O Homem descobriu empiricamente que interacções com o corpo podem ter efeitos terapêuticos, desde um simples pressionar onde há dor até ao provocar uma distracção potente numa outra área corporal. Provavelmente ter-se-á concluído que quanto menor a área mais intenso o estímulo, e mais eficaz o alívio da dor (Lindley & Cummings, 2006).
Documentos históricos revelam que a Acupunctura e estímulos semelhantes à Acupunctura se desenvolveram por todo o Mundo em sociedades isoladas, sem contacto entre si. Por outras palavras, a técnica nem sempre foi transmitida por demonstração ou descrição. Por exemplo, os Papyrus Ebers são antigos curandeiros egípcios que descrevem o uso de terapias semelhantes à Acupunctura, assim como os Vedas, que são as escrituras mais antigas do hinduísmo. Esta escritura terá 5000 a 7000 anos e referencia o uso da Acupunctura.
Os primeiros instrumentos eram feitos a partir de rochas muito afiadas (Bian), sendo seguidos por ossos, bambu, cobre, ferro, prata, ouro e finalmente aço inoxidável, que são os mais utilizados na prática clínica moderna. Acupunctores modernos utilizam agulhas sólidas, hipodérmicas, electricidade, calor, massagem, laser de baixa potência para a estimulação dos acupontos. A Acupunctura é mais associada à China antiga, onde permanece como parte da Medicina Tradicional Chinesa (MTC).
O primeiro registo de Acupunctura escrito é encontrado no Huang-de-nei-jing (Clássico de medicina interna do Imperador Amarelo) e data de há mais de 2200 anos, sendo um dos mais antigos livros de medicina do Mundo. Contém as teorias de Shen Nung, o pai da MTC. Shen Nung documentou teorias sobre a circulação, pulso e o coração, mil anos antes de a Medicina Ocidental ter qualquer conceito acerca dos mesmos (Xie & Preast, 2007).
Por volta de 1960, um grande grupo da comunidade rural, os chamados médicos descalços, foi treinado por Mao Tse-Tung e o Partido Comunista para tratarem a plebe através da Medicina Tradicional Chinesa, tendo também uma base em Medicina Ocidental para tratar ferimentos simples, doenças e emergências médicas. No final da década de 1960, era estimado que 70 a 80% de todas as doenças da China fossem tratadas pelos médicos descalços através da utilização de Acupunctura ou fitoterapia (Schoen, 2001).
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tratamentos em animais (Draehmpael & Zohmann, 1997).
A primeira publicação Ocidental detalhada sobre Acupunctura Veterinária remonta ao ano de 1825, com Girard em Alfort, França (Draehmpael & Zohmann, 1997). Em 1828 foi publicado na revista The Veterinary Record o primeiro artigo científico sobre Acupunctura (Lindley & Cummings, 2006). A primeira tese a ser publicada no Ocidente sobre Acupunctura Veterinária foi em 1954, na Escola Veterinária de Alfort, França por Bernard.
A analgesia cirúrgica através de Acupunctura foi introduzida em 1950, tendo sido utilizada em cavalos e burros em 1969 (Schoen, 2001).
Nos anos setenta, o Presidente Richard Nixon estabeleceu relações diplomáticas com a República da China, abrindo as portas para a troca de informações relativas às técnicas médicas. Os veterinários apenas poderiam aprender Acupunctura se viajassem para a China, e um número surpreendente de veterinários realmente assim o fez.
Após a formação da Sociedade Internacional da Acupunctura Veterinária (IVAS) em 1974, foram sendo organizadas cada vez mais cursos no Ocidente. Desde a sua fundação são realizados anualmente cursos básicos de Acupunctura Veterinária de 120 horas (Lindley & Cummings, 2006). Em 1999, apesar de existirem contactos de Acupunctura Veterinária em mais de 40 países, apenas em 17 existiam veterinários certificados pelo IVAS, muito embora este conte com um total de 1400 acupunctores veterinários membros.
A American Veterinary Medical Association (AVMA) (Associação Médico-Veterinária Americana) publicou em 1996 as directrizes para a Acupunctura Veterinária: “A Acupunctura Veterinária é agora considerada uma parte integral da Medicina Veterinária. Estas técnicas devem ser encaradas como procedimentos médico e/ou cirúrgicos ao abrigo da legislação estadual que regulamenta o exercício profissional” (tradução livre (AVMA, 1996)).
Um curso equivalente ao dos Estados Unidos da América (EUA) foi criado pela Faculdade de Medicina Veterinária de Oslo, na Noruega, em 1997.
Em 1997 a Association of British Veterinary Acupuncturists (ABVA) (Associação Britânica de Acupunctura Veterinária), formada em 1987, teve o seu primeiro curso de acreditação de Acupunctura Veterinária em conjunto com a Universidade de Exeter. Em 2000 a acreditação foi transferida para a famosa Universidade de Bristol (ABVA, 2011).
O primeiro curso de pós-graduação de Acupunctura Veterinária especificamente para Médicos Veterinários nos EUA realizou-se em 1998 no Hospital Veterinário da Universidade do Estado do Colorado, que se prepara agora para a integração da Acupunctura no currículo do curso de Medicina Veterinária.
Foram formadas Associações em diversos países, como Finlândia (1980), Austrália (fundada em 1986 e que hoje conta com mais de 300 acupuncturistas veterinários associados), Alemanha (119 associados) e Áustria em 1988, Canadá, Japão, Brasil, Espanha, França, Países Nórdicos, Irlanda, Itália, Holanda, Bélgica, etc. (ver ANEXO 5- Organizações Internacionais de Acupunctura Veterinária).
No Brasil, de acordo com Dra. Márcia Valéria Scognamillo, presidente da ABRAVET, a associação Brasileira de Acupunctura Veterinária, de acordo com a lei Brasileira “é da competência privativa do médico-veterinário o exercício liberal ou empregatício das actividades e funções abaixo especificadas: a prática da clínica em animais em todas as suas modalidades”. E, de acordo com a sua opinião pessoal, “temos que levar em consideração que a fundamentação teórica e prática para realização de Acupuntura em animais requer conhecimentos profundos na área de anatomia, fisiologia, patologia, biofísica, bioquímica, diagnóstico por imagem, obstetrícia, fisiopatologia da reprodução, enfermidades parasitárias, enfermidades infecciosas, cirurgia, semiologia e clínica médica, especificamente em animais. Também temos de considerar que a única profissão que apresenta formação universitária na área clínica de animais é a do Médico Veterinário. Além disso, também temos de levar em conta que a conduta adotada no Brasil é a mesma que a da maioria dos países: a Acupuntura em animais tem sido atividade exclusiva de Médicos Veterinários na Europa, América do Norte, Oceânia e Oriente (China, Japão e Coreia).” (Scognamillo, comunicação pessoal, Fev. 15, 2011).
Pelo menos três universidades brasileiras, de acordo com Scognamillo, contam com uma disciplina curricular de “técnicas alternativas terapêuticas em Medicina Veterinária”, sendo que uma delas conta mesmo com a disciplina de Acupunctura Veterinária. Contam com diversos cursos de pós-graduações ou especialização, normalmente com a duração de dois anos (Scognamillo, comunicação pessoal, Fev. 15, 2011).
Embora o IVAS tenha, em 1999, acordado coordenar a educação da Acupunctura Veterinária em qualquer país que escolha este percurso, desde a sua fundação que a intenção tem sido tornar a Acupunctura Veterinária uma parte integrante do currículo académico dos médicos veterinários.
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