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F AGLIG / PEDAGOGISK INKLUDERING

5. DRØFTING AV SENTRALE FUNN

5.1 F AGLIG / PEDAGOGISK INKLUDERING

moderna mexicana com relação ao drama vivido pelos indígenas. Essa visão é influenciada, em parte, pela grande queda da credibilidade do governo mexicano. Essa baixo crédito governamental se deve, fundamentalmente, ao alto índice de desemprego urbano e ao tamanho da dívida externa mexicana, que chegou a US$ 175 bilhões, tornando-se a maior do mundo.

A credibilidade interna do governo despencou. Naquele momento, para grande parte da opinião pública, a revolta indígena em Chiapas assumiu contornos de resistência legítima à política que elevou o desemprego urbano a 29,5% da população ativa, segundo os sindicatos, e a dívida externa a US$ 175 bilhões, a maior do mundo. Ao chegar no “fundo da lata” econômica, a sociedade moderna do México reconheceu nos camponeses indígenas seu drama nacional. Nesse sentido, é significativo que o zapatismo traga de volta ao imaginário popular a figura do herói revolucionário Emiliano Zapata, símbolo da histórica resistência dos mexicanos. Ao organizar o Primeiro Encontro Internacional contra o Neoliberalismo e pela Humanidade, em julho/agosto últimos, os zapatistas retomaram a tradição internacionalista de Zapata, que ao saber da tomada do poder pelos bolcheviques na Rússia, em 1917, escreveu uma carta felicitando Lênin. (REVISTA ATENÇÃO, 1996, p. 31)

Como o agravamento das questões sociais também atinge a cidade, a conjuntura da crise social é vivida por todo o país. Na continuação da análise da

Revista, percebe-se que a luta dos “camponeses indígenas” encontra na cidade o

apoio importante para sua resistência e luta contra o aparato repressivo do Estado mexicano, que chegou a mobilizar 70.000 soldados nos conflitos em Chiapas (REVISTA ATENÇÃO, 1996).

Esse reconhecimento da luta zapatista, além de possibilitar o resgate da imagem histórica de resistência dos mexicanos na figura de Emiliano Zapata, possibilita o surgimento do apoio da sociedade civil nacional e internacional. Desse modo, mantém-se vivo o EZLN, ou seja, possibilita a este movimento continuar existindo e não ser aniquilado pelo exército federal. Não podemos desconsiderar que, diante desse quadro, o Estado mexicano encaminha outras estratégias, como a

guerra de baixa intensidade e a censura com relação ao que ocorre no Estado de Chiapas.

O apoio internacional que foi citado também é construído por meio de atividades que incluem algumas como a mencionada no documento acima, por ocasião da realização do Primeiro Encontro Internacional contra o Neoliberalismo e pela Humanidade. Nesse ponto, mais uma vez, a relação da figura de Emiliano Zapata com a luta dos zapatistas contemporâneos se torna importante para o internacionalismo da luta dos trabalhadores, que é ressaltado no episódio em que Zapata escreve a Lênin em 1917 expondo seu apoio à Revolução Russa. Esse internacionalismo possibilita a proximidade e a interação com movimentos sociais de outras partes do mundo.

Com referência ao apoio da opinião pública ao MST, algumas pesquisas também apontam para o reconhecimento de grande parte da sociedade civil brasileira no tocante às reivindicações do Movimento e à sua forma de luta, através das ocupações de terras.

Esse apoio e o reconhecimento da luta camponesa é um dos objetivos que fazem parte da estratégia de projeção nacional do Movimento. Isso se faz necessário dado que o MST existe num país em que a maior parte da sociedade contemporânea é urbanizada.

Com efeito, os moradores de áreas rurais representam apenas um quinto da população brasileira. Dessa maneira, os 80% restantes que moram em áreas urbanas são decisivos para o futuro de qualquer movimento agrário /.../. Daí a importância de atos e manifestações na cidade (COMPARATO, 2003, p. 187) .

Dada a importância do setor urbanizado da sociedade, o MST realiza atos e manifestações nas cidades para alcançar a visibilidade desejada e possibilitar a conscientização da população urbana sobre o Movimento, a reforma agrária e outras reivindicações.

Realizam-se marchas pelas estradas e grandes avenidas das capitais, organizam-se manifestações e acampamentos em frente às sedes do poder público (Incra, palácio do governo) ou diante de agências bancárias que estejam supostamente retendo os créditos destinados à reforma agrária. Os locais são estrategicamente escolhidos de forma a garantir a maior visibilidade possível, porém sem atrapalhar o cotidiano da cidade. (COMPARATO, 2003, p. 188)

O apoio urbano ao MST se aprofunda por meio da relação estabelecida com os movimentos sociais citadinos, definindo essa relação como forma de solidariedade entre os trabalhadores do campo e da cidade.

O apoio do MST às lutas urbanas, como manifestações pelo aumento do salário mínimo, passeatas de professores ou servidores da saúde pela melhoria das condições de trabalho, greves organizadas pelas centrais sindicais, ou até mesmo passeatas de policiais por melhores salários, é considerado como forma de solidariedade entre trabalhadores. (COMPARATO, 2003, p.189)

O resultado dessa forma de luta é visualizado em pesquisas como a realizada pela Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) em 1995, cujos:

resultados mostraram que 90,6% dos entrevistados afirmaram que o governo brasileiro precisa fazer uma reforma agrária, 85,5% acreditava que a reforma agrária pode melhorar a vida nas cidades, 90,0% concordava com utilização de propriedades improdutivas para a reforma agrária, 51,5% concordava com as invasões e ocupações de propriedades improdutivas pelos trabalhadores rurais sem-terra, e 69,2% acreditava que estas ocupações são eficazes para pressionar o governo a fazer a reforma agrária. (COMPARATO, 2003, p. 186)

Esses índices foram acompanhados durante a década de 90, quando, mesmo com algumas oscilações, o apoio à reforma agrária e ao MST aumentou. Verificamos que os índices de aprovação da população brasileira ao Movimento são altos, destacando-se o ano de 1997, quando foi realizada a Marcha à Brasília, o que possibilitou maior visibilidade e debate em torno do tema da reforma agrária.

Nesse processo, percebemos que o apoio externo é altamente importante para os zapatistas e sem-terra. No Brasil e no México, a efervescência político- social, assim como em toda a América Latina, é muito maior do que aparenta.

A opinião pública se revela fundamental tanto para as decisões políticas como para os próprios movimentos. Pela situação perversa à qual essas populações são submetidas, existe uma tendência a uma empatia humanitária que precisa se efetivar num apoio à atuação política dos movimentos sociais.

Nesse item, procuramos esboçar os principais elementos contidos no debate contemporâneo sobre os movimentos sociais, revelando seus contextos e desafios perante a sociedade. No próximo capítulo, abordaremos as questões concernentes ao Estado e à imprensa na sua relação com os dois movimentos sociais. Esta análise revela os nexos constitutivos dos desafios e das contradições que os movimentos enfrentam “pra soletrar a liberdade”.

III – ESTADO E IMPRENSA: RELAÇÕES

Não nos amedrontam os seus tanques, aviões, helicópteros e milhares de soldados. A mesma injustiça que nos deixou sem estradas, caminhos e serviços elementares, agora volta-se contra eles. Não precisamos de estradas, sempre andamos por brechas, caminhos reais e trilhas. Nem com todos os soldados federais é possível fechar todos os caminhos – antes seguidos pela nossa miséria, e agora trilhados pela nossa rebeldia. Tampouco nos afetam as mentiras da imprensa e da televisão. Por acaso se esqueceram da porcentagem real de analfabetismo no estado de Chiapas? Quantas casas não têm luz elétrica e, portanto, televisão, nestas terras? Se a nação se deixar enganar novamente por essas mentiras, restará sempre pelo menos um de nós disposto a despertá-la de novo /.../. Terão de aniquilar a todos nós, absolutamente a todos, para deter-nos pela via militar. E sempre ficará a dúvida: de que não restou ninguém para iniciar tudo de novo.