5. Gjennomgang av problemstillinger
5.3. Arealkonflikter
Anexo 2
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Eu, ________________________________________________, R.G:______________,
declaro, por meio deste termo, que concordei em participar e ser entrevistado(a)
para a pesquisa de campo da pesquisadora Olivia Bara, desenvolvida na Faculdade de
Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC SP). Fui informado(a), ainda, que a pesquisa é orientada pela Profa Dra. Marilda Pierro de Oliveira Ribeiro, a quem poderei contatar a qualquer momento que julgar necessário através do telefone n° 3670.8320 ou e-mail [email protected]
Afirmo que aceitei participar por minha própria vontade, sem receber qualquer incentivo financeiro e com a finalidade exclusiva de colaborar para o sucesso da pesquisa. Fui informado(a) dos objetivos estritamente acadêmicos do estudo, que, em linhas gerais, consistem em investigar as expectativas e as dificuldades da população indígena, que hoje freqüenta curso de graduação na PUC-SP, em relação ao seu processo educacional.
Fui também esclarecido(a) que a utilização das informações por mim oferecidas estão submetidos às normas éticas destinadas à pesquisa envolvendo seres humanos, da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde.
Minha colaboração se fará de forma anônima, por meio de entrevista semi- dirigida a ser gravada, a partir da assinatura desta autorização, observação e aferição. O acesso e a análise dos dados coletados se farão apenas pela pesquisadora e/ou seu(s) orientador(es) / coordenador(es).
Estou ciente de que, caso eu tenha dúvida ou me sinta prejudicado(a), poderei contatar o(a) pesquisador(a) ou sua orientadora, ou ainda o Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (CEP - PUC/SP), situado na Rua Ministro de Godoy, 969 - Térreo, Perdizes, São Paulo (SP), CEP:05015-000, Telefone: 3670.8466.
A pesquisadora principal da pesquisa me ofertou uma cópia assinada deste Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme recomendações da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).
Fui ainda informado(a) de que posso me retirar dessa pesquisa a qualquer momento, sem prejuízo para meu acompanhamento ou sofrer quaisquer sanções ou constrangimento.
Anexo 3
Entrevista 1 – G.:
E: Queria saber onde você nasceu,quando, como foi sua infância...
Eu nasci no dia 19 de janeiro de 1979, eu nasci em São Paulo, aí fui morar um tempo fora da aldeia, meu pai ele não é Guarani, ele é de outra etnia, ele é da etnia Krenac e minha mãe é Guarani. Meus avós são indígenas, vamos se dizer, puros, né? E eu sou mestiça. Aí eu fui morar dentro da aldeia quando eu tinha 7 anos.
E: Antes disso você morava em São Paulo?
Isso, eu morava no Jardim Colorado. Só que antes, a minha maior parte da infância que eu lembro era no Jaraguá. A gente passava as férias todinhas lá, dentro da aldeia né? E depois dos 7 anos nós fomos morar na aldeia. Aí a minha infância sempre foi assim né, duas culturas. A cultura não indígena e a cultura indígena. Mas eu sempre cresci escutando assim que eu sou indígena, né?
E: Então seu pai é de que tribo?
Meu pai é da etnia Krenac e minha mãe é Guarani. Vou até ter que te corrigir, desculpa, mas é que tribo não é um termo correto que a gente usa. A gente usa é comunidade, etnia, povos indígenas. É que tribo ta no pejorativo. É, tem a ver com as tribos selvagens. Até alguns indígenas falam tribo, mas é porque eles conhecem. E: Ah, ta. Aí com 7 anos...
É, aí com 7 anos eu fui estudar numa escola, primeira série... não lembro se era primeira ou segunda. Porque eu lembro que eu estudei um pouquinho na outra escola antes de vim pra aldeia, onde eu morava que era no Colorado. Mas eu lembro que eu fui pra escola e assim a parte que eu mais lembro da minha escola, dentro da escola foi do preconceito. É que assim, todo mundo conhecia: ah, a filha da Eunice, o pessoal, os índios.
E: A escola era tradicional dos brancos?
É, é assim, é do lado, é perto da aldeia. É porque a aldeia fica num local que passa rua. Minha mãe fala que eles foram morar lá há mais de 40 anos. E quando eles foram morar lá não tinha nada. Não tinha nem rua, nem, e depois, quando a gente já tava maiorzinho, quando ela casou como meu pai, depois ela falou assim, reclamou. Aí ela falou assim que cresceu muito, que desenvolveu muito rápido a cidade. Aí eu sei que assim eu sofri muito preconceito. Tinha um menino, acho que foi mais na quinta série. Eu sempre era
quietinha... sempre com no máximo uma amiguinha, assim, uma ou duas no máximo,nunca fui de ter muitos amigos... as pessoas não tinham muita vontade de sentar perto de mim, tinha um menino na quinta série que sentava perto ficava falando: ah índio é fedido, o índio não toma banho. Eu lembro que todo dia ele pegava no meu pé. Às vezes eu sentava aqui e ele ficava assim (gesto). Acho que isso é uma coisa que marcou bastante. Mas assim, a minha infância foi bastante legal, porque mesmo vivendo nessas duas culturas, ir pra escola, ter que estudar. A minha vó ela não falava em
Guarani com a gente, apesar de ela ser fluente na língua materna, ela não falava em Guarani, ela só contava as histórias, algumas lendas e algumas músicas, a gente cantava muito.
E: Então você sabe Guarani?
Então eu sei, mas eu sei mais Português do que Guarani. Aí a gente brincava muito de pescar, caçar, a gente vivia bastante assim a nossa infância como se fosse mesmo, a gente gostava de ficar no meio do mato mesmo, a gente ficava, como tinha o Pico do Jaraguá a gente ia bem lá pro alto. É que os Guarani deixa a criança muito à vontade, né, não prende, então a gente com 7 anos saía assim de manhãzinha e voltava só de tardezinha.
E: E o que você mais gostava de fazer?
É eu gostava assim, mais de brincar mesmo, de pescar, caçar, eu lembro que a gente se virava muito bem sozinhos. A gente tava com fome, sei lá, criança esquece de comer, aí a gente pegava, pescava, e fazia as comidas. Tinha batata doce também, dependendo da época, aí a gente mesmo pegava as batatas, fazia fogueira, assava. Também a gente gostava de brincar de arco e flecha, a gente não matava os animais, a gente caçava até, mas só, o único animal que a gente caçava era ( ...?) que é um tipo de uma raposa, que era o que a gente comia, né? A gente caçava com facão, a gente não caçava com arco e flecha. Arco e flecha a gente usava pra brincar mesmo, assim pro alto.
E: Queria saber como era sua rotina na aldeia? Você ia pra escola todos os dias... Ia pra escola todos os dias.
E: E você tem irmãos?
Tenho irmãos, primos, a gente andava em turma, brincava muito. A minha avó gostava de contar histórias, né, em língua Guarani. Que tem uma coisa que, uma das coisas que,
Ela falava da gente ficar brincando na chuva, quando tava caindo raio, aí ela contava uma história que tem um machadinho de ouro que vem e bate na nossa cabeça, que a gente não podia ficar brincando na chuva porque se batesse a gente ficava louco,
alguma coisa assim. Mas acho que era uma forma de não deixar a gente ficar brincando na chuva e tomar um raio na cabeça. E assim, a minha infância foi maravilhosa. Acho que o mais difícil foi mesmo, acho que o mais difícil nem foi mesmo a adolescência. Que a gente passa por aquela fase: ah, quem eu sou? Acho que a minha fase de
adolescência eu saí um pouco da minha cultura, eu me afastei. Aí quando eu retornei eu retornei assim, eu queria sair, passear, eu não falava pra ninguém que eu era indígena. É eu não contava, eu tinha vergonha de contar. Na escola assim, até a oitava série eu estudei numa escola e lá todo mundo sabia que eu era indígena porque me conheciam desde pequena. Aí quando eu mudei de escola ninguém sabia, ninguém soube que eu era indígena, eu não quis contar, né, talvez porque eu não sabia o que as pessoas iam falar. Eu tinha vergonha mesmo. Aí depois com uns 18 anos, aí a gente foi, a gente tinha casa de reza, mas a casa de reza é da nossa religião Guarani. A gente não tinha uma casa de reza lá. A gente ia pra outras aldeias. Aí quando veio um pessoal de outra aldeia, aí construiu a casa de reza lá, aí foi quando eu me aprofundei muito, aí eu me aprofundei mesmo na minha cultura. Isso me fez ficar mais próxima da minha comunidade. Aí então depois da... acho que o que mais me fez ficar perto da minha cultura foi a casa de reza mesmo. Aonde tem as tradições, vida espiritual maior. Pra gente tem um
significado muito forte.
E: Na escola você tinha contradições do que você aprendia na escola e o que você aprendia na aldeia?
Ah, assim, eu nunca fui de falar muito, né? Então, mas assim, era estranho porque parecia que a história que eles estavam contando não era a minha história. Porque conta a história do índio como se ele não existisse mais: porque os índios não sei o que... e conta de uma forma generalizada, pelo menos na época que eu estava não tinha assim os povos. E eu fui crescendo como se, sem ter essa noção, eu fui ter essa noção depois assim, não dentro da escola, que tem outros povos indígenas, nem eu mesmo sabia, eu fui saber depois que eu conheci esses povos indígenas.
E: Como você veio pra PUC? Quais eram as suas expectativas?
Então, quem me incentivou foi minha irmã. Ela começou a fazer faculdade aqui. E assim, de eu querer uma vida melhor para os meus filhos. Porque até então eu vivia de venda de artesanato então a venda de artesanato era muito pouco, meu marido não
conseguia trabalhar em emprego fora. E também um pouco do interesse de querer ajudar a comunidade, porque eu lembro que eu trabalhei de agente de saneamento e aí a gente vai pegando um pouquinho de noção da realidade. Aí eu fui aprendendo algumas coisas como agente de saneamento, aí eu quis me aprimorar mais pra poder lutar mais.
E: então você mora lá até hoje?
Até hoje. Depois que eu fui pra lá com 7 anos eu não saí mais. E: E com quantos anos você resolveu fazer faculdade?
Quando eu comecei a estudar, acho que foi em 2005. Antes disso eu tinha feito cursinho da POLI acho que uns 3 anos. Três anos de cursinho. Um ano eu fiz só pra não perder. E: Você se formou no colegial e foi trabalhar?
Não é porque eu me formei depois. Bem depois. Porque eu parei de estudar na oitava série e aí depois eu voltei. Aí quando eu voltei a estudar já era com a intenção de melhorar mesmo. Eu tinha 19 anos quando eu voltei. Foi quando eu tava fazendo curso de saneamento. Falei: não, vou melhorar e vou tentar algo melhor. Aí eu comecei a fazer o colegial. Aí eu fiz o ensino médio completo, aí com 21, 22 anos, não lembro direito. Aí depois eu comecei a fazer o cursinho da POLI e como eu tinha acabado de ter um nenenzinho naquela época eu falei: ah, só vou estudar pra não perder a linha de raciocínio. Aí eu comecei a estudar, aí no primeiro ano de cursinho eu não prestei vestibular nenhum, deveria ter prestado pelo menos pra ter noção, aí eu não prestei nenhum vestibular. Aí no segundo ano eu prestei pra PUC, não consegui passar. Aí da segunda vez que eu tentei prestar eu entrei aqui na PUC.
E: E você falou de um filho, você tem quantos filhos? Tenho dois. Um está com 6 anos e outro está com 12 anos. E: Onde eles estudam?
Agora eles estudam dentro da aldeia, porque agora tem uma escola que tem uns 5 anos lá, não sei a data correta, não sei se foi em 2001, 2002.
E: E o ensino é específico pra comunidade ou é tradicional?
Não, ele é bilíngüe, ele é bilíngüe e assim, eu sou professora lá, né? Então assim, porque quando eu comecei a fazer a PUC, saiu um curso da USP de formação para professores indígenas, mas é um curso só pra professores indígenas. Aí eu fiz junto com a PUC, tanto que eu terminei esse ano a USP, terminei em agosto, pra poder dar aula. Então,
E: E o que você dão de conteúdo?
Então, pra mim fica complicado. Porque as crianças falam a cultura, falam Português e Guarani, mas a língua materna deles é o Guarani. Então o correto seria que eles fossem alfabetizados na língua Guarani. Mas por exigência da própria comunidade eles pedem, eles querem que eles aprendam português, porque Guarani eles aprendem em casa, então a gente quer o português pra eles. A gente procura, a gente explica, por exemplo, o abecedário: a, b, c, d, e, f, g, sabe, a gente ensina isso pra eles, mas a gente também ensina o abecedário em Guarani. Então por exemplo o y tem som de u, então eles não falam y eles falam u, mas eles sabem que pros não indígena y tem som de i, então a gente tenta amenizar um pouco, é porque é difícil aprender, ainda mais falando as duas línguas, você tendo uma língua, falando uma língua, aprendendo outra língua. Os meus alunos eles têm uma dificuldade muito grande de aprender as duas.
E: Que idade eles têm?
Então, desde a 1ª série, até a 7ª. E: E que matérias eles têm?
Então, a gente tem que seguir o currículo, apesar de ser diferenciado, tem regras que a gente sabe que tem que cumprir, a gente tenta mediar. E dentro da USP a gente
aprendeu que a gente tem que fazer com que a criança valorize mais a cultura, não pode dissociar aprendizagem com a cultura, a gente tem que unir na verdade. Então é
considerado também como aula, quando a gente vai dar, por exemplo, quando tem um batizado, algo cultural da comunidade, a gente trabalha junto com as crianças, depois a gente trabalha em sala de aula. A gente procura valorizar a tradição oral. A gente procura trazer uma pessoa mais velha, que conta história pra eles, aí é como se fosse aula.
E: Me conta um pouco mais sobre as suas expectativas em vir para a PUC?
Então porque é assim: dentro do que eu aprendi na minha cultura, você nunca pode fazer sozinho. Não é que alguém disse você tem que estudar, pra trabalhar pra
comunidade. Isso é uma coisa, é como andar, você vê as pessoas andando e você quer andar. Antes de entrar na PUC eu sempre quis fazer alguma coisa pela comunidade, então quando eu comecei a fazer PUC , quando eu fui prestar vestibular eu pensei eu ah, vou fazer, eu queria fazer Biologia, Biologia voltada pro meio ambiente, que eu já sabia um monte de coisas que tinham a ver com saneamento básico e a estrutura da aldeia é bem precária então pensei em fazer alguma coisa pra proteção do meio ambiente, como eu já fui agente de saneamento Biologia seria melhor, mas como Biologia não tem,
então eu procurei Ciências Sociais, aí Ciências Sociais eu prestei como primeira opção, aí a 2ª eu prestei Serviço Social.. Aí acabou que eu passei, mas eu passei pra 2ª opção, pra Serviço Social.
E: E você gosta?
No começo eu falei o que eu estou fazendo aqui, mas depois eu vi o que eu vim fazer, mas assim eu lembro que antes de eu vir pra PUC, a gente acredita muito assim, no poder espiritual, aí eu ia pra casa de reza e rezava muito, falava, ai meu deus me ajuda a procurar um curso que dê certo pra mim eu lembro que eu rezei muito aí acabou dando certo. Que na verdade... eu lembro que eu passei em serviço social e falei ah, então deixa, hoje eu penso que não poderia ter sido opção melhor. Se eu tivesse ficado em Ciências Sociais talvez eu não teria gostado tanto como eu to gostando de Serviço Social.
E: E você pensa assim como quem você quer trabalhar?
Eu quero fazer assim, principalmente com os adolescentes, porque eles têm esse conflito de que, quem eu sou? Eu sou Guarani, minha cultura, mas é uma coisa que vai se
perdendo, eles entram muito no alcoolismo, acho que esse negócio de conflito de identidade é uma coisa que ta muito forte principalmente no adolescente Guarani. A gente até queria ler um livro de psicologia, que fale da criação da identidade e do ser social.
E: Teve alguma dificuldade em vir pra PUC?
Desde quando eu comecei a estudar no colegial, quando eu voltei a estudar, eu falei: poxa vida, eu to muito fora do meu lugar, fora do meu ambiente. Porque à noite onde que eu costumava ir era pra casa de reza. 6 horas da tarde, escurecia, eu ia pra casa de reza, aí eu ficava rezando, rezando, ficava perto da fogueira, conversando com o pessoal da comunidade, isso pra mim foi um baque mesmo, foi muito difícil poder estudar e ficar pensando podia estar na casa de reza, rezando. Aí até hoje me faz muita falta a casa de reza, nos primeiros dias assim foi terrível mesmo, eu sou uma pessoa anti social, uma pessoa tímida mesmo, e é um modo de vida totalmente, visões de mundo
totalmente diferente dos Guarani, a gente aprende umas coisas, o modo de viver, aí você vê umas coisas e fala: nossa que diferente. É difícil pra entender algumas coisas.
tivesse maldade, sendo que não é isso, ele é um ser humano normal que tem raiva, tem amor, tem carinho, só tem um modo de viver diferente. Aí todo mundo falava assim: oi, tudo bem? Todo mundo queria vir conversar comigo. Aí no primeiro ano era assim oi índia, tudo bem? Oi indiazinha!
E: E você se incomodava?
Não, eu até gostava, pelo menos as pessoas me conhecem. Só que assim, hoje que é final do ano muitas pessoas que passam perto de mim e nem me cumprimentam. Eu nunca cumprimento se não me cumprimentarem, eu espero. Que nem várias vezes eu falava: oi tudo bem, e passaram direto, então, aí eu não entendo, não sei. Mas não sei, eu acho que, por exemplo, dentro da aldeia, eu lembro que uma vez, eu tinha brigado com o meu marido e passava nervosa, aí sabe quando você está nervosa não vê
ninguém. Mas não é porque você ta com raiva do resto das pessoas. Aí eles falavam: é Jaciara, você está agitada, parece que está com raiva da gente. É que às vezes eu passava num dia e no outro dia falava: oi, tudo bem? E cumprimentava. Aí eles falavam: é que às vezes você está com raiva e parece que a gente fez algo de ruim pra você. Aí eu falei: não é isso, às vezes eu estou nervosa com outros problemas, não é por causa de vocês. Aí eles falaram: não é assim que tem que ser, você tem que sempre sorrir, mesmo que você tiver com algum problema, você não pode ficar com raiva do mundo. Isso quem falou pra mim foi o (?...) que é o filho do Pajé. Dentro da
comunidade tem várias famílias e toda família tem o direito de falar numa reunião. Aí minha tia me falou, a tia Rosa, a mesma coisa. Vai ver que eles também são assim né, às vezes passa fala oi, às vezes não passa, não fala. Mas assim, não fica aquele clima com os índios. Na faculdade já não, eu sinto que, porque lá (comunidade) se acontece alguma coisa se fica muito ruim eles falam, então vamos fazer uma reunião, pra ver o que está acontecendo pra gente resolver porque o que não pode é você ficar ..?... porque às vezes você fica com uma impressão errada da pessoa, né, às vezes você fica, sei lá, fica com raiva de alguma coisa, aí você olha pra pessoa, mas na verdade você não está nem enxergando ela, está pensando em outra coisa e nem consegue ver, aí a pessoa te cumprimenta e você nem vê, mas não porque você está com raiva. Então quando está com esse tipo de problema eles procuram fazer uma reunião porque eles sabem que às vezes acontece isso, né? Às vezes eu lembro que minha mãe fala: às vezes a gente pensa