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Mål for programkategori 13.80 Bustad og bumiljø og 13.90 Bygningssaker

In document (2004–2005) (sider 190-196)

Kap. 574 Økonomisk oppgjer ved endringar i ansvaret for barnevern, familievern og  rusomsorg

Boks 3.7  Mål for programkategori 13.80 Bustad og bumiljø og 13.90 Bygningssaker

Alguns clones de medronheiro presentes no ensaio foram selecionados pelas características interessantes que os seus frutos apresentam.

O clone AL1 possui frutos alongados e mais consistentes que o habitual. Esta característica torna-os mais resistentes à degradação, aguentando mais tempo após terem caído ao chão. O clone AL2 foi selecionado pelo seu potencial de produzir frutos de grandes dimensões (Américo Lourenço, 2013, comunicação pessoal).

Os frutos maduros produzidos pelas plantas-mães AL1 e AL2 foram alvo de análises laboratoriais em 2006 e os valores encontrados encontram-se sintetizados no Quadro 13.

No âmbito deste trabalho apenas foram analisados os frutos de AL1, obtendo-se os valores dos Quadro 13 e Quadro 14. As análises foram efetuadas três dias após a colheita, que decorreu durante a tarde de 15 de Novembro. Entre a colheita e as análises os frutos foram mantidos à temperatura ambiente em recipiente aberto.

Quadro 14 - Características físicas dos frutos vermelhos de AL1. Médias e desvios padrão do peso, diâmetro, forma, firmeza, L, tonalidade e saturação.

DATA Peso (g) Diâm. (mm) Forma Firmeza (Un. Durofel) L* Tonalidade Saturação

AL1 (vermelhos)

19 Nov. 5,6±2,1 21,9±2,1 1,1±0.05 23,6±21,8 24,8±2,2 27,3±2,7 33,1±3,3

N = 25 frutos

Os frutos de AL1 analisados neste trabalho apresentam médias de peso e diâmetro que se encontram dentro dos valores referidos para a espécie pelos autores citados no Quadro 1. Os valores encontrados neste trabalho não diferem dos valores de peso, diâmetro e forma obtidos em 2006.

O valor da forma dos frutos de AL1 é indicativo de frutos alongados sob o plano longitudinal.

49 Os valores relativos à cor dos frutos são próximos dos obtidos por Sulusoglu et al. (2011) em medronhos maduros e dos valores encontrados para a cor dos medronhos da categoria vermelhos e vermelhos claros analisados no Capitulo 4.2. do presente trabalho. A firmeza dos medronhos maduros de AL1 mostrou-se em média superior aos medronhos maduros (vermelhos) analisados em 4.2., confirmando a informação avançada no quadro 10. A maior firmeza dos frutos maduros é uma característica desejada, uma vez que permitiria prolongar a vida de prateleira dos medronhos para consumo em fresco.

Quadro 14 - Características químicas dos frutos vermelhos de AL1. Médias e desvio padrão do teor de sólidos solúveis (TSS), do pH, da acidez titulável (g de ácido málico/L), vitamina C (mg/100 mL) e fenóis totais (mg ácido gálico/100 mL).

DATA TSS (%) pH Acidez (g/L) Vitamina C (mg/100 mL) Fenóis (mg/100 mL) AL1 (vermelhos) 19 Nov. 24,1 3,36±0,01 11,2±0,4 271±16,7 359±20,5 N = 25 frutos

O valor de TSS encontrado na polpa dos frutos de AL1 encontram-se na gama de valores indicada pela literatura, assim como o pH da polpa, no entanto os valores encontrados são diferentes dos obtidos em 2006, revelando um maior TSS e um pH inferior. A acidez titulável também foi inferior ao valor encontrado em 2006.

O teor de vitamina C é da ordem de valores descritos por Celikel et al. (2008), Serçe et al. (2010) e Ruiz-Rodriguez et al. (2011), sendo considerada pelos últimos autores um valor consideravelmente alto.

O teor de fenóis totais é bastante inferior aos valores encontrados por Ruiz- Rodriguez et al. (2011) e indicados por Oliveira et al. (2011), sendo da ordem do valor referido por Serçe et al. (2010), no entanto a diferença entre os valores pode dever-se aos diferentes métodos utilizados. Os teores de vitamina C e fenóis totais estão dentro da gama de valores encontrados nos medronhos utilizados na caracterização da fisiologia pós-colheita (capitulo 4.2.1 do presente trabalho).

4.2 Fisiologia pós-colheita dos frutos

4.2.1 Caracterização físico-química dos frutos 4.2.1.1 Experiência I

4.2.1.1.1 Caracterização física

No Quadro 15 mostram-se as características físicas medidas no primeiro dia da experiência I.

50

Quadro 15 - Características físicas dos medronhos da experiência I no 1º dia (29/10/2013). Médias de peso, diâmetro, forma, firmeza, L*, tonalidade e saturação.

FRUTOS Peso

(g)

Diâm.

(mm) Forma

Firmeza

(Un. Durofel) L* Tonalidade Saturação

Amarelos 5,9 21,8 1,06 64,6 a 41,9 a 41,3 a 39,2 Vermelhos claros 6,0 21,6 1,07 21,4 b 31,6 b 29,2 b 43,8 Vermelhos 6,6 21,4 1,10 8,6 c 26,3 c 25,9 b 38,7 Media 6,2 21,6 1,1 31,5 33,2 32,1 40,5 EPM 0,39 0,47 0,02 3,10 0,82 1,56 1,69 Nível de sig. (P) n.s. n.s. n.s. <0,001 <0,001 <0,001 n.s.

Teste de comparação múltipla de médias de Tukey para α=0,05, letras diferentes em coluna indicam valores estatisticamente diferentes, EPM - Erro padrão da média, N = 25 frutos por estágio de maturação. Unidades Durofel variam entre 0 e 100.

Na experiência I, os medronhos colhidos em diferentes estados de maturação não apresentavam diferenças significativas nas médias de peso, diâmetro, forma e saturação da cor. Os valores encontrados para as referidas características não diferem dos encontrados em trabalhos anteriores.

As diferenças entre as médias mostraram-se significativamente relevantes ao nível da firmeza, e dos parâmetros da cor luminosidade (L*) e tonalidade.

Em relação à firmeza, verifica-se que esta atinge valores progressivamente menores conforme o avanço do estado de maturação. Nesta experiência os medronhos mais consistentes eram os amarelos. Os vermelhos claros apresentaram uma firmeza intermédia e os vermelhos um valor médio bastante reduzido. Os valores de luminosidade da cor dos medronhos analisados são, em média, inferiores aos valores obtidos nos trabalhos compilados no Quadro 2. Ainda assim, os valores obtidos para os medronhos da categoria vermelhos claros e vermelhos encontram-se no intervalo de valores indicado por Sulusoglu et al. (2011). Os medronhos maduros utilizados no trabalho de Guerreiro et al. (2013) e Santos et al. (2013) também apresentaram valores de L superiores aos medronhos vermelhos e vermelhos claros utilizados neste estudo.

Os valores da tonalidade obtidos nesta experiência são decrescentes com o avançar do estado de maturação, indicando um aumento da cor vermelha no exterior dos frutos. No Quadro 16 e nas figuras 26, 27 e 28 mostram-se os valores dos parâmetros físicos dos medronhos da primeira experiência obtidos em pós-colheita.

51

Quadro 16 - Características físicas dos medronhos da experiência I nos dias 29 e 31 de Outubro e 4 de Novembro. Média de peso, diâmetro, forma, firmeza, L*, tonalidade e saturação. DATA Peso (g) Diâm. (mm) Forma Firmeza (%) L* Tonalidade Saturação AMARELOS 29 Out. 5,9 21,8 a 1,06 64,6 a 41,9 a 41,3 a 39,2 31 Out. 5,5 21,1 ab 1,07 55,8 a 42,1 a 42,9 a 36,6 4 Nov. 5,1 20,1 b 1,11 19,4 b 29,2 b 29,0 b 39,3 Media 5,5 21,0 1,08 46,6 37,7 37,7 38,4 EPM 0,31 0,41 0,02 5,00 1,13 2,15 1,91 Nível de sig. (P) n.s. 0,022 n.s. <0,001 <0,001 <0,001 n.s. VERMELHOS CLAROS 29 Out. 6,0 a 21,6 a 1,07 21,4 a 31,4 a 29,2 a 43,8 a 31 Out. 5,9 a 21,8 a 1,06 21,1 a 27,3 b 24,7 b 42,9 a 4 Nov. 4,4 b 18,8 b 1,12 3,4 b 21,5 c 22,2 c 34,3 b Media 5,5 20,7 1,08 15,3 26,7 25,3 40,3 EPM 0,31 0,43 0,02 2,88 0,66 0,59 1,08 Nível de sig. (P) <0,001 <0,001 n.s. <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 VERMELHOS 29 Out. 6,6 a 21,3 a 1,1 8,6 26,3 a 25,9 a 38,7 a 31 Out. 6,4 a 21,2 a 1,1 1,9 24,8 a 24,8 a 36,6 a 4 Nov. 5,3 b 19,7 b 1,1 3,7 19,4 b 19,3 b 31,3 b Media 6,1 20,7 1,1 4,7 23,5 23,3 35,5 EPM 0,39 0,41 0,02 2,2 0,55 0,62 1,22 Nível de sig. (P) 0,04 0,01 n.s. n.s. <0,001 <0,001 <0,001

Teste de comparação múltipla de médias de Tukey para α=0,05, letras diferentes em coluna indicam valores estatisticamente diferentes, EPM - Erro padrão da média, N = 25 frutos por estado de maturação.

Em relação ao peso, verifica-se um decréscimo progressivo e significativo nos estados de maturação vermelhos claros e vermelhos analisados experiência I. No trabalho de Guerreiro et al. (2013) também se verificou um decréscimo de peso nos medronhos em pós-colheita, sendo referido que tal se deve à perda de humidade dos frutos.

As Figura 25, Figura 26 e Figura 27 esquematizam a evolução da firmeza, tonalidade e luminosidade dos medronhos nos diferentes estados de maturação. Verifica- se um decréscimo destes parâmetros em todos os estados de maturação avaliados nesta experiência, o que indica que os medronhos se tornaram mais moles, vermelhos e escuros em pós-colheita. As mesmas alterações ao nível da cor foram encontradas no trabalho de Guerreiro et al. (2013) e Santos et al. (2013). Segundo Guerreiro et al.(2013) a diminuição da luminosidade dos medronhos pode dever-se ao facto de componentes dos frutos, como aminoácidos e compostos fenólicos, estarem relacionados com o fenómeno de acastanhamento enzimático. Estes autores também registaram um decréscimo de firmeza em medronhos em pós-colheita.

52 A evolução do aspeto dos medronhos utilizados na experiência I encontra-se registada em fotografia nos Anexos 2, 3 e 4.

Figura 25 - Evolução da firmeza nos medronhos da experiência I.

Figura 26 - Evolução da tonalidade nos medronhos da experiência I.

0 10 20 30 40 50 60 70 80 1 2 3 4 5 6 7

Uni

d

ad

e

s

Durof

e

l (0

-100)

Dias após a colheita

Firmeza

Amarelos Vermelhos claros Vermelhos 10 15 20 25 30 35 40 45 50 1 2 3 4 5 6 7

h

°

Dias após a colheita

Tonalidade

Amarelos Vermelhos claros Vermelhos

h°= 120

h°= 90

h°= 60

h°= 30

h°= 0

53

Figura 27 - Evolução da luminosidade nos medronhos da experiência I.

4.2.1.1.2 Caracterização química

No Quadro 17 apresenta-se as características químicas dos medronhos da experiência I, no primeiro dia.

Quadro 17 - Características químicas dos medronhos da experiência I no 1º dia (29/10/2013). Médias e desvio padrão do teor de sólidos solúveis (TSS), do pH, da acidez titulável (g de ácido málico/L), vitamina C (mg/100 mL) e fenóis totais (mg ácido gálico/100 mL).

FRUTOS TSS (%) pH Acidez (g/L) Vitamina C (mg/100 mL) Fenóis (mg/100 mL) Amarelos 22,9 2,89±0,01 10,32±0,09 203±0,0 312±9,37 Vermelhos claros 21,7 3,32±0,04 8,7±0,0 222±16,74 291±56,30 Vermelhos 21,8 3,38±0,0 8,4±0,0 237±16,74 237±25,78

Os valores de TSS encontrados para os medronhos analisados encontram-se dentro da gama de valores apontados por grande parte da bibliografia.

Cavaco et al. (2007) indicam que os medronhos usados na produção de aguardente apresentavam entre 12 e 23 °Brix. Os frutos dos medronheiros estudados por Celikel et al. (2008) apresentaram valores de TSS compreendidos entre 15 e 30 °Brix. Cavaco (2007) encontrou valores de 22,71 ± 3,179 °Brix em medronhos maduros, enquanto Pimpão et al. (2013) obtiveram valores de 27,8 ± 0,1 °Brix. Valores entre 14 e 32 °Brix são referidos por Sulusoglu et al. (2011). No trabalho de Cavaco (2007) constata- se que os valores de TSS são estatisticamente diferentes de acordo com o ano e o local da colheita. Nos medronhos maduros analisados por Guerreiro et al. (2013) o TSS à colheita rondava 22 °Brix.

Os valores de TSS obtidos no presente estudo não diferem muito entre os estados de maturação avaliados. No trabalho desenvolvido por Santos et al. (2013) com

10 15 20 25 30 35 40 45 50 1 2 3 4 5 6 7

L*

Dias após a colheita

Luminosidade

Amarelos Vermelhos-claros Vermelhos

54 medronhos da mesma exploração os frutos em estado mais avançado de maturação situavam-se entre os que classificamos como amarelos e vermelhos claros, e o TSS obtido foi 22 °Brix.

O valor de pH mais alto encontrado nos estudos consultados foi 5,57 ± 0,07 (Serçe et al. 2010). Os medronhos analisados por Cavaco (2007) tinham em média um valor de pH de 3,72 ± 0,751, com valores a variarem entre 3,2 e 4,7. Neste trabalho, verificaram-se diferenças significativas do valor de pH entre anos e locais de colheita. Os valores de pH obtidos por Noronha (2001), Özcan & Haciseferoğullari (2007), Ruiz- Rodrigues et al. (2011) e Sulusoglu et al. (2011) situam-se dentro do intervalo supracitado.

Isbilir et al. (2012) analisaram o pH em frutos verdes, amarelos e vermelhos, não encontrando diferenças significativas entre os diferentes estados de maturação. O pH nesse estudo rondou 4,72.

O pH encontrado nos frutos analisados encontra-se dentro dos valores encontrados em estudos anteriores para o caso dos frutos vermelhos e vermelhos claros. Nos frutos amarelos o pH mostrou-se próximo, mas inferior ao limite anteriormente descrito para frutos maduros.

No trabalho de Ruiz-Rodríguez et al. (2011) a acidez titulável foi muito variável entre anos e localizações (56,4 – 140,5 mL N/10 NaOH por 100 g peso fresco), mostrando-se inversamente proporcional à humidade dos frutos. Isbilir et al. (2012) encontraram maior acidez em medronhos amarelos, do que em verdes e vermelhos, que tinham praticamente a mesma acidez. Sulusoglu et al. (2011) e Celikel et al. (2008) obtiveram valores de acidez entre 0,48 e 1,59 % de ácido málico.

Nos medronhos analisados nesta experiência as quantidades de NaOH gastas para titular a polpa dos medronhos foi inferior aos valores indicados por Ruiz-Rodríguez

et al. (2011), no entanto os valores de acidez expressa em percentagem de ácido málico

estão dentro do intervalo de valores encontrados em trabalhos anteriores. Os medronhos amarelos foram os que apresentaram maior acidez, seguidos dos vermelhos claros. No trabalho de Isbilir et al. (2012) os medronhos amarelos também foram os que revelaram maior acidez, sendo estatisticamente superior à acidez dos medronhos vermelhos.

Ruiz-Rodríguez et al. (2011) encontraram valores de vitamina C consideravelmente altos (122–262 mg/100 g) em medronhos maduros, concluindo que 50 g de fruto cru satisfazem a dose diária recomendada de vitamina C para um adulto. Nesse trabalho, o teor de vitamina C foi mais influenciado pela localização do que pelo ano de colheita e os dados obtidos nos três anos do estudo indicam que o ácido ascórbico é a vitamina predominante no medronho, ocorrendo sempre em percentagem superior a 56 % do total de vitaminas.

55 Os medronhos analisados por Celikel, et al. (2008) apresentaram valores de 97,8 a 280 mg/100 g de Vitamina C, enquanto Serçe et al. (2010) obtiveram valores de 300 mg/100 g.

Valente et al. (2011) encontraram valores médios de 117 mg /100g de vitamina C na parte edível, o valor mais elevado dos 26 frutos que estudaram.

Pallauf et al. (2008) e Barros et al. (2010) também quantificaram a vitamina C em medronhos maduros obtendo, no entanto, resultados bastante inferiores (6,03 ± 0,15 e 6,07 ± 0,31, respetivamente). Estes valores, apesar de não serem elevados, são comparáveis aos teores típicos para maçãs, pêssegos e cerejas (Pallauf et al., 2008). De acordo com Alarcão-E-Silva et al. (2001) os teores de ácido ascórbico são mais baixos nos medronhos maduros do que em medronhos imaturos.

Os valores de vitamina C obtidos nos medronhos analisados na experiência I, encontram-se dentro da gama de valores registada em trabalhos anteriores, com exceção dos estudos de Pallauf et al. (2008) e Barros et al. (2010) que obtiveram valores bastante inferiores aos nossos.

Contrariamente à relação encontrada por Alarcão-E-Silva et al. (2001) entre o teor de vitamina C e o estado de maturação, os medronhos analisados no primeiro dia da experiência I apresentaram teores de vitamina C relativamente próximos entre si.

Nos medronhos analisados por Ruiz-Rodríguez et al. (2011) a quantidade de fenóis presentes nos medronhos analisados variou entre 951,7 e 1973,6 mg GAE/100 g de fruto fresco, valores considerados muito elevados, mesmo quanto comparados com frutos considerados ricos em fenóis como mirtilos, que exibiam 670 mg GAE/100 g no trabalho de Marinova et al. (2005). Oliveira et al. (2011b) indicam um valor de fenóis totais de 864 mg GAE/100 g de peso fresco em medronhos. Serçe et al. (2010) encontraram 387,5 ± 6,8 mg GAE/100 g de fenóis totais em frutos maduros.

Os resultados obtidos por Alarcão-E-Silva et al. (2000) indicam que o teor de fenóis totais tende a decrescer ligeiramente durante o processo de amadurecimento dos medronhos. Oliveira et al. (2011) estudaram a evolução do teor de fenóis totais em medronhos em diferentes estados de maturação, concluindo que o estado intermédio apresenta os maiores teores, cerca do dobro do valor registado nos medronhos maduros e imaturos. No entanto, Isbilir et al. (2012) encontraram os menores teores de fenóis nos medronhos amarelos, enquanto os medronhos vermelhos e verdes apresentavam teores mais elevados e semelhantes entre si.

Na experiência I os teores de fenóis totais foram bastante inferiores aos valores obtidos por Ruiz-Rodríguez et al. (2011) ou Oliveira et al. (2011), sendo apenas comparáveis aos valores obtidos por Serçe et al. (2010). No primeiro dia da experiência I, os medronhos menos maduros (amarelos) apresentavam maior teor de fenóis totais que

56 os mais maduros, confirmando a tendência apontada por Alarcão-E-Silva et al. (2000) e Oliveira et al. (2011).

No trabalho de Ruiz-Rodríguez et al. (2011) os teores de ácido ascórbico ocorreram inversamente relacionados com os teores de fenóis, tendência que também parece ocorrer na experiência I.

No Quadro 18 encontram-se os valores obtidos em medições efetuadas com o sentido de averiguar a evolução pós-colheita dos parâmetros químicos dos medronhos colhidos na experiência I.

O teor de sólidos solúveis totais (TSS) e o pH mostraram uma evolução positiva em todos os estados de maturação, aumentando o seu valor durante o tempo de pós colheita, ao passo que a acidez titulável seguiu a tendência inversa, mostrando-se decrescente.

Quadro 18 - Características químicas dos medronhos da experiência I nos dias 29 de Outubro, 1 e 4 de Novembro de 2013. Médias e desvio padrão do teor de sólidos solúveis (TSS), do pH, da acidez titulável (g de ácido málico/L), vitamina C (mg/100 mL) e fenóis totais (mg ácido gálico/100 mL)

DATA TSS (%) pH Acidez (g/L) Vitamina C (mg/100 mL) Fenóis (mg/100 mL) AMARELOS 29 Out. 22,9 2,89±0,01 10,32±0,09 203±0,0 312±9,3 1 Nov. 25,4 3,3±0,01 10,05±0,0 232±0,0 401±18,6 4 Nov. 25 3,35±0,0 9,98 ±0,09 222±16,7 404±37,1 VERMELHOS CLAROS 29 Out. 21,7 3,32±0,04 8,7±0,0 222,3±16,7 291±56,3 1 Nov. 24,5 3,47±0,02 7,2±0,0 183,7±16,7 317±24,3 4 Nov. 26,1 3,47±0,01 7,4±0,09 174±0,0 334±18,5 VERMELHOS 29 Out. 21,8 3,38±0,0 8,4±0,0 237±16,7 237±25,8 1 Nov. 22,3 3,38±0,04 7,3±0,3 203±0,0 344±47,8 4 Nov. 24,1 3,46±0.01 6,63±0,09 184±16,74 371±11,1 Santos et al. (2013) registaram a mesma tendência em relação ao TSS dos medronhos imaturos, no entanto os medronhos mais maduros utilizados no seu trabalho (estado de maturação entre amarelos e vermelhos claros), apresentaram um TSS estável e sem alterações (≈ 22 °Brix) ao longo dos 21 dias da experiência, o que não ocorreu neste trabalho. Por outro lado, Guerreiro et al. (2013) estudaram a evolução pós-colheita de medronhos maduros a baixas temperaturas e também verificaram aumentos de TSS da ordem dos ocorridos no presente trabalho.

A evolução do TSS, pH e acidez titulável pode ser explicada pelo processo de neoglucogénese, no qual o amido e os ácidos orgânicos são reconvertidos em açúcares durante a maturação dos frutos (Sharma et al., 2008).

57 Os teores de vitamina C mostraram-se relativamente estáveis nos medronhos amarelos e apresentam uma tendência ligeiramente decrescente nos medronhos vermelhos claros e amarelos. Sendo um ácido orgânico, o ácido ascórbico poderá ser degradado durante o amadurecimento, levando ao decréscimo do seu teor nos frutos. Alarcão-E-Silva et al. (2000) também encontraram maiores teores de vitamina C nos medronhos imaturos.

Da comparação dos Quadros 17 e 18, percebe-se uma evolução divergente entre a evolução dos teores de vitamina C. As medições efetuadas à colheita indicam um aumento da vitamina C com o avançar da maturação, enquanto os resultados obtidos em pós-colheita revelam uma diminuição dos teores de vitamina C durante o tempo de prateleira, sugerindo que a evolução deste composto possa estar relacionada com a respiração dos ácidos orgânicos no período após a colheita.

O teor de fenóis aumentou na pós-colheita de todos os estados de maturação analisados na experiência I, aproximando-se mais do valor encontrado por Serçe et al. (2010). De acordo com Sharma et al. (2008), o conteúdo fenólico dos frutos é altamente influenciado pelo grau de maturação, cultivar, condições de armazenamento e fatores ambientais. Os mesmos autores referem que Gonçalves et al. (2004) encontraram um aumento nos teores de fenóis de cerejas armazenadas a 15 ± 5 °C. No trabalho de Ruiz- Rodríguez et al. (2011) os teores de ácido ascórbico ocorreram inversamente relacionados com os teores de fenóis. Para além da mesma tendência se verificar no primeiro dia da experiência I, parece continuar a verificar-se na pós-colheita desses frutos, uma vez que os dois parâmetros apresentaram evoluções opostas.

4.2.1.2 Experiência II

4.2.1.2.1 Caracterização física

No

Quadro 19 apresentam-se as características físicas medidas no primeiro dia da experiência II.

Quadro 19 - Características físicas dos medronhos da experiência II no 1º dia (06/11/2013). Médias de peso, diâmetro, forma, firmeza, L*, tonalidade e saturação.

FRUTOS Peso (g)

Diâm.

(mm) Forma

Firmeza

(Un.Durofel) L* Tonalidade Saturação

Verdes 3,0 c 17,9 b 1,0 b 91,4 a 47,3 b 109,9 a 13,3 b

Amarelos 4,9 a 20,7 a 1,1 ab 77,1 b 53,9 a 75,4 b 11,5 b

Vermelhos claros 4,1 b 19,0 b 1,1 b 38,9 c 37,7 c 37,7 c 40,4 a

Media 4,0 19,2 1,1 69,1 46,3 74,3 21,7

58

Nível de sig. (P) <0,001 <0,001 0,018 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001

Teste de comparação múltipla de médias de Tukey para α=0,05, letras diferentes em coluna indicam valores estatisticamente diferentes, EPM - Erro padrão da média, N = 25 frutos por estado de maturação. Unidades Durofel variam entre 0 e 100.

Os pesos médios dos medronhos encontram-se dentro dos valores descritos por Şeker et al. (2004) e Sulusoglu et al. (2008) para medronhos maduros. De notar, no entanto, que os medronhos utilizados na experiencia II eram bastante mais pequenos do que os da experiência I.

Os medronhos colhidos na experiência II apresentavam pesos estatisticamente diferentes entre estados de maturação. Os medronhos mais leves em média eram os verdes, e os mais pesados os amarelos, estas diferenças refletiram-se também nos diâmetros médios dos frutos uma vez que o diâmetro dos frutos amarelos é estatisticamente maior que o dos restantes.

Em relação à firmeza, surgiram diferenças estatisticamente significativas entre os estados de maturação avaliados. Os medronhos verdes encontravam-se mais consistentes que os amarelos e estes mais que os vermelhos claros. O amolecimento é típico do amadurecimento dos frutos, devendo-se à ocorrência de alterações na estrutura e composição das paredes celulares, com a degradação da celulose, dos constituintes pécticos e do amido (Sharma et al., 2008).

Em relação aos parâmetros da cor, os valores obtidos para os diferentes estados de maturação encontram-se dentro da gama de valores obtidos por Isbilir et al. (2004), que foram os únicos autores que estudaram a cor dos medronhos exatamente nos mesmos estados de maturação avaliados da experiência II.

Tal como neste trabalho, os valores de luminosidade (L*) foram superiores nos medronhos amarelos, indicando que a cor destes possui um maior brilho que os restantes estados de maturação. O parâmetro tonalidade é decrescente com o avançar da maturação, indicando uma mudança de tonalidades verde amareladas para os laranjas e vermelhos. Tal como no trabalho aqui desenvolvido, também a saturação da cor se revelou mais elevada nos medronhos vermelhos claros do que nos outros estados avaliados.

No Quadro 20 e nas Figuras 25, 26 e 27 sintetiza-se a evolução dos parâmetros físicos na pós-colheita dos medronhos da experiência II.

As alterações de peso e dimensões em pós-colheita só foram estatisticamente significativas no caso dos medronhos verdes. Apesar de Guerreiro et al. (2013) terem registado uma diminuição de peso na pós-colheita de medronhos que se assumiu ser devida à perda de água, não podemos afirmar que o mesmo se tenha passado neste trabalho, uma vez que os frutos pesados em cada dia não eram os mesmos.

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Quadro 20 - Características físicas de medronhos da experiência II nos dias 6, 8 e 11 de Novembro. Médias de peso, diâmetro, forma, firmeza, L*, tonalidade e saturação.

DATA Peso (g)

Diâm.

(mm) Forma

Firmeza

(Un. Durofel) L* Tonalidade Saturação

VERDES 6 Nov. 3,0 a 17,9 a 1,0 91,4 b 47,3 109,9 a 13,3 a 8 Nov. 3,2 a 18,0 a 1,1 98,0 a 45,3 89,0 b 6,4 b 11 Nov. 2,5 b 16,3 b 1,1 91,9 b 47,2 92,6 b 6,9 b Media 2,9 17,4 1,1 93,8 46,6 97,1 8,9 EPM 0,14 0,29 0,02 1,18 0,79 2,19 0,83 Nível de sig. (P) 0,001 <0,001 n.s. <0,001 n.s. <0,001 <0,001 AMARELOS 6 Nov. 4,9 20,7 a 1,1 77,1 a 53,9 a 75,4 a 11,5 b 8 Nov. 4,6 19,9 ab 1,1 59,8 b 40,5 b 45,0 b 33,8 a 11 Nov. 4,4 19,2 b 1,1 26,7 c 32,0 c 37,0 c 36,9 a Media 4,6 19,9 1,1 54,5 42,1 52,5 27,4 EPM 0,26 0,34 0,01 4,91 1,02 2,27 1,43 Nível de sig. (P) n.s. 0,011 n.s. <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 VERMELHOS CLAROS 6 Nov. 4,1 19,0 1,1 38,9 a 37,7 a 37,7 a 40,4 a 8 Nov. 3,9 18,4 1,1 18,6 b 28,6 b 30,3 b 37,6 ab 11 Nov. 4,2 18,5 1,1 6,5 c 26,4 b 29,7 b 34,8 b Media 4,1 18,6 1,1 21,3 30,9 32,6 37,6 EPM 0,24 0,41 0,02 4,14 0,82 1,12 1,28 Nível de sig. (P) n.s. n.s. n.s. <0,001 <0,001 <0,001 0,011

Teste de comparação múltipla de médias de Tukey para α=0,05, letras diferentes em coluna indicam valores estatisticamente diferentes, EPM - Erro padrão da média, N = 25 frutos por estado

In document (2004–2005) (sider 190-196)