4. Empirical chapter
4.2. EDB ErgoGroup: “Creating a New IT Experience”
4.2.3. Management Control Systems in EEG’s Offshoring
Na era digital, um dos desafios enfrentados pelas rádios é usar todas as potencialidades das tecnologias digitais com o intuito de disponibilizar os conteúdos sonoros de forma a que os ouvintes/usuários possam ser atendidos de maneira plena, em todas as situações. No Brasil, uma das saídas mais recentes tomada pelo Ministério das Comunicações não visou oferecer possibilidades de aprimoramento tecnológico, mas de acomodação a um segmento que encara com mais intensidade a precariedade dos avanços: as rádios AM, que tiveram a opção de
migrar para a faixa onde já atuam as emissoras em FM. O novo – que seria a implantação de um sistema nacional de digitalização das transmissões radiofônicas – ainda aguarda definições governamentais que enfrentam os mais diversos entraves técnicos e interesses políticos.
Segundo Del Bianco e Esch (2010), tem se configurado no meio radiofônico mundial um consenso sobre o processo de digitalização, considerado essencial para o estabelecimento de uma convergência tecnológica baseada na integração do rádio às mídias audiovisuais. No Brasil, nesse mesmo período, a discussão sobre o assunto mobiliza o governo, os profissionais e os pesquisadores do rádio. Entretanto, a falta de uma definição gerou atrasos significativos à radiodifusão, como mostram os dados da pesquisa Mapeamento das condições técnicas das
emissoras de rádio brasileiras e sua adaptabilidade ao padrão de transmissão digital sonora terrestre, realizada em 2010 pelo Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade
de Brasília – LAPCOM60.
De acordo com o estudo, a maioria das rádios digitalizou o processo de produção dos conteúdos, seja pelo uso de computadores nos diversos setores das emissoras, seja pelo uso de equipamentos de transmissão transistorizados. As novas tecnologias, porém, ainda convivem com equipamentos analógicos que não são substituídos, conforme as emissoras pesquisadas, por causa dos custos elevados. Del Bianco e Esch (2010, p. 8) citam como exemplo o console digital, dispositivo considerado essencial no futuro processo de transmissão de rádio. O aparelho similar, mas de configuração analógica, continua ativo em 90% das emissoras pesquisadas. Outro dado encontrado no mapeamento é a presença da internet nas rádios: 95,36% tem acesso à rede mundial de computadores, sendo que somente em metade das emissoras o acesso está disponível em todas as áreas de produção.
A descoberta de que 37% das rádios analisadas ainda mantêm transmissores principais valvulados em operação revela o grau de dificuldades futuras na implantação do sistema de digitalização, que necessita de equipamentos transistorizados que façam conexão à internet. Contudo, 52% dos representantes das emissoras alegaram o desejo de trocar esse dispositivo, seja para adaptação às exigências do rádio digital, ampliação da potência de transmissão ou por causa da idade dos equipamentos (op. cit., p. 10).
60 O diagnóstico foi liderado por Nelia Del Bianco e Carlos Eduardo Esch – ambos da Universidade de Brasília, e
fornece dados que abrangem as características técnicas e de infraestrutura física das emissoras, passando pelo perfil dos profissionais e alcançando as estratégias técnicas e econômicas que buscam viabilizar o processo de digitalização. O levantamento ocorreu entre abril a dezembro de 2009 e envolveu 500 emissoras, sendo que 60% eram FMs (incluídas as comunitárias), 39% AM e apenas 1% OCs e OTs. Desse universo 68% eram comerciais, 13% educativas e 17% comunitárias (DEL BIANCO e ESCH, 2010).
O atual quadro de transição entre o analógico e o digital que envolve a transmissão radiofônica também ocorre, mas com menor defasagem tecnológica, na recepção dos conteúdos. Apesar de, a cada instante surgirem novos gadgets que surpreendem pelas diversas facilidades oferecidas aos ouvintes/usuários, os antigos suportes continuam presentes e massificados na sociedade. De acordo com a ABERT, havia em 2013 no país mais de 200 milhões de aparelhos de rádio convencionais no Brasil. Já os receptores instalados em automóveis somavam 23,9 milhões de unidades61.
No segmento automotivo, os receptores têm recebido o acréscimo de uma série de inovações tecnológicas não disponibilizadas em larga escala aos aparelhos convencionais produzidos na atualidade. Um desses aperfeiçoamentos é a conexão Bluetooth – tecnologia de comunicação sem fio de que permite estabelecer ligação com diversos equipamentos, como celulares, tablets e notebooks, dentre outros. Por esse dispositivo é possível conectar-se à internet, transformando o rádio convencional em um receptor de sonoridades vindas do ambiente digital. Há também centrais multimídias veiculares que são acionadas por sistemas operacionais disponíveis em celulares ou tablets, permitindo acesso a sites e a redes sociais, que podem ser acessadas por intermédio de monitores acoplados ao rádio. O acesso à internet pode ser feito por modem 3 e 4 G ou por adaptador WiFi com entrada padrão USB62. Os novos equipamentos ainda oferecem dispositivos adicionais que também podem ser ligados à rede, como câmera de ré e sistema de navegação por satélite – o GPS.
Contudo, a vanguarda tecnológica é hoje dos telefones celulares, que se transformaram também em versáteis receptores de rádio, uma vez que permitem o acesso aos conteúdos convencionais captados das ondas hertzianas por intermédio de antenas internas ou então disponíveis na internet em aplicativos específicos para essa finalidade. O número de aparelhos em operação também cresce de maneira contínua, ultrapassando a casa dos 272 milhões no início de 2014, segundo informou a Anatel63.
Os celulares permitem aos ouvintes/usuários a realização concomitante de diversas ações offline, ou seja, não é preciso estar conectado ou com o som do dispositivo de rádio
61 Disponível em: <http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-02-13/radio-esta-presente-em-88-
das-residencias-e-numero-de-emissoras-dobra-em-10-anos>. Acesso em: 06 Set. 2014.
62
USB é uma forma de conexão universal de formato diferenciado existente na maioria dos equipamentos eletrônicos multimídia. Disponível em: <http://www.tecmundo.com.br/>. Acesso em: 06 Set. 2014.
63 Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-03/numero-de-celulares-no-pais-
diminuído ou desligado para ver e fazer fotos, ler e escrever textos, analisar ou produzir planilhas e gráficos, dentre outras possibilidades. Todavia, quando se está online, as alternativas aumentam exponencialmente sem que seja preciso interromper a recepção sonora. Acessar sites, redes sociais e aplicativos diversos são apenas algumas das várias operações propiciadas pelos celulares durante a audiência radiofônica, que também pode vir de uma emissora que mantém uma página na internet ou então de uma Webradio. Mobilidade, operacionalidade e ergonomia são nitidamente maiores nos aparelhos de telefonia móvel, em comparação com os aparelhos de rádio convencionais.
Os computadores em seus mais diversos formatos – desktops, tablets, notebooks e
netbooks, entre outros – também representam outro suporte de acesso online às emissoras de rádio que, como os celulares, possibilitam a realização simultânea de uma série de ações no mesmo equipamento. Há também de se ressaltar a presença das estações radiofônicas nas grades de programação dos sistemas de televisão privados – as TVs pagas, além da existência de televisores que já saem de fábrica com dispositivos que permitem acesso à internet e, por consequência, às emissoras de rádio virtuais.
É possível perceber que a convergência tecnológica apresenta-se como característica natural dos novos aparatos destinados à radiodifusão. Esses dispositivos lançam, no presente, um novo desafio ao radio: estabelecer, ao mesmo tempo, a coexistência das ondas hertzianas e dos bits que moldam a Web. Torna-se relevante salientar que a convergência das mídias não deve ser minimizada por causa das tecnologias digitais, pois representa um fenômeno que demanda dos meios de comunicação tradicionais avanços em outros segmentos. No Brasil, a formação educacional em áreas específicas, como em Radiojornalismo, depara-se com as instigações da nova era, que exigem um olhar também diferenciado e crítico de alunos, professores e pesquisadores.
CAPÍTULO III