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Masseverdier for besetning

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KAPITTEL I YTELSESKLASSE C

OPS 1.615 Masseverdier for besetning

A arte existe desde tempos imemoriáveis, e é inerente ao homem e à natureza. A psicóloga e investigadora Morgana Masetti (2003) descreve uma parte da mitologia grega, que nos faz pensar a arte pelo prisma da divindade:

A mitologia grega conta que Zeus, o deus supremo, olhou o mundo e decidiu que era necessário organizá-lo. Deu nomes e funções a todas as coisas e seres. Os animais foram agrupados em famílias, por espécies, os peixes lançados ao mar e as aves, ao céu. Ele também classificou as plantas segundo sua natureza e lugar. Todos os seres passaram a viver segundo seu próprio tempo e ciclos, por sua vez associados aos movimentos da lua, das estrelas, à ação do sol, dos ventos e da chuva. Com isso, do Caos se fez o Cosmos. (...) Zeus escolheu entre as mortais a bela Mnemôsis e teve com ela cinco filhas, as Musas: Arte, Filosofia, Amor, Poesia e Música. Todas acessíveis aos seres humanos. Portanto, sempre que entram em contato com uma delas, recordam sua origem divina e podem cumprir melhor o papel que Zeus lhes designou no Cosmos. Eis a função da arte: dar expressão humana às leis da natureza (2003, p.23).

A arte sempre desempenhou um papel fundamental na vida dos seres humanos. Por ser esta uma catalisadora de sentimentos e expressão, coloca o homem em contato direto com o resto do mundo. Como observa Ernst Fischer (1899-1972):

Nos alvores da humanidade, a arte pouco tinha a ver com a ‘beleza’ e nada tinha a ver com a contemplação estética, com o desfrute estético: era um instrumento mágico, uma arma da coletividade humana em sua luta pela sobrevivência” (Fischer,1979, p.45).

Portanto, a arte é um elemento que age no coletivo, desvendando as relações homem- natureza e homem-sociedade. À arte cabe unir “o pessoal ao universal, restaurando a unidade humana perdida” (Ibidem, p.52).

A arte é antes de qualquer coisa, um veículo educacional. É uma das maneiras de colocarmos as nossas experiências em consonância com a nossa visão de mundo e do que percebemos na natureza, em nós e no outro. Não necessariamente precisamos nos tornar artistas, mas o processo do contato com a arte nos possibilita um maior entendimento e sentido da nossa própria existência, dos nossos problemas e das soluções para estes. Como constata Susana Langer (1895-1985), a arte nos amplia o olhar, é uma educação do olho interior, "da imaginação criativa que guia a percepção" (1980, p.419).

João Francisco Duarte Jr. (1991), doutor em Filosofia da Educação, alerta sobre uma função da arte, além daquelas que lhe são atribuídas normalmente. Diz ele:

Através da arte, o indivíduo pode expressar aquilo que o inquieta e o preocupa. Pode elaborar seus sentimentos para que haja uma evolução mais integrada entre o conhecimento simbólico e seu próprio ‘eu’. A arte coloca-o frente a frente com a questão da criação: a criação de um sentido pessoal que oriente sua ação no mundo (1991, p.72/73).

Um dos conceitos mais completos da arte está no livro Ensaios Filosóficos, de Langer: "a arte é, na verdade, a ponta de lança do desenvolvimento humano, social e individual” (1971, p.82). Segundo a autora, a arte no sentido genérico, abrangendo todas as expressões artísticas – “pode ser definida como a prática de criar formas perceptíveis expressivas do sentimento humano” (1971, p.82), e arremata, ao enfatizar que,

A função primordial da arte é objetivar o sentimento de modo que possamos contemplá-lo e entendê-lo. Através das artes plásticas, música, teatro e dança, podemos conceber o que sejam vitalidade e emoção (Ibidem, p.87).

O sentimento do qual fala Langer, refere-se a tudo que possa ser sentido. É através da arte que podemos expor nossa experiência interior.

Ernst Cassirer (1874-1946) afirmou que a arte resulta numa reprodução de nossa vida interior, ou seja, de nossos afetos e emoções. Continua ele:

(...) para um grande pintor, para um grande músico ou um grande poeta, as cores, as linhas, os ritmos e as palavras não são unicamente uma parte do seu aparato técnico e sim fatores necessários ao seu próprio processo criador (1977, p.201).

Assim, é possível afirmar que a vivência com a arte consiste em captar não aquilo que conhecemos ou sabemos, mas aquilo que efetivamente enxergamos no mundo e em nós mesmos. Fischer (1979) salienta que o homem é e sempre será o protagonista de sua história, e que ele será sempre “o mágico supremo, o Prometeu trazendo o fogo do Céu para a Terra, será sempre Orfeu enfeitiçando a natureza com a sua música. Enquanto a própria humanidade não morrer, a arte não morrerá” (Ibidem, p.254).

Este pensamento perpassou pelas mentes de diversos filósofos, estetas, artistas, escritores. Ressalta-se aqui a capacidade da arte em aquebrantar barreiras, construir ideias e objetivar sentimentos, como a base para a construção de uma humanidade efetivamente melhor, capaz de lidar com mais apreço com o outro e com a realidade que o circunda. Nas palavras do poeta Augusto dos Anjos:

(...) Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa, abranda as rochas rígidas, torna água todo o fogo telúrico profundo e reduz, sem que, entanto, a desintegre, à condição de uma planície alegre A aspereza orográfica do mundo! Provo desta maneira ao mundo odiento, pelas grandes razões do sentimento, sem os métodos da abstrusa ciência fria, e os trovões gritadores da dialética, que a mais alta expressão da dor estética consiste essencialmente na alegria (1999, p.16).

A arte pode conciliar as inclinações naturais e ser o caminho certo para alcançarmos o autoconhecimento, vivacidade no sentir, liberdade e dignidade. E no mesmo pedestal da Filosofia, Religião e Ciência, encontramos a Arte – via pela qual o homem pode recuperar o mundo sensível, se inteirar das suas capacidades criadoras, se alegrar com a experiência artística e testar o seu potencial transformador em sua vida, pois a arte nessa conjuntura, é antes de tudo, uma ferramenta libertadora, que busca valorar a singularidade de cada um. Como evidencia Jean-Claude Forquin (1982):

(...) a criatividade artística é apenas uma virtualidade, um potencial, talvez uma esperança. Ela só se tornará forma, expressão, linguagem, mediante a operação de um trabalho pedagógico. Ainda assim, é preciso que esse trabalho não se equivoque quanto ao seu objeto e destino: não se trata de inculcar arquétipos ou estereótipos, mas de dar

instrumentos de expressão. Não se trata de reprimir, de suprimir, nem mesmo de sublimar a vida sensível, emocional, imaginária: trata-se de permitir que ela aflore, se exteriorize, se universalize, sem nada perder da sua especificidade individual e sensível, mas expondo-se enquanto forma e enquanto estilo (op cit. em Porcher, 1982, p.34).

Portanto, podemos pensar na arte pelo viés da multidisciplinaridade entre as diversas expressões artísticas e em contextos sociais diversos, e também como suporte orgânico para uma real possibilidade de transformação, pois neste sentido, o contato com estas expressões, tira-nos do posto de meros espectadores a sujeitos da ação. Ana Mae Barbosa (1984), grande expoente em arte educação, observa que “a arte tem sido usada cada vez mais em processos de humanização, para nos ensinar sobre nós mesmos, revelando nossa criatividade, imaginação e nosso mundo subjetivo” (1984, p. 66).

Deste modo, a arte procura concretizar em formas, o mundo dinâmico do “sentir” humano, pois exprime sentimentos e transmite significados, inexprimíveis pela linguagem conceitual, seja em qualquer situação ou grupo, com vistas não só à experiência da fruição, mas também enquanto estética do fazer, de forma a modificar a si próprio. Além dessa peculiaridade transformadora, a arte age como mola propulsora de melhora do ser humano com relação ao seu bem-estar, ou seja, age também enquanto recurso terapêutico.

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