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Chapter 2 – Economic Policy

2.1 Macroeconomic policy

Para aprofundar o conceito de interdisciplinaridade, bem como suas propostas, este estudo traz algumas considerações que apontam sua posição perante a ciência. Morin (2001) esclarece que a ciência atualmente é pautada na disciplinaridade, através da divisão e da especialização do trabalho. É amplamente discutido entre os estudiosos da interdisciplinaridade que a atual forma disciplinar, fragmentada e desconexa, deu-se com o advento da modernidade e aprofundou-se ainda mais com o modo de produção capitalista, em virtude das modificações acerca da organização e das condições de trabalho (PIRES, 1998; FAZENDA, 2001; MORIN, 2001; 2003; FRIGOTTO, 2008).

A compreensão do trabalho como categoria essencial para o entendimento da forma como o homem modifica a natureza é o ponto de partida da fusão da EA com o ensino técnico. A interdisciplinaridade se faz presente neste texto como um agente de solidificação da relação educação ambiental - ensino técnico, fundidos pela categoria trabalho. Assim, o entendimento da relação educação ambiental – ensino técnico, só se firma através da superação da condição fragmentada e desconexa das relações ambientais, sociológicas, econômicas, culturais, antropológicas etc. Deste modo, o principal objetivo da interdisciplinaridade é a superação destas barreiras disciplinares, afim de que o conhecimento seja posto em um amplo campo de proposições, superando sua atual forma isolada.

Para que compreendamos a interdisciplinaridade na relação Educação Ambiental – Ensino Técnico, invariavelmente devemos trazer a categoria trabalho como elemento central desta relação, até como pressuposto. Tendo então o trabalho como pressuposto desta relação, a práxis se faz presente justamente por unir ao elementos teóricos com a atividade humana consciente, ou seja, a teoria como elemento norteador da consciência humana no que tange a transformação social (VÁZQUEZ, 1986).

Na forma tradicional da organização curricular da escola atual, nos deparamos com a politica curricular que aparta o conhecimento em piquetes, da mesma forma que o pecuarista aparta seu rebanho em um sistema de rotação de pastagens, de forma análoga a que Bloch (1966) apud Enguita (1989) chama de “gado humano”, no sentido da classe dominante ter nas próprias mãos o controle da sociedade, oferecendo às pessoas que se beneficiam destas instituições, uma educação que se limita somente ao acúmulo de informações desconexas e atomizadas. Fazenda (2001) aponta que está arraigado na política curricular brasileira o policiamento das fronteiras entre as disciplinas, e que estas, caso sejam atravessadas, são passíveis de punição. Neste modelo, esvazia-se qualquer sinal de práxis, isto é, a relação teórica presente nas fronteiras dos conhecimentos juntamente com a vivência, para posterior reflexão da realidade, ou seja a práxis. Esta que será trazida ao texto de forma análoga na metáfora da orquestra.

O pensamento filosófico sistematizado sobre natureza, trás como ponto de partida a noção grega de physis. Este termo, já discutido ao tratar a evolução do pensamento filosófico sobre a natureza, era encarado sobre a perspectiva da totalidade, o conhecimento debruçava-se sobre a unidade, na episteme, na arte e na cultura, na história, nas religiões, isto nos permite concluir que não havia fronteiras no conhecimento, dadas as devidas proporções de que o conhecimento não tinha as dimensões do que se tem na atualidade.

Naquele momento histórico poderíamos conceber o conhecimento como transdisciplinar, ou seja, como conhecimento cujas relações são efetivamente comuns ao que se tem atualmente como um conjunto de disciplinas, como nos esclarece Sommerman (1999) apud Oliveira (2005). Obviamente que essa noção de transdisciplinaridade exclui qualquer forma de disciplina, devido à profundidade do entendimento das relações entre os conhecimentos específicos. De acordo com Tozoni-Reis (2012b), os conceitos de inter e transdisciplinaridade são próximos, o que os diferencia é a permanência das disciplinas na interdisciplinaridade.

A superação da condição fragmentada pelo trabalho interdisciplinar dá-se pela busca do conhecimento em sua totalidade. A totalidade propriamente dita é objeto da transdisciplinaridade, portanto, a interdisciplinaridade tem a proposta de constantemente buscar o conhecimento em sua unidade concreta. Na forma em que

estão estruturados os currículos, bem como nas formas disciplinares, a totalidade em si é algo utópico, inatingível; portanto, o papel da interdisciplinaridade não acomete a extinção das formas disciplinares, bem como ignorar suas linguagens específicas, mas consiste em criar relações onde as linguagens presentes estejam entrelaçadas de tal forma que o aluno perceba nestas relações, por meio das contradições e das múltiplas determinações, a geração dos fenômenos sociais.

Mas o que é de fato a interdisciplinaridade? Como conceituá-la? Esta pergunta é encontrada em muitos artigos e textos dedicados ao tema e boa parte destes textos aponta a complexidade de suas preposições devido a gama de possibilidades intrínsecas a própria interdisciplinaridade. Apesar disso, Ferreira (2001) faz uma analogia, bastante didática do conhecimento interdisciplinar semelhante ao modo como é constituída uma sinfonia, porém, irei além de sua concepção, pois originalmente, ela trás elementos do holismo para compreender a profundidade da interdisciplinaridade. E como vimos anteriormente, o holismo é inadequado para a compreensão dos problemas ambientais vistos em sua totalidade, sem desprezar a estrutura econômica no qual a sociedade está inserida. O ponto que avançarei se refere à questão da práxis no movimento desta metáfora, pois a totalidade das relações é muito maior do que a soma das partes do todo, desta forma, o holismo é insuficiente para a interpretação da realidade.

Primeiramente a autora trás nesta analogia os elementos constituintes desta sinfonia: os instrumentos, as partituras, os músicos, o maestro, o ambiente, a plateia, os aparelhos eletrônicos etc. Cabe destacar que não existe uma relação hierárquica sobre estes elementos, todos possuem a mesma importância na composição da peça. Cada um dos instrumentos possui suas características, alguns agudos, outros médios e por fim, os de tonalidade grave. Cada um dos instrumentos é regido por diferentes linhas da teoria musical, as chamadas partituras, que podem ser partituras de composição rítmica ou harmônica.

Cada uma dessas partituras possui suas diferentes linguagens, seja ela rítmica para os instrumentos de clave percussiva ou harmônica, nas claves de sol - agudo (flauta, violino, clarinete, oboé, etc.), dó - médio (viola e agudos de trombone), ou fá - grave (contrabaixo, trombone, violoncelo, etc.). Notamos então que assim como a música, o conhecimento também possui suas ramificações conforme a

especificidade de suas linguagens e dos instrumentos usados para sua interpretação. Quando os instrumentistas executam suas partituras isoladamente, nota-se um vazio enorme na música (apesar de compreendê-la em sua dimensão estritamente instrumental - individual), isto é, os fragmentos teóricos (partituras específicas de cada instrumento) da música, não são capazes de mostrar a totalidade da composição, esta que só é alcançada com a união das notas musicais dos diferentes instrumentos, além da instrumentação rítmica.

Além das peculiaridades técnicas de cada instrumento musical, outro fator importante que deve ser levado em consideração é a subjetividade do instrumentista, o feeling. Cada músico executa uma composição à sua maneira, da mesma forma que os professores, mesmo que trabalhem com mesmo tema, ministrarão suas aulas imbuídos de suas características didáticas, consequentemente, subjetivas.

Segundo Ferreira (2001), no caso da metáfora sinfônica, o projeto é a execução da música, para tal, todos são importantes no processo.

A noção sobre interdisciplinaridade que proponho neste texto é sustentada sobre a filosofia da práxis. Para exemplificar a atuação da práxis na interdisciplinaridade, voltemos ao exemplo análogo à sinfonia. Temos então dois planos distintos na sinfonia, o plano prático e o plano teórico: os diferentes instrumentos musicais (disciplinas), os instrumentistas (professores) correspondem ao plano prático; as partituras musicais (teorias) compõem o plano teórico desta sinfonia. Mas e o maestro? Qual seria o seu papel?

O papel do maestro é organizar as partituras e distribuí-las entre os músicos, para que estes coloquem em prática aquilo que lhes foi atribuído. Portanto, a função do maestro é semelhante ao papel desempenhado pelas políticas curriculares que organizam os conteúdos científicos e tem o papel da articulação dessas relações de conhecimentos específicos dentro da escola, dentro de suas disciplinas. O maestro apresenta uma dupla função, a de organizar a teoria (partituras) e de conduzir os músicos em suas práticas eivados por sua própria teoria.

A totalidade é alcançada pela ação conjunta de dois fatores: a práxis e a dialética. Analogamente, entendemos por práxis os planos teórico e prático, isto é,

partituras, instrumentistas, instrumentos musicais e a figura do maestro que compõe a orquestra. As partituras (teoria) dão corpo a musica através do trabalho do instrumentista ao executá-la conscientemente em seu instrumento. No momento em que todos os instrumentistas entram em sintonia através das especificidades que cada instrumento carrega, a musica em sua totalidade os retroalimenta, bem como, “comove” e transforma (no plano cultural) a plateia, desta forma temos o segundo fator, a dialética. A caráter de rigorosidade dentro da analogia, o processo dialético não é um processo romântico e consensual (como fiz ao usar o termo “comove”, para explicar o processo dialético), mas sim um processo conflituoso, um processo imerso nas contradições. Desta forma aponto abaixo os esgotamentos de tal metáfora, afim de que possamos nos apropriar destes elementos para a compreensão (didática) da interdisciplinaridade.

O único problema encontrado nesta metáfora é o caráter estático da plateia, que apesar de culturalmente transformada por todo o conjunto da orquestra, recebe a música assim como um professor deposita o conhecimento em seus alunos, tal qual é dada do modelo da educação bancária. Supera-se este esvaziamento apontando o silencio como uma exigência ontológica para que a transformação ocorra de forma íntegra na plateia. Na educação, diferentemente da música, a categoria ontológica da relação plateia – orquestra deixa de ser o silêncio, dando lugar a relação dialética, conflitante, entre o professor e o aluno, afim de que ambos sejam transformados por meio do próprio conflito ideológico.

Uma das propostas da interdisciplinaridade é chamar a atenção do aluno de como os conhecimentos ditos específicos, não pertençam a nenhuma disciplina, ou seja, o objetivo dela é de dar condições para que se percebam as conexões entre as disciplinas, unificando-o em um único campo de conhecimento, o campo da unidade concreta.

A interdisciplinaridade, portanto, é muito mais do que a soma das disciplinas (entendida aqui como ramo do conhecimento), este processo atinge seu potencial transformador na práxis, através dos conhecimentos específicos que se fazem ecoar suas relações de uma única unidade de conhecimento. Obviamente que não se trata de uma garantia de um saber dentro do que foi definido como totalidade de relações,

mas o conhecimento resultante deste processo possibilita uma posição crítica frente aos problemas sociais, no sentido de sua transformação.

3 METODOLOGIA