1. Introduction
1.3. Management Strategies
[83] – Ângulo da mandíbula. (0) – acentuado / (1) – não acentuado
Em Cathartidae, assim como na maioria das aves, a presença do ângulo da mandíbula (angulus mandibulae) é percebida devido à inclinação no sentido ventral sofrida pela maxila inferior a partir de um ponto situado em seu bordo dorsal.
Ciconiidae possui uma condição interessante, pois nesta família, a mandíbula quase não se inclina ventralmente, mantendo-se extremamente retilínea ou, até mesmo, inclinada dorsalmente (Ephippiorhynchus). Devido a essas condições, a região do ângulo da mandíbula só é percebida devido a um tênue abaulamento no bordo dorsal da mandíbula. Sagittariidae, Scopidae, Balaeniciptidae Threskiornithidae e Ardeidae possuem o ângulo da mandíbula também acentuado. Em Phasianidae, Accipitridae, Falconidae e Pandionidae ele não se acentua, o que torna difícil determinar sua posição.
Em Anatidae ele só é visível devido a uma expansão dorsal achatada em sua posição, mas os ramos da mandíbula em si não são curvados ventralmente, portanto esta familia foi considerada tendo a condição (1).
Coragyps atratus (estado [0]) Ephippiorhynchus senegalensis (estado [1]) AngM – ângulo da mandíbula
[84] – Posição do ângulo da mandíbula. (0) – coincide com o processo coronóide / (1) – não coincide com o processo coronóide
Os Cathartidae possuem a posição do ângulo da mandíbula não coincidente com a do processo coronóide (proc. coronoideus). Baumel et al. (1993) citam que a condição coincidente ocorre em muitas outras aves. Butendieck (1980), em descrição detalhada do esqueleto de Meleagris gallopavo, observa essa condição. Dos táxons analisados, em Balaeniciptidae e Anatidae o ângulo da mandíbula coincide com a posição do processo coronóide.
Em Ardeidae, Accipitridae, Threskiornithidae, Ciconiidae, Scopidae, Sagittariidae, Falconidae e Pandionidae o ângulo da mandíbula não coincide com a posição do processo coronóide.
Coragyps atratus (estado [1]) Balaeniceps rex (estado [0])
PrCor – processo coronóide; AngM – ângulo da mandíbula
[85] – Junção do dentário com o suprangular. (0) – com sutura aparente / (1) – sem sutura aparente
Nos Anatidae, Threskiornithidae e Ardeidae o limite entre o osso dentário com o supra- angular é evidenciado e delimitado por uma sutura aparente entre eles. Inclusive, a posição do ângulo da mandíbula nos representantes dessas famílias coincide com a desta sutura.
Nos demais táxons estudados tais suturas não são aparentes, sendo a junção entre tais ossos mandibulares totalmente fusionadas.
Coragyps atratus (estado [1])
Botaurus lentiginosus (estado [0])
PrCor – processo coronóide; AngM – ângulo da mandíbula; St - sutura
[86] – Posição relativa do processo coronóide em relação ao tubérculo pseudotemporal. (0) – coincidente / (1) – mais rostral
Na face medial do ramo mandibular de Vultur, Cathartes e Sarcoramphus o processo coronóide é posicionado mais rostralmente em relação ao tubérculo pseudotemporal (tuberculum pseudotemporalis). Breagyps, Coragyps e Gymnogyps possuem estas duas estruturas na mesma posição relativa.
Todos os Threskiornithidae, Ciconiidae, Balaeniciptidae, Scopidae e Sagittariidae possuem o processo coronóide posicionado rostralmente em relação ao tubérculo pseudotemporal.
Em Falconidae o processo coronóide pode ser posicionado mais rostralmente (Phalconoenus, Caracara, Milvago e Falco), ou com a posição coincidente à do tubérculo pseudotemporal (Herpetotheres e Micrastur).
Em Ardeidae e Pandionidae o processo coronóide está posicionado rostralmente ao tubérculo pseudotemporal.
Accipitridae possui as duas condições, enquanto Milvus e Haliastur possuem os tubérculos em posições coincidentes, nos demais representantes o processo coronóide é situado rostralmente.
Em Anatidae e Phasianidae não se observa tubérculo pseudotemporal, por isso tal caráter é ináplicável a esses táxons.
Vultur gryphus (estado [1]) Coragyps atratus (estado [0]) PrCor – processo coronóide; TPst – tubérculo pseudotemporal
[87] – Tubérculo pseudotemporal. (0) – não expandido / (1) – expandido
Breagyps clarki possui um conspícuo tubérculo pseudotemporal expandido cranialmente e com sua porção cranial fusionada à mandíbula, formando desta maneira uma ponte óssea na porção caudal da fossa adita do canal neurovascular (fossa aditus canalis neurovascularis).
Em Anatidae e Phasianidae não se observa tubérculo pseudotemporal, por isso tal caráter é ináplicável a esses táxons.
Breagyps clarki (estado [1]) TbPst – tubérculo pseudotemporal
[88] – Fenestra mandibular. (0) – aberta / (1) – fechada
Uma das características diagnósticas de Archosauromorpha é a presença de uma fenestra mandibular. Como as aves constituem um grupo muito derivado dentro deles, é de se esperar grandes variações acerca de alguns caracteres diagnósticos.
Em Cathartidae a fenestra mandibular restringe-se a apenas uma fossa lateral (fossa lateralis mandibulae), que não chega a perfurar a mandíbula.
Os Ciconiidae por sua vez possuem uma fenestra mandibular aberta, sendo recoberta por tecido ósseo em diferentes níveis a depender dos táxons observados. Merece menção a condição encontrada em Leptoptilos, onde a fenestra é totalmente recoberta, mas ainda facilmente observável.
Anatidae, Phasianidae, Balaeniciptidae, Scopidae, Sagittariidae, Pandionidae e Accipitridae possuem tal fenestra também fechada, sendo apenas observada em Scopidae como uma depressão bem rasa no local, nos demais táxons não há indício algum de sua presença. Falconidae possui a fenestra mandibular aberta.
Nos Ardeidae, apenas Ixobrychus possui a fenestra caudal mandibular (fenestra caudalis mandibularis) como uma diminuta perfuração. Os demais táxons possuem toda superfície lateral e medial da mandíbula desprovida de perfurações.
Dentre os Threskiornithidae as fenestras caudal e rostral são abertas em Plegadis; apenas a caudal em Treskiornis; e nenhuma em Platalea que possui apenas uma depressão rasa
Coragyps atratus (estado [1]) Anastomus lamelligerus (estado [0]) FMand – fenestra mandibular; FoLM – fossa lateral da mandíbula
[89] – Fossa ádita do canal neurovascular. (0) – larga / (1) – estreita
Em Coragyps, Cathartes e Sarcoramphus a fossa ádita do canal neurovascular (fossa aditus canalis neurovascularis) é larga, estendendo-se até a borda mais dorsal da face medial da mandíbula.
Em Breagyps, Vultur e Gymnogyps tal fossa limita-se a uma canaleta estreita restrita à região do tubérculo pseudotemporal.
Em Ciconiidae tal fossa apresenta-se como uma rasa depressão, mas é larga e também se estende à borda dorsal da face medial da mandíbula.
Balaeniciptidae e Sagittariidae possuem tal fossa estreita e restrita à região do tubérculo pseudotemporal.
Anatidae, Phasianidae, Scopidae e Falconidae possuem esta fossa estendendo-se até a borda mais dorsal da face medial da mandíbula, assim como em Pandionidae e Accipitridae. Porém nestas últimas tal fossa é estreita e está situada dorsalmente. Dentro de Accipitridae vale salientar que Gypaetus possui a fossa além de deslocada dorsalmente, extremamente reduzida, assim como os tubérculos coronóide e pseudotemporal.
Em Ardeidae, Cochlearius possui a fossa restrita a uma depressão estreita e profunda, enquanto os demais possuem a fossa mais ampla e evidenciada como uma rasa depressão.
Coragyps atratus (estado [0]) Gymnogyps caliornianus (estado [1]) FACN – fossa ádita do canal neurovascular
[90] – Fossa caudal. (0) – pequena / (1) – grande
Ardeidae, Ciconiidae, Threskiornithidae, Scopidae e Balaeniciptidae possuem a fossa caudal (fossa caudalis) da mandíbula com uma grande área expandida ventralmente, diferentemente de Anatidae, Phasianidae, Cathartidae, Sagittariidae, Falconidae, Pandionidae e Accipitridae que possuem uma área bem menor.
Ciconia maguari (estado [1]) FCd – fossa caudal
[91] – Face articular do processo medial da mandíbula. (0) – ausente / (1) – presente Nos Cathartidae existe uma face articular situada na porção apical do processo medial da mandíbula (proc. medialis mandibulae) em Vultur e Gymnogyps. Tal face articular está associada à segunda articulação da mandíbula descrita por Bock (1960). Anatidae e
Coragyps, Cathartes, Sarcoramphus, Ardeidae, Ciconiidae, Balaeniciptidae, Scopidae, Sagittariidae, Falconidae e Accipitridae não apresentam tal face articular.
Vultur gryphus (estado [1]) FArt - face articular
[92] – Processo retroarticular. (0) – ausente / (1) – curto / (2) – longo / (3) – muito longo e curvado
Na borda caudal da cótila lateral (cotyla lateralis) da maxila inferior das aves, observa-se o processo retroarticular (processus retroarticularis), que se mostra de duas formas em Cathartidae: Coragyps e Cathartes possuem uma discreta elevação nesta região, pois tal processo é curto; Gymnogyps, Breagyps, Sarcoramphus e Vultur possuem uma região expandida dorsalmente e o processo retroarticular bem desenvolvido de forma retangular e com as bordas arredondadas.
Ardeidae, Ciconiidae, Balaeniciptidae, Scopidae e Pandionidae não apresentam processo retroarticular. Sagittariidae possuem-nos bem reduzidos.
Em Falconidae temos duas condições: em Phalcoboenus, Caracara e Milvago é observado um pequeno processo, enquanto em Herpetotheres, Micrastur e Falco está ausente.
Accipitridae possui tal processo muito curto, sendo Gypaetus desprovido de tal estrutura. Anatidae, Phasianidae e Threskiornithidae possuem o processo retroarticular muito longo e curvado dorsalmente.
Botaurus lentiginosus (estado [0]) Coragyps atratus (estado [1])
Vultur gryphus (estado [2]) Threskiornis aethiopicus (estado [3]) PrRtr – proc. retroarticular