4. PRESENTASJON AV EMPIRISK MATERIALE
4.4 M OTORIKK
Os movimentos constituem-se, pois, a partir de suas culturas e intenções – expressas, por exemplo, em seus projetos educacionais – e neste sentido se afastam de organismos legitimados como espaços de reivindicações de movimentos organizados, como seria o caso da representação sindical.
Dado que a expressão máxima das lutas educacionais nos dias de hoje fica praticamente restrita à ação sindical (que congrega os professores e profissionais da educação), quando estes movimentos se manifestam independentes, acabam por divergir das lutas desta categoria via sindicato. Dessa maneira, sua independência não se manifesta apenas contra o Estado stricto sensu, mas contra as diversas
formas de expressão deste Estado, ou seja, também contra as instituições que este reconhece como legítimas, como é o caso dos sindicatos.
A trajetória que estes dois movimentos fazem os afasta tanto do velho sindicalismo quanto de outras organizações políticas dos países centrais, ou ditos “dominadores do mundo”10, como é discutido por Raul Zibechi (2004), que demonstra como estes movimentos desenvolvem uma estrutura própria, desvinculada dos partidos políticos e do Estado, portanto, independentes e autônomos.
Na sua luta por direitos sociais e de participação democrática nas discussões sobre alternativas de construção de uma sociedade mais igualitária, distinta dos atuais padrões capitalistas, estes movimentos apontam suas críticas ao Estado, o que se evidencia no descrédito e na desvinculação com os preceitos da educação
10 Compartilhamos com Raúl Zibechi a definição sobre os países centrais, a saber, Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Japão e Rússia.
oficial. Consideram que, por expressar uma ordem social que os exclui e por rejeitarem este tipo de educação, está desvinculada de suas necessidades e realidade social, não expressando, portanto, sua cultura.
Nesta lógica consideram que o sindicato também não responde às suas demandas dado seu atrelamento ao Estado – diretamente ou em decorrência do tipo de reivindicações que prioriza em suas lutas e pelo caminho institucional que escolheu. Em outras palavras, a autonomia destes movimentos em relação ao sindicato se caracteriza também pelo não reconhecimento da via institucional como forma de luta social. Sua relação com o sindicato (seja no Brasil, seja no México) é pontual. No caso do sindicato dos professores do Brasil observa-se esta aproximação com o Estado desde a implantação da reforma educacional, a partir da década de 90, tanto apoiando medidas governamentais quanto participando das discussões nos espaços criados pelo próprio governo, muitas vezes à revelia dos próprios professores. Mais recentemente, com a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao governo federal, esta vinculação ficou mais explícita.
No bojo dessas críticas, os professores do ensino oficial também são avaliados quanto à sua formação e atuação na luta sindical pela educação. Quanto à formação, a crítica se concentra no fato de que não é voltada para a preservação da cultura. Com relação à atuação sindical, os movimentos apontam os professores como corporativistas, voltados apenas para o aumento salarial; complementa que não dão conta de enfrentar os problemas na educação.
De igual forma, la mayor parte de los problemas no solo son burocraticos, también son docentes, otro factor importante de la desacreditación educativa son los maestros, que no gozan de conocimientos suficientes para desempeñar su papel docente, (de aquí que si queremos educar y que nos eduquen,) no es suficiente con pelear con manifestaciones puramente partidareas, de lo económico, pues al parecer los maestros modernos, del aquí y el ahora estan más preocupados por el dinero que por la educación, desde hace 6 años, se planteó la supuesta "reforma educativa" y desde este tiempo, las instancias educativas de Queretaro, no hay encontrado una forma pertinente, inteligente y audas de salvaguardar el problema de la calidad y de la matricula etc. (FZLN, 2003h)
Na fundamentação da crítica à atuação dos docentes, as manifestações podem ser entendidas como corporativistas, pelo fato de se desligarem dos problemas educacionais e se concentrarem na exigência de aumentos salariais.
De igual forma, creo que las manifestaciones educativas son "promovidas por el aumento de salarios" por el pago puntual de las becas que ofrece el gobierno para la investigación docente, pero no he presenciado una manifestación educativa escolarizada que pele (sic!) "por el mejoramiento de los programas educativos" "por la calidad de los materiales educativos, libros de texto etc." de aquí que nos preguntemos ¿cual es la función de la educación mexicana del hoy? (FZLN, 2003h)
Essa desvinculação é entendida como um descaso dos próprios docentes, relacionado à sua conformidade com a essencialidade das políticas educacionais. Em outro documento, essa avaliação está pautada não somente nas manifestações, mas também na relação dos docentes com o governo nos momentos de negociações, no fato de não haver encaminhamentos de lutas por uma educação com qualidade e eficiência e na falta de qualidade na formação docente:
se lavan las manos como Pilatos del desgaste y desacreditación del propio SEM y se conforman haciendo mitines, huelgas y plantones al por mayor, y año con año le exigen a sus gobernantes (por quienes ellos mismo vendieron su voto) para que les suban sus miceros salarios; pero almenos yo nunca he visto un planto o marca o mitin que exija el mejoramiento de los planes y programas, o conferencias en donde se discuta la falta de eficiencia y subjetividad humana en el aula, o la falta de calidad en los titulos profecionales de licenciatura los cuales son de pesima calidad, de aquí que he llegado a la terrible conclución que si no es dinero por lo que los maestros pelean, entonces yo les pregutnos ¿por que luchan? De aquí que estas huelgas y manifestaciones solo tengan un fin lucrativo y no educativo (FZLN, 2003i).
Frente a esse contexto educacional em que a educação oficial não atende aos anseios dos movimentos sociais e não oferece uma educação pautada na cultura dos zapatistas e dos sem-terra, eles seguem na construção de suas próprias escolas. Fazem-no a partir dos seus próprios princípios e objetivos sociopedagógicos, mesmo que os prédios não tenham uma estrutura física adequada.
A escola é situada num terreno baixo desta comunidade. As paredes das salas são de concreto. Por enquanto, só há aulas para o primeiro e o segundo ano. O curso atual iniciou no começo deste ano. As aulas são pela manhã, de segunda a sábado. Os livros usados pelos alunos são autorizados pelo Conselho Geral de Educação Zapatista. Um indígena conta que 20 promotores de educação não recebem salários. Dão aula de espanhol, história, ciências naturais, literatura, matemática, humanismo. (PÉREZ, 2001)
Lutando contra a exclusão e a miséria, reafirmam sua identidade e cultura. Depreende-se desta análise que o conceito de pobreza e miséria inclui também a perda da identidade cultural, o que amplia a noção do não acesso aos bens de consumo produzidos socialmente.