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4. Discussion

4.2. Pupa Results: Greenhouse 2 Study and Field Experiment

4.3.3. Competition with Met. 250/O2

A prática artística do século XX mostra os efeitos da Revolução Industrial, o acesso aos novos materiais e a discussão da entrada no novo século, consequências e rupturas. Esta ruptura marca o choque do que passa a ser definido como tradicional e o seu limite para o contemporâneo.

Citando a geração de Malangatana, Reinata Sadimba e Victor Sousa, “as raízes”, como contraponto aos artistas do Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique, MUVART, “as folhas”, reiteram-se aspectos da discussão anterior, ou seja, quais os limites entre a tradição e a contemporaneidade? E como os jovens artistas se posicionam neste sentido.

Os artistas escolhidos para exemplificar estas características são nomes cujos trabalhos delineiam aspectos relacionados ao contexto em que estão inseridos e também a aspectos mais sutis, relacionados a poéticas trazidas dos contextos e vivências pessoais. No geral, estas poéticas são construídas e impregnadas de materiais locais que trazem uma discussão mais ampla, e também questionamentos da arte e do papel do artista na sociedade contemporânea. A realidade social do papel da mulher, da religião, da sociedade e da economia também é exposta. Mas existem, além destas, outras chaves para a compreensão da arte realizada hoje, independentemente de sua localidade.

Apontando ainda para a materialidade da arte contemporânea, TRIGO chama a atenção para novas regras do jogo:

Na passagem do moderno ao contemporâneo, as relações entre os diferentes atores do sistema da arte mudaram. No passado os marchands se perguntavam, diante de um artista novo: sua obra tem valor artístico? Resistirá ao tempo? Traz algo de novo à historia da arte? Hoje o foco passou da obra ao artista, e as perguntas passaram a ser: sua atitude se enquadra nas regras do circuito institucional/internacional? Ele terá uma relação adequada com os agentes do sistema? Seu valor dependerá dessas variáveis, e não de fatores convencionais como originalidade, valor estético ou histórico. 89

89 TRIGO, Luciano. A grande feira - Uma reação ao vale-tudo na arte contemporânea. Civilização

Para TRIGO é fundamental ter em vista as bases em que estamos construindo a arte hoje e de que forma ela será incluída, ou não, na própria história da arte como o retrato do que somos da expressividade do nosso tempo.

Nesta perspectiva posta em relevo por TRIGO surge o papel da crítica como agente formador de opinião. Sobre este tema BATTCOCK comenta, analisando o cenário americano: “Nos dias de hoje a crítica está em vias de se tornar quase tão essencial ao desenvolvimento ─ aliás, à identificação ─ da Arte, como o próprio artista.” 90 E segue sua análise:

O crítico moderno não se contenta mais com a simples descrição usada como uma base para juízos de valor, ou mesmo com os processos mais sofisticados de definição artística. Foi o artista que o forçou a mudar de terreno. Atualmente é a idéia que predomina ─ o interesse do artista transferiu-se de valores exclusivamente pictóricos para considerações sobre as extensões do meio. É isto que constitui essencialmente o novo modo de encarar a secular tarefa do artista de definir um relacionamento entre a Arte e a vida.91

A revolução cultural que varre o Ocidente é sentida no continente africano sob os auspícios das independências. Na década de 1960 na Europa DEBORD já antecipa o atual estado da arte, em seu livro A sociedade do espetáculo comenta: “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação.” 92

Após os comentários de TRIGO, BATTCOCK e DEBORD observa-se como os paradigmas se alteram constantemente e especificamente no século XX, e nesse sentido, tratando-se de uma produção que ainda está em processo, é também compreensível que esta “revolução” esteja em curso. Mais uma vez são os artistas os principais protagonistas. Trata-se de levar em consideração a dinâmica das sociedades, com os autores em foco pondo em relevo e enfatizando as mudanças que ocorrem desde o início do século XX, que abarcam tanto os setores da economia quanto o das alas culturais.

90 BATTOCOCK, Gregory. A Nova Arte. São Paulo: Perspectiva, 2002, p.13. 91 Op. cit., p.14

Circunscrever este cenário significaria também retomar a própria criação da Internacional Situacionista93 como agente de crítica da arte e da política, onde DEBORD é uma das vozes mais ativas, para PERNIOLA:

A primeira preocupação da Internacional Situacionista é aquela de romper de modo definitivo com o ecletismo cultural que é a cortina ideológica atrás da qual o mercado das obras de arte, articulado em vários racket, esconde interesses exclusivamente comerciais: os mercadores da arte, os críticos complacentes, os diretores de galerias...representam os peões, os pontos de sustento da ordem social dominante no âmbito da produção e da circulação de um tipo de mercadoria de luxo.94

A realidade africana é completamente diversa; a arte no continente não participa deste circuito identificado pela Internacional Situacionista, nem de qualquer dos demais movimentos do período. Neste momento poucos são os artistas africanos que transitam nos salões europeus e americanos ─ o que de fato ocorre até hoje ─ com algumas exceções, por exemplo os artistas africanos em diáspora. Enquanto neste período na Europa e EUA se discutia a sociedade de consumo os países africanos lutavam por sua independência. Portanto, trata-se de diferentes revoluções; é necessário este entendimento para que se usem réguas distintas. A arte moçambicana, mais conhecida pela pintura e pela escultura originalmente em madeira, apresentava algumas características da produção artística de Maputo, até então, em termos de linguagem e suporte. Evidentemente, esta produção artística é heterogênea por todo o continente africano e depende do grupo a que está ligada tradicionalmente. Daí a importância do entendimento dos valores imbricados nesses sistemas, que irão refletir-se posteriormente em todas as obras.

Os artistas fundadores do Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique, MUVART exemplificam esta ruptura como Gemuce, Ivan Serra, Jorge Dias e Marcos Bonifácio “Mutheywue”, para citar apenas alguns, pois elegem outras

93PERNIOLA, Mario.

Os Situacionistas. O movimento que profetizou a “Sociedade do Espetáculo”. São Paulo: Annablume, 2009, p.15. “...A consciência do caráter essencialmente revolucionário da arte, da poesia e da sua profunda tendência à auto-superação sobrevive de modo penoso e confuso no Surrealismo, no Letrismo, no grupo Cobra (1948-1951), no “Movimento por um Bauhaus Imaginista”. Todas estas experiências estão na origem da Internacional Situacionista, a qual nasce em julho de 1957 em Coscio d’Arroscia (Cuneo)...”.

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linguagens advindas de diferentes mídias tais como a instalação, a publicidade, o vídeo, a performance, entre outras.

Além das questões relativas às linguagens e suportes artísticos, uma outra pergunta freqüente: existe em Moçambique lugares para o artista expor seu trabalho? A resposta a esta pergunta levou-nos a mapear a cidade de Maputo; a pista inicial foi-nos dada pelos próprios artistas analisando a trajetória de cada um através do Curriculum Vitae. Posteriormente registramos e conferimos estes espaços quando da nossa estada na cidade. O resultado pode ser conferido no Anexo D, um roteiro, no qual se apresentam informações históricas, localizações, entre outras.

Descobrimos também que, apesar de existirem estes espaços formais de exposição artística, surgem outras possibilidades de mostras criadas pelos próprios artistas moçambicanos, como atesta Jorge Dias em artigo crítico sobre exposições que ocorriam na cidade:

... “Ainda não está em debate o espaço como lugar da arte, mas o espaço alternativo para receber a arte...Temos em ambos casos, as mesmas estratégias de utilização dos espaços alternativos para a circulação da arte. O espaço que recebe a obra da arte e que não é questionada como lugar da arte. Reinata Sadimba e Mapfara têm conteúdo para se apresentarem em qualquer outro espaço convencional. Pretendem questionar os espaços ou a procurar outras formas de aproximação de públicos que não se apresentam em lugares convencionais da arte?”95

Nota-se que a contemporaneidade traz discussões que vão além das linguagens e dos suportes, entrando o espaço físico e psicológico como matéria interrogativa, promovendo no processo do fazer artístico um elemento importante que irá debater os aspectos estéticos e os possíveis valores morais inseridos no contexto da realidade, no caso específico, na sociedade moçambicana.

95 DIAS, Jorge, “Lugares da arte e Arte nos lugares”, jornal O País, 01 outubro de 2010, Fonte:

http://www.opais.co.mz/index.php/opiniao/134-jorge-dias/9912-lugares-da-arte-e-arte-nos- lugares.html, último acesso em 19 de março de 2011.

2.2. MOVIMENTO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE MOÇAMBIQUE,