Nos PPPs de espanhol e de francês, o "discurso citado" é o lugar privilegiado de sustentação do caráter argumentativo, além disso, ao adotar um contexto expositivo, o dizer de outros é lançado para seu interior, produzindo, assim, um sentido de objetividade. Entretanto, segundo Bakhtin, essa dinâmica entre discurso citante e discurso citado pode se desenvolver de duas maneiras: a primeira pretende conservar a integridade e a autenticidade do discurso do outro; a segunda seguiria a direção oposta, valendo-se do fato de que a língua elabora "[...] meios sutis e versáteis para permitir ao autor infiltrar suas réplicas e seus comentários no discurso do outro" (BAKHTIN, 2003, p. 150). Dessa maneira, ao discorrer a respeito do discurso de outrem, Bakhtin argumenta que o discurso citado é o dis u soà oàdis u so,àaàe u iaç oà aàe u iaç o ,àeàseà o stituiàai daà o oàu àdis u soà sobre o discurso, uma enunciação sobre a enunciação.
Além das citações ou das paráfrases aludidas nos PPPs, tomando como base o discurso prescritivo (documentos legais e orientadores, nacionais ou estrangeiros), outros discursos são trazidos para constituir esses textos. Assim, passa-se agora à análise desses
discursos para observar como outras vozes são trazidas e postas em relevo e como isso define determinados sentidos.
O discurso relatado aparece enunciado de forma a contribuir para o entendimento das noções analisadas em cada um dos textos dos PPPs, desenvolvido nesse contexto discursivo com finalidades específicas, algumas vezes para retomar a abordagem teórica e com ela estabelecer vínculos identitários, outras, apenas considerando enfoques diversos, para apontar a recontextualização da abordagem pretendida em termos de princípios teóricos ou metodológicos.
Nos exemplos que aqui se propõe analisar, organizam-se os elementos que se constituem em discurso relatado, seja por menção explícita seja por construção inferencial, eà faze à pa teà doà o ju toà te ti o à doà dis urso. Os textos dos PPPs relacionam as entidades que participam na construção informativa, aderindo-se a elas, construção essa reforçada pelos argumentos valorativos que são, evidentemente, importantes para se aproximar da rede referencial que se quer estabelecer.
A variedade de expressões citadas no gênero PPP implica uma pretensão documental, visando a conservar a referencia citada ou atestar a autenticidade do discurso teórico elegido para legitimar o texto.
O discurso relatado, denominado discurso citado por Bakhtin (2003, p. 150), é o dis u soà oà dis u so,à asà aoà es oà te poà u à dis u soà so eà oà dis u so .à Nele,à oà somente o conteúdo semântico é conservado, mas igualmente a estrutura das orações que contém a citação se conserva relativamente estável, de maneira que o conteúdo do discurso do outro permanece perceptível como um todo autossuficiente.
PPP ESPANHOL
...todo processo de mudança é demarcado por uma reflexão e, para tanto, buscamos em Vygotsky
(1997) uma orientação específica, qual seja a que considera o homem um ser social, ativo e histórico, que se
constitui como tal na interseção com outros seres humanos.
A reflexão sobre a língua é um exercício de cunho social e político (Bagno, 2000:42)
Há que se considerar também o raciocínio de Company (2002:40) com relação ao vínculo entre variação lingüística e cultura.
Há, ainda citações a Casal (2000); Moita Lopes (2003); Bakhtin (2001)78 (Anexo,p. 243 e 244)
PPP INGLÊS
Segundo Bakhtin, assim como o homem é um ser histórico e social, também a linguagem e seu sentido estão diretamente ligados ao contexto social em que são produzidos.
Desse modo os significados são construídos em um determinado contexto social, através da interação, do diálogo, isto é, de uma relação entre os sujeitos do discurso, uma vez que, conforme nos ensina Bakhtin, todo enunciado procede de alguém e se dirige a outro alguém, sempre com determinado objetivo. Assim sendo: A palavra está sempre carregada de um conteúdo ou de um sentido ideológico ou vivencial.
(Bakhtin,1999).
De acordo com a concepção de leitura como prática social, não é possível supor que cada leitor crie um significado com base na sua própria subjetividade, mas sim como membro de uma comunidade interpretativa (Fish,1993).
Como afirma Moita Lopes :à le os como mulheres, homens, homossexuais, heterossexuais, negros, brancos, pobres, ricos, mais ou menos letrados, progressistas, conservadores, etc, agindo no mundo social através do discurso escrito em um momento sócio-histórico específico, o que significa dizer que lemos como o u idades i te p etativas .(Anexo, p. 252)
PPP FRANCÊS
Segundo Boutros Ghali, ex-Secretário Geral da Organização Internacional da Francofonia, "a mensagem da Francofonia é universal. É uma mensagem de solidariedade e de paz, mas também de tolerância, pois a defesa da língua francesa é essencial para a sobrevivência de todas as outras culturas e línguas. A Francofonia é a recusa de uma língua única, de uma cultura única, de um modo de pensar único." (nota)
"A melhor defesa contra a limpeza étnica, a xenofobia e o racismo que nos ameaçam a todos e colocam em dúvida a possibilidade de uma nova ordem internacional é a abertura para o diverso, é admitir que uma cultura perece no isolamento mas se fortalece no contacto com outras culturas," afirma Carlos Fuentes, escritor mexicano, ganhador do Prêmio da Latinidade, outorgado pela Academia Brasileira de Letras em 27 de junho de 1999. (Anexo, p. 247,248)
Observa-se que os enunciadores dos documentos aqui analisados buscam construir uma imagem de autoridade, atribuindo conhecimento específico àquilo que se enuncia. Esse conhecimento torna-se mais perceptível por meio das vozes que cada um cita em seu discurso. Localizam-se, nos corpora, diferentes formas de introdução do discurso relatado79 e observa-se que o discurso direto é uma das formas predominantes nos PPPs.
78 Incluídas no anexo 01 79
Identifica-se, na constituição dessa heterogeneidade mostrada, a variação da fo aàdeàap ese taç oàdi etaàdaà ozàdoà outro .àálgu sàt e hosà oàap ese ta à e u sosà tipográficos comuns no discurso direto como as aspas e os verbos dicendi. Dessa forma, utilizar-se-á a definição citação direta80, que corresponde a uma forma de discurso relatado. Outra forma de evidenciá-lo ocorre por intermédio da modalização em discurso segundo: modo mais simples e mais discreto para um enunciador indicar que não é o responsável por um enunciado: basta-lhe indicar que está se apoiando em outro discurso (...) à (MAINGUENEAU, 2005), que também foi observado nos trechos analisados.
Nesta parte da análise, observa-se a retextualização de tal forma de enunciado a fim de evidenciar que a referência ao discurso do outro proporciona forma e funções variadas que caracterizam práticas identitárias atribuídas aos enunciadores de cada PPP.
É possível constatar, por exemplo, que os três textos recorrem aos PCNs (no caso do inglês, espanhol e francês) e OCN (no caso do espanhol) não somente para resgatá- los como texto-base, mas também para citar autores que aparecem como referência ou como autores do documento norteador. Alguns exemplos podem ser retomados nos fragmentos, a saber: Vigotsky e Bakhtin surgem explícita ou implicitamente em todos os PPPs, já que são os teóricos que sustentam a concepção de língua presente nos PCNs e nas OCEM.
No PPP de inglês, três referências são feitas, duas delas se constituem de citação direta (F2 e F3), em que o enunciador recorta o texto de Bakhtin (1999) para endossar as considerações feitas anteriormente a respeito da linguagem.
oàs oàpala asàoà ueàp o u ia osàouàes uta os,à as verdades ou mentiras, coisas boas ou más, importantes ou triviais, agradáveis ou desagradáveis, etc. A palavra está sempre carregada de um conteúdo ou de um sentido ideológico ou vivencial. (BAKHTIN,1999) (Anexo, p. 252)
No texto de inglês, há comentários sobre a natureza da linguagem, seu significado e a relação que estabelece com o contexto social, além da interação entre os sujeitos de discurso; para enfatizar a importância dessa abordagem, retoma-se o texto de Bakhtin, de
80Segundo Sant’Anna (2004:175), compreende-se a citação direta como sendo a forma em que “se dá integralmente a palavra ao outro, uma pessoa específica, palavra essa que está encadeada na enunciação citante... O efeito de restituição exata
forma a completar o sentido que se quer estabelecer, ao mesmo tempo que se transfere o dizer para dividir a responsabilidade por essa construção.
Nos fragmentos que aparecem nos textos dos PPPs de inglês e de francês, encontram-se exemplos em que a modalização em discurso segundo pode ser identificado (F.1 em ambos os casos), em que pela modalização o enunciador tece comentários, demonstrando o grau de apropriação do que está sendo enunciado, além de fixar o texto como citação de autoridade.
Segundo Bakhtin, assim como o homem é um ser histórico e social, também a linguagem e seu sentido estão diretamente ligados ao contexto social em que são produzidos. (p.03)- Inglês (p.252)
Segundo Boutros Ghali, ex-Secretário Geral da Organização Internacional da Francofonia, "a mensagem da Francofonia é universal. Francês (p.247)
O conceito bakhtiniano de linguagem resgatado em inglês é basilar para a construção doàte toà ueàte à o oàtítuloà Co eitoàdeàLi guage àeàsuaàú i aàfo teàe plí ita.ààOàPPPàdeà inglês caracteriza-se pela retomada do conteúdo de textos acadêmicos em que o enunciador, na intenção de didatizá-lo, opera uma reformulação do texto-base, como é possível observar nos fragmentos:
PPP Inglês
Entendemos que o conhecimento é construído na interação entre os participantes em sala de aula, situados social, histórica e culturalmente. A aprendizagem se dá, então, através da interação entre as pessoas e o mundo – um mundo não apenas físico, mas cultural, cujo significado é constituído, sobretudo, através da linguagem.
Dessa perspectiva a aprendizagem não se resume a uma mera transmissão de conhecimento ou, na a aliaç o,à seà i te essaà ape asà pelaà à espostaà e ta ,à alo iza do,à assi ,à oà p odutoà daà ap e dizage .à áoà contrário, ela valoriza e afirma a importância de se considerar o processo que leva o aluno a aprender algo.(Anexo,p.251 e 252)
Nota-se, nesses textos, como os conceitos introduzidos por Vigotsky (1998)81 estão inseridos no discurso sem que se faça menção ao texto-fonte. No item que discorre so eàoà P o essoàdeà onstrução do conhe i e to à PPP de inglês), várias vezes é possível observar o resgate dos conceitos teóricos estabelecidos pela escola sociointeracionista, principalmente os desenvolvidos por Vigotysky, que estão reformulados e reconstruídos na intenção de levar o co-enunciador a conhecer tal teoria e conceitos, entretanto de forma
ei te p etada,àfa ilitadaàpeloàe u iado ;à o oàu aàfo aà eduto a àdeàa o da àosàte asà propostos.
A reformulação caracteriza-se pela transformação de um texto-fonte para um texto segundo, e se propõe, segundo Fuchs (apud PIMENTEL, 2006, p.2), a explicar ou i ita à oà te toà p i ipal.à áà didatizaç oà dosà aspe tosà sele io adosà pa aà o po à oà te toà segundo ou a forma resumida, sintetizada, de recuperar os teóricos dão pistas quanto à forma como se constrói o enunciador: alguém disposto a delimitar as possibilidades de leitura, cerceando a pluralidade de interpretações dos textos acadêmicos. Esse tipo de reformulação implica a presença de um intérprete: o enunciador, que dá sentido e curso ao que retoma e, obviamente, modifica para explicar ou reduzir. Como resultado, o co- enunciador é convocado a identificar-seà o àaàideiaàdeàesta ilidade,à aà edidaàe à ueàaà efo ulaç oà i ideà so eà oà o teúdoà e e e doà so eà eleà se tidos à Pi e tel,à ,à p.03)82 aprisionados e únicos.
No texto de francês, o enunciador resgata a citação de um personagem importante na defesa da francofonia para retomar a questão da defesa das línguas, sua manutenção e existência. Essa citação faz parte de uma palestra proferida pelo ex-embaixador da França oà B asilà álai à ‘ou ui à aà C a aà dosà Deputados,à i titulada:à áà F a çaà eà aà defesaà daà lati idade ,à asà o e o aç esàdosà àa osàdoàdes o i e toàdoàB asil.83 Nesse texto, o
autor pretende argumentar acerca da identificação existente entre Brasil e França, unidos po à alo esà o u s,à taisà o oà aà defesaà daà di e sidadeà ultu al,à ueà i te essaà ta toà sà o u idadesà li güísti as,à o se ue te e teà à o u idadeà lusof i a ,à e à ueà seà encontra a citação resgatada no PPP. Ao observar a defesa da francofonia nesse documento (texto-fonte do PPP), fica patente um discurso eminentemente político, que se entrelaça com um discurso externamente histórico, que se constrói como pano de fundo da palestra e que dá suporte à argumentação. No interdiscurso, estabelecem-se sentidos que sugerem a produção de um discurso político pautado num modelo retórico contemporâneo que busca resgatar a língua francesa em textos acadêmicos, políticos ou educacionais, com base no contexto histórico, como fundamento de argumentação, em vista da constante expansão e
82 http://www.pgletras.uerj.br/linguistica/textos/livro02/LTAA02_a08.pdf 83
Fonte do texto do PPP, disponível em http://www2.camara.gov.br/a-
hegemonia do inglês e do crescimento, falando-se de Brasil, do espanhol no contexto educacional.
As demais citações do texto de francês e de inglês são citações diretas, introduzidas pela paragrafação, indicando o resgate ao texto-fonte em sua totalidade. No caso do inglês, após explicitar o conceito de linguagem, o enunciador introduz o texto que exemplifica o dito anteriormente e, ao mesmo tempo, retoma o autor para dar credibilidade a esse conceito que pretende justificar e legitimar no discurso.
No francês, o objetivo é semelhante, resgatar a fala de autoridade de um autor latino para dar ênfase à questão da defesa de outras línguas; inclusive o enunciador escolhe um texto que descreve textualmente a preocupaç oà fu da e talà ueà seà e u ia:à aà defesaà o t aàaàli pezaà t i a à ueà osàa eaça àaàtodos ,àse à o te tualiza àoàe fo ueà ueàest à sendo disposto nem indicar a fonte do texto. O fato de resgatar o texto que está inclusive e àp i ei aàpessoaàa pliada,à ueà osàa eaçaàaàtodos ,àe fatizaàeà edu daàaàp eo upaç oà em criar identidade entre o escritor Carlos Fuentes, mexicano, de nacionalidade latina, os f a eses,àe u iadosà o oà eu ,àosà asilei os;àafi al,àtodosàosàpo os,àtalvez excetuando-se os falantes de língua inglesa (implícitos no interdiscurso como usuários da língua hegemônica). A forma como o texto de francês é construído assemelha-se ao formato do discurso do ex-e ai ado ,àe à ueàaàhist iaà fala à aisàaltoàeàfazà essoa àaài po t iaàdaà língua, bem como cria uma proximidade entre povos latinos para fortalecer-se.
PPP ESPANHOL
(1) A reflexão sobre a língua é um exercício de cunho social e político (Bagno 2000:42).
(2) Há que se considerar também o raciocínio de Company (2002:40) com relação ao vínculo entre variação lingüística e cultura.
(3) Não nos cabe alijar questões concernentes à pluralidade cultural, tampouco deixar de dar valor à significativa contribuição que nos oferece a abordagem intercultural em nossa práxis pedagógica (Casal 2000:1).
(4) Ampliando essa reflexão, teóricos como Moita Lopes (2003) justificam a importância da questão das identidades no mundo contemporâneo e propõem uma reflexão em torno dos discursos através dos quais se constituem tais identidades.
(5) Esse enfoque discursivo sobre a linguagem altera a concepção estruturalista sobre a língua, olo a doà aà e essidadeà deà seà pe sa à oà fatoà deà ueà todoà usoà daà li guage à e ol eà alte idadeà eà situa io alidade .à MOITáàLOPE“,à ,p. à á e o,p. 42, 243)
Em espanhol, o discurso relatado aparece introduzido pelo discurso segundo no caso da recuperação dos textos legais, discurso direto sem aspas (Ex. 1), referência direta em que se retextualiza o conteúdo temático da fonte (2,3,4) e uma citação direta com uso de aspas (5). Considera-se que esses mecanismos enunciativos são essenciais no processo de reelaboração dos textos e se destinam a fundamentar teoricamente as afirmações do enunciador expressas no texto, como é o caso de trazer à discussão, no texto de espanhol, diferentes abordagens de ensino de língua que buscam complementar-se, como a sociointeracionista (em Vigotsky), a interacionista (Bagno), estudos da variação (Company) e a visão intercultural (Casal).
Há, ainda, o tratamento de uma visão identitária na formação do educando (Moita Lopes) que ecoa numa forma específica de ensino-aprendizagem como sendo aquela que, po à eioàdaài te e ç oàpedag gi aàsejaàpossí elà apo ta àaà e essidadeàdeàfo aliza ,àe à sala de aula, textos e atividades de produção discursiva que propiciem reflexão sobre a o st uç oàdasàide tidadesà aàeàpelaàli guage . à p. àVe ifi a-se que o PPP de espanhol constitui-se de maneira a fixar-seàe àtodosàessesà o eitosà ueà p e isa àesta à itadosà oà discurso, demonstrando, comparativamente ao texto de inglês, precária autonomia para constituir-se no contexto dos PPPs.
Ao resgatar textos teóricos e legais, faz deles o seu fundamento e se isenta da discussão de aspectos relevantes inerentes a essa comunidade disciplinar, sua especificidade no contexto do Ensino Médio, seus enfrentamentos e propostas práticas, criativas e já realizadas pela equipe do colégio. Conforme explicitado, como esse enunciador traz os teóricos para dentro do texto do PPP de espanhol, faz prefigurar-se uma imagem de co- enunciador que transita no mundo acadêmico e que por ele deva se conduzir, possibilitando, de certa forma, a ampliação de conceitos e o conhecimento de mundo no contexto da pesquisa e do ensino.
O resgate da história do ensino de espanhol e de inglês é pouco recuperado nos textos dessas equipes se comparado ao perfil histórico que o PPP de francês enuncia, que, sem dúvida, ao restaurar essa evidência, busca valorizar-se no escopo do ensino das línguas. Os enunciadores dos textos de espanhol e de inglês optam por outro trajeto, o das condições atuais, dos projetos e teorias relevantes para o ensino de LE, fazendo apagar,
assim, parte importante de sua participação em outros períodos da história (principalmente no século XIX)84. Esse silenciamento de sua presença na história, seja no Colégio Pedro II, seja na história do ensino de línguas, não simula uma inexistência nem renega tal historicidade, visto que parece indiscutível para a sociedade moderna a adesão ao ensino do inglês e a patente obrigatoriedade do espanhol no currículo do Ensino Médio, que também lhe confere legitimidade nunca antes vivenciada no contexto educacional. Entretanto, como diz Mariani (2003),
A partir da análise das formas de inscrição da historicidade (de uma formação social em uma dada conjuntura) na linguagem, torna-se possível entrever os processos discursivos que atuam na perpetuação e cristalização de determinados sentidos em detrimento de outros, ou seja, processos discursivos que tecem e homogeneízam a memória de uma época (p.41)
Assim, os sentidos que se atribuem à existência do ensino de espanhol, por exemplo, seàela o a àe àto oàdeàsuaà e - hegada àpa ti ipaç oà oà o ju toàdeàdis ipli asà ueà compõem as línguas estrangeiras, entretanto o ensino de espanhol do mesmo modo escreve uma história85, tanto no contexto nacional quanto no institucional. Adota-se oà es e e à porque no caso específico do espanhol foi uma história silenciada por diversos fatores que levam a escrevê-la no momento atual, em função de interesses econômicos, sua novidade , a noç oà daà i o aç oà eà deà suaà pate te à e essidadeà oà o te toà geog fi o-histórico e social contemporâneo. Tem uma relação estreita com os valores atribuídos a certos discursos, que como afirma Foucault (2001) passam a ser distribuídos e se legitimam como verdadeiros.
De forma equivocada, o que se retoma na sociedade como eventos históricos que se elaboram em discursos remete somente ao ensino de espanhol na grade curricular do Ensino Básico; na memória discursiva e coletiva dos participantes dessa coletividade, tem-se como marco a aprovação da lei, em 2005, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de espanhol, fato esse muito mais recente. Esses sentidos se distribuem e verbalizam e, por fim, se cristalizam, designando uma contraposição entre a presença histórica do francês na
84
A língua inglesa esteve presente no currículo do colégio desde a sua criação. Esse idioma fazia parte do currículo e era ministrado por cinco anos do curso, datando historicamente da mesma época do ensino de francês.
85 Registrem-se os quase 20 anos que o idioma faz parte do currículo do Ensino Médio na escola brasileira. A presença da cátedra de Espanhol surge em 1919 no Colégio Pedro II, tendo o memorável Prof. Antenor Nascentes como o seu primeiro docente . Veja-se ainda:
CELADA, M.T. Uma língua singularmente estrangeira. O espanhol para o brasileiro. Tese de doutorado, IEL/UNICAMP. Campinas, Brasil, 2002. HTTP://www.fflch,usp.br/dlm/espanhol/docente/teresa.html
es ola,àaài eg elàpa ti ipaç oàdoài gl sà aàhist iaàdoà ol gioàeàdoàpaísàeàaà e o idade àdoà