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A quase totalidade dos entrevistados, ao serem questionados sobre o processo de implantação de um sistema de gestão, disse que o mesmo, para ter sucesso, deve ter o foco na conscientização das pessoas. Estes indivíduos relatam que se o processo de implantação não incluir esta etapa de conscientização, o resultado será um produto que não fará parte do cotidiano da organização. Como resultado, todos os entrevistados relatam que o sistema cairá em desuso, até ser descontinuado. Para que isto não aconteça, o foco deve estar em esclarecer os benefícios do sistema e fazer com que as pessoas façam parte da solução, desenvolvendo o sentimento de propriedade sobre o produto final.

Segundo um dos entrevistados com experiência em implantação de processos reportou, existe um beneficio muito grande em se investir tempo na comunicação dos benefícios que mudanças trarão. Em seu relato, ele menciona:

“Tem que sentar e explicar ao funcionário, até ele entender que o que está sendo implantado vai ajudar ele a fazer o trabalho dele”.

Ainda segundo todos os relatos recebidos, a melhor forma de envolver é comunicar as razões por trás das decisões, colher opiniões, treinar e, deixar claro que um dos maiores beneficiários são os usuários finais, que no caso da indústria offshore de óleo e gás, são as pessoas que vivem a bordo metade do tempo de suas vidas, estando expostas aos riscos inerentes a atividade da extração mineral.

Conforme experiência vivida e relatada abaixo por profissional com nível gerencial sênior, resistência a mudanças são o principal risco a implantação de mudanças.

“Quando eu estou implantando um processo, as pessoas que serão envolvidas naquela implantação, porque sofrerão os impactos, elas têm que ter aderência aquele processo, ou seja, elas têm que entender e comprar a ideia. Se eu estou implantando alguma coisa nova, o cara tem que primeiro entender o que é aquilo. Se as pessoas não entenderem, primeiro entra a resistência à implantação. Ou seja, qualquer mudança gera resistência. Foi a mesma coisa quando começamos a usar o computador. Eu era moleque e ninguém queria usar o computador na empresa onde eu trabalhava. Resultado: bota aquele moleque para aprender! Eu fui o primeiro cara da empresa no Brasil a usar o Autocad. Isso porque as pessoas tinham resistência a essa mudança tecnológica, porque elas não entendiam o que ela podia trazer de beneficio. Hoje todo mundo já sabe porque a cultura esta implantada... quando se vai

implantar um processo novo, a primeira dificuldade é a aderência. É o usuário final entender para que serve aquilo, que para ele é novo, e aderir”.

Outro dado importante coletado nas entrevistas em mais de uma ocasião e que deve ser mencionado, é que o trabalhador brasileiro da indústria offshore de óleo e gás, não tem o hábito de trabalhar orientado por processos. Segundo estas pessoas reportaram, o trabalhador brasileiro está intimamente ligado a pessoas, as relações entre chefia e subordinado e as ordens dadas de cima para baixo na hierarquia da organização. Abaixo a transcrição de relatos colhidos de entrevista dada por profissional com experiência na implantação de processos.

“Infelizmente, ainda no Brasil, a cultura esta voltada a pessoas e não a processos. O processo roda bem porque o fulano é o cara que conhece a produção e comunica bem com os colegas e sabe fazer algo. Se tiro o fulano, gera uma turbulência violenta no processo produtivo”.

Ao ser explorado o motivo da colocação da expressão “infelizmente”, foi dito que a orientação por processos de trabalho gera maior estabilidade na linha de produção, pois as tarefas, os papeis e as responsabilidades ficam claramente definidas, se o processo for corretamente implantado, conforme transcrito em trecho abaixo

“As pessoas não conhecem work process. Não sabe como é a estrutura de trabalho. A qualidade das pessoas é boa, mas se perde muito tempo. Países ainda não desenvolvidos, mas onde há miscigenação grande com trabalhadores vindos de países desenvolvidos, vemos uma dependência muito menor das pessoas e muito maior dos processos. Este ponto da mais estabilidade a todo sistema de gestão”.

Segundo reportado por dois dos entrevistados, um de origem estrangeira, mas com grande experiência local, e outro local, com experiência de cerca de quinze anos na área de óleo e gás, a implantação de sistemas novos aqui no Brasil deve ser do tipo “top down” e depois ser feito o “walk the talk”. Ou seja, primeiro a decisão vem da alta gerência na forma de uma ordem, sem consulta, e depois é feita a conscientização e o trabalho de garantir à aderência das pessoas a nova realidade, conforme já mencionado anteriormente. Segundo este mesmo entrevistado, em alguns momentos, não se pode ser dada margem a muitas discussões, pois se isto for feito, haverá muita dificuldade em ser atingido progresso nas tarefas.

Alguns entrevistados com nível gerencial sênior, mencionaram que um dos grandes benefícios oferecidos pela implantação de um sistema de gestão de integridade de ativos é o de permitir a antecipação aos fatos, principalmente aqueles que impactarão as operações da empresa, ou seja, é o fato dele permitir a previsibilidade das operações. Segundo estas mesmas pessoas, a grande barreira para a implantação de novos processos está nas pessoas, que não querem mudar a forma de trabalhar a fim de não terem o atingimento de metas próprias comprometido.

Enquanto isto, outros mencionaram que a principal barreira para implantação é o baixo nível educacional das pessoas.

Conforme pontuado por alguns informantes, principalmente aqueles com papel operacional, a implantação de um sistema de gestão, irá gerar conflito entre curto e longo prazo, sendo normalmente conflito entre a busca pelo atingimento de metas de produção, o retorno financeiro e a visão de longo prazo. Demonstrando certo grau de desilusão, foi relatado que o aspecto financeiro de curto prazo sempre vence a “guerra”.

Durante as entrevistas, foi detectado que a maioria dos profissionais vê a implantação de um sistema de gestão de ativos como altamente benéfica para a elevação dos padrões operacionais das plantas, uma vez que esta pode dar maior previsibilidade e confiabilidade às operações, além de permitir uma visão de mais longo prazo sobre os ativos. Segundo reportado por profissional com responsabilidades gerenciais offshore, faz-se um investimento inicial significativo para serem obtidos resultados em médio e longo prazo. Entretanto, segundo este mesmo profissional, a implantação de sistemas com foco no longo prazo gera, e sempre irá gerar conflitos de interesse e disputas internas. Por isso há a necessidade de a mais alta gerência da organização estar atenta e presente a fim de evitar que estes conflitos internos se transformem em algo destrutivo no curto prazo.