É neste momento que se recolhem as informações que fornecerão subsídios para tentar responder às perguntas norteadoras da pesquisa. (ROMBERG; 1992)
A coleta de evidências foi esboçada, conforme já foi mostrado na seção 1.2.2., na parte referente à fase de realização (terceira fase) do meu modelo preliminar:
Nesta etapa foram, realizados, primeiramente, alguns experimentos-piloto, os quais consistiram da aplicação das atividades envolvendo resolução de problemas, em sala de aula. Estes experimentos haviam sido idealizados, inicialmente, para serem realizados com grupos pequenos de alunos. Entretanto, uma vez que a coleta de evidências seria feita em sala de aula, optamos, eu e minha orientadora, por realizar também os experimentos-piloto em sala de aula. Eles foram de fundamental relevância, pois apontaram possíveis ou necessários ajustes nos enunciados dos problemas, na orientação para a utilização do computador, bem como nos procedimentos adotados pelo professor na condução da atividade. Também sinalizaram para alguns aspectos que poderão ser relevantes na efetiva coleta e análise das evidências.
Esta coleta (atividade 7) consistiria na aplicação dos problemas em sala de aula e deveria ocorrer no segundo semestre do ano de 2002, ano em que foram realizados os experimentos-piloto. As atividades seriam aplicadas pelo próprio pesquisador, que era o professor da turma de alunos da disciplina Matemática, do primeiro semestre do curso superior de Administração de Empresas.
Entretanto, no momento em que iniciaria a coleta de evidências, por motivos administrativos, a faculdade onde ela seria realizada decidiu não formar a turma e, portanto, não havia tais alunos ingressantes que participariam da pesquisa. Tomo aqui as idéias de Skovsmose e Borba (2000), segundo as quais podem ocorrer três tipos de situação no
Experimentos de ensino
Ensino da Matemática por meio da resolução de
problemas com tecnologia
Capítulo 1 Metodologia da Pesquisa
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decorrer de uma pesquisa, das quais a primeira é a que se refere à situação corrente. Trata- se de um conjunto de fatos e acontecimentos que configuram o cenário em que está inserida a pesquisa, e que é caracterizado por tomar uma direção não necessariamente imaginada pelo pesquisador.
O pesquisador, então, analisa possibilidades e idealiza encaminhamentos (situação
imaginada) que possibilitem dar continuidade à pesquisa. Entre algumas alternativas
analisadas para dar prosseguimento à minha pesquisa, optou-se por observar as aulas de um outro professor. Tal professor também ministra aulas de Matemática para alunos de Administração de Empresas e também fundamenta seu ensino em resolução de problemas. Ao ser consultado sobre esta possibilidade colocou-se prontamente à disposição. Propôs-se a dividir suas aulas realizando metade de cada uma delas na sala de aula convencional9 e a outra metade no laboratório de Informática, utilizando o software Winplot. E assim foi que ocorreu a redefinição do método de coleta de evidências. Cabe aqui, um paralelo a um terceiro tipo de situação apresentada por Skovsmose e Borba (2000), a situação arranjada, a qual refere-se a uma alternativa prática de solução de imprevistos emergentes durante o processo de investigação, possibilidades alternativas assumidas pelo pesquisador.
Estes fatos nos remetem a um recurso bastante presente em pesquisas qualitativas, que é o, assim chamado, design emergente. Ele constitui-se na escolha e configuração de métodos e procedimentos de pesquisa no decurso de sua realização. Caracteriza-se por atender às demandas que surgem das contingências e fatos que emergem durante o processo de investigação. Não se trata de adotar o espontaneísmo, mas de compreender a necessidade de estabelecer um relacionamento interativo e flexível, em que os instrumentos se configuram a partir do objeto de pesquisa, evidenciando, isto sim, um certo grau de flexibilidade necessário ao rigor metodológico.
1.2.7.1. OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE
O professor da turma foi muito solícito e aberto e explicitou sua satisfação, inclusive em poder contar com o auxílio do pesquisador na implementação das aulas utilizando o
software. Ficou definido, assim, que eu adotaria a observação participante. De acordo com a
classificação elaborada por Romberg (1992), e já comentada na seção 1.2.6, este método é utilizado quando a situação existe, mas as evidências precisam ser desenvolvidas. A situação, neste caso, refere-se à turma de alunos em questão, em suas aulas de Matemática II.
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Refiro-me à sala de aula em que os recursos auxiliares de ensino, à disposição do professor, são somente os tradicionais: a lousa e o giz. Doravante será designada, muitas vezes, apenas como "sala de aula" a fim de evitar repetições.
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Este é um dos métodos mais utilizados pelos pesquisadores qualitativos. Na observação participante "o pesquisador se torna parte da situação observada, interagindo por longos períodos com os sujeitos, buscando partilhar seu cotidiano [...]" (ALVES- MAZZOTTI, 2001, p.166).
No caso desta pesquisa, ela foi realizada durante um semestre, em quatro horas- aula semanais com a turma. Nas aulas em sala convencional, a aula era conduzida, essencialmente, pelo professor. Nestes momentos eu apenas observava e fazia anotações sobre essas observações. Quando o professor propunha problemas aos alunos eu os ajudava, individualmente ou nos grupos. Esta última era a forma como o professor recomendava que trabalhassem. Nestes momentos o pesquisador desempenhou, então, um papel mais ativo. Também era esta minha conduta nas aulas realizadas no laboratório de Informática, as quais eram totalmente destinadas à resolução de problemas utilizando o
Winplot.
1.2.7.2. O REGISTRO DAS EVIDÊNCIAS
Para o registro dos dados foram utilizados três recursos: gravações, documentos elaborados pelos alunos e diário de campo. O capítulo 5 desta tese tratará de apresentar essas evidências.
1.2.7.2.1. GRAVAÇÕES
Os diálogos entre os alunos e o pesquisador, durante as atividades de resolução de problemas, com a utilização do computador ou não, isto é, na sala de aula convencional ou no laboratório, foram gravadas. Um mini-gravador foi mantido junto ao pesquisador, que gravava cada diálogo ocorrido entre ele e os alunos. Tais diálogos foram transcritos para posterior análise. Também a entrevista realizada com o professor foi gravada e transcrita e auxiliou sobremaneira na interpretação das evidências.
1.2.7.2.2. DOCUMENTOS
Todos os problemas resolvidos, em aula ou por ocasião das avaliações, na sala de aula ou no laboratório de Informática, eram entregues pelos alunos, ao professor, por escrito. Os alunos também entregaram impresso, um trabalho que o professor propôs para ser feito como tarefa, ou seja, em casa, utilizando o Winplot. Estes documentos me foram cedidos, de modo que se constituem, também, em fonte de dados.
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1.2.7.2.3. DIÁRIO DE CAMPO
Um extenso e detalhado diário de campo foi elaborado após cada observação. As notas de campo constituem um relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, presencia e pensa durante e após a coleta de evidências. Nele há registro de idéias, reflexões, impressões e percepções, bem como de padrões que emergem dessas evidências.
Segundo Bogdan e Biklen (1994) "as notas de campo são fundamentais para a observação participante" (p.150). Por isso optou-se por constituir um diário; ele complementa o que foi obtido das gravações dos diálogos.