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Na busca pela identidade, elemento este muito importante e gerador de crises nos adolescentes, seja no âmbito familiar ou na igreja, têm sido demonstrados ser a identidade uma necessidade do jovem na busca da uniformidade, uma fuga do grupo familiar. Aberastury assinala que

... na sua busca de identidade adolescente, o individuo, nessa etapa da vida, recorre como comportamento defensivo à busca de uniformidade que pode proporcionar segurança e estima pessoal. Aí surge o espírito de grupo pelo qual o adolescente mostra-se tão inclinado. Há um processo de superidentificação em massa, onde todos se identificam com cada um. Às vezes é tão intenso que a separação do grupo parece quase impossível e o individuo pertence mais ao grupo de coetâneos do que ao grupo familiar. (Aberastury, p. 37)

Tem-se percebido a necessidade e interesse dos jovens em questões sociais, principalmente as que estão relacionadas à sua preocupação com os desprivilegiados, os marginalizados, os desprotegidos. Uma sugestão seria a de que a preocupação estaria mais motivada por uma preocupação pessoal, mais do que social. Deutsch assim pondera:

... Seus esforços e ambições têm uma orientação muito mais pessoal do que social. Todos os grupos de adolescentes partilham de uma atitude fundamental de rebelião e da busca de um refugio na sociedade. Sua ênfase está em sentimentos como: ‘Sozinho estou perdido; juntos somos mais fortes; é o ‘nós’que dá a sensação de identidade social e, deste modo, me protege contra a ansiedade’. (Deutsch, p. 63).

É importante observar que nesta formação de grupos, a procura pela originalidade e uniformidade é perceptível não apenas na linguagem própria, na vestimenta, mas também no que está relacionado a gosto e costumes gerais. Os jovens gostam de se agrupar e apreciar o valor em conjunto, e é isto que lhes dá a identidade74. Conforme Deutsch,

A reação das pessoas que os cercam é muito interessante. As mais maduras irritam-se com a sua ostentação e os seus maneirismos – acima de tudo, com a padronização das suas atitudes e com o fato de que eles se consideram originais e diferentes, no momento exato em que sua característica mais notável é, na realidade, a sua auto-imitação: um deles é exatamente igual ao outro. (Idem, p. 65)

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Formação da identidade, esta talvez seja a motivação maior dos jovens formarem grupos. Em uma sala de aula, nas preleções e encontros religiosos, seja em qualquer atividade social ou não, os jovens procurarão ao máximo, demonstrar a sua originalidade justamente na sua busca pela uniformidade em relação ao grupo (veja Deutsch, p. 65).

Dentro deste espírito de coletividade, de preocupações com identificação, auto- afirmação, em uma vida que parece não ter temor ou receios, talvez o tema sobre a imortalidade seja corrente entre os jovens, quando estes, como uma forma de sublimação, buscam ajuda na igreja ao, peremptoriamente ou não, freqüentar até uma fase de sua adolescência os encontros religiosos, assim demonstra que estão preocupados com a manutenção daquilo que os tornam o que são: a sua juventude. O medo da iminente perda da juventude os faz pensar neste tema. Conforme Deutsch,

Impor as idéias de imortalidade às atividades dos adolescentes amantes do prazer pode parecer uma simples especulação – e, como tal, por demais séria. Contudo, na verdade, trata-se de um conhecimento que é adquirido repetidamente nas observações clínicas e confirmado em muitas das produções literárias de adolescentes. Podemos compreender que, no período em que todas as forcas interiores são reforçadas, o mesmo acontece com essa necessidade, que é comum a todos. As idéias de imortalidade, que mais tarde se perderão na vida madura, e que serão rejeitadas juntamente com os mitos e crenças religiosas são, segundo minhas observações, vigorosamente despertadas nos anos atribulados da adolescência. (Idem, p. 75).

Observando esta fala de Deutsch podemos perceber que, talvez suas convicções (dos adolescentes) estejam um pouco equivocadas. Percebe-se sim, uma preocupação dos jovens com o tema na imortalidade, mas seus anseios e necessidades sobre realidades espirituais podem transpassar este tema. Os mesmos têm demonstrado, em algum grau, em um determinado tempo em sua adolescência, que os conceitos adquiridos na sociedade, no lar ou na igreja, moldaram seus pensamentos e decisões.

Dentro desta idéia, acredito que a preocupação dos jovens em quebrar algumas regras, podem deixar ser transparecidas, quando as mesmas, ao freqüentar um grupo religioso e deste fazer parte, terão receio de mencionar de alguma forma, um determinado momento que quebraram alguma regra. Poderão até mesmo confessá-lo, mas geralmente motivados por depoimentos de outros jovens que fizeram o mesmo.

Um outro tema considerado como importante na formação de grupos está baseado principalmente nas necessidades e costumes pessoais, e não em ideologias sociais, ocorrendo isto no final da adolescência75: a identificação com as necessidades e aproximação desta

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identificação, definição a permanência de um determinado jovem no grupo e por quanto tempo:

O desenvolvimento ulterior na socialização dependerá do sucesso das sublimações e do progresso da adaptação; da aceitação de identidade e da interação entre o narcisismo e a capacidade de relacionar-se com outros indivíduos. ... o individuo em amadurecimento desenvolveu atividade suficiente para por de lado sua agressividade? Estabilizou suas relações com outros através da aceitação de certos valores sociais gerais, ou a estabilização foi levada a cabo segundo seus próprios interesses e metas pessoais...? (Idem, p. 77)

Sendo assim, entender o jovem e suas necessidades, não tem sido uma tarefa fácil, nem para a família, nem para a igreja, e ainda nem para os mesmos, que parecem totalmente confusos e necessitados de ajuda de especialistas. Conforme Deutsch, para compreendermos os adolescentes

... é necessário que sejamos capazes de compreender suas incoerências e suas atividades muitas vezes aparentemente bastantes insensatas. De geração a geração, repete-se o esforço para derrubar a ordem existente, desafiar o equilíbrio estabelecido ( O Establishment) pelo protesto contra os predecessores imediatos. Os métodos e a forma desses protestos naturalmente variarão com a situação social contemporânea. (Idem, p. 78)

A participação em grupos76 e formação de grupos é uma atividade típica dos adolescentes. Os mesmos se agrupam em torno de ideologias filosóficas, sociológicas e mesmo em conceitos religiosos.

Muitas igrejas ligadas ao movimento neopentecostal procura acentuar, de certa forma esta identificação. Há noticias de uma igreja na capital de Minas Gerais, Belo Horizonte77, formada só para roqueiros. Os mesmo devem, ao participar dos encontros religiosos, trajando roupas que os identifique como tais.

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Desde cedo, em nossa vida somos incentivados e educados a participar de grupos e interagir com eles. Esta tarefa não é por ora fácil, e somos tendenciosos a levar uma vida social mais individualista, talvez por medo dos relacionamentos ou devido a frustrações anteriores. Talvez por isto, muitos de nós ainda não sabemos lidar com grupos e trabalhos grupais.

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A Igreja é conhecida pelo nome de “Caverna de Adulão”. Eu mesmo tive contato com alguns destes jovens que faziam parte deste grupo religioso. O nome talvez esteja relacionado com um episodio narrado na Bíblia quando o rei Davi, fugindo de seus inimigos, perseguido pelo rei Saul, escondeu-se nesta caverna e foi divinamente protegido contra os seus inimigos e preservada a sua vida. Ver o texto bíblico, no livro de 1 Samuel 22, versos 1 a 2.

A BDNC talvez seja o melhor exemplo que podemos ter de uma identificação e formação de grupo religioso78 com interesses voltados para as necessidades dos jovens e adolescentes, conforme a própria descrição da visão e missão desta igreja. São jovens que se agrupam em torno de musicas que os atrai, estilo de sermão bíblico que falam a sua língua, e em sua língua jovial, carregados de jargão bíblicos, gírias e linguagens próprias.

A identificação dos adolescentes é patente nestas igrejas ligadas à BDNC. E as preocupações não são apenas no âmbito religioso, mas perpassa, havendo trabalhos voltamos para diversas necessidades sociais, como educação, recolocação na sociedade de viciados em drogas, através de programas de reabilitação. Conforme Deutsch,

A participação em atividades de grupos já organizados e beligerantes... é um exemplo clássico da identificação com o oprimido – uma motivação psicológica muito importante e que é típica da adolescência. Não há duvida de que, entre os adolescentes ... de hoje, há uma tendência para a organização de grupos que funcionam independentemente da mera participação secundária em atividades sociais já organizadas. Eles procuram emergir diretamente do status da adolescência para o de ‘gente grande’(Idem, p. 80).

Estes jovens que se agrupam, tem a preocupação com o desenvolvimento de suas reivindicações, ligadas às necessidades sociais. Nestas reivindicações, a liderança entre os jovens e adolescentes começa a ser patente à medida que eles mesmos se aglomeram e dentre si elegem um representante ou líder. Deutsch revela que

... a falta de metas ideológicas bem definidas é uma das razões para o lento desenvolvimento do envolvimento social do adolescente e – ligado com isto – a ausência de grandes lideres. A liderança das revoltas estudantis normalmente está nas mãos de um estudante – um jovem respeitado e de confiança, mas que não está, necessariamente, psicologicamente adequado para a tarefa... (Idem, p. 83)

O fator grupal, não há duvida, mesmo quando os adolescentes busquem uma identificação, o que certamente provocará de alguma forma, em exclusão, os possibilitará a formarem e forjarem suas convicções e valores sobre os diversos temas mais complexos da vida adulta.

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Sobre o tema, que pode ser representado pela nomenclatura de “Tribus urbana”, pode-se consulta em Araújo, p. 21-25: “O Conceito ‘tribo’ surge especificamente no final dos anos 80 e década de 90 do século XX com a manifestação de grupos específicos a partir de novos modelos de apresentação na sociedade. Para tanto, Maffesoli usa os termos tribo e tribalismo (ou ainda neotribalismo) para conceituar esse evento na sociedade contemporânea.

Participar de grupos, desde que tenham metas claras de ajudar os jovens em seus dilemas e ansiedades, os privará, possivelmente, das complicações mais prováveis na vida adulta, tais como lidar com os colegas de trabalho, na formação de uma família, enfim, em grupos necessários para sua sobrevivência.

A igreja tem sido uma grande motivadora e fomentadora de valores validos para a formação de uma sociedade saudável. Portanto, firmar os adolescentes nestes valores, não apenas será importante para estes, mas preservará a sociedade de complicações talvez até insolúveis e sem retorno.

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