2. Bakgrunn
2.1 Flerkulturelle samfunn og religionsdebatt
Com base nos dados obtidos, no que concerne à primeira hipótese levatada, percebe-se que não há professores formados em Letras – Língua Espanhola nas cidades de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Izabel do Rio Negro.
No entanto, apesar desse fato, a Língua Espanhola é ensinada nos três municípios mencionados.
No que concerne especificamente à formação dos professores responsáveis pelas aulas de Língua Espanhola, fica claro que, dos que possuem o Ensino Superior completo, sua
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formação abrange distintas áreas, entre as quais Filosofia, Normal Superior, Pedagogia, e Psicopedagogia, não havendo formados em Letras – Língua Espanhola. Existem ainda professores formados apenas no Magistério.
Evidencia-se também que há professores em formação na área de Letras – Língua Espanhola atuando em áreas para as quais não possuem formação, como Artes, Educação Física, Geografia, História, Língua Portuguesa e Matemática, além do trabalho multisseriado, com várias disciplinas ao mesmo tempo. Percebe-se também a existência de hispânicos falantes de espanhol que não possuem Formação Superior, mas atuam como professores de Língua Espanhola nas escolas públicas da região.
A partir desses dados, verifica-se uma política de gestão educacional que não atende os preceitos legais, uma vez que impõe a docentes o ensino de disciplinas para as quais não possuem formação, com vistas ao preenchimento de carga horária, a despeito das consequências que possam ser criadas no que concerne ao aprendizado e ao desenvolvimento escolar dos alunos. A postura dos gestores escolares é endossada pela atitude (ou pela falta de ação) das Secretarias de Educação, em âmbito municipal e estadual, que, além de não cercearem essa prática, conforme as palavras da APE-AM, fazem “vista grossa” para o fato, demonstrando descaso para com o ensino público local e estadual, em especial no que concerne ao ensino da Língua Espanhola.
No entanto, apesar do posicionamento político estadual mencionado, no que concerne a Barcelos, Santa Izabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, a situação é diferente. Os municípios, buscando atender a determinação legal que rege o ensino da Língua Espanhola no país e no estado do Amazonas, traçaram ações de planejamento político para atingirem sua meta, buscando o apoio da Universidade Federal do Amazonas, por meio da oferta do Curso de Letras – Língua Espanhola no âmbito do Parfor, para a formação de docentes responsáveis pelo ensino do Espanhol, confirmando a importância e a relavância
desse Curso na região, com vistas a fornecer formação adequada para o exercício da profissão docente.
Além disso, percebe-se que a Língua Espanhola é componente curricular com oferta regular em alguns municípios do Amazonas, pelas redes municipais e estadual de ensino. Conforme as investigações de Coelho (op. Cit., 2014) o Espanhol é ensinado em escolas municipais e estaduais da região do Alto Solimões e, de acordo com os informantes que contribuíram com este trabalho de investigação, também é ensinado em Barcelos, Humaitá, Santa Izabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira.
A despeito da questão que tange a formação dos professores responsáveis pelo ensino do Espanhol nos municípios mencionados, fica evidente a presença de planejamento político local, em cada uma dessas cidades, referente à oferta da Língua Espanhola, que está presente no currículo escolar, cumprindo com o disposto na legislação que normatizam essa questão. Sobre essa questão, no Amazonas, verifica-se a existência de política linguística e educacional voltada para o ensino da Língua Espanhola desde 2006, por meio da Resolução 89/2006 do Conselho Estadual de Educação do Amazonas (AMAZONAS, 2006), e da Lei Estadual 152/13 (AMAZONAS, 2013), que complementam o disposto na Lei Federal 11.151/2005 (BRASIL, 2005).
Também confirma a ocorrência de planejamento político a nível estadual a realização de dois concursos para a contratação de professores efetivos, em 2011 e 2014.
Retomando os postulados de Hamel (1993), existe política linguística e educacional oficial no Amazonas no que concerne ao ensino da Língua Espanhola.
Apesar disso, o número de vagas e a carga horária oferecida aos candidatos, bem como a distribuição dessas vagas nos levam a propor novos questionamentos:
a) por que o poder público estadual disponibilizou a maior parte das vagas para o interior do estado, uma vez que a concentração de professores de Espanhol está em Manaus?
b) seria uma tentativa de interiorização do ensino de Língua Espanhola, ou apenas uma forma de contemplar a área de Espanhol para cumprir com as demandas e pressões da sociedade sobre a SEDUC-AM?
Como tentativa de interiorizar o ensino da Língua Espanhola, acredito que a melhor solução seria oportunizar a formação de docentes nos municípios do interior do estado, por meio do apoio das universidades e do PARFOR. No entanto, cabe aqui ressaltar que, apesar de estar presente em todos os municípios do estado, por meio de campi, centros ou núcleos de estudo, a Universidade do Estado do Amazonas, mesmo possuindo o Curso de Letras, não oferece habilitação em Língua Espanhola (AMAZONAS, 2014).
Na verdade, acretito que possa ser uma clara tentativa de desqualificar o discurso dos hispanistas no Amazonas, tentando cessar a pressão estabelecida, uma vez que dificilmente os profissionais da capital se deslocarão da capital para outros municípios, dada a relação entre o alto custo de vida no interior e a remuneração oferecida nos certames, com base na carga horária de trabalho de apenas 20 horas.
Dessa forma, o descaso com o Espanhol, mais uma vez, evidencia o posicionamento político estadual oficial com relação ao ensino da Língua Espanhola no Amazonas.
Retomando o foco para o ensino da Língua Espanhola em nível local, fica claro que não há consenso sobre a situação no município de Barcelos. Os fragmentos das entrevistas transcritos a seguir, ilustram essa situação:
‘Pesquisador’: Uhm, uhm... ((garantindo a manutenção da entrevista)) éh... como é que você vê a situação do ensino de Espanhol aqui no município de Barcelos?
‘A’: Muito decadente, muito complicada, até eu penso assim que teria que ter um olhar mais voltado pra realidade do município, pra... assim, pras necessidades, pras dificuldades que a gente
tem, por exemplo... éh... esse é o primeiro ano que eu vou trabalhar na escola... éh... seriada com a Língua Espanhola. Desde quando eu estava cursando, eu sempre senti dificuldades em trabalhar a Língua Espanhola, porque eles priorizavam outras pessoas que não tinham conhecimento. E esse ano, eles me deram a oportunidade de trabalhar... mas, na mesma escola
que eu trabalho, outras pessoas ‘tão trabalhando... sem nenhuma
graduação e sem nenhum conhecimento. E... assim... eu vejo que não têm aquela atenção voltada às nossas necessidades, nem aos nossos anseios.
[...]
‘Pesquisador’: E quais são as suas principais dificuldades em trabalhar disciplinas das das quais você não tem licenciatura, habilitação pra lecionar, e até também pra trabalhar o Espanhol ainda sem estar formad@?
‘A’: A dificuldade, a princípio, foi que a escola não tinha material didático... por exemplo, a escola tem dois dicionários ((gesticulando para enfatizar o número de dicionários)) apenas... que você pode utilizar dentro da sala de aula... não tem mais... e o... os materiais eu, então, procurei... comprar materiais, buscar materiais na Internet, outro tipo, pra poder... suprir, na medida do possível, as necessidades.
‘Pesquisador’: ‘Tá. Como você vê a situação da Língua Espanhola, do ensino
‘C’: Olha... éh... eu vejo que... tem pessoas que não são formadas, mas que estão ministrando é é essas aulas, né. E eu, e mais 2
colegas, que estamos fazendo a... a Língua Espanhola, ‘ta...
estamos estudando ainda, né, tentando no... nos formar, não estamos tendo a oportunidade de... ministrar essas aulas, né, e tem pessoas que... que não estão formadas também, mas que estão dando aula nos nossos lugares, né. ((risos))
[...]
‘C’: Óh... eu vejo que... éh... ((pausa para pensar)) os os próprios diretores de escola, eles mesmo que que, em vez de pedirem, incentivar, né, já que nós estamos, aqui, rodeados, né, dos países... que falam espanhol, deveriam pedir... mas eles sempre pedem a Língua Inglesa.
[...]
‘Pesquisador’: E como é que é a questão do interesse pelo Espanhol dos alunos?
‘C’: ((pausa para pensar)) Eu vejo que... ((pausa para pensar)) pela professora não ser formada... éh... e não buscar, né, um... ó... alguma coisa que chame atenção... que inté... interesse... que tenha o interesse dos alunos... eu vejo, assim, que eles são totalmente desinteressados... não, não, não... não, não querem, não, não ligam pro que ela é... pro pro que falam, né. Eu acho que se tivesse informação, e se se fosse dada a Língua Espanhola com mais responsabilidade, eu eu acredito que eles iriam gostar, sim.
‘Pesquisador’: Uhm, uhm... ((garantindo a manutenção da entrevista)) ‘Tá, éh... ((reformulando)) Como é que você vê o ensino de Espanhol, aqui, em Barcelos?
‘D’: Muito lento. Muito... ((pausa para pensar)) Como é que eu digo, eu posso dizer, assim... ((pausa para pensar)) Éh... éh... assim, bem, bem... como é que se diz... ((pausa para pensar)) assim, não, não muito... ((pausa para pensar)) porque até, só tem uma... uma escola, né, que, que acatou a a disciplina Espanhola. Espanhol. Porque nas outras escolas são o Inglês.
[...]
‘D’: ((retomando o raciocínio)) agora sim... ((risos desconcertados)).
‘Tô tentando, escuto, leio, falo, escuto assim ah... os CDs né...
depois tento falar alto pra ver se eu estou falando a palavra certa ou não, até porque ((pausa para respirar)) quando eu tenho dúvida vou ao dicionário, e são poucos os dicionários ((pausa para pensar)) temos a Internet, mas ela é muito lenta e às vezes não temos acesso à Internet ((pausa para pensar)) então isso é, é a dificuldade.
@s informantes “A”, “C” e “D” afirmam ser um processo decadente, lento, que enfrenta dificuldades, sobretudo às oriundas da falta de apoio administrativo, elencando problemas como a falta de material didático, de interesse por parte dos alunos, e de falta apoio aos professores e alunos, a lentidão da Internet e a pouca valorização da Língua Espanhola. Essas dificuldades confirmam os dados obtidos por meio do segundo questionário de sondagem, que mostrou a falta de apoio logístico e material para o trabalho docente com a leitura.
No entanto, conforme os fragmentos de entrevistas transcritos abaixo, @ informante “B” afirma que o processo de ensino de Espanhol em Barcelos está crescendo, havendo cada vez mais interesse e apoio da gestão escolar.
‘Pesquisador’: ‘Tá. E... como é que você vê a situação do ensino de Espanhol
no es... no município de Barcelos?
‘B’: Sim, aqui... a única escola que... trabalha com o Espanhol é a
Escola Estadual “X”, e a Escola “Y” e tem a Escola Estadual “Z” elas dão a Língua... Inglesa. E... eu acho... assim, na minha opinião é que o Espanhol aqui... ele ‘tá crescendo. Nós, nos
graduando, nós já temos o convite pra ministrar as aulas de Espanhol.
[...]
‘B’: ((pausa para pensar)) Professor... aqui ((pausa para pensar)) a
Irmã, a Irmã “W” ela já tinha falado com nós né... também que
para o ano ela vai... na Seduc... ela vai entrar cum documento pra a escola começar a trabalhar com a Língua Espanhola... por quê? porque ela... acha, assim... que o Espanhol assim ((pausa para reformular)) é mais fácil para os alunos aprenderem.
Em se tratando de Santa Izabel do Rio Negro, a realidade parece ser outra. Os informantes que residem e atuam no município, relatam que o interesse pela Língua Espanhola e seu ensino têm crescido, assim como o apoio administrativo, conforme os fragmentos de suas entrevistas, transcritos a seguir.
‘Pesquisador’: ‘Tá. Éh... Como é que é a aceitação do Espanhol, por parte dos
‘E’: Eles... a princípio, eles achavam que era difícil, mas com o tempo, eles gostaram muito... eles estudam... bastante e eles já falam, sabia?! ((sorriso de satisfação))
‘Pesquisador’: Uhm, uhm... ((garantindo a manutenção da entrevista)) Existe apoio, por parte da gestão, por parte do município? Como é que é isso?
‘E’: Como a escola onde eu trabalho é estadual, éh... a gestão éh... apoia muito... a... éh... há materiais didáticos, livros, Internet pra pesquisa, tanto para os alunos, como pro... para os professores também.
‘Pesquisador’: ‘Tá. Éh... como é que você vê a questão da aceitação do
Espanhol pelos alunos?
‘F’: ((pausa para pensar)) Olha... quando eu fiz meu estágio lá em
a... na Escola ((pausa para lembrar o nome da escola)) ‘LL’, eu ‘tive observando... o... maioria dos alunos tem interesse [...].
No entanto, essa situação nem sempre foi assim.
Conforme fragmento a seguir, somente a partir de 2012, a Língua Espanhola passou a ser ensinada como componente curricular no município.
Em outras palavras, considerando o ano de 2010, prazo máximo estipulado para a implementação da lei federal 11.161/2005 (BRASIL, 2005), durante pelo menos dois anos, Santa Izabel do Rio Negro descumpriu a lei, deixando de oferecer o ensino da Língua Espanhola em suas escolas.
‘Pesquisador’: Antes de 2012, o que que era oferecido no lugar de Espanhol?
Em São Gabriel da Cachoeira, a maioria dos informantes afirma haver um crescimento no ensino da Língua Espanhola, sobretudo nas regiões de fronteira direta com a Colômbia e a Venezuala, como comunidades brasileiras localizadas em Cucuí, Iauaretê, Mati Cachoeira, Querari e Tunuí, conforme relatado nos fragmentos das entrevistas transcritos a seguir.
‘Pesquisador’: Você leciona em nheengatú, em português ou em espanhol?
‘H’: Em português, em parte em espanhol.
‘Pesquisador’: Éh... o uso da língua espanhola é muito frequente naquela região? Digo, na região brasileira, em Cucuí, nesse contato com hispânicos?
‘H’: É frequente.
‘Pesquisador’: ‘Tá. E essa comunidade, como é que chama?
‘I’: Mati Cachoeira.
‘Pesquisador’: Mati Cachoeira. ((confirmando))
‘I’: Sim.
‘Pesquisador’: Sim. Então, você trabalha numa escola, onde o... a língua de comunicação é o espanhol. ((confirmando a informação))
‘I’: Sim.
‘Pesquisador’: ‘Tá. Éh... de lá pra cá, você... você percebe que esse contato
com a língua espanhola aumentou ou diminuiu... lá, na região de Cucuí?
‘J’: ((pausa para pensar)) Olha, aumentou porque se... eles num
param de chegar lá, né... todos dias eles ‘tão lá, chegando lá.
lá... e é barato combustível deles lá... lá da Venezuela... E aí... e
é... todos dia eles ‘tão lá... lá em Cucuí... todos dia eles ‘tão lá
de... vende... combustível. [...]
‘Pesquisador’: E o... e nas escolas, se ensina o Espanhol?
‘J’: Nas escolas?
‘Pesquisador’: É.
‘J’: Ensina o Espanhol, sim.
‘Pesquisador’: Ya... Y... esa... eh... ¿dónde vives, aquí en Brasil?
‘K’: Caiaçú.
‘Pesquisador’: Caiaçú. ((confirmando a informação)) Y... ¿es región de frontera, esa región?
‘K’: No. Mas donde yo trabajo es frontera.
‘Pesquisador’: ¿Sí? Y… ¿cuál distrito?
‘K’: Distrito… ((pausa para pensar)) ((um pouco perdid@))
‘Pesquisador’: Éh... Cucuí, Iauaretê... ((tentando ajudar))
‘K’: Tunuí.
‘Pesquisador’: Tunuí. ((confirmando a informação)) ¿Es frontera con qué país?
‘K’: Colombia.
[…]
‘Pesquisador’: En la escuela donde impartes clases, ¿hay alumnos que son hispánicos también, que hablan español?
‘K’: ((interrompendo o turno do interlocutor)) Hay alumnos... exactamente, porque eh... la escuela colombiana que está
localizada más próximo de Vista Alegre es de primero a… a quinto año. Ahí, los alumnos que culminan ese periodo escolar,
ellos… vienen a Brasil.
‘Pesquisador’: Vienen a Brasil. ((confirmando a informação)) Y ¿las clases se imparten en portugués o en español?
‘K’: En dos lenguas: en portugués y español.
[…]
‘Pesquisador’: ¿Tú percibes si la lengua española ha evolucionado o ha
estagnado…? ¿Cómo está, la presencia del español ahí?
‘K’: Yo creo que sí. Yo creo que sí ha evolucionado, porque antes,
no existía casi así la… el dominio de la lengua extranjera…
ahorita yo creo que hay, hay bastante cambio.
‘Pesquisador’: Y ¿eso se debe a qué?
‘K’: Eh… se debe a… a las escuelas, así, gracias a a las escuelas
diferentes que permiten entrar la lengua extranjera a través de
los profesores hispánicos…
‘L’: O... o... meu nome completo “L”. O... etnia Tukano.
Comunidade... o... distrito de Iauaretê, Vila Aparecida. [...]
‘Pesquisador’: Uhm, uhm... ((garantindo a manutenção da entrevista)) Essa região é região de fronteira?
‘L’: É região de fronteira com Colômbia.
[...]
‘L’: Existe.
‘M’: Mi nombre eh… mi nombre es “M”, eh… soy de la etnia Kubeo. Soy de… nací en Querari, eh… frontera con Colombia…
[…]
‘Pesquisador’: Ya… y… el español… ((reformulando)) desde pequeñ@ que
vives ahí, ¿el español es una lengua usada en esa región?
‘M’: Sí, es…es ese ahorita… es… es más usado, que casi… por necesidad… es es usado bastante el español.
[…]
‘Pesquisador’: Ya. Eh... ¿trabajas en la escuela, ahí?
‘M’: Sí, en la escuela.
‘Pesquisador’: ¿Qué asignaturas impartes?
‘M’: Yo... el año pasado estaba con con Educación Física y Español.
‘Pesquisador’: Ya. Y, ¿las clases son hechas en español o en portugués?
‘M’: No, todas en español.
‘Pesquisador’: Todas en español. ((confirmando a informação)) ¿Y los alumnos lo comprenden?
‘M’: Sí, lo comprenden porque del… ya en el día a día de la convivencia entre los colombianos y brasileros ya… eso ya
ayuda.
‘Pesquisador’: ¿Y hay alumnos colombianos en la escuela, también? ((sendo interrompido))
‘Pesquisador’: Ya. Vale. Eh, en tu análisis, haciendo un análisis, desde que
llegaste… ((reformulando)) o desde pequeñ@, hasta los días de
hoy, ¿tú crees que la lengua española se intensificó, se usa más, está más presente en la región? ¿Está igual, o… está menos?
‘M’: No, esto, español, eh, volvió mucho más eh más usado, ¿no?
‘O’: Sim. Eu sou “O”, sou da etnia Tariana, moro em Iauaretê, na
fronteira entre Brasil e Colômbia, éh.
‘Pesquisador’: E você nasceu lá?
‘O’: Eu nasci lá, mesmo. Sou de lá, éh... vivo há trinta... trinta oito anos lá, éh.
[...]
‘Pesquisador’: Você me disse dois... duas questões, né. Vocês usam o espanhol pra conversar com seus parentes hispânicos, da Colômbia e da Venezuela, e, também, com os mercadores colombianos. Éh...
você vive lá desde que você nasceu. Então, como é que ‘tá essa
questão da língua espanhola? Se você for parar pra olhar o passado e os dias de hoje, o uso do espanhol, a presença da língua espanhola aumentou, diminuiu ou continua do mesmo jeito, lá?
‘O’: Olha, professor, hoje... hoje, né, a gente... tem essa visão de que hoje a língua espanhola... deu muito interesse pra nós, ela aumentou a questão de conversação, vamos dizer. Que pra você conversar com eles ((os parentes hispânicos na fronteira)), hoje,
Espanhol. E... justamente, eu digo, assim, que antigamente, nos primeiros tempos, que a gente tinha contato com esses povo... éh, com hablante de español, a gente teve várias dificuldades, que a gente não conseguiu pronunciar bem. Hoje, a gente tem facilidade, né, porque a gente aprende muito, aqui, dentro do do Parfor, né, especialmente em Língua Espanhola [...].
[...]
‘Pesquisador: E, vocês têm alunos que que falam espanhol, nessa escola?
‘O’: Nós temos só um que fala espanhol na escola. Ele fala bem. É um... menino que ne... nasceu em Colômbia, né.
‘Pesquisador’: E... e vocês ensinam Espanhol, nessa escola?
‘O’: A gente ensina. Começamos a ensinar no ano passado, né. Esse
é, já vai ser dois anos. A partir desse curso, né, que a gente teve aqui, nós começamos, e colocar Língua Espanhola dentro da escola. Porque no primeiro a gente tinha, só que a gente não tinha professor, nenhum professor em formação na Língua, né. Aí ia de qualquer jeito, né... aquelas coisas que a gente aprendeu com os... com os colombianos, com venezuelanos, a gente praticou... mas a gente tem muita dificuldade também de pronunciação... de grafia, né... agora, esse curso ajudou bastante, pra nós, a gente ‘tá aí... caminhando de forma legal, vamos dizer assim, tentando caminhar.
Segundo relato de “P”, o interesse pelo ensino da Língua Espanhola em São Gabriel da Cachoeira também é confirmado pela ação da Secretaria Municial de Educação e Cultura –
SEMEC, haja vista a solicitação de três turmas desse componente curricular pelo Parfor.
‘Pesquisador’: Éh... eu, como Coordenador do Curso, vejo um... um... um interesse crescente pela língua espanhola, pelo menos pela formação em Língua Espanhola aqui, no município. É o único município do estado inteiro do Amazonas que solicitou da Universidade Federal do Amazonas o Curso de Letras – Língua Espanhola, e, aqui nós temos um polo muito grande, e, a a maior quantidade de turmas é de Espanhol. Ou seja, são três turmas com a previsão de abertura de mais duas, enquanto há disciplinas como Matemática, Física, que têm uma turma só. Você saberia me dizer, talvez, o motivo desse crescente interesse pelo Espanhol? Se realmente é real o inte... o interesse pelo Espanhol? Se é uma coisa necessária ou não?
‘P’: Eu vou ser realista com você. Ah... quando começou o Curso, ou antes de começar o Curso de Espanhol, éh... ahn... digamos assim: 30% das pessoas que foram inscritas, elas praticamente não tiveram a oportunidade de dizer: “olha, eu quero fazer essa
área.” Mas no início do Curso, no decorrer do Curso, nós
começamos a perceber ah... diferente, algo diferente... há um interesse maior. E... nesse contexto, eu vou falar por mim... eu vou falar por mim...
‘Pesquisador’: É, eu digo, eu te faço essa pergunta, porque na época, à época você era... você trabalhava na Secretaria de Educação, então, você acompanhou todo esse processo de implementação.
participei do Processo Seletivo. Por isso que eu ‘tô dizendo...
Umas cinco pessoas éh... fi... fizeram questionamento por que...
((constrangid@)) eu gostaria... é por isso que eu ‘tô dizendo... ‘Pesquisador’: É. Houve, claramente houve uma selação, por parte da
Secretaria, a gente sabe que todas as questões de Internet, de dificuldade de documentação...
‘P’: É... de dificuldade...
‘Pesquisador’: Então, ficou mais claro ainda pra mim, que há um interesse do município, quando eu digo município, o poder... o poder... executivo do município em si, a Secretaria de Educação, pelo Espanhol, porque a própria Secretaria montou três turmas, né. É