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2.3 Artificial intelligence

2.3.1 Machine learning

O percurso histórico da educação especial em nosso país, constituído basicamente de processos segregados de ensino, como escolas ou classes especiais, com influência da área da saúde e da Psicologia, é fortemente marcado pela vertente médica e assistencialista (BUENO, 2011; JANUZZI, 2012). Nessa perspectiva, as práticas educativas adotadas pelos professores especializados pautavam-se, geralmente, na visão da deficiência como uma característica individual. Nesse sentido, apesar de toda crítica sobre a formação tradicional do professor especializado, calcada no conhecimento das características da deficiência, ainda assim a área da educação especial não conseguiu estabelecer parâmetros mínimos de uma formação que ultrapasse essa visão estreita (BUENO, 2011).

Verifica-se que o conhecimento dos motivos pelos quais as professoras optaram em trabalhar com essa modalidade de ensino e o local em que esse trabalho iniciou (escolas especializadas, classes especiais e ensino regular) pode apontar aspectos importantes em relação às práticas pedagógicas desenvolvidas por elas, tendo em vista a inclusão escolar de seus alunos.

No relato das entrevistadas, observou-se que a escolha pela educação especial foi impulsionada por questões familiares:

Eu ingressei logo que percebi que a educação precisava de pessoas que tivessem o olhar voltado para educação especial. E eu tive um "problema familiar" e eu comecei a me interessar bastante pela educação [...] (P4).

Outras por questões circunstanciais, ligadas especialmente a oportunidades profissionais. Nesse caso, temos aquelas que iniciaram sua carreira na educação especial, antes de ingressarem em um curso de formação na área:

[...] minha mãe tinha um salão e uma cliente que trabalhava lá falou pra mim: - como você está fazendo magistério, vamos lá que a gente está precisando de funcionário. Eu fui, me apaixonei e daí eu comecei na APAE (P11).

[...] Na época, que eu comecei a educação especial, era aquela coisa bem limitado, não tinha professores para dar aulas. Na época, eu não tinha nem habilitação, eu só tinha habilitação do magistério, mas não tinha profissionais habilitados. A professora vigente saiu de licença e eu assumi essa sala com "cara" e "coragem" (P13).

O meu primeiro contato com a educação especial foi na APAE e fiquei apaixonada e daí por diante fiquei (P2).

Comecei como voluntária na Escola Madre Cecília3, como auxiliar de classe.

No ano seguinte ingressei na Faculdade. Quando estava na Faculdade, comecei como estagiária na Rede, assumindo uma sala especializada [...] (P9).

Eu tinha uma afinidade com crianças de inclusão, assim eu falei: - ah, eu vou fazer educação especial [...]. E como na educação seria uma vantagem, vamos dizer assim, a idade, num processo seletivo, concurso, o fato de ter filho. Então, eu decidi fazer Pedagogia e escolhi a habilitação em deficiência intelectual (P8).

Outras que migraram do ensino regular para a educação especial, após frequentarem um curso de formação em educação especial:

Eu era professora do ensino regular e fiquei oito anos na sala regular [..] quando foi em 2005 surgiu a oportunidade de fazer um curso de pós- graduação na educação especial e nesse mesmo momento eu também fui chamada para estar trabalhando em sala de recurso [...] (P6).

Eu fiz a pós-graduação em atendimento educacional especializado e no ano seguinte eu já ingressei na educação especial no AEE (P7).

Eu era professora do Fundamental I, surgiu a pós-graduação na área aqui em Taubaté pela primeira vez. [...] Depois veio o concurso, eu passei e me efetivei na área de educação especial para deficiência mental. O nosso cargo foi para professor especialista de DM (P10).

E outra que escolheu fazer o curso de educação especial, antes de ingressar na carreira.

Logo quando eu fui fazer Pedagogia, na própria formação, na época, fazia o direcionamento [...] eu escolhi a Deficiência Mental (P12).

Assim, nos depoimentos das professoras especializadas sobre o ingresso na educação especial, percebeu-se que a formação acadêmica, para algumas professoras, de início, permitiu direcionar sua atuação profissional para as escolas especializadas. Enquanto outras iniciaram a docência no ensino regular e depois migraram para educação especial, existindo ainda aquelas que iniciaram na

3 Escola Madre Cecília: Refere-se ao Centro Educacional Municipal Terapêutico Especializado "Madre Cecília" (CEMTE Madre Cecília).

educação especial, sem habilitação específica na área ou movidas por questões familiares.

Contudo, chama atenção nos depoimentos, que independente dos motivos das escolhas, todas as profissionais, após ou para ingressar nesse campo de atuação, procuraram um curso de formação especifica na área. O que indica que além de atender a uma determinação legal que estabelecia a necessidade dessa formação específica, essas profissionais, ao se depararem com alunos que fugiam do padrão considerado normal pela escola, buscavam nos cursos de pós-graduação uma orientação didática e pedagógica diferenciada e específica para os alunos da educação especial, como podemos verificar no depoimento da professora (P1):

[...] entrei na Prefeitura, trabalhava só com sala de alfabetização, comecei como P1 e na época a (S.G) era responsável pelo Integra-Ativa me chamou para fazer parte da equipe e junto disso eu estava querendo fazer uma pós em psicopedagogia, porque eu estava recebendo muitos alunos com problemas, problemas que muitas vezes sozinha não estava dando conta, nem com minhas companheiras. [...] não abriu turma para a psicopedagogia, porque não tinha gente suficiente. Tinha para educação especial. Eu falei: - vou lá, melhor do que não fazer nada, quem sabe eles não me dão alguma luz pra eu trabalhar com meus alunos. [...] Eu acabei indo, ingressando, fazendo concurso para trabalhar com a educação especial e já estou há oito anos (P1).

Verificou-se ainda, diante do posicionamento de algumas professoras que revelam: "paixão por essas crianças", "um olhar para a educação especial", "afinidade com crianças de inclusão", uma visão que pode estar relacionada à ideia que esses alunos são tão diferentes que necessitam de professores, recursos e, consequentemente, espaços diferenciados de aprendizagem. Ideia que pode ser reforçada na medida em que grande parte desses professores ingressou na educação especial em modelos segregados de ensino, como escolas de educação especial: Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Centro Educacional Municipal Terapêutico Especializado Madre Cecília (CEMTE Madre Cecília) e classe especial.

O estudo realizado por Santos, Mendonça e Oliveira (2014) com professoras de instituições especializadas comprova essa problematização. As dificuldades para a concretização da inclusão na visão das professoras entrevistadas por essas autoras estavam relacionadas ao aspecto externo da instituição especializada, como: a falta de preparo da sociedade, falta de estrutura física dos prédios escolares das instituições regulares. Atitude essa marcada pelo

desejo das professoras em proteger os alunos dos desafios que terão de enfrentar ao serem incluídos no ensino regular.

Dessa forma, a descrença em relação à capacidade da escola regular em oferecer condições para que o aluno com NEE se beneficie do ensino oferecido, aliado à experiência direta com a educação especial no modelo segregado, se coloca como um desafio frente às novas exigências de atuação desse profissional.