O primeiro eixo desta investigação teve como objetivo a análise dos espaços temporais fazendo analogia com momentos de risco e políticas sociais, porque refletir práticas profissionais dos assistentes sociais na Região Autónoma dos Açores início do século XXI implica esta análise. No primeiro eixo foram consultados livros, artigos, documentos estatais e documentos próprios das organizações, bem como entrevistas exploratórias. Para aprofundar a problemática da investigação as leituras ajudam a estabelecer os nexos causais. As entrevistas exploratórias ajudam a clarificar algumas questões que exigem um conhecimento prático, operacional e teórico bastante aprofundado. Os testemunhos privilegiados foram as pessoas a quem se fez as entrevistas, na perspetiva de que nos ajudaram a recolocar as questões em função da realidade social e da atualização dos argumentos teóricos subjacentes ao objetivo desta investigação.
150 As entrevistas exploratórias foram analisadas posteriormente pelo método de análise do conteúdo recorrendo a duas fontes a utilização de documentos e informação fornecida pelos entrevistados (Landry, 2003).
No segundo eixo pretende-se conhecer o universo, por intermédio da Associação dos Profissionais de Serviço Social – Delegação dos Açores e a participação da investigadora como membro da direção desta delegação que esteve implicada na construção, aplicação e tratamento dos dados, onde se realizou um inquérito por questionário aplicado a 319 assistentes sociais da Região Autónoma dos Açores52. Estes dados serviram para traçar perfis
dominantes dos assistentes sociais em termos sociodemográficos e profissionais utilizando, para a análise quantitativa dos dados recolhidos, o programa estatístico software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences - versão 24). Foram extraídas frequências (N) e percentagens das variáveis, referentes à caraterização sociodemográfica, e a tabulação cruzada (crosstabalion) através do cruzamento de duas variáveis, como também a associação de leitura de variáveis – multivariada. Em relação aos perfis, em primeiro lugar foi realizado o mapa percetual independentemente da natureza das unidades de análise, o que determina a opção pela Análise de Correspondências Múltiplas, propósito de realizar uma abordagem relacional sobre as múltiplas variáveis que caracterizam os assistentes sociais em estudo, podendo vir a ser definidos diferentes grupos e a disposição destes grupos pode contemplar dois vetores analíticos, a identificação da especificidade das associações entre as categorias das múltiplas variáveis em análise, aferindo-se assim sobre o perfil de cada grupo e a observação do posicionamento relativo dos vários grupos. A análise das distâncias entre os grupos permite detetar a existência de relações de associação ou de oposição.
As variáveis em estudo foram recodificadas em duas categorias apenas para se tornar possível a realização de Clasturs homogéneos.
No terceiro eixo identificou-se práticas e dimensões influenciadoras das mesmas e respetivos campos profissionais dos assistentes sociais. Este eixo assenta numa análise intensiva, por se pretender fazer uma análise profunda da problemática em estudo. A análise intensiva carateriza-se pela intensidade da abordagem e profundidade da análise, a flexibilidade na seleção e utilização das técnicas e heterogeneidade da informação recolhida. Para este efeito utilizou-se o método de inquérito e técnica por entrevista semidiretiva53 com perguntas abertas, este processo foi realizado através de um conjunto de sete perguntas
52 Ver anexo D
151 elaboradas por temas, pelo facto do “entrevistador conhecer todos os temas sobre os quais tem de obter reações por parte do inquirido, mas a ordem e a forma como os irá introduzir são deixadas ao seu critério, sendo apenas fixada uma orientação para o início da entrevista” (Ghiglione e Matalon, 1993: 69). O que importa nestas entrevistas é captar as palavras dos entrevistados e o seu sentido, o seu quadro de referência, apesar dos temas essenciais de um campo serem conhecidos existem domínios em que é necessária uma explicação, um aprofundamento de conhecimentos (Ghiglione e Matalon, 1993). Estas entrevistas foram analisadas posteriormente pelo processo de análise do conteúdo - Análise Categorial Simples (Guerra, 2006), através do programa Maxqda12.
A análise do conteúdo constitui um método de tratamento de dados qualitativos e que neste eixo de investigação recorreu a informações fornecidas pelos assistentes sociais, sujeitos desta investigação (Landry, 2003).
Pretende-se refletir sobre o sujeito e a subjetividade humana, possibilitando, uma discussão acerca dos aspetos emocionais presentes na ação interventiva do assistente social, no seu dia-a-dia profissional. Para isso a análise baseou-se nos conteúdos empíricos decorrentes dos depoimentos prestados nas respostas às perguntas semidiretivas que possibilitaram uma aproximação reflexiva a fim de compreender as emoções no quotidiano da profissão e as suas opiniões acerca da sua prática profissional diária. Essas reflexões desencadearam um novo processo reflexivo, apontando desafios a serem analisados e que nos informam acerca das emoções, da prática profissional que os assistentes sociais estão sujeitos na intervenção do seu dia-a-dia.
Segundo Fortin (1999: 116) “a investigação aplicada aos seres humanos pode, por vezes, causar danos aos direitos e liberdades da pessoa. Por conseguinte, é importante tomar todas as disposições necessárias para proteger os direitos e liberdades das pessoas que participam nas investigações”. Qualquer investigação efetuada junto de seres humanos levanta questões morais e éticas.
A ética, no seu sentido mais amplo, é a ciência da moral e a arte de dirigir a conduta. De forma geral, a ética é o conjunto de permissões e de interdições que têm um enorme valor na vida dos indivíduos e em que estes se inspiram para guiar a sua conduta. Para os especialistas, a ética significa a avaliação crítica e a reconstituição dos conjuntos de preceitos e de leis que regem os julgamentos, as acções e as atitudes no contexto de uma teoria no âmbito da moralidade. Esta teoria é elaborada a partir de normas que servem de guia para distinguir os comportamentos humanos bons ou maus e de um sistema de valores segundo o qual os efeitos destes comportamentos são também julgados bons ou maus. Assim, subjacente à conduta
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humana, desenvolveram-se preceitos e leis provenientes das normas e de um sistema de valores para orientar os julgamentos, as atitudes e os comportamentos das pessoas, grupos e das sociedades (Fortin, 1999: 114).
Nos estudos que suscitam a participação das pessoas, os problemas éticos estão tão presentes como nos estudos experimentais e laboratoriais. A necessidade de se ajustar com a ética tem a ver com todos os profissionais, nos quais os cientistas estão incluídos.
Desta forma a referida autora defende cinco princípios ou direitos fundamentais, determinados pelos códigos de ética, aplicáveis às pessoas que participam nas investigações são eles o direito à autodeterminação, o direito à intimidade, o direito ao anonimato e à confidencialidade, o direito à proteção contra o desconforto e o prejuízo e o direito a um tratamento justo e leal (Fortin, 1999: 116). Os referidos princípios e direitos fundamentais foram salvaguardados através da assinatura do documento de Consentimento Informado, Livre e Esclarecido54 para participação em investigação que foi dado a todos os participantes nas entrevistas e para a reprodução das mesmas foi dado um código para garantir o anonimato, às entrevistas exploratórias foi “CPS” e às entrevistas semidiretivas foi “E”, com os respetivos números.