• No results found

Matriser for tilbringerreiser til og fra stasjon

3 Kalibrering og bruk av modellen i case Moss

3.2 LOS data for tog, buss og bil

3.2.1 Matriser for tilbringerreiser til og fra stasjon

Etnicidade é essencialmente uma forma de interação entre grupos operando no interior de contextos sociais comuns. (COHEN, 1971: xi apud CARDOSO DE OLIVEIRA, 2005: 12) Diante dessa situação, faz-se necessário evocar o conceito de etnia e de etnicidade, pois Cardoso de Oliveira (ibid.) cita “a perda da identidade étnica anterior” como sendo resultado do processo de assimilação valendo evocar uma de suas observações a respeito de processos de aculturação e de etnicidade:

E eu, particularmente, verifico que já em 1960, por ocasião da publicação de meu livro O processo de assimilação dos Terêna, antecipei algumas

considerações de Barth quando reparo o processo identitário do de aculturação, ao mostrar que os Terêna mantinham sua identidade étnica apesar da mudança radical em sua cultura e da intensa aculturação por que passavam ante a sociedade regional não-indígena (CARDOSO DE

OLIVEIRA, 2005: 11).

Para Barth (1998: 188) a etnia é um grupo social e não um grupo cultural, ou seja, a cultura não é uma referência para a identidade étnica e sim a autodenominação que se dá nas circunstâncias sociais. Por essa concepção, podemos dizer que a etnia é composta em forma e em conteúdo por práticas conscientes das pessoas que formam os grupos e/ou sociedades humanas por meio de suas respectivas auto-afirmações e, essas auto-afirmações se não são a prática da etnicidade pode ser uma ação muito próxima daquela, pois ela - a etnicidade - se dá no contato com o diferente, com o Outro e, aqui, incluímos os índios como referência concreta porque, apesar de cinco séculos de contatos permanecem com suas respectivas auto-afirmações de identidades, portanto, se diferenciando dos não-índios revelando assim que: “A interação em um sistema social como este não leva a seu desaparecimento por mudança e aculturação; as diferenças culturais podem permanecer apesar do contato inter-étnico e da interdependência dos grupos” (BARTH, ibid: 188).

Não são difíceis de percepções as diferenças e as dependências dos índios para com a sociedade envolvente. As diferenças são constatadas por meio de aspectos físicos, práticas lingüísticas (falam línguas maternas e praticam a portuguesa como segunda língua) e têm sistemas culturais distintos do não- indígena, do brasileiro (língua, economia, religião, etc.).

Mas há sociedades indígenas que também praticam o cristianismo – se tornaram católicos ou evangélicos – então, será que seria o caso de dizer que nessas sociedades os índios perderam a cultura materna? Essa questão evoca a noção de estrutura e, segundo Marshall Sahlins (2003: 160) a estrutura é sempre uma “estrutura da conjuntura” movimentada por meios das ações das pessoas em grupo, em sociedade; portanto, essa “estrutura conjuntural é um conjunto de relações históricas que, enquanto reproduzem as categorias culturais, lhes dão novos valores retirados do contexto pragmático”.

Queremos dizer com a citação de Sahlins (ibid.) que, por mais extensa que seja o rol de valores, utensílios e costumes adquiridos da sociedade não-índia, permanecem as estruturas que são re-moldadas com base nas novas categorias inserindo-as nos conteúdos da estrutura cultural materna.

A noção de permanência da estrutura cultural materna pode ser exemplificada por meio de grupos de índios urbanos, ou seja, aqueles que migraram para as cidades. Como não poderia ser diferente, esses índios vivem na rotina do sistema da sociedade envolvente: trabalham como assalariados ou autônomos em diferentemente do estilo de seus trabalhos na aldeia que tinham o produto direto sem a intermediação do dinheiro. As crianças freqüentam a escola e não são mais inseridas na sociedade somente por meio da educação familiar e de aquisições de costumes. Usam os serviços médicos diferenciando dos tratamentos homeopáticos tradicionais.

Porém, os índios urbanos mantêm suas estruturas culturais – e aqui é enfaticamente a “estrutura da conjuntura” – porque continuam adotando seu sistema de parentesco materno, praticam rituais míticos (ritos de iniciação) e, embora estejam integrados e tenham assimilado a cultura ocidental (a brasileira), mantêm

laços estreitos e praticam a economia materna, pois necessitam de produtos trazidos na aldeia. A dieta, também, é um aspecto de manutenção cultural, pois – por mais que se alimentem com gêneros manufaturas – estes são preparados à guisa da tradição cultural materna, além de que, em cotidianos casos, gêneros alimentícios serem trazidos ou enviados por parentes da aldeia.

As dependências dos índios para com a sociedade envolvente são as mais variadas, porém, as de funções produtivas e consumidas são as que mais se destacam, por exemplo, consomem variados produtos manufaturas, porém, Barth (op. cit.) se refere à interdependência, ou seja, os grupos em contato são dependentes um dos outros.

Mas como os não-índios poderiam ser dependentes dos índios, uma vez que a economia daqueles (dos brasileiros) é mais forte e mais extensa que a destes últimos (dos índios)? Essa interdependência se dá em regiões localizadas (específicas), ou seja, em micro-regiões, por exemplo, na região da cidade de Maués – Estado do Amazonas/Médio rio Amazonas – os Sateré-Mawé fornecem vários produtos ao comércio daquela cidade, tais como: mandioca, farinha, frutas, guaraná, etc.

Faz-se necessário dizer, ainda, conforme conhecimentos antropológicos produzidos nas últimas décadas, sobretudo a partir dos anos 1980, (ver bibliografia) nos subsidiam compreensões acerca dos índios demonstrando a capacidade dessa expressiva minoria (por volta de 0,2% da população brasileira) de se manter socioculturalmente em convivências com a sociedade envolvente em diferentes graus de contatos.

Uma das explicações dessa permanência sociocultural indígena no Brasil se dá pelas vias da etnicidade como prática política de auto-identificação, ou seja, a alteridade fomenta a etnicidade por meio de laços internos nessas sociedades que, após serem sedimentadas politicamente pela etnicidade, ampliam seus laços inter- étnicos constituídos espécies de federações étnicas indígenas em território brasileiro que, somente é percebida, por aqueles que atuam (militam) na questão indígena,

habitantes de regiões circunvizinhas de áreas indígenas ou estudantes e pesquisadores de Ciências Sociais voltados para as sociedades indígenas.

Esse fenômeno de permanência, também, pode ser explicado por Bruce (2002: 241):

Portanto, seria simplista considerar a gênese das etnicidades contemporâneas na Amazônia sob a luz de uma teatralidade alienada ou cínica. Ela revela, longe disso, todo um processo político-cultural de adaptação que gera as condições de possibilidade de um campo de negociação interétnica em que o discurso colonial possa ser controlado ou subvertido. A intertextualidade cultural do contato nutre-se tanto dessa etnopolítica discursiva quanto das formas retóricas (negativas ou positivas) pelas quais os brancos constroem “os índios”. Porém, ela não se limita apenas às imagens recíprocas de índios e brancos. A autodefinição de cada protagonista alimenta-se não só da representação do outro, mas também da representação que esse outro faz dele: a auto-representação dos atores interétnicos constrói-se na encruzilhada da imagem que eles têm do outro e da sua própria imagem espelhada no outro.

Por essa citação de Bruce (Ibid.), podemos perceber que as construções, permanências e mudanças de nós mesmos passam pela visão do outro que, indiretamente, contribui para o fortalecimento de autodenominações de grupos étnicos. No caso dos índios há fatores elementares e bem definidos, por exemplo, a extinção de significativas parcelas das sociedades indígenas por meio de etnocídios e de genocídios, preconceitos de marca e de origem7, retaliações político- econômicas, etc.

É necessário notar que a etnicidade é iniciativa, é ação, é auto-proteção, é permanência de laços sociais que, por sua vez, mantêm estruturas culturais dinamizadas nas contingências históricas produzindo eventos e, estes, sendo reproduzidos e refletidos nas estruturas que estabelecem fronteiras étnicas entre os

7Quando o preconceito de raça se exerce em relação à aparência, isto é, quando toma por pretexto

para as suas manifestações os traços físicos do indivíduo, a fisionomia, os gestos, o sotaque, diz-se que é de marca; quando basta a suposição de que o indivíduo descende de certo grupo étnico, para

que sofra as conseqüências do preconceito, diz que é de origem (NOGUEIRA, 1955: 415 apud CARDOSO DE OLIVEIRA, 2006: 91).

índios e suas mais diferentes organizações sociais e estruturas culturais e entre estes e a sociedade envolvente.

Por meio da compreensão da dinâmica da etnicidade é possível percebermos que etnia não depende de laços biológicos (parentes diretos, por exemplo) e nem de território comum, pois há Sateré-Mawé que vivem na região do rio Marau, na do rio Andirá e em Manaus valendo destacar que nesse centro urbano há grupos Sateré- Mawé em três bairros diferentes.