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Um aspecto crítico na medição do BES é o método através do qual os relatos são obtidos. Duas abordagens importantes são o Experience Sampling Method (ESM) ou Ecological Momentary Assessment (EMA) e o Day Reconstruction Method (DRM). As características de marca do ESM/EMA são o facto de estes solicitarem relatos frequentes e imediatos dos indivíduos nos seus ambientes naturais. Estas características fornecem-lhes vantagens importantes sobre outros métodos que requisitem auto-avaliações. Em primeiro lugar, uma vez que os indivíduos estão nos seus settings naturais quando completam os questionários, os resultados não são distorcidos por circunstâncias anormais, tendo uma elevada “validade ecológica”. Nas análises subsequentes, as circunstâncias ambientais podem ser facilmente relacionadas com as avaliações emocionais subjectivas. Uma segunda vantagem é a de que ao ter sujeitos a completarem as suas auto-avaliações in loco evita distorção retrospectiva (Van Hoorn, 2007).

Uma vasta literatura revela que o viés retrospectivo pode ser substancial e que o uso de avaliações momentâneas ajuda a limitá-lo ao máximo possível. Finalmente, avaliações frequentes irão aumentar a fiabilidade e validade da medição do BES e melhorar a sua análise empírica (Van Hoorn, 2007).

O ESM/EMA referem-se a um método geral de medição e não especificam um modo particular de implementação. Os investigadores são completamente livres de escolher os instrumentos de medida do BES.

O Day Reconstruction Method (DRM) é uma técnica desenvolvida recentemente que partilha a maior parte das vantagens do ESM/EMA mas parece ser, de um modo geral, um método mais prático. Nesta técnica é pedido aos sujeitos que mantenham um diário correspondente a episódios do dia anterior, no qual relatam as suas experiências, dividindo-as em diferentes períodos (ex., por hora ou por actividade específica). Este método também pode ser aplicado com qualquer instrumento de medida do BES.

Actualmente, as medidas mais usadas provêm das tradições hedónicas e pressupõem uma avaliação reflexiva da qualidade de vida de uma pessoa, envolvendo questões que pedem ao entrevistado que avalie os seus níveis de satisfação ou felicidade, de um modo

geral, e em áreas específicas como a saúde e a educação. Tem sido demonstrado que estas medidas são empiricamente robustas e fiáveis. De um modo geral, as questões de domínio específico são consideradas mais exactas, mas levantam a questão de como medir o peso de cada um dos aspectos (Newton, 2007).

As escalas de BES gerais têm sido utilizadas para fornecer evidência robusta e convincente de que apesar do aumento do rendimento, a satisfação com a vida e felicidade estabilizaram. Isto tem sido acompanhado por aumento da depressão e declínio da conectividade social (Diener;Seligman, 2004; Putnam, 2001 citados por Newton, 2007).

Algumas das escalas mais usadas são a Escala do Afecto Positivo e Negativo (PANAS) (Watson et al., 1988) e a Escala de Satisfação com a Vida (ESV, (no original, Satisfaction with Life Scale – SWLS: Diener et al., 1985). A primeira fornece uma lista de sentimentos e emoções tendo os respondentes de indicar até que ponto se sentiram desse modo num determinado tempo (por ex., a semana passada). A PANAS é muito flexível ao não especificar sentimentos ou emoções havendo várias combinações possíveis. A ESV pede aos respondentes que expressem até que ponto concordam ou discordam com determinadas afirmações e está especificamente desenhada de modo a captar a satisfação com a vida (Marconcin, 2009).

Escalas de item-único

As questões podem ser bastante directas, com apenas uma pergunta onde se pede às pessoas que avaliem a sua satisfação global com a vida. Normalmente toma a seguinte forma “qual o seu grau de satisfação com a sua vida de um modo geral?”. Apesar de esta questão ser uma excelente medida do BES, estas escalas de item único são menos fiáveis que as multi-item (Van Hoorn, 2007).

Entre as medidas de item-único sobre a satisfação com a vida mais utilizada está o Index de Bem-Estar de Campbell, Converse e Rodgers (1976), utilizado no grande levantamento sobre a qualidade de vida americana realizado no início da década de 1970. Esta escala é composta pela soma do score médio da escala de afeto geral e pela medida

da escala de item-único de satisfação de vida (“O quão satisfeito você está com a sua vida como um todo?”), com resposta em escala de tipo Likert, de sete pontos.

Escalas multi-item

As escalas multi-item permitem focar cada uma das dimensões específicas do bem-estar, fornecendo consequentemente resultados mais fiáveis do que as escalas com apenas um item (Van Hoorn, 2007).

Existem duas abordagens a este tipo de formato:

a) Escalas de conceito único

Esta abordagem combina itens múltiplos, cada um dos quais explora a satisfação global com a vida. Os itens individuais não tencionam ter um significado distinto dentro do conceito de BES. Esta abordagem é exemplificada pela ESV. Este instrumento apresenta 5 itens que, juntos, fornecem uma medida global de BES.

b) Escalas de domínio de vida

Esta abordagem adopta uma representação da satisfação global com a vida segundo dimensões específicas. Os itens individuais referem-se a domínios específicos da vida (aspectos da vida) e os scores são uma média de modo a produzir uma medida do BES. Um grande número de instrumentos de avaliação do BES adoptou esta abordagem, sendo o Índice de Bem-estar Pessoal (IBP) um destes instrumentos. O IBP emprega o princípio teorético da “desconstrução”, de modo a medir o BES com o conjunto mínimo de dimensões da satisfação da vida “como um todo”.

A construção deste tipo de escala tem um certo número de vantagens:

x O produto final é teoricamente restrito, portanto, os itens da escala irão formar um constructo de elevada validade;

x É uma abordagem parcimoniosa, o que resulta no conjunto mínimo de domínios necessários ao preenchimento do critério de “primeiro nível de desconstrução”;

x Graças à natureza ampla e semi-abstrata dos domínios, é provável que o conteúdo da escala tenha validade transcultural.