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3. Experimental Investigations

3.5 MATERIAL TESTING

Mesmo não tendo uma definição clara e aceita, a principal questão ou controvérsia levantada acerca do uso do termo “Nova Economia” estava relacionada à correlação entre Tecnologia da Informação e o crescimento da produtividade.

Como os computadores melhoraram e se tornaram ubíquos nos anos 70 e 80, os economistas esperaram para ver se as maravilhas da computação influenciariam a produtividade nacional,

mas isso não aconteceu (Blinder 2000, p. 3). Esse fenômeno surpreendente veio a ser denominado de “Paradoxo de Solow” ou “Paradoxo da produtividade”, a partir da famosa colocação do economista Robert Solow24, que em 1987 disse: “Nós vemos computadores em

todos os lugares, exceto nas estastísticas de produtividade” (Solow, apud Gordon, 2000).

Os primeiros estudos que buscavam relacionar tecnologia da informação e o crescimento da produtividade foram conduzidos na primeira metade dos anos 80 e não encontraram evidencia significativa entre aumento do uso e adoção de tecnologias da informação e ganhos de produtividade25. Estes estudos concluíram que apesar de gastar cada vez mais com computadores e equipamentos digitais, as empresas e a economia americana como um todo, não obtiveram ganhos significativos de produtividade.

Os acontecimentos na economia Americana no final da década de 90 pareciam apontar o fim do Paradoxo de Solow. No período entre 1993-2000 a taxa média de crescimento anual do PIB26 americano foi de 4.0%, sendo 46% mais rápida do que a média no período 1973-1993. Ao mesmo tempo mais de 22 milhões de empregos foram criados. O desemprego caiu para 3.9% em setembro de 2000 – o menor nos últimos 30 anos. Enquanto a produtividade do trabalho de 1995 até o ano de 2000 cresceu a um taxa média anual de 3% (U.S. Council of Economic Advisors, 2001). Este aumento de produtividade ajudou a manter a inflação baixa dentro de uma intervalo de 2%-3% por ano nos anos 90 (figura. 02).

Figura 02. Crescimento do PIB, taxa de desemprego e inflação central. EUA 1991-2000

24 Robert Solow, economista americano prêmio Nobel de economia.

25 Um resumo destes estudos pode se encontrado em Brynjolfsson e Yang (1996). 26 Tradução de GDP (Gross Domestic Product).

Fonte: U.S. Council of Economic Advisors. Economic Report of the President 2001. http://w3.access.gpo.gov/usbudget/fy2002/pdf/2001_erp.pdf

O tamanho do crescimento era inusitado para um país que já estava na fronteira da produtividade mundial em muitas áreas (OECD, 2001). Paralelamente o longo período de expansão coincide com alto investimento em, e difusão de, tecnologias de informação e comunicação (TIC) e suas aplicações. Aumentos semelhantes em produtividade também podem ser vistos em 1990-1992, 1983-1986 e 1977-1978. Entretanto, todos eles surgiram depois de uma recessão, quando os negócios expandem o output rapidamente sem contratar muitos trabalhadores novos. Além disso, todos os aumentos foram subseqüentemente revertidos. Apenas um desses eventos (1983-1986) foi tão grande quanto o que nós vimos recentemente (Blinder, 2000, p. 2).

As empresas americanas investiram em computadores cada vez mais poderosos e baratos por duas décadas sem nenhum ganho aparente em produtividade. Entretanto, nós podíamos finalmente estar vendo alguns dividendos desses investimentos. O “Paradoxo da Produtividade” parecia estar resolvido e o crescimento explosivo da Internet neste mesmo período - 12 milhões de usuários em 1995 (9 milhões só nos EUA) para 360 milhões de usuários em julho de 2000, 157 milhões deles nos EUA e Canada (NUA, 2000) - parecia estar por trás deste novo fenômeno. A explicação era que todos esses computadores de alta velocidade requeriam uma maior conectividade antes que eles pudessem realmente incentivar a produtividade a nível nacional e a Rede deu agora o elo que estava faltando (Blinder 2000, p. 3).

Desemprego Inflação Crescimento do PIB 1991-1993 1994-1996 1997-2000 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Desemprego Inflação Crescimento do PIB 1991-1993 1994-1996 1997-2000 8 7 6 5 4 3 2 1 0

Contudo, o que se viu foi um caloroso debate sobre o Paradigma da “Nova Economia”, e o impacto das Tecnologias de Informação sobre a economia, difundido em trabalhos acadêmicos de pesquisa, artigos de negócios e em vários livros, o qual perdura até hoje - Arthur (1994); Atkinson/Court (1998); Blinder (2000); Bluestone/Harrison (1997); Davies et al. (2000); DeLong (1997); DOC (2000); Economides (2000); Eisner (1995); Galbraith (1997); Gordon (1999, 2000, 2001); Henwood (1997); Jentzsch (2001); Jorgenson/Stiroh (2000); Kansas (2002); Kelly (1996,1997); Krugman (1998); Liebowitz/Margolis (1996); Mandel (1997); Mckinsey Global Institute (2001, 2002); Nakamura (1999); Nordhaus (2000); Schwartz (2000); Shepard (1997); Staiger et al. (1997); Stiroh (2000, 2001); Tambor (2001); Varian/Shapiro (1999); Weber (1997). Foi tema de discussão em diversos seminários nos Estados Unidos -“White House Conference on the New Economy“ (5 de Abril de 2000); “Boston College Conference on the New Economy“ (6 de Março de 2000); “New Economy Forum” na Universidade da California (9 de Março de 2000) (Jentzsch, 2001).

Um dos principais defensores do aumento de produtividade americano como resultante da adoção e difusão de novas tecnologias foi Alan Greenspan, presidente do banco central americano. Em discurso no Federal Reserve Bank em Chicago em maio de 1999, Greenspan saudou as “mudanças marcantes” nos negócios nos Estados Unidos e as remeteu à invenção do transistor, há mais de 50 anos, que acabou levando ao “microprocessador, ao computador, aos satélites e à combinação do laser com as fibras ópticas”. Inovações como essas deram origem a uma “nova capacidade de obtenção, análise e disseminação de informações...Na verdade, é a proliferação da tecnologia da informação por toda a economia que faz com que o ciclo econômico atual pareça tão diferente dos que o precederam. A principal contribuição da tecnologia da informação foi a redução do número de trabalhadores por hora necessários à produção nacional, por meio da qual aferimos o crescimento da produtividade” (Greenspan, 1999). Greenspan não acha que a tecnologia da informação seja apenas uma outra forma de capital. Ele acredita que, ao reduzir o volume de incertezas na economia, ela revolucionou o modo como as empresas fazem negócios. “A tecnologia da informação eleva a produção por hora na economia como um todo, principalmente quando reduz as horas trabalhadas em atividades necessárias à preservação dos processos produtivos contra o desconhecido e os imprevistos” (Greenspan, 2000).

Do outro lado, Robert J. Gordon, economista da Northwester University, um dos principais opositores do rótulo de “Nova Economia”, defendeu a tese que os avanços tecnológicos e nas comunicações não podem e ser considerados como uma nova Revolução Industrial (Gordon, 2000). Segundo Gordon, o crescimento da economia americana no período de 1995-2000, esteve centrado no setor que engloba as empresas que produzem computadores, incluindo periféricos e equipamentos de comunicações, e no resto da indústria de bens duráveis. Entretanto, segundo seus estudos, fora deste setor (88% da economia americana), os efeitos da tecnologia da informação no crescimento da produtividade não foram verificados, ou seja, o “Paradoxo de Solow” permanece intacto, quando analisamos os dados setoriais. Gordon (2001) conclui que os computadores e a internet não se comparam ‘as grandes invenções da Revolução Industrial’, desse modo não merecem o rótulo de revolução, visto que a tecnologia da informação, pelo menos aparentemente, não conseguiu provocar uma aceleração “revolucionária” no crescimento da produtividade, em todos ou na maioria dos setores da economia americana no período de 1995-2000 (spillover).

Essa posição se tornou conhecida como “Hipótese de Gordon” e estimulou um conjunto de trabalhos e pesquisas, com o intuito de melhor quantificar o impacto da tecnologia da informação no crescimento da produtividade.

Jorgenson e Stiroh (2000), por exemplo, advogam que os ganhos de produtividade na recente experiencia americana dependem muito das empresas de alta tecnologia. Contudo, afirmam os autores, “o registro empírico dá pouco respaldo ao cenário montado pela ‘Nova Economia’, em que os efeitos da tecnologia da informação acabariam se refletindo nos usuários dessa tecnologia”. Cerca de quatro quintos do volume total de negócios que usam a tecnologia estão em três setores da indústria: 1) atacado e varejo; 2) finanças, seguros e setor imobiliário; e 3) serviços. Nesses setores, o crescimento da produtividade patinou durante anos. Nos bancos comerciais, por exemplo, a taxa do aumento da produtividade caiu entre 1995 e 1998 em comparação com os cinco anos anteriores.

Stiroh (2000) coloca ainda em dúvida o rótulo de “novo”. Ele argumenta, que “a economia americana nos anos 90 é muito diferente do que era nos anos 50, porém os anos 50 são bem

diferentes da economia da virada do século passado e assim sucessivamente” (Stiroh, 2000). Ele entende que estamos dentro de ciclos de evolutivos e não dentro de algo realmente novo.

De setembro de 2000 até Outubro de 2001, Mckinsey Global Institute (MGI), procurou determinar o que causou a aceleração da produtividade americana nos período de 1995-2000 e em particular qual a participação das tecnologias da informação neste processo. Concluiu no seu estudo intitulado, “US Productivity Growth 1995-2000, Understanding the Contribution of

Information Technology Relative to Other Factors”, que a aceleração da produtividade foi

concentrada em apenas 06 setores da economia – Semicondutores, Atacado, Varejo (incluindo restaurantes), Seguros (securities), Manufatura de Computadores e Telecomunicações. Dentro destes setores, inovação (incluindo porém não limitado a TI), mudanças regulatórias e fatores cíclicos relacionados à demanda foram as principais causas deste crescimento e que a alta competitividade foi o catalisador através do qual estes mudanças tiveram efeito. O papel das Tecnologias da Informação foram uma entre outros fatores operacionais que contribuíram para este salto de produtividade (MGI, 2001). Estas conclusões reiteram as conclusões de Gordon (2000) e o reafirmam o “Paradoxo da Produtividade”.

Blinder (2000, p. 5), sumariza, a discussão acerca do “Pardoxo de Solow” e da “Nova Economia”, em duas hipóteses rivais:

1. A hipótese da difusão: Baseia-se no fato de que o efeito das novas tecnologias e