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5. Gjennomgang av problemstillinger

5.2. Fiskerikyndige

5.2.8. Servicefartøy

A partir de tudo que foi colocado, da história dos indígenas no Brasil, das peculiaridades de cada etnia e da história de vida de cada um dos jovens, podemos pensar com mais elementos os objetivos do trabalho, que eram o de investigar quais as expectativas e dificuldades dos índios que vem fazer faculdade na PUC-SP; em especial, investigar as expectativas dos indígenas em relação à educação e descobrir quais as dificuldades enfrentadas por esta população em relação ao seu processo de formação acadêmica.

Em relação às expectativas de fazer um curso superior, ficou claro que trabalhar com a questão indígena foi um dos motivos que levou os entrevistados a essa escolha, excetuando-se P. Trabalhar pela comunidade, para eles, é mais do que algo que pode ser feito no futuro, mas sim o grande desencadeador dessa iniciativa.

Podemos confirmar essa hipótese ao pensarmos como a escolha dos cursos que esses sujeitos fazem na PUC tem a ver com o trabalho idealizado para o futuro com a questão indígena. Ciências Sociais e Serviço Social fornecem uma base não só para pensar a sociedade e entender os processos de organização da mesma, mas também fundamenta e fornece elementos para a realização de projetos com a população.

É interessante pensar que isso se dá pela grande necessidade que os povos indígenas têm de serviços básicos e de recursos para lutar pela sua existência, como demarcação de suas terras e preservação de sua cultura, por exemplo. Como já foi explicitado anteriormente, a história dos indígenas no Brasil foi marcada, desde a chegadas dos portugueses, por uma retaliação da sua cultura, perda de territórios, não aceitação de seus costumes, exterminação de população, imposição da cultura branca, etc. Ao longo dos últimos cinco séculos, podemos observar, de acordo com a história de cada povo indígena, que diversas batalhas ocorreram entre brancos e índios, a fim de que os últimos não perdessem os seus direitos. Fica claro também que outros povos tentavam a fuga como método para o mesmo objetivo. Apesar dessas tentativas, sabemos que, hoje em dia, no Brasil, muito da cultura indígena se perdeu em decorrência da invasão da cultura branca e da transculturação descuidada, que ocorre durante tantos anos.

houvesse a garantia de que seus direitos fossem alcançados. Essas lutas tiveram a ver não só com a segurança de que sua cultura pudesse se manter, mas também com a devolução de suas terras, a busca por saneamento básico, saúde, educação, entre outros direitos. Além disso, podemos dizer que lutando para melhor qualidade de vida dos índios e por seus direitos, eles conseguirão com mais sucesso manter e perpetuar suas peculiaridades, que ao longo da história quase se extinguiram.

Para esses jovens, esse objetivo parece ser realmente relevante. Suas histórias de vida nos mostram que eles sempre tiveram grande apreço por sua cultura de origem, mesmo nascidos e vivendo em São Paulo a maior parte de suas vidas. O fato de alguns deles serem mestiços não colabora para um afastamento da cultura indígena. Vemos que esses indivíduos, na realidade, são mais ligados e identificados com seu “lado indígena” do que com os costumes e valores dos brancos.

É possível pensar nesse fato mais uma vez relacionado com a grande vontade dos indígenas em manter suas tradições. Isso, portanto, se dá através da educação de seus filhos, do contato proporcionado pelos pais com a vida indígena e pelo trabalho, no sentido de cuidar de sua população.

Em relação às dificuldades, observei, a partir das falas dos sujeitos, que eles passaram por mais dificuldades antes de ingressar na PUC do que realmente durante o curso. Eles afirmaram não ter dificuldades em relação à compreensão dos conteúdos, nem à vida social na faculdade. Eles colocaram, na verdade, uma crítica a alguns pensamentos dos brancos difundidos nas aulas. Essa crítica se dá pelo fato de se tratar de crenças diferentes das dos índios.

G. foi a única que colocou alguma dificuldade relacionada à vida social na PUC. Ela conta que estranhou muito o fato de no início as pessoas serem simpáticas com ela e depois não serem mais. Ela faz uma comparação desse comportamento com o que acontece na aldeia onde vive e diz que lá, se algo acontece e a relação fica estranha, ou se estremece, se conversa para esclarecer o que estava acontecendo e que aqui ela não entende o que ocorria.

Só que assim, hoje que é final do ano muitas pessoas que passam perto de mim e nem me cumprimentam. Eu nunca cumprimento se não me cumprimentarem, eu espero. Que nem várias vezes eu falava: oi tudo bem, e passaram direto, então, aí eu não entendo, não sei...

..., porque lá (comunidade) se acontece alguma coisa se fica muito ruim eles falam, então vamos fazer uma reunião, pra ver o que está acontecendo pra gente resolver... (G).

Observei que esses jovens vieram fazer faculdade com vinte e poucos anos, um pouco mais velhos do que a maioria dos alunos que entram com aproximadamente 18 anos. As mulheres entrevistadas já tinham filhos, ou estavam grávidas, e todos já tinham tido alguma experiência de trabalho anterior.

Apesar de terem tido, ao longo de sua vida, um grande contato com a cultura indígena, esses jovens estudaram em escolas tradicionais de brancos. Isso pode explicar porque não houve nenhuma dificuldade em relação à compreensão de conteúdos, mas sim, uma opinião diferente em relação a alguns deles.

Baseando-me nesses dados, posso perceber que esses jovens foram bem sucedidos no que diz respeito a seus projetos educacionais. Eles não tiveram dificuldades significativas até o ensino médio, fizeram cursinho e hoje estão cursando uma faculdade. Porém, como ressaltamos anteriormente, essa é a realidade da minoria dos indígenas que vivem no Brasil e ser bem sucedido em relação à educação, como vimos, é uma preocupação muito importante para essa população.

A partir de todos esses dados pude reconhecer a idéia de subjetividade como algo social e pessoal. Ficou clara a noção da articulação entre cultura e indivíduo.

Pude observar que há nesses processos individuais de entrada na PUC algo comum. Há uma subjetividade grupal que é determinada sócio-historicamente. Notei que há uma grande valorização da cultura indígena, superando a cultura branca, mesmo nos indivíduos mestiços. Constatei também que há, nesse grupo, que foi quase exterminado, uma enorme vontade de dar prosseguimento à cultura através do trabalho voltado a essa comunidade e da transmissão dos valores para as futuras gerações.

Porém, percebi também, que cada entrevistado vive o seu processo de entrada na PUC de maneira específica. Cada um apresentou uma história de vida peculiar e pode internalizar o fato de fazer uma faculdade do seu jeito, transformando a realidade em um processo particular, que contém valores, afetos, desejos, necessidades, significados e sentidos muito próprios. Cada indivíduo vivencia o mundo externo à sua maneira. Para

subjetivos que se referem às vivências emocionais e psicológicas que se processam em suas subjetividades de modo particular.

Portanto, a subjetividade é um fenômeno ao mesmo tempo social e individual, pois cada sujeito internaliza de um modo o que está apresentado no social. De acordo com Aguiar (2001), as formas de pensar, sentir e agir do indivíduo expressam uma integração, muitas vezes contraditória, de experiências, conhecimentos, sem dúvida emocionados, de uma história social e pessoal.