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6.6 Laura Kieler

6.6.1 Mænd af Ære

A cabotagem proporciona benefícios econômicos e ambientais diretos para a sociedade, quer seja contribuindo para a redução do custo logístico no país, com reflexo no preço final dos produtos, quer seja na redução dos níveis de poluentes despejados na atmosfera e na contribuição para a preservação das rodovias.

2.5.1 Benefícios econômicos

Existem diversos fatores econômicos que indicam vantagem da cabotagem em relação aos outros modais, como menor preço do frete e menor gasto com seguro em função da maior segurança da carga; tais vantagens contribuem para a redução do custo logístico do país, com reflexos diretos para a sociedade.

Para Ballou (2006), uma grande vantagem da cabotagem reside nos baixos custos com perdas e danos resultantes de problemas operacionais da utilização desse modal.

Fadda (2007) afirma que as principais vantagens econômicas da cabotagem são a capacidade de transportar grande variedade de carga, volumes e pesos, por uma longa distância.

No que se refere à capacidade de movimentação de cargas, uma embarcação de 5.000 toneladas é capaz de transportar o equivalente a 72 vagões ou a 143 carretas, de forma que, ao optar pelo transporte de cabotagem, é possível diminuir a utilização das rodovias, bem como o seu desgaste, além da possibilidade de reduzir os acidentes rodoviários (CNT,2013).

Souza et al. (2007) realizaram um estudo de viabilidade econômica, que culminou com um modelo matemático linear para avaliar a implementação do serviço de cabotagem para carga conteinerizada refrigerada (carnes bovinas e de frango), tendo como ponto de origem o estado do Paraná e como destino as regiões norte e nordeste.

O estudo apontou uma redução no custo de transporte quando utilizada a cabotagem integrada com o transporte rodoviário, desde que este fique responsável apenas pela ligação entre os pontos fabrica-porto e porto-destino e não por todo o percurso, como era feito anteriormente.

Schlüter (2008) desenvolveu um estudo comparando os custos do transporte de arroz de Porto Alegre – RS para Recife – PE, a pesquisa demostrou que, ao

transportar 475 toneladas por mês, é possível economizar aproximadamente R$ 168 mil reais pelo mesmo período.

Rodrigues (2003) aponta cinco motivos econômicos que favorecem a cabotagem em relação ao transporte rodoviário de cargas, associado à distribuição populacional e à concentração de renda próxima a costa. Numa distância máxima de 500 quilômetros da costa, apresentam-se:

• todas as refinarias de petróleo, com exceção de refinaria de Manaus; • mais de 90% da produção industrial brasileira;

• todas as concentrações urbanas com mais de um milhão de habitantes, exceto Manaus e Brasília;

• 85% de toda a população do país; e • 75% das rodovias pavimentadas.

Para a otimização do fluxo e a minimização dos custos associados à operação, a navegação de cabotagem deve ser operada de forma sistêmica, associada ao modal rodoviário para possibilitar uma entrega ágil e com custos reduzidos.

2.5.2 Eficiência energética e ambiental

Um importante benefício da cabotagem – e do transporte aquaviário em geral – diz respeito à eficiência energética e ambiental desse modal, uma vez que apresenta um menor consumo de combustível por tonelada-quilômetro, o que possibilita um menor custo por tonelada transportada.

Cabe destacar, entretanto, que a cabotagem apresenta um custo elevado de implantação (para a aquisição das embarcações) e operacional (tripulação, licenças, manutenção e reparo, seguros, administração etc.).

Assim, a viabilização do transporte e a maximização do benefício de menor custo exigem uma escala mínima de carga e, além disso, maiores distâncias de operação. Contudo, experiências europeias têm demonstrado que, com o auxílio

da tecnologia, pode-se reduzir significativamente a tripulação necessária para operar uma embarcação em trânsito.

A Figura 2.3 apresenta o consumo de combustível para cada modo de transporte por tonelada transportada por quilômetro útil, observa-se que o consumo do transporte rodoviário é quase vinte vezes maior que o aquaviário (Barbosa, 2011).

Fonte: Barbosa (2011)

Figura 2.4 – Consumo de combustível: litros/1.000 TKU

Em relação ao aproveitamento energético, conforme se pode visualizar na Figura 2.4, o transporte aquaviário apresenta melhor eficiência energética ao transportar 5 toneladas por 1 HP, quase 30 vezes mais que o transporte rodoviário e quase sete vezes mais que o transporte ferroviário.

Fonte: Barbosa (2011)

Figura 2.5– Eficiência energética: carga/potência (t / HP) 5 10 96 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Hidro Ferro Rodo

5,00 0,75 0,17 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,50 5,00

Essa melhor eficiência energética apresenta vantagens também com relação ao consumo de combustível e consequente diminuição de emissão de poluentes frente à carga transportada. Entre esses poluentes, tem-se o dióxido de carbono (CO2) e o óxido de nitrogênio (NOx), que são responsáveis, entre outros efeitos ao meio ambiente, pelo aumento da temperatura no planeta e pela formação de chuvas ácidas, respectivamente.

Os Gráficos das Figuras 2.5 e 2.6 apresentam a geração desses poluentes para cada modal em relação a toneladas transportadas por quilômetro útil, com grande destaque ao transporte hidroviário, seguido pelo ferroviário.

Fonte: Barbosa (2011)

Figura 2.6 – Emissão de poluentes: gás carbono

Fonte: Barbosa (2011)

Figura 2.7 – Emissão de poluentes: óxido de nitrogênio

254 831 4.617 0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000

Hidro Ferro Rodo

NOx (g/1.000 tku) 20 34 116 0 20 40 60 80 100 120

Hidro Ferro Rodo

Nota-se, a partir dos gráficos e dos valores apresentados, que há uma diferença significativa entre os três modais, com ampla vantagem do modal aquaviário, comparando aos demais e com vantagem do ferroviário em relação ao rodoviário, haja vista que, com a mesma potência, o transporte aquaviário movimenta um maior volume de cargas com menor emissão de poluentes, como o CO2 e o NOx, e menor consumo de combustível.

Evidencia-se que, independente dos benefícios econômicos e ambientais advindos da maior utilização da cabotagem para transporte de carga, existem outros igualmente importantes, como os benefícios sociais, decorrentes da diminuição do volume de caminhões nas rodivias, traduzindo-se pela redução dos congestionamentos e do número de acidentes provocados por esses veículos.