Barnet og
5. Analyse og drøfting av datamaterialet
5.2 Møtet med det offentlige
Este grupo de teorias focaliza-se na definição de estádios ou de etapas através das quais se vai edificando o percurso desenvolvimental do indivíduo, segundo fases que dizem respeito à sua maturidade e ao processo de adesão e desenvolvimento do consumo de drogas (Becoña, 2002; Becoña & Martín, 2004).
Um dos modelos que mais se destaca neste grupo de teorias é o de Kandel, essencialmente centrado na definição de passos sequenciais, começando por uma primeira fase de iniciação com o uso de substâncias legais, para passar a apresentar as etapas subsequentes no sentido dos consumos de drogas ilegais. Assim, a primeira etapa de consumos acaba por se revelar facilitadora da evolução do indivíduo no sentido das fases seguintes (Botvin, 1996). Desta forma, os primeiros passos no consumo de tabaco, vinho e cerveja, seriam os intermédios entre o estado de não consumo e a posterior fase de uso de marijuana. Esta última, por seu turno, seria a substância cujo uso constituiria uma fase crucial no sentido de vir a verificar-se o consumo de outras drogas ilegais, como heroína, anfetaminas ou LSD (Kandel, 1975), num processo que incluiria quatro fases principais ou estádios sequenciais, identificados pelo autor do modelo, através do desenvolvimento de um estudo longitudinal (Kandel, Yamaguchi & Chen, 1992). Num estudo anterior, Kandel e Logan (1984) averiguaram a iniciação, a continuidade e o declínio do consumo de drogas com base na análise de histórias pormenorizadas do consumo de substâncias, entre estudantes adolescentes. Os autores concluíram que o período de maior risco para o início de consumos de tabaco, álcool e marijuana, terminava pelos 20 anos de idade, enquanto o risco de iniciação noutras drogas ocorria num período que findava pelos 21 anos. Saliente-se que, segundo Chen e Kandel (1995), certas fases de desenvolvimento, como a adolescência e a idade de jovem adulto, são tidas como mais vulneráveis à adesão e manutenção do consumo de drogas. Acrescente-se que, de acordo com esta perspectiva, esse percurso evolutivo de consumos também dependeria da disponibilidade das substâncias, sendo o álcool a droga mais frequentemente consumida e, também, a mais acessível, seguida do tabaco e da marijuana (Botvin, 1996), que seria a substância de transição entre as drogas legais e as ilegais (Kandel, 1975; Yamaguchi & Kandel, 1984). Todavia, é importante salientar que em todo o processo, existem outras variáveis significativas a considerar para além do consumo de marijuana, como a influência do grupo de pares, particularmente
importante na iniciação do uso regular daquela substância, bem como o papel dos pais (Kandel, 1985). Então, o consumo precoce de marijuana, por si só, não constitui um factor determinante da instalação de uma progressão de consumos até ao uso de outras drogas ilegais (Kandel & Chen, 2000), havendo outros elementos, como o sistema educativo, que apresenta um papel fulcral na identificação de múltiplos factores considerados de risco para o desenvolvimento de condutas problemáticas (Niemela et al., 2006). Há, ainda, outros aspectos com influência, como a motivação subjacente ao desenvolvimento de determinados comportamentos disfuncionais, que se associam a essa progressão de consumos problemáticos de drogas (Kandel & Chen, 2000). Para Kandel, este desenvolvimento progressivo do consumo de substâncias não decorre da existência de um quadro de anormalidade, resultando antes de processos sociais que contribuem para a manifestação de certos comportamentos, quer sejam normativos, quer se revelem desviantes (Farate, 2000).
Efectivamente, este modelo tem baseado inúmeros estudos, alguns deles muito recentes (Gervilla & Palmer, 2010), de que é exemplo o de Miller, Naimi, Brewer e Jones (2007), cujos resultados apontaram para uma maior propensão para o desenvolvimento de comportamentos de risco, como o consumo de drogas ilegais, entre os jovens que apresentam picos de ingestão alcoólica. Aliás, essa sequência de consumos foi confirmada numa análise de Kandel e Yamaguchi (1993). Acrescentem-se outras pesquisas (Alfonso, Huedo-Medina & Espada, 2009; Fergusson, Boden & Horwood, 2006; Suris, Akre, Berchtold, Jeannin e Michaud, 2007) que têm corroborado essa ideia de um percurso evolutivo do consumo de diferentes substâncias.
Uma outra conceptualização teórica a respeito do consumo problemático de drogas deve-se a Werch e DiClemente (1994), e também se inscreve no grupo das teorias de estádios evolutivos. Os autores apresentaram o Modelo das Etapas Motivacionais Multicomponentes, baseando-se nos estádios de mudança propostos por Prochaska e DiClemente (1986). Os estádios, embora com a mesma designação dada por Prochaska e DiClemente, foram apresentados por Werch e DiClemente como fases do desenvolvimento evolutivo do consumo problemático de drogas. Assim, através de cinco estádios, o sujeito acabaria por entrar num registo de consumos regulares (Werch & DiClemente, 1994). Este modelo, ao estabelecer um paralelismo entre as etapas de aquisição e desenvolvimento do consumo de drogas, e as fases do modelo de mudança do comportamento apresentadas por Prochaska e DiClemente (1986), acaba por ter
grande relevância, sobretudo em termos da prevenção primária. Ao nível da prevenção secundária, Werch e DiClemente (1994) defendem a aplicação do seu modelo, considerando-o mais adequado às situações realmente vividas pelos jovens que se iniciam nas drogas.
Ainda dentro deste grupo de modelos, refira-se a Teoria da Socialização Primária, de Oetting, Donnermeyer e Deffenbacher (1998), que procuraram explicar a iniciação no consumo de drogas, partindo da ideia básica de que todos os comportamentos são aprendidos ou estão imbuídos de elementos adquiridos por aprendizagem, muito embora a conduta humana tenha também uma base biológica inquestionável. Deste modo, para os autores, os comportamentos como o consumo de drogas são igualmente aprendidos, uma vez que essa conduta não resulta de uma qualquer situação deficitária individual, mas decorre de uma quebra, relativamente às normas pró-sociais. Segundo este ponto de vista, as fontes de socialização primária constituem, assim, um determinante dos comportamentos do sujeito, uma vez que o período da infância constitui a fase mais marcante da socialização. A adolescência, no entanto, representa o período desenvolvimental de maior risco para o possível envolvimento em condutas desviantes (Oetting & Donnermeyer, 1998). Pode afirmar-se que esta conceptualização teórica se centra, essencialmente, na socialização enquanto processo de crucial influência sobre os futuros comportamentos do indivíduo (Oetting & Donnermeyer, 1998), atendendo, também, às características individuais. As características de personalidade são, para os autores do modelo, factores de influência indirecta sobre o possível envolvimento no consumo de substâncias (Oetting, Deffenbacher & Donnermeyer, 1998). A tudo isto, os autores não se abstêm de acrescentar a influência de uma maior ou menor susceptibilidade biológica e/ou psicológica do indivíduo, no sentido da manifestação de tais comportamentos (Oetting, Deffenbacher & Donnermeyer, 1998).
Outras teorias se inscrevem neste grupo de modelos de estádios evolutivos, como a teoria de Kim que, em 1998, propôs a centralidade de certos componentes, como o adequado apoio familiar, os cuidados e o apoio prestados pelos adultos ao jovem, bem como as oportunidades dadas ao jovem no sentido de desenvolver competências de trabalho e de participar activa e significativamente na vida social, cultural, económica e pública da comunidade (Becoña, 2007). Enfim, trata-se de uma abordagem que se focaliza, também, na qualidade do processo de socialização do sujeito.
Também o Modelo da Maturidade de Labouvie, tal como o da Pseudo-maturidade e Desenvolvimento Precoce de Newcomb, se inscrevem neste grupo de teorias (Becoña, 2007) que, por motivos óbvios e também referidos a propósito das teorias sobre comportamentos anti-sociais, são importantes contributos, embora não tenham colmatado a necessidade de apelar a modelos integrativos e baseados numa multiplicidade de factores implicados no fenómeno. Por isso, visando uma maior aproximação à complexidade do comportamento adictivo, passam a expor-se os modelos integrativos e compreensivos.