Um caso particular de Sistema Complexos que tem vindo a atrair a atenção dos
investigadores são os Sistema Complexos Adaptativos (CAS em inglês). John Holland7define
um Sistema Complexo e Adaptativo como “uma rede dinâmica de muitos agentes (que podem
ser desde células a espécies, a indivíduos, a empresas ou a nações) actuando em paralelo actuando constantemente e reagindo ao que os outros actores fazem. O controlo destes sistemas tende ser muito disperso e descentralizado. Se tiver que haver algum comportamento coerente no Sistema terá que resultar da competição e cooperação entre os próprios agentes. O comportamento conjunto do Sistema é o resultado de um imenso número de decisões tomadas em todo o momento por muitos agentes individuais”. Para Robert Axelrod8 a complexidade
indica que ”...um Sistema é constituído por partes que interagem de modos que influenciam de
forma intensa a probabilidade de ocorrência posterior de certos acontecimentos. A complexidade resulta assim na manifestação de características frequentemente designadas por propriedades emergentes que são propriedades do Sistema que não se encontram nos seus componentes”.
Axelrod considera por seu lado que o estudo destes Sistema pode partir dos seguintes
conceitos de base: a) Agente, colecção de propriedades ou atributos, finalidades e estratégias e
capacidades de interacção com outros Agentes ou Artefactos; os Agentes apresentam três propriedades chave (a sua Localização, a sua Capacidade de afectar os outros Agentes e o Ambiente e a sua Memória, ou seja, as impressões que transportam para o futuro a partir da sua experiência passada); b) Artefacto, recurso material com uma localização definida, que pode responder às acções dos Agentes c) Estratégia, padrão de actuação condicional que indica ao Agente como proceder e em que circunstâncias para prosseguir as suas finalidades; d)
População, uma colecção de Agentes, ou em certas condições, uma colecção de Estratégias; as
Populações têm fronteiras: assim dois Agentes pertencerão á mesma População se um Agente
7HOLLAND,, "Studying Complex Adaptive Systems." Journal of Systems Science and Complexity(2006).
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puder utilizar a Estratégia utilizada pelo outro; e) Sistema, uma colecção ampla, incluindo uma ou mais populações de Agentes e possivelmente também Artefactos; um Sistema define-se como complexo sempre que houver interacções fortes entre os seus elementos, de tal modo os Acontecimentos presentes influenciam a probabilidade de ocorrência de vários tipos de Acontecimentos no futuro; quando um Sistema contém Agentes ou Populações que procuram adaptar-se está-se perante um Sistema Complexo e Adaptativo; f) Tipos, todos os Agentes (ou Estratégias) presentes numa População e apresentam alguma característica em comum, g)
Variedade, a diversidade de Tipos numa População ou num Sistema; h) Padrão de Interacção,
as regularidades recorrentes entre diferentes Tipos incluídos num Sistema; i) Espaço Físico, a localização no Espaço e no Tempo dos Agentes e dos Artefactos; j) Espaço Conceptual, a “localização” dos Agentes num conjunto de categorias estruturadas para que os Agentes que são vizinhos de acordo com essa categoria tendem a interagir uns com os outros; k) Selecção, conjunto de processos que levam a um aumento ou a uma redução na frequência de vários tipos de Agentes ou de Estratégias; quando um processo de Selecção leva melhorias de acordo com algum dos Critérios de Sucesso designa-se como Adaptação; l) Critério de Sucesso (ou medidas de perfomance)- a referência utilizada por um Agente ou Desenhador do sistema para atribuir crédito nos processos de selecção das Estratégias e dos Agentes relativamente mais bem
sucedidos9.
Esta classificação permitiu-lhe chegar à seguinte caracterização da abordagem que propõe para o estudo de Sistemas Complexos e Adaptativos: Nestes Sistema, “Agentes com uma
Variedade de Tipos” utilizam as suas Estratégias em Padrões de Interacção, quer entre si quer com Artefactos. Medidas de Performance dos Acontecimentos que resultam dessas Interacções leva a uma Selecção dos Agentes e/ou das Estratégias através de Processo - que envolvem a possibilidade de erro – quer de cópia quer de recombinação, levando assim à mudança das frequências dos Tipos no Sistema”.
Os modos principais pelos quais mudam os Sistema Complexos e Adaptativos são através de mudanças nos seus Agentes ou nas Estratégias destes. Ora um Sistema Complexo composto de agentes ou Actores em interacção competitiva é necessariamente um Sistema desordenado, no sentido que esta expressão tem em termo dinâmica. Se não é um Sistema estável como o é por
9 Note-se que para R.Axelrod o conceito de Estrutura surge diluído no contexto da sua abordagem, sendo
apresentado como o conjunto dos Padrões de Interacção dos Agentes das Populações, que determina quais os pares de Agentes que apresentam maior probabilidade de interagirem uns com os outros e quais os pares que terão menos probabilidade. Sendo pois neguentrópico, criador de ordem, ao contrário da tendência geral dos sistemas em derivarem para desordem ou entropia que caracteriza uma evolução sem elos de retro acção.
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exemplo um cristal, também não é um Sistema instável ou errático, a ponto que nele não se pudesse encontrar a mínima regularidade. Pode sim comparar-se a um ser vivo que Illya
Prigogine definia como estando em equilíbrio longe do equilíbrio, pelo menos em certos intervalos de tempo. Este tipo de equilíbrio exige o consumo de recursos obtidos no Ambiente, inscrevendo-se no padrão de comportamentos dissipativos consumidores de recursos, neste caso para perdurar no tempo, manter o seu meio interno e finalmente reproduzir-se
Para Kevin Dooley os Sistemas Complexos e Adaptativos comportam-se e evoluem de acordo com três princípios chave: a ordem é emergente e não pré determinada; a história do Sistema é irreversível e o futuro do Sistema é frequentemente imprevisível. Já R. Axelrod analisa esta questão da imprevisibilidade nos seguintes termos: “ O que torna a previsão muito difícil no
contexto dos Sistema Complexos e Adaptativos é que as “forças que formatam o futuro” não funcionam por adição de uma maneira simples em todo o Sistema. Com efeito os seus impactos incluem interacções não lineares entre os componentes do Sistema. A conjugação de pequenos Acontecimentos pode provocar um grande efeito se os seus impactos se multiplicarem em vez de se adicionarem. O efeito no conjunto dos Acontecimentos pode ser imprevisíveis e as suas consequências se difundirem de modo não homogéneo através dos Padrões de Interacção no Sistema. Nessas condições, acontecimentos presentes podem mudar dramaticamente a probabilidade de ocorrência de acontecimentos futuros. O mundo dos Sistema Complexos e Adaptativos é um “mundo de avalanches” (em que pequenas variações numa população inicial pode produzir grandes diferenças em Acontecimentos futuros), de auto reconstituição de padrões (em que, pelo contrário, podem existir grandes perturbações que acabem por não terno final grande importância) e de colapso de regimes de funcionamento aparentemente estáveis. È um mundo de Punctuated Equilibria (em que a períodos de mudança intensa sucedem períodos com quase nenhuma mudança) e de “efeitos borboleta” (em que pequenas mudanças num lugar podem determinar grandes mudança em lugares bem longe”)
Uma das observações que R. Axelrod faz é que a imprevisibilidade nos Sistemas Complexos e Adaptativos pode ser tratada recorrendo a metodologias de Cenarização, mas na condição de serem relativamente visíveis as Driving Forces de mudança da estrutura social.
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