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Quanto à dinâmica das ações e práticas ambientais, os entrevistados, em sua maioria, consideraram que elas ocorrem no âmbito da cidade, porém, de forma incipiente e fragmentada.

Os depoimentos a seguir, explicitam esse pensamento:

...na agricultura, temos um projeto que vamos desenvolver em parceria com a SEMA e outras secretarias, no sentido de mudar um pouco a paisagem da área rural. É triste ver o descaso e vamos tentar mudar isso e trazer mais qualidade de vida aos produtores, às pastagens. (Secretaria da Agricultura e

membro do Conselho Gestor das APAS)

Então, já aprovamos o projeto do Centro de Educação Ambiental, Jardim Botânico ... Por exemplo, equipar melhor a coleta seletiva, a Brigada de Incêndio das unidades de conservação... Na Secretaria do Meio Ambiente tem uma verba pequena. No município... acaba utilizando recursos do fundo municipal para dar suporte em algumas de suas ações. (Relações públicas, Especialista em

gestão pública e gerência de cidades, membro do Conselho Gestor das APAS)

...a Secretaria da Educação tem alguns projetos de conscientização ambiental, tem projetos em escola. que vêm trabalhando o lixo reciclável de Bauru; tem os catadores... estão pleiteando verbas do governo federal para uma

Central Reciclável. (Secretaria do Desenvolvimento

Econômico/Diretora da Divisão de Serviços do Departamento da Indústria, membro do Conselho Gestor das APAS)

...o licenciamento pode ser federal, estadual ou municipal. Alguns municípios do Estado de São Paulo, estão trabalhando licenciamento no seu âmbito local e regional, como é o caso do município de Brotas está bem avançado nisso, embora entendo que não tenha muita estrutura técnica nesse momento para encarar e assumir o licenciamento na sua proporção. A cidade de Bauru é um município que tem mais nível técnico, pois tem uma Secretaria Municipal do Meio Ambiente mais estruturada e conta com técnicos, agrônomos, arquitetos (Engenheira

Agrônoma, Coordenadora do Escritório Regional do IBAMA, membro do COMDEMA )

Essas falas demonstram que as ações e práticas focadas na gestão ambiental e sustentável do município estão ocorrendo, principalmente as relacionadas com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, tais como: ações focadas no lixo reciclável, nos catadores e na cooperativa de recicláveis, além de existir uma preocupação voltada para o tratamento de esgoto, o plano de manejo, o macrozoneamento e o Plano Diretor Participativo, que é denominado como um marco e um avanço na questão da sustentabilidade no âmbito do município. Portanto, constatou-se que essa Secretaria vem atendendo aos seus princípios enquanto órgão gestor da política ambiental na localidade. Em contrapartida, nos demais órgãos, embora estejam empenhados, essas práticas ainda são consideradas como tímidas.

Este conjunto de ações e práticas, no cenário do município, indica que há um esforço para diminuir os impactos ambientais, um compromisso em estabelecer um processo longo de cumplicidade na efetivação dos direitos socioambientais. Nesse cenário, a atuação dos representantes que constituem o Conselho das Áreas de Proteção Ambiental foi assim descrita:

Com a aprovação do Plano Diretor Participativo, contribuiu no âmbito da Secretaria Municipal, com alguns projetos, como, por exemplo, a questão da inauguração do Plano Gestor de Resíduos de Saúde, da construção civil, da arborização urbana, de modo a garantir um espaço de lazer e espaço verde para a população, bem como o plano de Manejo da APA da Água Comprida, em fase de elaboração, com previsão de término para 2009. Estamos nos adequando ao município verde, que tem como objetivo

os financiamentos junto ao Estado. (Bióloga, Secretaria do Meio

Ambiente e membro do COMDEMA)

Portanto, as ações que vêm sendo realizadas no município, em prol da garantia da conservação do meio ambiente, são válidas e têm contribuído para avanços. Mas isso não significa uma situação de alcance dos objetivos previstos em sua totalidade, exigindo dos vários órgãos representativos uma articulação contínua, embasada em um planejamento adequado, para definir as políticas sociais e ambientais com clareza, incorrendo em menor impacto ao ambiente da cidade.

Uma questão crucial refere-se à maneira como as pessoas, que vivem na sociedade, se apropriam e se relacionam, com base na valorização que elas concebem em seu entorno.

Para Oliveira e Machado (2004), o ser humano não percebe as formas, mas, os objetos que lhe são significativos e que atendam às suas necessidades e interesses. Com base nessa afirmação, compreende-se a importância da percepção ambiental e a necessidade de que faça parte das pesquisas que levam em consideração a valorização da população, em um determinado recorte espacial, pelo seu meio ambiente vivido, percebido e concebido.

Entende-se que os assistentes sociais devam estar atentos e convictos de que as várias estratégias para a intervenção profissional estão contidas nos instrumentais técnicos operativos, aliados a uma visão de homem e mundo, em uma perspectiva crítico-dialética que potencialize a leitura crítica da sociedade.

De acordo com Yazbek (2004, p. 13), “o fundamento das profissões é a realidade social”. Assim, parte do pressuposto de que a profissão só pode ser entendida no movimento histórico da sociedade.

Evidenciou-se, na pesquisa, a existência de diversos projetos em elaboração, enquanto que outros, de práticas ambientais, estão em execução, objetivando a redução dos impactos ambientais de forma preventiva.

A seguir, apresenta-se o terceiro eixo de análise, relacionado às percepções dos gestores sobre as concepções da política ambiental – se está ou não integrada às demais políticas sociais do município – e às suas contribuições, enquanto gestores municipais, no acompanhamento e preservação do planeta Terra.