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mai Nr. 431 2012

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A vitivinicultura brasileira está num período de importante expansão territorial. A atividade é fonte de grande dinamização e desenvolvimento de um espaço rural, tanto pela rentabilidade de seu produto, quanto pelas perspectivas de outras atividades afins, principalmente o turismo.

O estudo de três regiões em estágios de maturação diferenciadas traz luz para a evolução dos mercados, assim como para os gargalos e oportunidades potenciais na abertura de novas fronteiras.

A presente pesquisa objetivou identificar as variáveis que influenciaram e influenciam os três mercados vitivinícolas estudados. Entretanto em função das diferenças de maturidade e de características entre eles, além da ausência de dados contínuos da variável independente, não foi possível formar uma caracterização de necessidade ou suficiência das variáveis isoladamente, entre os diversos casos. Contudo, ao analisar as variáveis é possível tirar algumas conclusões.

Mercados mais desenvolvidos apresentam uma estrutura de governança mais robusta, coordenando seus agentes. A presença das variáveis de instituições e organizações (A1), assim como políticas públicas (A2) em todos os três casos torna possível inferir que são estruturas básicas necessárias para o desenvolvimento de polos vitivinícolas, fomentando a atividade. Em destaque, as instituições de pesquisa estatais, como a EMBRAPA e EPAMIG mostram-se ser os condutores para o desenvolvimento de vinhos de melhor qualidade.

Quanto a influência de políticas públicas no setor, ressalta-se o paradoxo do estímulo a vitivinicultura no país. As taxas altas incidentes sobre os produtos são constantemente amenizadas por políticas regionais de isenção de ICMS, o que cria um ambiente de concorrência regional balizadas pelo estado.

A valorização territorial tem se mostrado um ótimo aliado para a vitivinicultura. O enoturismo e as indicações geográficas colocam os produtos em outro patamar. O consumo de experiência é uma tendência mundial e os vitivinicultores devem se adaptar para agregar valor ao produto. O enoturismo, além de desenvolver a marca individual e regional, ainda tem capacidade de movimentar diversas cadeias paralelas, como o de gastronomia local, artesanato, entre outras coisas.

As inovações constantes são fundamentais, principalmente pela presença dos vinhos internacionais, que pressionam o mercado nacional. Além disso, os gostos e

as tendências também se alteram com o tempo no setor vitivinícola, o gera a necessidade de constante mudança. A tecnologia demonstrou ter um papel importante tanto no aumento da produtividade, quanto em outras vantagens competitivas. As principais inovações observadas foram as de produtos e as técnicas, entretanto outros tipos, como as de ordem gerencial, administrativa e também são fundamentais para a diminuição dos custos de produção e a consequente maior competitividade dos produtos.

Apesar da tecnologia estar em constante evolução para amenizar os fatores naturais, as condições de terroir da região implicam em diferentes comportamentos fisiológicos na planta, e, consequentemente, nas características dos vinhos produzidos. Dessa forma, algumas regiões devem investir na constante busca por tecnologia, assim como na inserção de seus vinhos em nichos específicos adequados para as respectivas tipicidades.

O preconceito com o vinho nacional, apesar de estar continuamente sendo quebrado, ainda é um gargalo na comercialização, principalmente dos vinhos de regiões consideradas não tradicionais. Nesse contexto, o marketing e a divulgação, assim como a consolidação de uma marca regional e o enoturismo se mostram como alternativa para a quebra desse paradigma. Como já discutido, o consumo e a concorrência com a cerveja também são gargalos para o vinho nacional, nesse sentido o marketing e a divulgação, associando os produtos a características de país tropical, estimulando o consumo de vinhos mais jovens e espumantes, pode ser uma alternativa para essa limitação.

Pelo observado, para a construção de um mercado de vinhos finos é necessário garantir que o produto final seja de qualidade. Para tanto é necessário aliar características do terroir do local com o uso de tecnologias e manejos adequados.

Dessa forma, novas regiões que pretendem inserir se no mercado vinhos finos de qualidade devem aliar a qualidade ao consumo de experiência e a associação com valores. Sendo assim o enoturismo é uma atividade que complementa e apoia a vitivinicultura. Uma vez que os custos de produção, principalmente em função da tributação e da concorrência com os importados é um gargalo importante, o enoturismo se mostra como alternativa de diminuição de custos logísticos, além de ter a capacidade de retirar o produto da selvageria das prateleiras dos supermercados.

Cabe ressaltar, no quesito marketing, que o Brasil possui uma característica de país continental, apresentando regiões vitivinícolas em diversos climas, como o

temperado, o tropical e o intertropical. Essa diversidade, que resulta em tipicidades diferentes, deveria ser amplamente explorada para que o consumo de produtos nacionais se dissemine pelo país.

A abrangência da pesquisa esteve limitada pela ausência de dados mais robustos sobre a vitivinicultura brasileira. Até hoje boa parte dos dados considerados nacionais são reflexo dos valores obtidos no Rio Grande do Sul, o que aumenta consideravelmente os erros da pesquisa. Como lacuna observa-se as outras diversas fronteiras vitivinícolas desbravadas atualmente, que não entraram no escopo do trabalho, como a região da Campanha Gaúcha, regiões em Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo, que também vem despontando na produção de vinhos.

O nível de abstração utilizado nessa abordagem não permitiu um estudo aprofundado das variáveis individualmente. Dessa forma, para dar prosseguimento aos estudos, aponta-se a necessidade de trabalhos que tratem dessas lacunas, principalmente na região da Serra da Mantiqueira.

Ainda no escopo da história econômica, pesquisas futuras analisando histórico- comparativamente o desenvolvimento da vitivinicultura dos países que mais penetram produtos no mercado nacional, como Chile e Argentina, seriam úteis para compreender o que levou a essa vantagem competitiva disparate dos produtos brasileiros. Além disso, identificar as variáveis que fizeram parte do desenvolvimento da vitivinicultura brasileira também serve de base para compreender de que forma outras regiões podem acelerar o seu processo de maturação.

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