No mundo contemporâneo, é comum as empresas e organizações seguirem modelos que atingiram o sucesso, afinal a competitividade está cada vez mais acirrada e manter-se forte dentro do mercado atual tornou-se um grande desafio. Lacombe (2004, p. 69) conceitua competitividade como:
A capacidade que uma organização desenvolve em algumas atividades específicas que lhe dão vantagens competitivas no seu ramo de negócios, isto é, conseguir fazer alguns produtos ou executar alguns serviços com mais eficiência e eficácia que os demais competidores do ramo e, assim, obter custos inferiores, ou qualidade superior, ou mais adequação às necessidades e às expectativas do mercado, ou todos eles.
Maximiliano (2011, p. 78) refere-se à competitividade como se fosse uma tradução particular da ideia de eficácia, afinal as empresas têm natureza competitiva. O sucesso de uma pode representar o fracasso de outra. Eficácia “é o conceito de desempenho que envolve a comparação entre objetivos e resultados”, isto é, desempenho esperado com desempenho realizado.
Portanto, seguir algo que serve de exemplo ou alguma característica específica, significa ter mais possibilidades de alcançar os
objetivos planejados. A energia e o desgaste poderão ser bem menores, em virtude de alguém já ter testado um modelo e ter dado certo. Segundo o Dicionário Aurélio online, modelo é: ”aquilo que serve de objeto de imitação, molde ou próprio para ser imitado”.
Para dar um sentido mais abrangente de modelo, Lacombe (2004, p. 214) cita que:
É o resultado do processo de modelagem ou representação formalizada, e em geral simplificada, da situação real que se pretende estudar, por meio de um sistema de equações, de gráficos, de algoritmos ou de um circuito elétrico, mostrando como as variáveis interagem. O modelo destina-se a encontrar a solução ótima para um problema, a estabelecer relações de input-output para variáveis e suas influências nos resultados e nas demais variáveis.
Deriva do latim modulus, sendo definido como objeto que deve ser reproduzido ou imitado (FERREIRA ET AL., 2005).
Alguns autores como Peter Drucker1 e Heitor Pereira2 citam em suas obras a contribuição que pesquisadores e pensadores da época deram para a construção dos modelos de gestão tradicionais primando mais para ações racionais e lógicas mecânicas (SPESSOTO, 2008).
As teorias e as técnicas utilizadas no passado para administrar as organizações atualmente, foram ideias oriundas de práticas muito antigas. Exemplos não faltaram como a Grécia, Roma, a igreja católica, as organizações militares e, por fim, uma das mais influentes que foi as de Maquiavel. Os modelos de gestão tradicionais perpassam, como não poderia deixar de ser, pela Teoria geral da administração com a ênfase nas tarefas, com a administração científica de Taylor. Visavam o aumento da eficiência da produção, minimizando o desperdício. (MAXIMIANO, 2011). Influenciado por sua formação americana, tinha maior interesse pelos métodos e 1. Cita em seu livro: A profissão de administrador. São Paulo: Pioneira Thomson Lear- ning, 2002.
2 . Cita em artigo sob o título: Os novos modelos de gestão: analise e algumas praticas em empresas brasileiras. Revista de Administração Empresa – RAE Light, Seção Mestres & Doutores. São Paulo: EAESP/FGV, v. 2, no 4, 1995.
sistemas de racionalização do trabalho (MOTTA, 2006).
Em um segundo momento, Taylor procurou direcionar alguns princípios básicos para a supervisão das fábricas como: seleção de empregados conforme suas habilidades pessoais, o montante de produção estabelecido de acordo com padrões específicos, recompensa aos empregados, proporcionalmente ao seu montante de produção e divisão de tarefas passo a passo e ordenados, assim acreditava que poderiam obter maior produtividade (KWASNICKA, 2006). Enfim, para Taylor a prosperidade tinha um significado que seria em decorrência da obtenção da máxima produção (MAXIMIANO, 2011).
Posteriormente, a preocupação básica passou para a ênfase na estrutura com a Teoria clássica de Fayol. Engenheiro como Taylor, mas com origem francesa, passou a estabelecer os princípios da boa administração, possuía um estilo esquemático e bem estruturado (MOTTA, 2006). Fayol considerou a administração como uma atividade comum dentro da sociedade, onde sempre estava presente um pouco de planejamento, organização, comando, coordenação e controle. (MAXIMIANO, 2011). Portanto, tinha grande preocupação com as funções administrativas. Procurou ampliar a eficiência da empresa, através da forma e disposição dos órgãos que compunham a organização e suas inter-relações. Foi considerado uma das maiores contribuições para o campo da gerência e da administração (KWASNICKA, 2006). Posteriormente, veio a Teoria burocrática de Max Weber, de origem alemã, foi o pioneiro sobre os estudos a respeito da burocracia. Para ele a administração burocrática é a forma mais racional de exercer a dominação, ou seja, as normas ou leis regem o comportamento das pessoas. Portanto, via as organizações burocráticas como máquinas impessoais, pois as regras (racionais) dependem da lógica e não dos interesses pessoais (MAXIMIANO, 2011). Ao fim da década de 50, surgiu a Teoria estruturalista, elaborada por Amitai Etzioni. A sua preocupação referia-se com o todo e com o relacionamento das partes na constituição desse todo. Tal análise era comparativa e global, logo reconhecia a ação organizacional funcionando de forma integrada, interligada, interdependente
e interagente (MORAES, 2001).
A relação humanística surgiu com a ênfase nas pessoas, contrapondo-se a todas as teorias anteriores, isso trouxe uma revolução conceitual na teoria administrativa. A prioridade passou a ser com as pessoas e os grupos sociais (CHIAVENATO, 2009). Seu desenvolvimento despertou a atenção de psicólogos, sociólogos, políticos, cientistas, entre outros. Sua maior ênfase foi para os estudos dos grupos informais, satisfação do empregado, tomada de decisão do grupo e estilos de liderança. O foco maior era o grupo (KWASNICKA, 2006). Ocorreu por meio da Teoria comportamental e pela Teoria do desenvolvimento organizacional.
Segundo Maximiano (2011), a ênfase no ambiente surgiu com a Teoria dos Sistemas, que tinham como base duas ideias:
1) Os sistemas eram a realidade e constituídos por elementos interdependentes, logo não era feito de elementos isolados e sem nenhuma relação entre si;
2) A realidade só poderia ser entendida, caso fosse analisada por suas inter-relações e não apenas por elementos isolados;
Para aprender a utilizar o enfoque sistêmico é preciso ter a capacidade de observar e entender a complexidade de todo o sistema. Para enxergá-lo, a educação é importante, de maneira a perceber os elementos da realidade como parte dele (MAXIMIANO, 2011). Seguindo adiante, originária de estudos que confrontavam a organização com o ambiente, a Teoria da contingência tinha como identidade um maior ajustamento às necessidades do ambiente pelas empresas com elevado desempenho (MORAES, 2001). Esta, posteriormente, desenvolveu a ênfase na tecnologia.
Cada uma dessas cinco variáveis - tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia - provocou em cada momento, uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no desenvolvimento da Teoria Geral da Administração (TGA). Cada teoria administrativa procurou privilegiar ou enfatizar uma dessas cinco variáveis, omitindo ou relegando a um plano secundário todas as demais. Abaixo seguem as teorias
administrativas ao longo dos tempos:
Quadro 7: Teorias administrativas, suas ênfases e principais enfoques.
Ênfase Teorias
administrativas Principais enfoques
Tarefas Administração científica Racionalização do trabalho no nível operacional
Estrutura
Teoria clássica Teoria neoclássica
Organização Formal
Princípios gerais da Administração Funções do Administrador
Teoria da burocracia Organização Formal Burocrática Racionalidade Organizacional
Teoria estruturalista
Múltipla abordagem
Organização formal e informal Análise intraorganizacional e análise interorganizacional
Pessoas
Teoria das Relações Humanas
Estilos de Administração Teoria das decisões
Teoria comportamental
Estilos de Administração Teoria das decisões
Integração dos objetivos organizacionais e individuais
Teoria do desenvolvimento organizacional
Mudança organizacional planejada Abordagem de sistema aberto
Ambiente
Teoria Estruturalista Teoria Neoestruturalista
Análise intra-organizacional e análise ambiental Abordagem de sistema aberto
Teoria da contingência Análise ambiental (imperativo ambiental) Abordagem de sistema aberto
Tecnologia Teoria da contingência - sistemas
Administração da tecnologia (imperativo tecnológico)
Fonte: Ferreira et al. (2005)
Em virtude do impacto provocado pelo desenvolvimento tecnológico e pela tecnologia da informação (TI), surgiu a Era da Informação, provocando variadas transformações na vida das organizações e das pessoas, transformações essas que trouxe uma nova ideia sobre a composição (compressão) de espaço – empresas virtuais, com diminuição de despesas, administração (compressão) de tempo – empresas com comunicações móveis, flexíveis e rápidas, transformações das organizações em redes virtuais de negócios, ou seja, pessoas e organizações trabalham juntas, apesar de estarem distantes fisicamente (CHIAVENATO, 2009). Portanto, desafios existem, no que se refere à nova era que surgiu na década de 90. A busca pelo conhecimento permanente passou a ser um dos grandes desafios do mundo atual.