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3. Å GÅ OM BORD

4.5 F ARKOSTEN SOM VIRKSOMHET

4.5.3 Med ulikt blikk

Este estudo reforça a concepção de que a abordagem funcionalista nos permite explicar o fenômeno da linguagem caracterizado pelo discurso relatado – um mecanismo linguístico ligado à dimensão pragmático-discursiva. Para isso, esta análise insere-se no quadro teórico do funcionalismo linguístico e, principalmente, é fundamentada pelos postulados teóricos dos estudos de Halliday (1985) e, principalmente, Halliday e Matthiessen (1999, 2004).

Considerando-se que são os propósitos essencialmente comunicativos que determinam o uso da linguagem, de acordo com a perspectiva funcionalista, o objeto de estudo desenvolvido por esta análise é a estrutura do discurso relatado em seu uso no discurso científico22 das teses e dissertações acadêmicas escritas na Língua Portuguesa. Portanto, esta pesquisa fundamenta-se na noção de língua em uso e considera a função comunicativo- interacional da linguagem, pois pretende uma explicação para o papel comunicativo que assume o discurso relatado em seu perfil configuracional, semântico e o papel funcional- discursivo da organização formal que o constitui.

Entre os objetivos específicos deste estudo, citam-se:

(i) descrever a estrutura das orações complexas que constituem o discurso relatado com o interesse de explicar as relações de dependência e encaixamento que marcam as suas formas de uso;

(ii) apresentar as regras e os princípios subjacentes à estruturação das orações do discurso relatado, refletindo a integração semântico-pragmática dos elementos e conteúdos codificados por elas;

(iii) explicar a funcionalidade das estratégias que configuram o discurso relatado em relação ao uso;

(iv) analisar o discurso relatado como projeção de significados;

(v) analisar o encadeamento discursivo da argumentação no discurso relatado, destacando as propriedades e funções da interação relacionada à polifonia;

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Nesse estudo, está-se considerando o discurso científico, segundo Halliday e Martin (1993, p. 4), como aquele que apresenta a linguagem científica, marcada por termos técnicos, que são a parte essencial da linguagem científica e seria impossível criar um discurso de conhecimento organizado sem eles.

(vi) investigar as ocorrências dos verbos dicendi compatíveis com orações em caráter de projeção, como um processo verbal ou mental, mais especificamente de cognição;

(vii) verificar o grau de integração sintática entre as orações do discurso relatado, a partir da presença ou não de conectivos, considerados como marcadores de mecanismos de escolha do autor na produção de ações linguísticas;

(viii) analisar a projeção como um fenômeno de linguagem, mas apresentado em um nível semântico, considerando tanto o aspecto imanentemente lingüístico como o aspecto do uso.

Assim, importa nessa investigação não a oração considerada isoladamente, mas a relação mantida com o texto como um todo, isto é, entendida em seu relacionamento à estrutura social.

Além desses objetivos específicos, pretende-se que a análise demonstrada atinja o objetivo geral de promover subsídios para a caracterização de diferenças entre hipotaxe e encaixamento. Por meio dessa investigação, não se visa à enumeração e classificação de orações que compõem o enunciado do discurso relatado, simplesmente conceituadas nos princípios de subordinação e dependência, mas, objetiva-se, principalmente, à explicitação das relações mantidas entre essas orações e à sua função no texto. No amplo espectro em que se constituem essas relações oracionais no discurso relatado, o objetivo principal é identificar em que domínio semântico-pragmático se constrói o seu significado, considerando-se que as orações que o constituem são formuladas para expressar/sustentar raciocínios, para interagir positivamente ou criticamente nas situações de interlocução em que são criadas, resultado de opções de uso do autor na organização do texto.

Para verificar as relações oracionais na estrutura do discurso relatado que ocorre em teses e dissertações acadêmicas, o presente estudo parte da hipótese de que a estratégia linguística de projeção por encaixamento usada na construção do discurso relatado é a evidência de maior envolvimento do autor com o leitor, com ele mesmo, com o assunto e com o contexto sócio-cultural.

Essa hipótese tem como base a concepção funcionalista de que o uso das expressões linguísticas na interação tem propósitos essencialmente comunicativos, pressupondo-se certas propriedades pragmáticas, isto é, propriedades determinadas pela informação contextual e situacional disponíveis aos falantes. Compreende-se que a pragmática é um componente da linguística como um todo. Assim, pode-se dizer que há uma competência gramatical (o conhecimento da forma e do significado) e uma competência pragmática (o conhecimento das

condições e do modo de uso apropriado) que determinam como o instrumento (a língua) pode ser efetivamente colocado em uso.

Na abordagem funcional-discursiva, entende-se que a descrição completa da estrutura da frase precisa incluir referência ao autor/leitor e a seus respectivos papéis dentro da situação de interação determinada sócio-culturalmente, pois são as funções sociais que determinam o que é a linguagem. Nessa hipótese, a concepção de envolvimento do autor com o contexto sócio-cultural pode ser melhor compreendida se a linguagem é considerada em uma perspectiva social.

Segundo Halliday e Hasan (1989), a linguagem considerada em uma perspectiva semiótica social caracteriza uma instância intelectual, mas há uma implicação entre os dois termos semiótica e social. O termo semiótica deriva do conceito de sinal e pode ser definido como o estudo do sistema de sinais. A linguística é um tipo de semiótica, é um aspecto do estudo do significado e da cultura (formas de arte e comportamento cultural) como um conjunto de sistemas semióticos ou um conjunto de sistemas de significados interrelacionados. Assim, o termo semiótica define a perspectiva em que a linguagem é um entre outros sistemas de significados, que considerados juntos constituem a cultura. O termo social sugere dois aspectos considerados simultaneamente: (i) social usado no sentido de sistema social, que é tomado como sinônimo de cultura. Assim, semiótica social refere-se a uma definição de sistema social, uma cultura ou um sistema de significados; (ii) há uma definição mais específica da palavra social, que indica a relação entre linguagem e estrutura social, considerando a estrutura social como um aspecto do sistema social. Assim, a linguagem é compreendida em seu relacionamento à estrutura social – por isso, há a hipótese de envolvimento sócio-cultural.

Para esclarecer essa hipótese de envolvimento sócio-cultural e para se entender melhor a relação entre linguagem e estrutura social em uma dimensão sociocultural, de acordo com Halliday e Hasan (1989), cabe ressaltar que texto23 e contexto (juntamente) são aspectos de um mesmo processo. Há o texto e há outro texto que o acompanha: o texto que está “com”, isto é, o contexto. Entretanto, esta noção “o que está com o texto” apresenta uma abrangência para o que está além do que é dito e escrito: inclui atividades não verbais – o âmbito total em que um texto se desdobra. Assim, essa noção de contexto serve como uma ponte, um elo entre o texto e a situação em que os textos realmente ocorrem. Focaliza uma área especial que, em

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Considera-se texto, seguindo Halliday e Matthiessen (2004, p. 3), como qualquer instância de linguagem, em qualquer extensão, que faz sentido para aqueles que conhecem a língua.

linguística, é referida como um texto, mas sempre com ênfase sobre a situação, como o contexto em que os textos se desdobram e são interpretados. Assim, pode-se dizer que os contextos precedem os textos na vida real, pois a situação é anterior ao discurso que se relaciona a ela: há uma teoria de contexto antes de haver uma teoria de texto.

O termo que expressa o ambiente total, incluindo o ambiente verbal e também a situação em que o texto é gerado é o contexto de situação, que significa o ambiente do texto. Essa concepção se traduz no tipo de linguagem pragmática, que é a linguagem em ação, em que é impossível entender a mensagem, a menos que se saiba o que está realmente ocorrendo, isto é, se há interação entre os participantes. Entretanto, para isso, é necessário mais que o ambiente imediato. Para uma descrição do texto é necessário promover a informação não somente sobre o que está acontecendo, mas também sobre a fundamentação cultural total. Isso é devido ao fato de que, envolvido em qualquer tipo de interação linguística, há não somente os sinais e sons imediatos que circundam a atividade, mas também a completa história cultural que fundamenta os participantes e o tipo de práticas em que eles estão engajados, determinando sua significância para a cultura. Todos esses aspectos representam uma parte na interpretação do significado.

Assim, segundo Halliday e Hasan (1989), Malinowski (1923 apud HALLIDAY, HASAN, 1989) introduziu as duas noções que denominou contexto de situação e contexto de cultura, ambos necessários para a compreensão do texto. A linguagem está em toda parte da situação imediata, mas há tipos de textos em que a referência não é tão imediata e a função não é tão pragmática e, assim, o contexto é criado pelo próprio texto.

Além disso, cabe ressaltar que, na interlocução, predições são feitas, não conscientemente, sobre o que o outro vai dizer a seguir e devido a isso se entende o que o outro diz – resultando no sucesso da comunicação – e esse é o mais importante fenômeno na comunicação humana. Fazem-se essas predições a partir do contexto de situação. A situação em que a interação linguística ocorre permite aos participantes uma grande quantidade de informações sobre os significados que são trocados e os significados que provavelmente serão trocados. Essa é a perspectiva que fundamenta a hipótese de que o discurso relatado é a evidência de maior envolvimento do autor com o contexto de situação e também com a história cultural ou contexto sócio-cultural, que fundamenta os participantes e o tipo de práticas em que eles estão engajados, determinando sua significância.