3. Teoretiske perspektiver
3.6 Medialisering og mediene som kamparena
Até aqui, todas as categorias adotadas na classificação das estratégias
metacognitivas empenhadas durante a atividade de compreensão leitora se sustentavam em
princípios cognitivos realizados pelos sujeitos. Entretanto, algumas ações executadas pelos
informantes ao longo das atividades não estavam diretamente relacionadas a ações cognitivas,
e sim interligadas a mecanismos deliberadamente mecânicos e conscientes que tinham por
finalidade estabelecer condições benéficas para a consolidação da atividade de leitura.
Neste estudo, quatro ações complementares foram consideradas: a observação da
tipologia textual e do gênero textual, a identificação de um objetivo para a atividade, o
estabelecimento de procedimentos protocolares para a atividade de leitura e a consulta de
materiais de referência para dar suporte à leitura.
a. A observação da tipologia textual
A identificação da tipologia textual e do gênero textual é reconhecida por
estudiosos, tais como Solé (2009), como um instrumento facilitador da atribuição de sentido
na leitura de textos em língua estrangeira. A fim de observar a importância conferida pelos
sujeitos a estes fatores, uma questão foi inserida no formulário 2. Através do questionamento
proposto (questão 3 - “eu verifiquei a extensão do texto, organização e a ideia principal no
início da atividade leitora”), foi possível perceber que a maioria dos sujeitos declarou ter se
preocupado com estes elementos durante a leitura do texto. No primeiro teste, 14 informantes
acusaram ter dedicado atenção a estes fatores. No segundo, o número aumentou para 16. No
116
A alteração documentada no terceiro teste pode ser o resultado do tipo de texto
envolvido na atividade. Nos outros materiais, em que os textos foram construídos com
recursos linguísticos diversificados, tais como a utilização de linguagem verbal e não verbal
simultaneamente, os sujeitos foram obrigados a utilizar mais estratégias para atingir o objetivo
esperado, enquanto que no texto organizado no padrão tipológico prototípico de um texto
literário, os informantes demonstram não concentrar tanta atenção na forma como a
informação estava organizada.
Ao se observar os protocolos verbais para buscar reconhecer uma justificativa
para este decréscimo, foi possível constatar que pouca atenção foi dada aos aspectos
referentes à estrutura textual e aos elementos de natureza tipológica. O que demonstrou ser
significativamente relevante para os sujeitos foi tão somente a presença da imagem e a relação
dela com a temática tratada no texto. No Teste 3, como o texto era de natureza literária, os
leitores se sentiram menos desafiados pela estrutura textual e empenharam um menor esforço
no processo de compreensão leitora.
Os argumentos apontados também podem ser sustentados com informações
extraídas de Pv1, logo nas linhas iniciais. No protocolo verbal fica comprovada a importância
dada à figura e a forma que a construção do sentido se inicia a partir da construção de
hipóteses para a leitura pela imagem, e não pelos objetivos estabelecidos para o texto.
Pv1 01 02 03 04 05 06 07 08
Bem... a primeira coisa que me chamou a atenção... foi a imagem... e agora eu
vou ler... vou ler a tira em espanhol ... “odie, te importaría no estar tan cerca de mi” ... e tive a impressão de que nessa imagem... o ...Garfield queria que a língua do cachorro estive longe (risos) mas o cachorro entendeu que ele é que tinha que estar longe e continuou com a língua perto do Garfield e que o estava incomodando ... agora eu vou ler ... vou ler as perguntas ... para depois voltar ao textos mas o que primeiro me chamou a atenção primeiro foi a imagem e a incomodação do Garfield com o cachorrinho ... então eu vou ler agora as
117
EM RELAÇÃO À TIPOLOGIA TEXTUAL
O processo de organização textual, a tipologia textual e os gêneros textuais
apresentam uma relativa relevância para os sujeitos apenas quando eles adotam formatos mais
dinâmicos na sua construção. No caso do texto apresentado em sua estrutura protocolar, em
que um menor esforço cognitivo era demandado para identificar as estruturas textuais, os
sujeitos optaram por não recorrer a estes mecanismos de observação mecanizada, por
considerar esta atividade desnecessária.
b. Identificação de objetivo para a atividade
De acordo com Karbalaei (2010), a identificação de um objetivo para a atividade
de compreensão leitora pode ser reconhecida como um elemento facilitador no processo de
atribuição de sentido para o texto, pois fornece aos leitores instrumentos concretos para que
processos metacognitivos tenham condições de serem executados durante a leitura.
Com o fim de perceber como se os sujeitos investigados conferiam importância a
este ponto, três questões estavam incluídas no Formulário 2. Todas elas integravam o eixo de
consciência e se inscreviam na variável de tarefa.
Na primeira delas, na questão de número 1 (“eu estabeleci os objetivos centrais para minha leitura antes de ler o texto”), os resultados encontrados nos quatro testes foram
muito similares. Em todos eles, aproximadamente a metade dos informantes declararam que
definiram os objetivos previamente ao início da leitura (nos dois primeiros testes 11 o
fizeram, contra 11 que não o fizeram; no terceiro foram de 8 que o fizeram contra 14 que não
o fizeram; no quarto, foram 10 contra 12).
Estas informações documentadas através do Formulário 2 também puderam ser
118
sujeito reconhece a relevância de se estabelecer objetivos para a atividade e, além disso, se
propõe a executá-lo, acreditando fazê-lo, como se pode perceber no segundo fragmento
destacado de Pv3, entre as linhas 212 e 217.
Pv3 212 213 214 215 216 217
fiz nas semanas passadas ... mas dessa vez eu ... eu também é:.. verifiquei antes de começar a ler o texto o que deveria ser lido com... mais importância ... ou seja ... eu verifiquei melhor a extensão do texto e a organização do anúncio pra que eu pudesse entendê-lo melhor ... então eu tive uma... sistemática:: ... maior na minha organização da leitura.. antes de eu começar a ler o texto pra eu organizar o que leria ... coisa que eu não tinha feito nos textos anteriores ... e ..
Entretanto, ainda que ele tenha seguido uma linha que o encaminhava para
realizar o procedimento de atribuição de um objetivo a para leitura, a presença de imagem em
T4 fez com o que leitor perdesse o foco na construção dos objetivos para a leitura e focasse
sua percepção apenas na construção de sentido a partir da imagem, alterando seu olhar e sua
percepção do texto. Neste caso, a figura passou a ditar a construção do sentido e inverteu a
observação iniciada pelo sujeito investigado.
Pv3 01 02 03 04 05 06 07
bom... eu vou ... começar o texto ... ler a ... o... ler a imagem .. primeira coisa que eu vou fazer é primeiro ler o que diz o enunciado ... “lea la publicidad a continuación y luego conteste a la pregunta que sigue ... La familia al poder::”
…entao assim... eu ainda não li ...pelo que a imagen sugere ... tá falando que tendo o carro você tem tudo né? ... com aquele carro você é feliz:: e tem poder né? ... Tanto que até o monstrinho lá ... se rende lá ... ((risos)) ... então eu vou ler o que diz agora o anúncio “nuevo seat altea 11 family ... cuando uno toma la
De todos os formulários coletados, foi possível perceber que apenas na terceira
documentação os sujeitos buscaram estabelecer os objetivos para a leitura antes de ler o texto,
e o fato de T3 não contar com a presença de uma imagem e ser a reprodução de um fragmento
de uma obra literária foi o provável fator que contribuiu para que a atenção do leitor
119
da construção do sentido para o texto, como se pode comprovar através deste fragmento de
Pv2.
Este argumento corrobora com a ideia defendida anteriormente que a presença de
uma figura exerce um certo efeito anestésico no leitor, desfocando o seu olhar das questões
gerais do texto e fazendo-o construir um sentido a partir da imagem. Logo, o fato do teste 3
não dispor de imagens, fez com que o leitor buscasse estabelecer uma relação de distinta
natureza com o texto em questão.
Pv2 01 02 03 04 05 06 07
Bom ... agora ... eu vou estar ... lendo o:: texto do teste 3 ... primeira coisa que eu vou fazer vai ser ler o:: que tá pedindo a questão ... o enunciado “lea el fragmento del libro la tesis de nanci ... de Ramón Sender y luego contesta a las preguntas que siguen” ... então:: eu ... pelo que o título do livro vai tratar de algumas teses de nanci ... se teses for no sentido que eu to entendendo argumen::tos alguma coisa ... vamos ver ... talvez não seja ... vamos ver ... vou ler então ... “ayer me sucedió algo de veras trágico … ayer
Na segunda questão referente ao reconhecimento da identificação dos objetivos
para a leitura, a de número 2 (“eu busquei perceber se os objetivos do texto se encaixavam com o que eu esperava”), foi possível identificar que a grande maioria dos informantes
declarou ter realizado o trabalho de verificação e observação dos objetivos para o texto. No
primeiro e no segundo teste, foram 16. No terceiro, 12 e no quarto, 20.
Também foi possível observar esta preocupação na entrevista coletada com a
realização do Teste 4, em que o informante 12 destaca a importância dada para a identificação
do objetivo da proposta de texto para conseguir estabelecer um significado coerente para a
leitura.
ENT-T4-12
Os métodos adotados são os mesmos. Porém, este texto foi de um nível de dificuldade maior que os anteriores, por conta da interpretação de um anúncio, que nem sempre é aquilo que realmente está querendo transmitir.
120
Na terceira e última questão referente à identificação de objetivo para a atividade,
a de número 5 (“li as perguntas antes de começar a leitura para orientar minha observação do texto”), os sujeitos demonstram uma inconstância procedimental ao longo da leitura. No
primeiro teste, 8 afirmaram realizar a ação. No segundo, o número subiu para 17. No terceiro
e quarto, número de informantes que atestaram realizar a ação foi de 10.
EM RELAÇÃO A IDENTIFICAÇÃO DE UM OBJETIVO PARA ATIVIDADE
Os dados altamente dispersos apontam que os sujeitos investigados não têm um
comportamento uniforme no que se refere à identificação de um objetivo para a leitura, nem
mesmo adotam posturas constantes no processo de atribuição de sentido ao longo da atividade
de compreensão leitora.
Abre-se um questionamento sobre se esta não observação do objetivo é o
resultado de uma falta de adoção de tais práticas pelos sujeitos, ou se os mesmos demonstram
não utilizar este recurso, pois não foram orientados a realizá-la.
c. Adoção de procedimentos
Ao longo da atividade de leitura, um sujeito traz consigo uma série de
procedimentos protocolares que ele acredita utilizar para facilitar o processo de compreensão
leitora. Alguns desses procedimentos incorporados são também adotados na prática leitora em
língua materna, sendo resultado de sua formação acadêmica ou treinamento escolar, ou ainda
originários de uma percepção não empírica que faz com que o leitor de textos em língua
estrangeira adote procedimentos que julga facilitar a atividade realizada, provocando uma
121
Com o fim de verificar se os sujeitos desta pesquisa reconheciam que a adoção de
procedimentos dava suporte à leitura, foram incluídas 7 questões no Formulário 2, sendo que
5 delas estavam no eixo de consciência e materializadas na variável de estratégia, e 2 no eixo
de controle, sendo 1 na variável de planejamento e outra na de supervisão.
Na primeira das cinco questões dentro do eixo de consciência, a questão 28 (“Ao
longo da leitura, pensei sobre a informação lida em espanhol na minha língua materna”), a
resposta encontrada foi praticamente a mesma em todas as quatro medições. Nos dois
primeiros testes, todos os 22 afirmaram recorrer à língua portuguesa como recurso de apoio à
leitura e nos dois testes seguintes, 21 informaram fazê-lo, enquanto apenas um reconheceu
não tê-lo feito.
Através deste resultado, é possível constatar a importância dada pelos sujeitos à
confirmação de informações em sua língua materna, destacando que a utilização involuntária
do idioma materno funciona como um instrumento de fortalecimento da confiança do leitor
em relação ao texto.
É possível perceber na passagem do Protocolo Verbal 2, entre as linhas 88 e 89,
que o informante relata recorrer à tradução, em sua língua materna, da pergunta referente ao
texto, a fim de obter melhores recursos para avaliar a demanda feita no exercício. Na verdade,
o que ele faz não é traduzir para entender melhor, e sim procede a tradução para confirmar as
hipóteses que ele tinha sobre o questionamento feito, optando por recorrer à sua língua de
conforto para melhor se assegurar sobre a petição.
Pv2
88 89
leitor ... justifica com as tuas próprias palavras ... traduzi a pergunta para poder entender melhor ... humm ... eu acho que é a questão da:: ... das diferenças
Outro comportamento dos leitores investigados, que se buscou observar se seria
122 a velocidade da leitura do texto para me assegurar que estava entendendo o que lia”), foi
possível comprovar que os sujeitos recorrem a este procedimento ao longo da atividade. Em
todos os testes realizados, a maioria dos sujeitos (19 no primeiro teste, 16 no segundo, 20 no
terceiro e 16 no quarto, de um total de 22 sujeitos investigados) declarou ter recorrido a este
procedimento durante a leitura.
Com a observação do protocolo verbal e das entrevistas realizadas, foi possível
tecer uma série de considerações sobre o uso deste recurso no processo de atribuição de
sentido na leitura pelos informantes.
Percebeu-se que o principal motivador da alteração da velocidade de leitura foi a
complexidade do texto e a mistura de gêneros em um mesmo texto. Ao longo da entrevista
coletada com um dos informantes, ele destaca que a complexidade do texto fez com que ele
alterasse a velocidade de leitura e esta complexidade está relacionada com a dificuldade de se
estabelecer um objetivo inicial para a leitura.
Na passagem abaixo (ENT-T4-17), o problema destacado poderia ser minimizado
se eles adotassem procedimentos de identificação de objetivos para a leitura e realizassem um
trabalho de pré-leitura.
ENT-T4-17
Fui obrigado a ler mais devagar desta vez, pela complexidade do texto.
Conforme se pôde perceber no item anterior (identificação de objetivos para a
atividade), os sujeitos não demonstraram um comportamento ante a leitura que atestasse que a
identificação de objetivos para a atividade foi um procedimento realizado pelos sujeitos e a
situação pontuada destacados.
Com a observação da passagem compreendida entre as linhas 156 e 158, o
123
demonstra se utilizar deste procedimento como elemento de facilitação da inferência, e o
realiza quase que simultaneamente ao processo de atribuição de sentido, fornecendo assim
instrumentos para se refletir sobre os percursos adotados e sobre a forma como a variação da
velocidade de leitura exerce um poder de auxílio sobre a atividade executada.
Pv2
156 156 158
semana passada ... dessa vez:: .. eu tentei entender o que o que o texto dizia lendo .. parando .. toda hora ... em vez de ler o texto sequencialmente fui parando ele ... fui parando o que realmente queria dizer aquela frase ... o que eu
Outra questão relacionada à adoção de procedimentos dentro do eixo de
consciência, na variável de estratégia, era a de número 19 (“Ao ler, eu selecionei e identifiquei as palavras, expressões e frases desconhecidas para tentar inferir o seu
significado”). Neste questionamento proposto, os sujeitos destacaram, que anterior à
realização de procedimentos inferenciais, eles assinalaram e destacaram os fragmentos que
seriam submetidos ao processo de inferência. Nos quatro testes realizados, a maioria dos
informantes declara tê-lo feito. No primeiro teste foram 19, no segundo 16, no terceiro 18 e no
quarto, 15 informantes.
Ainda no eixo de consciência e na variável de estratégia, na questão 20 (“Eu voltei
algumas partes do texto quando perdi a concentração”), no primeiro, terceiro e quarto testes a
maioria dos sujeitos declara ter recorrido a esta estratégia (12 no primeiro, 22 no terceiro e 16
no quarto). No teste 2, 16 informantes declaram não ter retomado a leitura.
Ao proceder uma análise destes dados, é possível atribuir uma justificativa para a
proximidade de 50 % de incidência no primeiro teste em favor da forma como ele foi
conduzido, e a presença do investigador como o responsável por conduzir a resolução da
primeira proposta pode ter influenciado nas estratégias utilizadas pelos informantes. Em
relação à informação referente ao teste 2, em que apenas 6 informantes declaram ter retornado
124
verbais, e com uma maior concentração de elementos linguísticos não verbais – os quais demandavam ativação de conhecimentos linguísticos, culturais e contextuais - fez com o que
o processamento da informação tomasse caminhos diferentes dos normalmente adotados
quando as informações estão organizadas de outra forma.
Em relação à questão 21, na qual se buscava verificar se os sujeitos anotavam
as expressões-chave e as ideias durante a leitura como um elemento facilitador, a grande
maioria dos sujeitos (18 em T1; 16 em T2; 18 em T3; 18 em T4), nas quatro medições,
disseram não proceder qualquer tipo de apontamento ao longo da atividade.
Ao observar os dados coletados, é possível perceber que no eixo de consciência
sobre o texto, os informantes declaram realizar uma série de procedimentos e adotar uma série
de estratégias para facilitar o processo de atribuição de sentido nos textos em língua
espanhola. Eles afirmaram recorrer à língua portuguesa como meio de se manter mais
envolvidos com a leitura, de diminuir a velocidade para ter certeza do que lia e estabelecer
vínculos com a temática tratada e de recorrer à repetição da leitura para melhor processar o
tema tratado. Demonstraram, também, empenhar pouca importância à realização de anotações
processuais como forma de rememorar com mais facilidade o tema lido, e não proceder
repetições de leitura quando o texto estiver composto de muitas informações linguísticas não
verbais.
No eixo de controle, na variável de planejamento, outra questão buscava verificar
se a velocidade de leitura sofria algum tipo de alteração, mas agora estando diretamente
relacionada com a complexidade do texto. Nesta questão, a de número 15, a maioria dos
informantes atesta que a complexidade do texto é inversamente proporcional à velocidade da
leitura. Assim, à medida que o texto vai se tornando mais complexo, os sujeitos tendem a
125
Na segunda assertiva relacionada ao eixo de controle, mas agora voltada para a
estratégia de supervisão, na questão 26 (“Voltei partes e saltei outras para buscar estabelecer
relações entre as ideias”), os resultados obtidos foram bastante inconstantes. No primeiro
teste, apenas 8 sujeitos declararam o seu uso; no Teste 2, 11; no Teste 3, 12 e no Teste 4, 14.
Ainda diante da inconstância, é possível verificar uma ascendência de uso ao longo da leitura
do texto.
No primeiro, o número de declarantes que o usaram foi baixo e, à medida que os
testes foram sendo realizados e a complexidade informativa era ativada através das propostas
de atividades, os sujeitos demonstraram uma maior tendência de uso, fato este que lança à
discussão de uma íntima relação existente entre a complexidade informativa do texto e a
dificuldade enfrentada na construção de sentido para a leitura. A linearidade adotada pelos
sujeitos ao longo da leitura aponta que quanto menos complexo seja o texto, mais linear será a
leitura, ao passo que quanto maior a carga informativa e a complexidade na organização das
informações, maior a probabilidade de se estabelecer vínculos não lineares na leitura.
EM RELAÇÃO À ADOÇÃO DE PROCEDIMENTOS NA LEITURA
Todos estes sete tópicos relacionados à adoção de procedimentos ao longo da
atividade de leitura constituem parâmetros para caracterizar o comportamento dos
informantes durante a atividade de leitura. O leitor escolhe procedimentos dinâmicos e ágeis
ao longo da leitura, excluindo fazê-lo de forma linear e topicalizada. Os dados assinalam um
desenvolvimento que inter-relaciona as informações de maneira automática e não mecanizada,
indo e voltando ao texto sempre que necessário, alterando a velocidade da leitura de acordo
com o grau de dificuldade enfrentado, e recorrendo ao seu aparato cognitivo para processar os
126
d. Consulta a materiais de referência
O uso de dicionário e de outros materiais de referência, tais como programas
informáticos de tradução, pode ser reconhecido como instrumentos facilitadores da leitura
para muitos leitores, pois lhes poupa da necessidade de realização de procedimentos mais
complexos e aplicados, tais como a inferência, para atribuir sentido a vocábulos ou expressões
pontuais contidas no texto. Com o fim de problematizar o seu uso e identificar o apoio dos