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T RIVSEL , VENNSKAP OG INKLUDERING

4. PRESENTASJON AV EMPIRISK MATERIALE

4.2 T RIVSEL , VENNSKAP OG INKLUDERING

O distanciamento social discutido anteriormente, resultado da crise social, leva ao ponto em que os movimentos sociais se reivindicam como os esquecidos, como se fossem invisíveis para uma sociedade que cria uma falsa aparência de normalidade social.

Agora os movimentos se fazem ouvir e surpreendem a sociedade, como demonstra a reportagem da Revista Atenção que, em seu n. 8, de 1996, ao realizar um amplo trabalho de contextualização do México, entrevista o subcomandante Marcos8; as palavras do artigo explicitam esta situação:

No dia em que o Nafta entrou em vigor, 1º de janeiro de 1994, o México moderno e urbano foi surpreendido por um levante guerrilheiro em Chiapas, um estado pobre, de população majoritariamente indígena e rural, no sul do país. A rebelião do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) chocou Washington e os defensores da integração econômica a todo custo. A realidade social do México ia muito além das estatísticas oficiais. Mais uma vez neste século a voz dos mexicanos esquecidos se fazia ouvir. Em nove dias de combate entre o EZLN e o exército federal, morreram 145 pessoas. No dia 13 de junho, o governo pediu trégua e o líder

zapatista subcomandante Marcos anunciou suas reivindicações. Entre elas, a exigência do retirada do artigo 27 da Constituição, que dava garantias legais à propriedade comunal das terras agrícolas – uma herança da reforma agrária iniciada na década de 1910, durante a Revolução Mexicana. A revogação desse artigo fora imposta pelos EUA, em 1990, como precondição para adesão mexicana ao Nafta (REVISTA ATENÇÃO, 1996, p. 30).

É necessário destacar que o levante zapatista se deu em um marco histórico que definiu as novas relações econômicas na América do Norte, o chamado Nafta. Para sua concretização, revogou-se uma das maiores conquistas da Revolução Mexicana, a propriedade comunal da terra, como resultado da reforma agrária ocorrida no bojo da revolução e garantida no artigo 27 da Constituição.

A luta pelo retorno desse direito traz consigo outras questões que envolvem a vida da população de Chiapas e de todos os indígenas mexicanos, juntamente com aqueles que também são esquecidos pelo Estado e a sociedade moderna.

A luta do MST também se inicia num contexto histórico brasileiro importante, no processo de luta dos trabalhadores da cidade e do campo pela redemocratização do país que ocorreu na década de 70, com particular acentuação da luta a partir de 1978, seguindo na década de 80. Nesse contexto, a luta que originou o MST pôde ser localizada na

ocupação das glebas Macali e Brilhante, no município de Ronda Alta-RS, em 1979; a ocupação da fazenda Burro Branco, no município de Campo Erê-SC, em 1980; ainda nesse ano, no Paraná, o conflito entre mas de dez mil famílias e o Estado que, com a constituição da Barragem de Itaipu, tiveram suas terras inundadas e o Estado propôs apenas a indenização em dinheiro; em São Paulo, a luta dos posseiros da Fazenda Primavera, nos municípios de Andradina, Castilho e Nova Independência; no Mato Grosso do Sul, nos municípios de Naviraí e Glória de Dourados, milhares de trabalhadores rurais arrendatários desenvolviam uma intensa luta pela resistência na terra. Outras lutas também aconteciam nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e Goiás (FERNANDES, 1996, p. 88).

Na leitura de Mançano Fernandes percebemos que os trabalhadores do campo, em várias regiões do país, estavam em conflito, centrados na luta pela terra. Esse cenário se agravara em 1979, adentrando a década de 80, mas ainda não havia uma articulação dos vários movimentos de luta pela terra no Brasil. Até que, a partir de 1981, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) promoveu a aproximação desses movimentos, realizando encontros estaduais e regionais, o que possibilitou a

discussão e a construção do I Encontro Nacional dos Sem-Terra, em 1984, em Cascavel (Paraná).

Dentre as inúmeras questões que suscitam, concentrar-nos-emos na educação, tema que os movimentos consideram muito importante tanto para a sua formação e crescimento como para a constituição de uma nova sociedade. Isto está, inclusive, expresso em dos princípios filosóficos da educação do MST:

A escola também é um lugar de viver e refletir sobre os valores do novo homem e nova mulher. A sociedade que temos infelizmente degradou a nossa humanidade e nossas relações interpessoais, criando vícios como individualismo, autoritarismo, machismo e falta de solidariedade. Precisa-se reeducar nossa humanidade através destas novas gerações forjadas na luta. A escola, pelas experiências de relacionamento coletivo que proporciona às crianças e aos jovens, pode ajudar a desenvolver os valores do companheirismo, da igualdade, da fraternidade e o próprio valor da busca coletiva e solidária da felicidade, através da luta perseverante pela justiça e pela paz em nosso país e no mundo inteiro. (CADERNO DE EDUCAÇÃO n. 8, 1996)

Compreendendo que a educação oficial não atende a esses princípios e não resolve os problemas educacionais, os movimentos definiram que seria importante a incorporação da formação educacional – pensada e organizada pelos próprios movimentos – no cotidiano de suas comunidades, no caso dos zapatistas, e nos acampamentos e assentamentos do MST9.

En estas condiciones, las comunidades indígenas tomaron la iniciativa de formar su propia organización educativa. Por eso rechazan las ofertas educativas del gobierno, que ni los toma en cuenta ni resuelve a fondo los problemas. Al integrar el servicio educativo dentro de sus formas propias de organizar la vida comunitaria, las comunidades se proponen mostrar que pueden construir una educación distinta, relevante, de calidad y abierta a todos, en sus propias comunidades. A partir de esta determinación se originó el proyecto educativo Semillita del Sol. (ENLACE CIVIL, 2000a)

Como se observa, ao tomar para si a iniciativa de formar sua própria organização educacional, excluem as propostas do governo e expressam a recusa em reconhecê-lo enquanto seu representante legítimo.

Podemos afirmar, portanto, que o movimento surge das necessidades sociais impostas por uma ordenação do capitalismo que leva o poder político

9 É importante ressaltar que os acampamentos e assentamentos do MST também são comunidades, mas a nomenclatura utilizada pelo movimento foi preservada, pois isso representa a sua identidade e definição do seu processo de luta.

governamental a expressar, em suas medidas, o descaso para com a população à qual deveria atender. É esta dissonância entre estes segmentos em processo de exclusão absoluta (econômica, intelectual, moral, enfim, cultural) que gesta os movimentos, e não uma “ideologia subversiva”, como querem fazer crer os divulgadores das opiniões oficialistas. Seu caráter de subversão está dado pela exclusão promovida pelo próprio estado de ser societário que se perpetua, caracterizando nosso desenvolvimento.