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In document Samspill i norsk byggebransje (sider 75-80)

O planejamento das atividades diárias faz parte do trabalho cotidiano de todo o professor. Apesar das professoras que participaram da pesquisa utilizarem um material didático estruturado, que já traz as atividades organizadas para serem trabalhadas a cada dia e possuírem uma rotina de sala de aula que prevê as atividades a serem desenvolvidas, o planejamento continua sendo indispensável para atender às diferentes situações e níveis de aprendizagem das salas de aula.

As editoras responsáveis pela formação tratam o planejamento de formas distintas, assim como as quatro professoras participantes da pesquisa também mostraram formas diferentes de se organizarem para as aulas.

A Editora X organiza, durante a formação, o que ela chama de Plano de trabalho, no qual é feito a distribuição das atividades e páginas dos livros a serem realizadas no período de uma semana e cada professor deve organizar as demais.

A Editora Y já elaborou o material considerando a realização de três páginas de atividades por dia. No caderno de orientação do professor estão organizadas as “ações” das unidades ímpares e os professores ficam responsáveis em preparar as ações das unidades pares. Estas ações devem ser utilizadas pelo professor para o planejamento diário.

Entre as professoras que participaram da pesquisa, duas utilizavam um caderno para registro das atividades que iriam desenvolver. Quanto às outras duas, não se pode afirmar que não planejavam, mas que não tinham registros escritos de seu planejamento e utilizavam os livros e manuais dos programas para orientar as atividades com os alunos.

A professora Vânia, a menos experiente do grupo, era também a que organizava o planejamento de forma mais detalhada e confeccionava muitas atividades e jogos para trabalhar com os alunos. No entanto, tinha dificuldades de manter a disciplina do grupo e queixava-se, por vezes, de não conseguir desenvolver todas as atividades programadas: “Você vê que eu organizo tudo bem arrumadinho, mas têm umas crianças que não querem nada, eles não me deixam realizar as coisas que eu preparo” (VÂNIA).

A imprevisibilidade do trabalho de sala de aula angustiava muito a professora Vânia, que “imaginava” uma aula, mas se deparava com outra, diferente do que ela havia previsto.

A professora Luciane também trazia, invariavelmente, seu planejamento descrito no caderno, embora de forma bem mais sucinta. Também ela tinha a preocupação de confeccionar os materiais que ela mesma programava.

A professora comenta sobre as dificuldades para organizar a aula e o material que utiliza com seus alunos:

No começo a gente fica assim doidinha, aí tem que fazer isso, aí tem que fazer aquilo. Porque primeiro a gente tem que ler toda estrutura da aula que vai vir no dia seguinte, pra gente poder adaptar dentro da sala, pra gente não ficar com o livro todo tempo aqui segurando, “Agora nós vamos fazer isso, agora nós vamos fazer isso”. Então a gente faz um pequeno resumo no caderno do que a gente vai passar, pra não ficar o tempo todo com o livro na mão, por que se não eles percebem, “Tia, você ‘tá’ todo tempo com esse livro na mão”. Aí já colocou no caderno, já melhora o trabalho.

É muita coisa! E a gente que não tem computador e ai é que a gente sofre, porque todo dia eu aperreio a Lena [coordenadora] de manhã, “Lena, faz esse trabalho aqui pra mim”, porque tem muita coisa pra fazer em casa (LUCIANE).

Chamou-nos atenção a forma como a professora Luciane organizava suas aulas. A docente considerava os diferentes níveis de aprendizagem dos alunos em seu planejamento e elaborava atividades com distintos níveis de complexidade, de modo que todos os alunos fossem contemplados em suas dificuldades. Não eram atividades individuais, mas atividades para serem vivenciadas em grupo, com níveis de exigência diferentes, de forma que cada uma das ações realizadas tinha como foco um grupo específico de alunos.

A professora Laura não tinha um caderno organizado para seu planejamento, mas certamente o fazia, mesmo que mentalmente, pois sempre chegava à escola com alguma atividade além das que eram sugeridas pela formação, com o objetivo de atender às necessidades individuais dos seus alunos. De acordo com a professora:

Eu faço o planejamento nos sábados, que a gente faz o plano semanal, sábado à tarde, que eu tenho um tempinho, eu faço. E também durante os dias da semana, se tiver alguma coisa pra preparar, eu preparo à noite. Porque com o plano que a gente tem, sempre tem que fazer uma coisinha em casa, porque não dá pra executar tudo em sala, aí eu faço à noite (LAURA).

A professora Fátima também não tinha nenhum registro do planejamento, apesar de afirmar que os professores da escola reuniam-se, semanalmente, para planejar. Ela gerenciava sua aula com o material fornecido pela editora e não presenciamos nenhuma atividade extra que tenha sido preparada com antecedência pela professora.

Como já discutimos anteriormente, o trabalho do professor situa-se no espaço entre o estável e o fortuito, entre questões estáveis, previsíveis e as incertezas e contingências que vão exigir do professor habilidade de manobra para a realização da aula.

De acordo com Tardif e Lessard:

Ensinar, de certa maneira, é sempre fazer algo diferente daquilo que estava previsto pelos regulamentos, pelo programa, pelo planejamento, pela lição etc. [...] Nunca se pode controlar perfeitamente uma classe na medida em

que a interação em andamento com os alunos é portadora de acontecimentos e intenções que surgem da atividade ela mesma (2008, p. 43).

A professora Vânia foi a única, entre as docentes que participaram da pesquisa, que mostrou dificuldades em lidar com as situações imprevistas e alterar seu planejamento inicial. As demais professoras mostraram-se muito à vontade ao lidar com as situações de sala de aula que exigiam que elas fizessem alterações no que haviam programado. O relato das docentes nos mostra isto:

Por mais que você planeje alguma coisa assim perfeita, mas tem aquele momento que o aluno quebra. Eu tenho dito muito para as meninas desse projeto, para a formadora, que não tem como, se surge um problema eu não vou deixar pra depois um problema, pra estar seguindo à risca isso aqui não, por que isso aqui eu posso pegar novamente, mas isso que é urgente ali na minha sala eu tenho que funcionar logo isso, porque eu não vou deixar pra depois (FÁTIMA).

Aí quando eu fui ensinar /p/ /i/, /p/ /ó/61 ele não acompanhava, não juntava. Aí eu fui ensinar de outro jeito. Aí desse dia em diante eu aprendi que a gente nem sempre faz de acordo com o que está no plano (LAURA).

Eu ajeito a aula todinha. Aí eu vejo que alguns dos meninos não estão conseguindo fazer a atividade do jeito que eu pensei. Não “corto conversa”, eu mudo, mudo tudo, faço de outro jeito, até que dê certo (LUCIANE).

De acordo com Clark e Dunn (1991, apud Gauthier, 1998), um bom planejamento é caracterizado pela minúcia, mas não pela rigidez. Os professores que planejam de uma maneira demasiado rígida e detalhada se concentram às vezes demais no conteúdo e não o bastante nas necessidades dos alunos. O que pode impedi-los de tirar vantagem dos momentos propícios ao ensino que surgem quando os alunos fazem perguntas ou dão respostas inesperadas, o que é mais comum em professores iniciantes.

Além de fazerem as alterações necessárias no seu planejamento diário, de acordo com as contingências da sala de aula, as professoras participantes da pesquisa demonstraram perceber que o planejamento coletivo, recebido das editoras responsáveis pela formação, não atendia completamente as necessidades de seus alunos e, algumas vezes, organizavam atividades diferentes das propostas, optando pela variação das metodologias de ensino, assunto que discutiremos a seguir.

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