desenvolvimento sócio emocional com vinte e oito bebês e suas mães, tendo observado semanalmente as suas relações durante nove meses. Ela acabou por classificar as relações dos bebês com suas mães em três tipos: apego seguro; apego não seguro ou inseguro e não apego (Carrillo, 1999).

Em Uganda, Ainsworth redescobriu o fenômeno da base segura de Blatz, que ela já tinha escrito na sua tese de doutorado. O padrão referido como “usar a mãe como uma base segura”, salientava o fato de que existia um bom desenvolvimento quando existia um bom apego e que esse bom apego significava um aumento de competência e de independência. Mas, por outro lado, eram as crianças inseguras que se agarravam a suas mães e se recusavam a abandoná-las, enquanto que as seguras se afastavam, mas mantinham sempre um olho na mãe e no paradeiro dela, voltando para ela sempre que lhe queriam mostrar algo ou trazendo- lhe algo, mostrando um forte interesse em compartilhar com ela as descobertas que faziam, assim como o seu prazer em explorar as maravilhas do mundo que exploravam. Desta

maneira, o apego apoia e reforça o desenvolvimento das competências e da autoconfiança das crianças (Bretherton, 2003).

realizou o seu segundo estudo longitudinal, com vinte e seis bebês e suas mães, mas desta vez em Baltimore onde ela, a cada três semanas, observou o comportamento e relacionamento de bebês com suas mães durante o seu primeiro ano de vida. As visitas às famílias duravam quatro horas de maneira a encorajar as mães a terem um comportamento normal e natural com os seus filhos, enquanto faziam as suas rotinas diárias (Bretherton, 2003). Uma vez que ela encontrou algumas diferenças entre estas crianças e as crianças que tinha observado em Uganda, ela acabou por desenvolver uma metodologia, conhecida como a Situação do

Estranho, para poder fazer uma observação mais sistemática e precisa de maneira a encontrar uma explicação para essas diferenças. Com esta nova metodologia – Situação do Estranho – foram encontradas diferenças e similaridades entre diversas culturas, o que permitiu uma maior compreensão acerca do apego como fenômeno universal transcultural (Carrillo, 1999; Ainsworth, Blehar, Waters, & Wall, 1978).

O conceito de base segura que Ainsworth trouxe para a teoria do apego diz que é a partir dessa base segura que o bebê explora o mundo. A mãe, funcionando como base segura, está presente sempre que qualquer ameaça se apresente ou sempre que o bebê sinta alguma necessidade de conforto e de apoio. Ainsworth também trouxe o conceito de sensibilidade responsiva por parte do cuidador, sendo que esta sensibilidade responsiva do cuidador estaria na gênese do apego seguro que a criança desenvolvia. Ela trouxe também um meio de

identificar os padrões de apego entre a criança e sua mãe, padrões esses que permitiam medir a qualidade dessa relação existente (Bretherton, 2003).

Ainsworth, na sua pesquisa, encontrou três tipos de comportamento de apego: o apego seguro ou padrão B, que seria o mais frequente e o normativo, o qual correspondia ao padrão apresentado pelas crianças que se mostram confiantes na disponibilidade e presença da sua figura de apego. O apego inseguro evitante, ou padrão A, seria o padrão apresentado pelas

crianças que evitam ou ignoram a sua figura de apego, e que se mostram insensíveis ou rejeitam as tentativas de aproximação e contato em momentos de estresse. Já o apego inseguro ambivalente ou ansioso, padrão C, diz respeito a crianças que dependem muito de suas mães e desistem de fazer e resolver coisas com facilidade, exibindo frustração, choramingando ou esperneando, aparentando serem incompetentes nas tarefas. Elas apresentam muita ansiedade ao serem separadas e na presença do cuidador hesitam entre irem ou não até ele. Elas

apresentam medo de o perder ou de se fastarem dele. Quando do retorno do cuidador ficam agarradas e não se separam. Elas também apresentam mais raiva e violência que outras crianças e o cuidador não a consegue acalmar. Este padrão de comportamento mostra medo de ser abandonada e por isso procura manter o contato (Ainsworth et al., 1978; Machado, 2009).

Por outro lado, Ainsworth também investigou as características maternas e o

comportamento materno na relação com a criança e observou a importância da sensibilidade materna, através da qual a mãe conseguia “ver e compreender” as necessidades da criança de uma maneira bastante precisa e eficaz, respondendo a essas necessidades de uma maneira correta e rapidamente, dando à criança o que ela necessitava. Para além da sensibilidade materna, Ainsworth também avaliou as respostas emocionais maternas para com os seus filhos perante as suas exigências e comportamentos, procurando determinar se elas influenciavam muito ou pouco o seu comportamento em relação a eles. Da mesma maneira, ela também avaliou a interferência materna nas atitudes e comportamentos da criança, procurando determinar se existia inibição de exploração ou se por outro lado, existia incentivo na exploração do meio (Ainsworth et al., 1978).

Podemos então dizer que alguns dos contributos de Ainsworth foram: 1) a noção de base segura; 2) um método de avaliar a qualidade do apego (a situação do estranho); 3) a qualificação do apego em três categorias (A) evitante, (B) seguro e (C) resistente ou

ambivalente; 4) o estabelecimento da ligação entre a sensibilidade materna e o apego seguro; e 5) o reconhecimento de que a mãe precisa estar livre das suas próprias preocupações e ansiedades de forma a conseguir criar uma relação de apego seguro.

Ainsworth (1989) defende que as relações de apego têm características específicas, visando a busca do conforto, apoio e proteção. Ela dividiu o apego em quatro partes, sendo que cada uma tinha determinadas características: 1) a procura de proximidade, onde a criança busca a proximidade e o contato com a mãe; 2) a base segura ou base de segurança onde ela usa a mãe como proteção e segurança para explorar o meio envolvente; 3) o comportamento

de refúgio ou porto seguro para onde a criança recorre perante qualquer ameaça externa; e 4) reações de separação perante a separação ou ameaça de separação.

Como mencionado acima, foi também ela que criou o experimento da situação do

estranho ou da reação ao estranho, que é um protocolo de oito passos para medir o tipo de

apego da criança a sua mãe (Ainsworth et al., 1978). Neste experimento, a criança e a mãe entravam numa sala com brinquedos, onde posteriormente, entrava um estranho. Numa fase posterior, a mãe saía e deixava a criança com o estranho e depois na fase seguinte, a mãe entrava de novo.

Com base nestas diversas fases, observava-se as reações da criança tendo-se notado que as suas reações eram características de cada fase e que dessa maneira se podia caracterizar os seus comportamentos em três tipos: 1) o comportamento seguro, onde a criança interagia com a figura de apego e procurava explorar o ambiente e não manifestava reações à entrada do entranho nem à saída da mãe, e ficava feliz correndo para ela quando ela retornava; 2) o comportamento inseguro evitante no qual a criança interagia mais com os objetos do meio e menos com a figura de apego, onde muitas das vezes rejeitava e era hostil a essa figura materna, e muitas das vezes interagia mais com o estranho do que com a mãe; 3) o

comportamento inseguro ambivalente onde a criança ficava ansiosa e oscilava entre os movimentos de exploração e o de se manter próxima do cuidador para não ser abandonada. Quando do regresso do cuidador ela não desgrudava, apresentando raiva e violência. Este padrão de comportamento mostra medo de ser abandonada, procurando a proximidade (Ainsworth et al., 1978).