A avaliação é um elemento indispensável no desenvolvimento do processo educativo, esta é descrita por Gonçalves (2008) como uma componente que define o processo de
Selecionar o tema a trabalhar, tendo em conta o seu interesse e importância para o grupo
Selecionar os objetivos e competencias a atingir com o tema Escolher as atividades para abordar o tema
Selecionar o materais necessários
ensino/aprendizagem de um educador, fazendo parte do desenvolvimento curricular, ou seja, do currículo (Vasconcelos, 2012).
Qualquer instrumento de apoio e orientação da EI apresenta a avaliação como um elemento essencial na ação pedagógica. Nas OCEPE a avaliação é considerada como um dos princípios globais para o educador, os quais já descritos num dos capítulos anteriores, sendo caracterizada como uma etapa da intervenção profissional do educador.
Na Circular nº 17/DSDC/DEPEB/2007, Gestão do Currículo na Educação Pré-Escolar, a avaliação é também evidenciada. Porém, o instrumento mais completo sobre este elemento é a circular nº 4/DGIDC/DSDC/2011, Avaliação na Educação Pré-Escolar, destinada somente a avaliação em EPE. De acordo com este documento, a avaliação na EPE é um elemento regulador e integrante da prática educativa, devendo ser esta ajustada às especificidades do grupo de crianças.
O documento em questão refere a avaliação como um elemento formativo, que “assenta na observação contínua dos progressos da criança, indispensável para a recolha de informação relevante, como forma de apoiar e sustentar a planificação e o reajustamento da acção educativa, tendo em vista a construção de novas aprendizagens” (pp. 1-2). A avaliação é encarada como uma maneira de recolher informações relevantes, de forma contínua, de tudo o que se passa no meio educativo. Depois de interpretadas e compreendidas as informações recolhidas devem permitir a organização da ação educativa, através de decisões adequadas e promotoras de aprendizagens significativas.
Nesta perspetiva, a avaliação é feita com uma finalidade educativa que visa melhorar a ação educativa e a qualidade da mesma, com o objetivo de obter resultados positivos, da qual devem beneficiar a criança, o educador e toda a comunidade educativa, assim como o meio envolvente. Para melhor clarificar esta ideia apresento seis finalidades da avaliação na EPE na figura que se segue (Figura 16).
Figura 16. Finalidades da Avaliação na EPE
Fonte: Circular nº 4/DGIDC/DSDC/2011, do 11 de abril (Avaliação na Educação Pré-Escolar), p. 3.
Perante as finalidades analisadas, na figura anterior, é possível verificar que esta avaliação não visa categorizar as crianças nem destacar a melhor, mas sim avaliar todo o processo educativo e os seus elementos, assim como o desenvolvimento proporcionado por esse processo na criança e nos profissionais educativos.
De acordo com a circular referida anteriormente (circular nº 4/DGIDC/DSDC/2011, Avaliação na Educação Pré-Escolar), a avaliação deve ser um processo constante, no entanto este refere dois períodos em que a avaliação não deve ser dispensada. A fase de adaptação das crianças à creche, em que deve ser feita uma avaliação diagnóstica, que pressupõe conhecer o contexto e os interesses, necessidades e capacidade da criança. E a avaliação efetuada no fim de cada período com o objetivo de avaliar e entender os progressos das crianças, assim como as suas dificuldades e aprendizagens a ocorrer.
Avalia-se, assim, de acordo com as idades, as características e o desenvolvimento do grupo ou da criança individualmente, tendo em conta o projeto curricular de grupo, as OCEPE e as metas de aprendizagem. Esta forma de avaliação possibilita conhecer a criança, as suas capacidades e motivações e “reconhecê-la como ser único com competências e individualidades e apreciar os seus progressos ao longo do seu processo educativo” (Castilho e Rodrigues, 2012, p. 93). A avaliação deve ter em conta a valorização dos processos de ensino, em vez de, somente, os resultados. Gonçalves (2008) acrescenta que “a avaliação tem que expressar o sentido fundamental de apoio à reflexão sistemática acerca da acção das crianças no dia-a-dia” (p. 68). Além da avaliação das crianças, o educador deve fazer uma avaliação de toda a ação educativa, ou como refere a circular nº 4/DGIDC/DSDC/2011, Avaliação na Educação Pré-Escolar, uma avaliação do ambiente educativo definida por parâmetros que devem ser respeitados (Figura 17).
Recolher dados criança e o seu Conhecer a contexto Adequar a prática educativa Promover e acompanhar o processo de aprendizagem Envolver a criança no processo de análise e contrução do seu eu Refletir sobre os efeitos da ação educativa
Figura 17. Parâmetros a Avaliar no Ambiente Educativo
Fonte: Circular nº 4/DGIDC/DSDC/2011, do 11 de abril (Avaliação na Educação Pré-Escolar), p. 5.
Neste contexto, esta avaliação torna-se necessária e surge como forma de melhorar a qualidade da educação (Gonçalves, 2008), existindo assim, uma relação estreita entre os conteúdos do currículo, as estratégias de ensino e os processos de avaliação (Castilho e Rodrigues, 2012). Acresce referir que a avaliação varia de acordo com o modelo curricular usado, dos seus princípios e crenças. Assim sendo, o processo reflexivo de observação e avaliação permite adequar o “currículo” através dos progressos e saberes das crianças (Portugal, 2012a).
3.3. Breve Síntese
Sintetizando este capítulo importa reter que a escolha de uma metodologia é uma maneira de delinear a nossa ação e criar os nossos pressupostos. Neste caso, podemos falar na metodologia de investigação ou na metodologia pedagógica.
Na metodologia de investigação, esta pode apoiar o educador na melhoria da aprendizagem (Bento, 2013), permitindo-lhe conhecer o meio em que está inserido. Para tal importa que o investigador adquira uma postura ética correta e que seja dotado das competências essenciais à investigação (Sousa & Baptista, 2011), para proceder a uma investigação de sucesso com resultados positivos.
Investigar exige a escolha de um método adequado, o qual pode ser quantitativo ou qualitativo. No caso da educação o método mais utilizado é a investigação qualitativa, que exige do investigador um conjunto de etapas a realizar (Sousa & Baptista).
A organização do espaço, dos materiais e
dos recursos educativos A diversidade e qualidade dos materiais e recursos educativos A organização do tempo As interacções do adulto com a criança e
entre crianças O envolvimento parental As condições de segurança, de acompanhamento e bem-estar das crianças
Quanto à investigação-ação, esta é uma das metodologias mais usadas na educação para investigar, sendo fundamental na formação contínua do educador (Oliveira-Formosino & Formosinho, 2008). Este método visa melhorar a aprendizagem, desenvolvendo a sua investigação em contexto situacional, ou seja, no contexto de sala, contando com a participação de todos os intervenientes da investigação (Sousa, 2009). A sua utilização exige a realização de um processo cíclico marcado por quatro fases a observação, a planificação, a ação e a reflexão (Sousa & Baptista, 2011) e deve ser acompanhado por técnicas e instrumentos de recolha de dados como a observação, os diários de bordo e as entrevistas.
Quanto às metodologias pedagógicas, a metodologia em questão é a pedagogia da participação, que subentende uma triangulação da práxis, entre as crenças, a prática e a teoria. Esta pedagogia encara as crianças como o centro da ação, valorizando as suas ações e opiniões (Oliveira-Formosinho, 2007).
Nesta ideologia, temos o modelo High Scope, cujos princípios enquadram-se na pedagogia-em-participação. Os principais ideais deste modelo é a construção de um ambiente educativo que promova a aprendizagem ativa da criança, através de um espaço e uma rotina estruturada e flexível, e uma interação diversificada e positiva com os outros. É apologista do construtivismo e defende o desenvolvimento integral da criança.
Quanto à aprendizagem ativa e a aprendizagem cooperativa, ambas voltadas para a criança como foco da ação, a primeira compreende o desenvolvimento de situações que produzam aprendizagens ativas e a segunda o desenvolvimento da socialização no grupo de crianças, através da construção de um grupo unido e cooperante.
Para finalizar, explanou-se os dois instrumentos indispensáveis à ação educativa e ao desenvolvimento do currículo, que foram a planificação e a avaliação. O primeiro permite ao educador determinar o dia de ação do grupo, através da elaboração e da orientação das atividades para cada momento da rotina diária. Já a avaliação efetua-se mediante a recolha de informações revelantes para determinar e organizar a ação educativa, sendo, também, uma maneira de melhorar a aprendizagem.
Considera-se, por tudo o anteriormente mencionado, que qualquer uma destas metodologias e instrumentos de apoio ao educador são fundamentais à sua ação e à aprendizagem das crianças.