O novo cenário globalizado, sem dúvida, traz uma série de oportunidades e desafios, principalmente em função dos fluxos de capital.
Contudo, para Paul Hirsch, (1998, p. 102-103),
Não há um cenário de uma economia global recém-aparecida e virtualmente ingovernável. Segundo este autor a economia mundial permanece dominada pelos três maiores blocos de riqueza formada pela Europa, Japão e América do Norte. Hirsch argumenta, ainda, que o investimento direto estrangeiro está concentrado em um número limitado de países, sendo que fora da tríade este se concentra em alguns países em desenvolvimento e em regiões de grandes países, como na Costa da China.
De acordo com a UNCTAD (2004)43, se os investimentos no exterior forem
vistos em relação à formação bruta de capital fixo, alguns países em desenvolvimento, caso de Cingapura, Hong Kong e Taiwan, superaram alguns desenvolvidos, v.g., Alemanha, Japão e Estados Unidos. Vale destacar, ainda, que, nos últimos quinze anos, os fluxos anuais de investimento direto dos países em desenvolvimento cresceram mais rapidamente do que aqueles realizados nos países desenvolvidos. Destaca-se os investimentos da Ásia e de alguns países da África, os quais têm crescido muito nos últimos anos, enquanto os de origem latino- americana sofreram um processo de estagnação.
Segundo Lima Junior aconteceu uma expansão espetacular do fluxo mundial de IDE, sobretudo, a partir da década de 1980.
Observa-se que de um total mundial de entrada de IDE de aproximadamente US$ 59 bilhões em 1982, este montante passa para US$ 560 bilhões em 2003, após atingir o ápice de mais de quase US$ 1,4 trilhão no ano 2000. Não apenas os fluxos de entrada de investimento estrangeiro, mas também os fluxos de saída assim como os estoques apresentaram significativo crescimento ao longo dos últimos 20 anos.
Dados da UNCTAD (2002), para o período 1996–2000, enquanto os fluxos de IDE realizados cresceram 37% ao ano, as exportações mundiais aumentaram apenas 4,2% ao ano. O crescimento da produção internacionalizada é uma resposta às mudanças no ambiente econômico mundial, caracterizado pelas mudanças tecnológicas, pela liberalização política e pela competição crescente. O processo de internacionalização, no entanto, não foi homogêneo no tocante à participação dos países. Estima–se que o estoque de IDE realizado pelos países desenvolvidos, entre 1995 e 2001, seja oito vezes superior ao realizado no mesmo período pelos países em desenvolvimento.
Contudo, alerta José Eduardo Faria
Embora o valor total dos financiamentos internacionais líquidos (na forma de empréstimos e créditos bancários, emissões de ações, debêntures, papéis comerciais, títulos e bônus, operações de hedge e swaps) tenham passado de US$ 5 trilhões para US$ 35,5 trilhões, entre 1980 e 1995, e a movimentação dos derivativos financeiros tenha pulado de US$ 123 trilhões para US$ 328 trilhões, entre 1990 e 1995, segundo estimativas do Bank for International Settlements, o volume dos recursos destinados aos investimentos diretos ou produtivos continua a ser limitado. E, acima de tudo, altamente seletivo, pois os recursos disponíveis destinam-se prioritariamente aos países desenvolvidos e, principalmente, às aplicações mais lucrativas, proporcionadas pela diferença entre a produtividade e o custo da força de trabalho. 44
Em pouco mais de uma década, o advento da transnacionalização dos mercados, da produção, de capitais, finanças e consumo transformou radicalmente as estruturas de apropriação de recursos, subverteu as noções de tempo e espaço e derrubou as barreiras geográficas.
A atuação das empresas também é modificada, de modo que, para continuarem competitivas e lucrativas precisam se globalizar.
Para Alem & Cavalcanti, a experiência internacional mostra que as políticas públicas de apoio à internacionalização das empresas devem incluir elementos como: i) liberalização das restrições aos investimentos diretos no exterior, já que implicam saída de divisas; ii) a criação de instrumentos internacionais que facilitem e protejam os investimentos no exterior; iii) informação e assistência técnica; iv) incentivos fiscais; v) mecanismos de seguros para os investimentos, e vi) financiamento.
Em diversos países desenvolvidos, além dos serviços de informação e assistência técnica, o apoio também está disponível na forma de recursos financeiros. Os recursos são distribuídos, em grande medida, por instituições de desenvolvimento para o apoio aos projetos de investimento diretos. Em relação aos países em desenvolvimento, o apoio à internacionalização das empresas tem tido como metas principais o aumento da competitividade e a expansão do comércio.
Eduardo Teixeira da Silva relembra ainda que
A racionalidade do investimento estrangeiro transnacional, assim como as principais características dos tempos da globalização, foram muito bem resumidas por David Korten, nos seguintes pontos: a) o dinheiro, a tecnologia e os mercados do mundo são controlados e administrados por gigantescas corporações globais; uma cultura do consumidor comum unifica todas as pessoas numa busca partilhada de gratificações materiais; b) há uma perfeita competição global entre trabalhadores e as localidades a fim de oferecer seus serviços aos investidores pelos termos mais vantajosos; c) as corporações estão livres de agir unicamente com base na lucratividade sem respeitar as conseqüências nacionais ou locais; d) os relacionamentos, tanto individuais como corporativos, são definidos inteiramente pelo mercado; e) não existe lealdade para com o lugar e a comunidade. 45
Reduzir as fronteiras burocráticas e jurídicas entre nações revolucionou os sistemas de produção, modificou estruturalmente as relações trabalhistas, tornou os investimentos em ciência, tecnologia e informação em fatores privilegiados de produtividade e competitividade, criou formas de poder e influência à multiplicação, de modo exponencial e em escala planetária, dos fluxos de idéias, conhecimento, bens, serviços, valores culturais e problemas sociais.