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A análise dos dados coletados em entrevistadas com indivíduos atuantes na indústria de exploração e produção de óleo e gás no Brasil e atuantes na empresa Íntegra, nos leva a observar algumas questões importantes no que diz respeito à implantação de um sistema de gestão de integridade de ativos tangíveis, em uma organização em processo de internacionalização, como a que é objeto deste estudo. A primeira questão diz respeito à forma como os indivíduos se posicionam em relação às visões de prazo. A segunda aborda a consciência sobre as próprias responsabilidades, principalmente no que se refere aos seus efeitos para o coletivo. A terceira questão envolve a importância em se considerar o papel da liderança no processo de implantação.

Foi encontrada uma diversidade muito significativa de opiniões a respeito do que é, e quais os benefícios de se implantar um sistema gestão de integridade de ativos, indo desde aqueles que nunca ouviram falar sobre o tema, até aqueles que possuíam pleno conhecimento sobre o assunto e fizeram as corretas conexões entre a Gestão Integrada de Ativos e o objetivo maior de uma empresa de dar retorno aos acionistas e cumprir sua função social.

A análise dos dados coletados deixou claro que o tema Gestão de Integridade de Ativos é um tema ainda muito pouco explorado e pouco conhecido na empresa analisada, excetuando-se as pessoas pertencentes às áreas responsáveis por esta atividade. Tal fato sugere que este é um tema pouco comum na indústria de óleo e gás, no ambiente brasileiro, visto que os entrevistados locais são oriundos de empresas estabelecidas localmente, tendo sido observado que aqueles que desconheciam o assunto não foram expostos a ambientes internacionais, seja através de expatriação ou atuação em empresas estrangeiras. Desta forma, a implantação de um sistema de gestão empresarial para tratar dos ativos tangíveis requer um esforço extra na empresa em questão, que passa por fase de amadurecimento de suas operações em ambiente brasileiro, uma vez que primeiramente deve ser entendida a cultura local e realizada a integração desta com a cultura organizacional, que traz características típicas de seu país de origem, para depois pensarmos em mudar a forma como as pessoas devem trabalhar.

Uma análise um pouco mais aprofundada sobre os pontos mencionados acima, nos leva a algumas conclusões que confirmam as teorias usadas como base para o presente estudo, e que demostram a importância de algumas variáveis culturais, conforme iremos descrever abaixo:

9.1 Experiência previa dos funcionários

Ao analisarmos o nível de consciência dos funcionários entrevistados sobre os temas gestão de integridade e segurança, podemos observar que aqueles com origem estrangeira ou que tiveram experiência em empresas oriundas de países mais maduros, como, por exemplo, os localizados no Mar do Norte, possuem maior maturidade e consciência sobre suas responsabilidades como indivíduo e também sobre a importância e consequências de uma tarefa bem realizada, do que aqueles que possuíram somente experiências em empresas locais, sem a presença de estrangeiros.

Sobre a Gestão de Integridade de Ativos Tangíveis, similarmente ao que foi descrito anteriormente, vemos que indivíduos com apenas experiência local, sem convívio com culturas estrangeiras, possuem menor grau de conhecimento sobre o tema.

9.2 Coletivismo e individualismo

A respeito do coletivismo versus individualismo, vemos nas entrevistas traços que confirmam os elementos expostos no referencial teórico. Vemos os indivíduos com origem latina e sem exposição a outras culturas sendo muito mais ligados a vínculos pessoais. Isto foi detectado em algumas entrevistas onde foi reportada dificuldade dos empregados locais trabalharem orientados por processos, o que, na visão do autor, demonstra uma orientação ao coletivismo.

10 Conclusões

A quase totalidade dos entrevistados confunde Gestão de Integridade de Ativos com manutenção e inspeção, não sendo capaz de estabelecer a ligação entre a primeira e o objetivo de maximizar o retorno sobre o investimento feito pela empresa, a segurança de processo e a longevidade da organização.

A Gestão de Integridade de Ativos apresenta-se como tema extremamente complexo, o que a torna também um assunto extremamente atraente. A sua complexidade reside no fato de o assunto envolver áreas do conhecimento tão distantes quanto rotinas de inspeção e manutenção de equipamentos e o estudo de culturas de povos e grupos sociais. Assim, falar sobre implantação de um sistema de Gestão de Integridade de Ativos Tangíveis, sem falar de ativos intangíveis demonstra-se impossível. Dentre os ativos intangíveis importantes neste contexto, conforme pudemos evidenciar nos dados coletados na pesquisa de campo e a luz da teoria analisada neste trabalho, um ativo aparece como fundamental para a implantação de sistemas de gestão. Este é a Liderança. A liderança aparece como elemento fundamental e deve receber grande importância da alta gerência de uma empresa, principalmente se esta encontra-se em fase de internacionalização. Somente assim, os benefícios trazidos pela Gestão Integrada de Ativos poderão ser sentidos pela organização.

10.1 Processo de implantação de sistemas de gestão: internacionalização

Em uma organização que se encontra em processo de amadurecimento de suas operações internacionais, a implantação de um sistema de gestão de integridade de ativos pode contribuir, em muito para que as operações possam ter estabilidade e previsibilidade, fazendo com que os ativos possam ser explorados com responsabilidade e deem o maior retorno possível aos acionistas. Entretanto, a fase de implantação do sistema apresenta-se extremamente desafiadora, devido principalmente a convivência de diversas culturas e gerações. Neste processo de estabelecimento de novos sistemas de gestão de operações, é fundamental a presença de uma liderança forte e participativa no dia-a-dia das instalações, bem como o respeito a diversidade cultural presente. Conforme material colhido, que reflete a forma de pensar das pessoas que entregam os resultados no dia-a-dia da empresa, deve-se entender e respeitar as culturas local e organizacional, para então achar o equilíbrio entre ambas, o que irá formar a identidade própria da filial local. Com o desenvolvimento deste

trabalho, através das entrevistas realizadas, pudemos articular as teorias apresentadas no referencial teórico, principalmente no que diz respeito a liderança e a sua importância no estabelecimento de uma organização eficiente e onde a cultura de segurança esteja realmente presente no dia-a-dia. A liderança possui um papel e uma importância fundamental neste processo, podendo-se ressaltar as seguintes responsabilidades, considerando-se que o tema Gestão de Integridade de Ativos não é um tema popular no Brasil:

 Trabalhar para a conscientização da organização, em todos os níveis hierárquicos, sobre a importância da Gestão de Integridade de Ativos.  Definir e disseminar de forma clara e direta os objetivos da

organização, definindo também os papéis e responsabilidades de cada uma das partes interessadas.

 Reduzir a distância hierárquica engajando-se no que acontece nos níveis mais operacionais.

 Liderar pelo exemplo fazendo convergir discurso e prática.

 Promover uma gestão que estimule a colaboração de todos, de forma organizada, evitando que metas individuais se sobreponham à segurança e às metas coletivas.

 Propiciar e disseminar em todos os níveis da organização um clima de confiança para combater uma possível falsa crença de que a organização tem o foco no resultado em detrimento do processo.

 Desenvolver um vínculo de confiança com os trabalhadores para que eles tenham a certeza de que não serão punidos caso provoquem interrupção de produção por questões de segurança, reforçando assim o

stop work authority, que foi um dos pontos mais elogiados em todas as entrevistas.

 Encorajar a autonomia e a inovação no aprimoramento dos processos evitando uma gestão engessada em procedimentos rígidos.

10.2 Recomendações finais

Conforme verificado no decorrer de todo este trabalho, existem enormes desafios na implantação de uma nova cultura em uma organização, como é o caso da implantação de um

sistema de gestão de ativos. Principalmente quando temos esse processo ocorrendo em empresas passando pela fase de consolidação de sua internacionalização. Neste caso, onde ocorre a convivência de várias culturas distintas daquela do país de origem da empresa matriz, os maiores desafios estão ligados ao choque cultural e a resistência a mudanças. A resistência ocorre por parte daqueles que representam a empresa matriz, pois lançam mão de sua origem, onde conforme sua crença reside toda a experiência e conhecimento e relutam em aceitar que existem formas diferentes de realizar as tarefas com a mesma segurança e eficiência e por outro lado, há resistência dos novos funcionários locais que ao não conhecerem os processos originais da matriz, tendem a acha-los burocráticos demais, por serem diferentes da realidade praticada localmente por décadas. Tais comportamentos somente podem ser mudados pelo diálogo aberto com as pessoas, o que é uma das recomendações deixadas pelo presente estudo.

Baseado na experiência vivida no caso acima e nas inúmeras horas de entrevistas e troca de conhecimento com os mais variados indivíduos, das mais variadas nacionalidades e experiências, podemos ainda deixar uma recomendação, que vale também a qualquer indústria que deseja melhorar a sua eficiência e para isso conta com a implantação de novos processos. Esta recomendação é para que os lideres e peças centrais nesta transição invistam seu tempo em estar junto com seus funcionários, que estes liderem pelo exemplo, que sejam verdadeiros

coaches dos funcionários, sejam capazes de definir metas com ambição e que sempre tenham a habilidade de enxergar os avanços alcançados, pequenos ou grandes, e reservem tempo para reconhecê-los e recompensa-los.

Conforme verificado no decorrer do desenvolvimento do trabalho aqui apresentado, o sucesso da boa gestão de integridade reside em grande parte em termos bons lideres, nas posições corretas, capazes de motivar e influenciar as pessoas de modo construtivo.