4. RESULTS AND DISCUSSION
4.2 TENSILE TEST
O Departamento de Comércio Americano, no relatório Digital Economy 2000, baseado na tabela 01 (abaixo) sugere um consenso na obsolescência e resolução do “Paradoxo da Produtividade”: “Consistente com Oliner e Sichel’s, Congressional Budget Office, Economic Report of the President, Jorgenson e Stiroh, Whelan e Macroeconomic Advisers, LLC encontra- se forte evidência que o crescimento da produtividade americana na metade dos anos 90 foi
largamente dependente do uso de computadores e dos avanços técnicos nas indústrias de semicondutores e computadores” (DCA, 2000, p. 37).
Tabela 01. Contribuição de TI para o crescimento da produtividade* - Resumo dos estudos.
Estudos Definição de TI (1) Contribuição Total de TI (%) (2) Aceleração total da produtividade (%) (3) contribuição de TI (%) [(1)/(2)] · 100 Oliner/Sichel (2000)
1996-99 sobre 1991-95 Hardware, software,Equipamentos de telecom 0,71 1,4 68,3 Congressional Budget
Office (2000)
1996-99 sobre 1974-99 Hardware
0,60 1,10 54,5
Economic Report of the President (2000)
1995-99 sobre 1973-95 Hardware, software
0,70 1,47 47,6 Jorgenson/Strioh (2000) 1995-98 sobre 1990-95 Hardware, software, Equipamentos de telecom ** 0,50 1,0 50,0 Whelan (2000) 1996-98 over 1974-95 Hardware, software, Equipamentos de telecom 0,73 0,99 73,3 Gordon (2000) 1995-99 sobre 1972-95 Hardware 0,62 0,81 76,5 Nordhaus (2000)
1996-98 sobre 1978-95 Hardware, software,Equipamentos de telecom 0,65 1,82 35,7 Fonte: Adaptado de Digital Economy 2000, U.S. Department of Commerce, junho de 2000, p.38
*Empresas privadas e não rurais, em percentual.
** Jorgenson e Stiroh incluem em TI “serviços financeiros” provenientes de computadores, softwares e equipamentos de comunicação.
Sumarizando, a tabela 01 mostra os resultados de diferentes pesquisas que exploram a Hipótese de Gordon. Estes estudos não podem ser totalmente comparados, pois eles mostram resultados provenientes de diferentes definições de TI e diferentes metodologias de medição das taxas de produtividade. Contudo pode-se concluir que:
a. Do ponto de vista Macroeconômico é inegável que houve um real aumento da produtividade americana no período entre 1995-2000, com forte contribuição do setor de TI (de diferentes maneiras).
b. Existe uma discrepância muito grande entre os resultados encontrados por diferentes estudos sobre a influencia direta de TI neste crescimento, indicando que a metodologia
de apuração dos dados é muito aberta. Este fator proporciona, a construção de diferentes dados, gerando imprecisões e várias interpretações.
c. Pode-se notar diferentes definições de TI e que quanto mais ampla esta definição, maior é a sua contribuição para aceleração da produtividade.
d. Não fica clara se houve ou não o crescimento da produtividade, em todos ou na maioria dos setores da economia americana, o famoso “spillover”. Os resultados são bastante divergentes.
Nordhaus (2000. p. 4), observa no período 1996-1998 em relação ao período 1978-1995, um claro aumento da produtividade de toda a economia e enfatiza a contribuição das indústrias da “Nova Economia”- maquinário, equipamentos elétricos, telefone e telégrafo, e softwares (Nordhaus 2000, p. 2) - neste resultado. Os resultados apresentados por Nordhaus (2000), indicam claramente que houve também uma aceleração da produtividade fora dos setores da nova economia, rejeitando desta forma a “Hipótese de Gordon”.
Da mesma forma, Oliner and Sichel (2000) concluem que o uso de TI (incluindo hardware, software e equipamentos de comunicação) na segunda metade dos anos 90, juntamente com os avanços na produção de computadores e semicondutores, contribuíram com cerca de 2/3 em um aumento de 1,06% na aceleração do crescimento da produtividade entre a primeira e a segunda metades da década. Concluíram que 25% do aumento da taxa de produtividade é devido à manufatura, especialmente de computadores e semicondutores; 44% é devido ao uso de tecnologias da informação por outras empresas e que 31% é devido a outros fatores
Adicionalmente, podemos citar um estudo de Shooshan (2001), o qual também encontrou uma forte correlação positiva entre o uso da Internet e o crescimento do setor de serviços em economias de vários países. Ele encontrou uma forte correlação entre o número de Internet “Hosts”27 e o crescimento do setor de serviços. Os nove países com o mais baixo crescimento do uso da internet possuem (com exceção da Suécia) o mais baixo crescimento no setor de serviços. A razão do crescimento do setor de serviços é proporcional ao uso da Internet.
Recentemente todas as dúvidas sobre o paradoxo da produtividade, pelo menos até o momento, foram retiradas com a publicação dos recentes estudos de Gordon (2001), Stiroh (2001), Baily e Lawrence (2001) e o novo relatório do Departamento de Comércio Americano, Digital Economy 2002, onde todos dão por encerrado as discussões sobre o “Paradoxo da Produtividade” e acusam o crescimento da produtividade em setores que utilizaram intensivamente TI no período 1995-2000.
Stiroh (2001), diferentemente do que concluiu em estudos anteriores, conclui a partir de uma nova decomposição de produtividade do trabalho, que o renascimento da produtividade nos Estados Unidos no período 1995-2000 é devido tanto a produção quanto ao amplo uso de TI nas empresas. Mostra que as empresas com maior intensidade de uso de TI experimentaram ganhos significantes de produtividade em relação a outras empresas. Aplicou uma variedade de testes econométricos e achou uma forte correlação entre acumulação de ativos de TI e produtividade.
Mais recentemente, em novembro de 2002, estudo publicado pelo Mckinsey Global Institute, intitulado “Whatever happened to the New Economy?” (MGI, 2002), ainda coloca em questão a contribuição de TI para o aumento da produtividade americana no período de 1995-2000, argumentando que após o ano 2000 a economia americana continuava crescendo a uma taxa de cerca de 1.8% durante o ano de 2001 e mais forte ainda durante o ano de 2002, porém as taxas de investimento em TI continuaram caindo nestes dois anos em comparação como período 1995- 2000. Neste estudo sumariza dois anos de estudos sobre a correlação entre Tecnologia da informação e aumento da produtividade. Este trabalho revisita, alinha e sumariza os três estudos anteriores do MGI sobre este tema.
O primeiro estudo, sobre o crescimento da produtividade nos estados Unidos28 (op cit, 2001) mostra que TI era apenas um dos inúmeros fatores que influenciaram na aceleração da produtividade americana durante a segunda metade dos anos 90, contudo ressalta que ela foi um dos possibilitadores das inovações gerenciais que geraram este rápido crescimento. Claramente, como podemos notar, este foi um realinhamento do que foi publicado anteriormente no primeiro relatório (MGI, 2001). Neste novo estudo, respaldado pelas evidências dos estudos posteriores,
buscam aumentar a importância e o papel de TI nos ganhos de produtividade das empresas no período 1995-2000. Contudo reafirmam a posição secundária de TI neste processo, não encontrando correlação alguma entre investimento de TI e aumento de produtividade no âmbito de setores de indústria.
O segundo estudo29, publicado em outubro de 2002, buscando ir além do exemplo proporcionado pela economia americana, busca entender o crescimento da produtividade na França e Alemanha, destaca o papel das inovações em negócios e tecnologia em conduzirem o crescimento da produtividade naqueles países, bem como as diferenças relacionadas ao ambiente externo, que ajudam a explicar as diferenças na habilidade de diferentes países em difundir inovações e alavancar seus benefícios.
O terceiro estudo30, em Novembro de 2002, MGI volta a examinar o crescimento da produtividade americana na segunda metade dos anos 90, examinando as características das aplicações de TI que tiveram um grande impacto na produtividade, concluindo que elas geralmente foram desenvolvidas especificamente para processos de negócios de setores específicos e envolvidas com inovações técnicas e gerenciais.
A consultoria parece seguir sozinha neste caminho, contudo os seus estudos são muito ricos e merecem atenção, deixando ainda uma pequena dúvida no ar. O Departamento de Comércio Americano usou a mesma metodologia aplicada pela consultoria chegando, contudo a resultados diametralmente opostos. A análise do DCA, mostra que as empresas que mais fizeram uso de TI no período 1995-2000, foram as que mais contribuíram para o aumento da produtividade americana e que este grupo de empresas contribuíram com apenas 29 % da inflação americana no período 1989-2000 enquanto que as empresas que menos fizeram uso de TI neste período contribuíram com cerca de 71% da inflação americana.