5. Gjennomgang av problemstillinger
5.1. Saksflyt
5.1.1. Melding om seismisk datainnsamling
Para compreender o sentido que esses quatro jovens indígenas atribuem a cursar uma faculdade na PUC-SP, suas expectativas e dificuldades, é necessário pensarmos na complexidade do processo de apreensão de significados. Para entendermos suas vivências precisamos considerar que esses sujeitos estão inseridos em uma realidade social e histórica que envolve suas próprias experiências de vida, a história de sua comunidade, suas contradições, transformações e movimentos.
Apesar de esses jovens serem de etnias diferentes e terem vivido histórias de vida distintas, foi possível encontrar nos discursos aspectos semelhantes em relação ao que a vivência na PUC trouxe para eles. Dentre esses aspectos elegi alguns temas que me auxiliam a atingir os objetivos deste trabalho. Escolhi esses temas considerando a ênfase que os sujeitos deram no seu discurso, ao falarem de determinadas questões. O modo como eles trouxeram alguns conteúdos me chamou a atenção e, sem dúvida, a reflexão sobre esses pontos me auxilia a me aproximar da subjetividade desses jovens, a entender o significado que está inserido nas falas dos sujeitos. Também ressaltei assuntos que foram mencionados pelos quatro entrevistados. Na fala dos sujeitos fica nítida a relevância de algumas questões:
- dificuldade de adaptação ao modo de vida não indígena (contradições) - preconceito
- apreço pela aldeia de origem
- importância de fazer faculdade para trabalhar posteriormente com a questão indígena
- apreço pelos costumes e crenças tradicionais
- importância das tradições superando as dos brancos, mesmo quando os indivíduos são mestiços.
Apresentação dos sujeitos
G. é uma mulher de 29 anos que se apresenta como mestiça. Sua mãe é da etnia Guarani e seu pai Krenak. Ela faz o curso de Serviço Social na PUC-SP. Nasceu em São Paulo e com 7 anos foi morar na aldeia Guarani, no Pico do Jaraguá. No início da entrevista G. parecia estar muito tímida, falava baixo e estava um pouco retraída. Conforme a entrevista foi acontecendo ela foi ficando um pouco mais à vontade, falou
bastante sobre o que era solicitado e contou muito sobre sua trajetória de vida com um tom bem pessoal e sobre a cultura indígena. Durante toda a entrevista seu tom de voz permaneceu baixo.
Y. é uma mulher de, aproximadamente, 27 anos, nascida em São Paulo. Sua mãe é descendente de italianos e seu pai é da etnia Krenak. Está terminando o curso de Ciências Sociais na PUC-SP. Y. desde o início de nossa conversa se mostrou extrovertida e falante. Aparentemente, ela estava bem à vontade e contribuiu com muitos elementos sobre sua vida, se colocando bastante. Por fim, percebi que se envolveu bastante com a entrevista.
P. é um homem de, aproximadamente, 25 anos nascido em São Paulo. Sua mãe é descendente de espanhóis e seu pai é da etnia Pankararu. Está terminando o curso de Pedagogia da PUC-SP. P. estava à vontade durante a realização da entrevista. No início não sabia se podia contribuir muito para a pesquisa, pois, segundo ele, ele não tinha muito contato com a cultura indígena. Foi o sujeito que menos discorreu sobre sua vida, falava pouco e suas respostas eram relativamente breves quando comparadas às dos outros sujeitos.
D. também é nascido em São Paulo, é um homem que tem, aproximadamente 30 anos e cursa Ciências Sociais na PUC-SP. Sua mãe é da etnia Guarani e seu pai não é indígena. No início da entrevista D. me contou muito sobre a história dos Guarani e parecia mais fechado. No decorrer da nossa conversa, foi se abrindo e pode falar bastante sobre sua vida, se envolvendo nitidamente na entrevista.
Unidades de significados
A. APREÇO PELA ALDEIA E PELAS TRADIÇÕES
G. sempre teve contato com sua aldeia situada no Pico do Jaraguá. Nessa comunidade vive um grupo de indígenas Guarani. Com sete anos ela foi morar na aldeia e não saiu mais de lá. Ela coloca que gostava e gosta muito de lá e enfatiza isso várias vezes. Não perdia a oportunidade de falar sobre a cultura indígena; mesmo quando eu perguntava sobre algo específico, ela costumava se estender e descrever o modo de vida
Aí a gente brincava muito de pescar, caçar, a gente vivia bastante a nossa infância como se fosse mesmo, a gente gostava de ficar no meio do mato mesmo, a gente ficava, como tinha o Pico do Jaraguá, a gente ia bem lá pro alto. É que os Guarani deixa a criança muito à vontade, né, não prende, então a gente com sete anos saia assim de manhãzinha e só voltava de tardezinha.
Ah, eu gostava assim, mais de brincar mesmo, de pescar, caçar, eu lembro que a gente se virava muito bem sozinhos.
Y. é nascida em São Paulo e sempre morou aqui. Conta que sempre ia para aldeia Krenak em Minas Gerais e valoriza muito o tempo que ficava lá.
Era ótimo! Quando acabavam as férias a gente nunca queria voltar, ficava chorando, querendo ficar lá, mas porque é diferente, né? Tem o rio, tem brincadeiras, fica muito mais livre assim...
Era muito bom, sempre gostei. Não só em Minas, né? Quando eu era pequena fui bastante para Minas, mas depois fui para outras aldeias também. Xavante, Kashinauá, fui já pra bastante aldeias. (Y).
Ao longo de sua vida Y. teve bastante contato com diversos grupos indígenas, já que seu pai é um líder indígena, viajava para aldeias e trazia indígenas para ficar na sua casa. Ficou claro, pela maneira como ela fala, que vê seu pai como um modelo a ser seguido. Durante a entrevista ela falou muito dele e foi ele quem passou grande parte da cultura indígena. Hoje em dia ela inclusive trabalha no IDETI, Instituto das Tradições Indígenas.
D. também coloca como era bom estar na aldeia. Ao longo de sua vida ele morou em diversos lugares. Para ele sua mãe aparece como uma figura de referência muito importante. D. coloca a questão do tempo como uma questão significativa:
Você percebe isso. É como se você chegasse lá e o tempo não passasse, né? 8 horas lá é 24 horas. Aqui não, aqui 8 horas é nada, você ta aqui, ta ali, acabou, muito corrido. Aqui é uma loucura. E eu acho que eu indo pra lá é como se eu, como se eu tivesse voltado pro, no túnel do tempo assim, mas
pra você descansar a mente. Nossa eu consigo voltar de lá assim.... renovado.
A partir do modo com que ele relata sobre o tempo que morava na aldeia, pude perceber existem sentimentos prazerosos em relação a esse momento:
Foi uma fase tão bacana, sabe?De, que hoje em dia, às vezes eu me sinto até um pouco diferenciado das pessoas, porque eu já vivi tanta coisa, já. Um mundo tão diferente, e as pessoas vivem só nesse mundo tão doido, louco, não sei.
Essas falas demonstram que esses jovens valorizam a vida na aldeia. Alguns motivos aparecem claramente para isso. O primeiro deles se refere ao modo peculiar de educação indígena. A forma como os adultos tratam as crianças é muito diferente da criação contemporânea das grandes cidades. Os indígenas dão liberdade e autonomia para as crianças, o que não acontece entre os não indígenas fora das aldeias devido a uma série de fatores, como o excesso de cuidado, o medo de que algo ruim e perigoso aconteça, entre outros.
Outro ponto que apareceu foi a valorização da calma da comunidade, que dá até a sensação de o tempo passar mais devagar, diferentemente de São Paulo onde tudo é corrido, todos têm pressa e são raros os momentos de “não fazer nada”, devido ao modo de vida capitalista em que o trabalho ocupa a maior parte do tempo da vida dos indivíduos. O contato com a natureza também é muito apreciado. Nos grandes centros urbanos, além de não existir uma abundância de natureza, o contato que se faz com ela é muito diferente.
Além disso, podemos perceber o grande valor que os indígenas dão para as tradições de suas aldeias, como eles mantêm os costumes e no que eles acreditam. É interessante notar que mesmo os mestiços dão grande importância para essas tradições. Assim, podemos dizer que o sentido que permeia essas falas parece muito relacionado ao orgulho que esses jovens sentem do fato de serem de origem indígena.
Freqüentava, entendeu, aí a gente foi batizado... a gente tem um nome indígena que vem desde o batismo Guarani, entendeu? Todos, todos os Guarani têm seu nome e o nome indígena. O nome indígena que é o principal... que tem um significado. Por exemplo, o meu é Moranshin. O que significa? Significa que é um moço, né, um moço, um menino que adora a liberdade, por exemplo, eu tenho asas pra voar. (D).
G. também coloca sobre a relevância das tradições religiosas de sua etnia:
A minha avó gostava de contar histórias, né, em língua Guarani. Que tem uma coisa que, uma das coisas que, do modo de educar as crianças é contando histórias, que você aprende através da história, né? Então ela contava muita coisa. A gente falava a gente não pode fazer isso, isso, isso, porque a vó contou aquela história e se fizer isso vai acontecer alguma coisa. Ela falava da gente ficar brincando na chuva, quando tava caindo raio, aí ela contava uma história que tem um machadinho de ouro que vem e bate na nossa cabeça, que a gente não podia ficar brincando na chuva porque se batesse a gente ficava louco, alguma coisa assim. Mas acho que era uma forma de não deixar a gente ficar brincando na chuva e tomar um raio na cabeça. E assim, a minha infância foi maravilhosa. (G).
Aí quando veio um pessoal de outra aldeia, aí construiu a casa de reza lá, aí foi quando eu me aprofundei muito, aí eu me aprofundei mesmo na minha cultura. Isso me fez ficar mais próxima da minha comunidade. Aí então depois da... acho que o que mais me fez ficar perto da minha cultura foi a casa de reza mesmo. Aonde tem as tradições, vida espiritual maior. Pra
gente tem um significado muito forte. (G).
Y. coloca sobre como a medicina tradicional é importante em sua vida, mais uma vez fala da transmissão da cultura através do seu pai e fala de como se identifica com as crenças de sua etnia:
É, desde pequena meu pai sempre, meu pai foi uma pessoa muito forte,.de pajé e tal, então ele sempre cuidou da gente, da parte assim da medicina tradicional, não da medicina alopática, ele sempre cuidou da gente com fumaça, assoprar, ervas, e de rezas, de músicas, então eu nunca...A mãe dele, meus tios, eles viraram crentes, né, da igreja evangélica e a gente não, porque meu pai sempre resistiu muito, então, assim, eu nunca me identifiquei com nenhuma igreja, não consigo entender assim muito, sabe, não concordo, então eu nunca fui assim na igreja igual a minha família. E: Mas as tradições que seu pai trouxe da cultura você acredita?
Sim, é. Eu acho que a gente fica doente porque tem alguma coisa que não está boa na gente, não é só uma bactéria, um micróbio que está em você, que você toma um remédio e vai resolver. Pode tomar um remédio e vai resolver na hora, mas tem alguma coisa que está te trazendo esse problema e aí você tem que tratar isso, né, essa coisa que está te trazendo esse problema. Se tem uma coisa que não está te fazendo bem, você vai ficar doente, né.
É interessante notar a diferença de pensamentos da cultura indígena para a cultura branca ocidental. Y. mostra que os indígenas possuem suas próprias explicações para o que os brancos consideram que só existe uma verdade absoluta. Apesar de dois deles serem descendentes de brancos e indígenas, a cultura e a identidade que prevalecem são as indígenas.
B. ACEITAÇÃO / PRECONCEITO
É importante falar sobre como o indígena é aceito, ou não, nos centros urbanos. Apareceram alguns relatos com esse conteúdo. A questão do preconceito aparece na fala de G., que coloca isso como algo sofrido na sua infância:
Mas eu lembro que eu fui pra escola e assim a parte que eu mais lembro da minha escola, dentro da escola foi do preconceito. É que assim, todo mundo
É, é assim, é do lado, é perto da aldeia. É porque a aldeia fica num local que passa rua... Aí eu sei que assim eu sofri muito preconceito. Tinha um menino, acho que foi mais na quinta série. Eu sempre era quietinha... sempre com no máximo uma amiguinha, assim, uma ou duas no máximo,nunca fui de ter muitos amigos... as pessoas não tinham muita vontade de sentar perto de mim, tinha um menino na quinta série que sentava perto ficava falando: ah índio é fedido, o índio não toma banho. Eu lembro que todo dia ele pegava no meu pé. Às vezes eu sentava aqui e ele ficava assim (gesto). Acho que isso é uma coisa que marcou bastante.
Podemos observar que essa fala tem a ver com uma imagem negativa do índio construída histórica e socialmente, que a cultura branca ocidental cultivou por séculos. Esse estereótipo retrata um índio que não toma banho, é selvagem, anda pelado, incompreensível, nada civilizado e com traços diferentes. Além disso, o índio é ridicularizado por apresentar costumes e modos de vida distintos.
Na entrevista com Y. esse estereótipo também aparece, porém, ela traz esse tema com mais tranqüilidade e menos sofrimento. Ela justifica as brincadeiras como coisas naturais de crianças e não se atém muito a esse assunto.
Ah! Sempre foi um pouco assim eu sempre fui brava e as crianças sempre me zoavam muito, porque meu pai nessa época estava muito na mídia também, então não tinha nem como esconder. Tem gente que nem sabe que você é indígena porque você não tem aquelas características físicas que as pessoas pensam, então você passa como qualquer pessoa, mas meu pai não, toda hora estava no jornal, tal, então todo mundo sabia, então na escola as crianças corriam atrás de mim, fazendo uuuuhhhh, ficavam me zoando... Ah, eu ficava brava, eu sempre fui assim, brava, eu tinha uma irmã mais velha na mesma escola, ela sempre me defendia... assim, nada de mais, assim, coisa de brincadeira de criança mesmo, nada de grave, assim, eu acho. (Y).
P. é o sujeito que não tinha aparecido até agora na análise já que seu discurso difere dos demais. Ele aparece agora, pois relata um momento em que sofreu preconceito. Diferentemente dos relatos a cima, ele passou por essa situação depois de
adulto e, segundo ele, foi descriminado por um negro. Esse foi um dos momentos da entrevista que P. se colocou mais. Ele descreveu a cena do preconceito com muitos elementos, diferentemente do que fez no restante da entrevista.
Me senti assim, como eu posso falar... senti o preconceito assim uma vez, quando eu fui num encontro do movimento indígena com o movimento negro, acho legal a bandeira deles, mas acho que rola um preconceito. Nesse encontro eu fui testemunha, testemunha não, aconteceu comigo, num encontro que teve lá no teatro Óregon. Aí eu cheguei lá no teatro e não sabia se era lá, não tinha certeza. Aí tinha um senhor negro lá que estava recepcionando os convidados, aí cheguei pra ele e falei que eu ia participar do evento que seria no teatro Óregon, aí ele pegou, olhou pra mim e falou não é aqui não. Mas aqui não é o teatro Óregon, ele falou é, ma me falaram que é aqui. Ele: não, não é aqui não. Aí a Ana chegou, aí a Ana falou que era lá sim. Aí a Ana falou: ele é do movimento indígena. Aí ele olhou na lista, viu meu nome e ficou todo sem graça.
C. FACULDADE PARA TRABALHAR COM QUESTÃO INDÍGENA Um aspecto muito significativo que aparece nas falas da G., Y. e D. foi a questão de buscar um curso superior na PUC para se capacitar com o intuito de trabalhar com a questão indígena. Apenas na entrevista com o P. isso não apareceu como prioridade.
E também um pouco do interesse de querer ajudar a comunidade, porque eu lembro que eu trabalhei de agente de saneamento e aí a gente vai pegando um pouquinho de noção da realidade. Aí eu fui aprendendo algumas coisas como agente de saneamento, aí eu quis me aprimorar mais pra poder lutar mais. (G).
Antes de entrar na PUC eu sempre quis fazer alguma coisa pela comunidade, então quando eu comecei a fazer PUC , quando eu fui prestar
pensei em fazer alguma coisa pra proteção do meio ambiente, como eu já fui agente de saneamento Biologia seria melhor, mas como Biologia não tem, então eu procurei Ciências Sociais (G).
G., nesse momento demonstra bastante preocupação com a sua comunidade. Pude perceber a sua vontade para se dedicar em melhorar as suas condições de vida e as das pessoas que vivem perto dela.
Em seu discurso, Y. também enfatizou muito o seu desejo de trabalhar com a questão indígena e ficou claro como isso é algo importante em sua vida, algo que ela realmente acredita.
Ah, trabalhar, né, eu já trabalhava na área, mas a faculdade me deu assim uma, um conteúdo assim maior porque eu fazia mais assim a parte de executar os projetos, não, o primeiro que eu escrevi foi gestão ambiental, mas eu estava na faculdade então já tinha outras coisas assim que ajudaram, formação em projetos tudo, então desde que eu comecei a fazer a faculdade eu já consegui fazer vários projetos. que foram aprovados, aí eu trabalho nesses projetos.
Eu pretendo continuar trabalhando nisso, né, mas eu quero fazer mestrado agora, mais voltado pra área ambiental, eu quero trabalhar com essas questões de demarcação de terra, ou de empreendimentos que vão afetar terras indígenas, que vão causar um impacto ambienta... (Y).
D. também pareceu muito tocado com essa questão e parece estar bastante convicto para ajudar sua comunidade em Bauru:
É. Eu quero fazer Antropologia, completamente voltado pra área indígena mesmo, entendeu?...
Então, a minha vinda pra PUC foi o seguinte: eu, quando eu estive em Bauru, em 2006, eu comecei a freqüentar os lugares da.., a escola, comecei a freqüentar, a comunidade mesmo, conhecer aquele ambiente, né, e eu via que tinha muita coisa que precisava ser feita, até como orientação, um lugar que tinha muitas doenças, tinha muita, tem famílias lá que têm muito problema de diabete, tem famílias que têm muito problema de câncer, tem
muito problema lá. Na área da educação, principalmente, é uma área que está necessitando de uma visão indígena, porque normalmente tem a visão do não índio, né e a visão do não índio é....a realidade, porque se você não entende esse ambiente, como que você vai fazer...isso me chama muito a atenção, falei caramba eu preciso fazer alguma coisa pra esse pessoal. E a minha intenção, desde o princípio, né, aí quando eu vim pra São Paulo, em 2005, eu liguei pro Benedito. Aí eu liguei pro Benedito, falei assim, até eu falo pra todo mundo o Benedito é uma pessoa assim que, liguei pra ele e falei: olha Benedito, eu estou querendo voltar a estudar, eu fiquei sabendo que tem um cursinho na PUC e eu queria, eu já tinha pensado até no curso, já, já... (D).
A partir dessas falas ficam evidentes problemas da comunidade indígena como um todo. É claro que esses jovens se preocupam com as questões emergentes de suas comunidades e dão tanto valor a isso que querem se capacitar para melhorar as condições de vida se seu povo. Vale lembrar que ao longo desses séculos os índios sofreram diversas privações devido à dominação da cultura branca ocidental que tentou se sobrepor à cultura indígena, durante a colonização, como destaquei quando fiz um histórico no item 2 deste trabalho.
D. DIFICULDADE DE ADAPTAÇÃO E/OU CONTRADIÇÕES: VIDA INDÍGENA X VIDA NÃO INDÍGENA
Notei nas entrevistas alguns pontos semelhantes nas falas dos índios a respeito de alguma dificuldade de adaptação à vida na cidade grande ou aos valores e pensamentos dos não indígenas que aqui vivem. Y. coloca que não gosta de viver em São Paulo. Esse foi um assunto muito forte em sua fala. Ela coloca com bastante emoção como não concorda com o modo de vida que as pessoas levam em São Paulo e