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Lowering of the retirement age in the national insurance scheme in 1973

4.2 The effect of retirement on mortality

5.2.3 Lowering of the retirement age in the national insurance scheme in 1973

O movimento das cidades saudáveis surgiu na Europa em 1986 e visava o desenvolvimento de planos de ação locais para a promoção da saúde, baseado no princípio de Alma-Ata de “saúde para todos no ano 2000”.104 O movimento chegou à América Latina no início da década de 1990. Foi referendado na Declaração de Santa Fé de Bogotá em 1992 e na Carta de Promoção da Saúde do Caribe (OPAS,1993).

A proposta do movimento chegou à América Latina como defensora de uma forma de governar e administrar que requer e propicia a reestruturação dos sistemas de saúde e estimula a sua articulação com outros sistemas na conformação de políticas e programas integrados de desenvolvimento humano e bem-estar.105

103 TEIXEIRA, Carmen Fontes. Formulação e implementação de políticas públicas saudáveis: desafios para o

planejamento e gestão das ações de promoção da saúde nas cidades. Saúde e Sociedade, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 42-43, jan./abr. 2004.

104 ASHTON, John. Healthy cities. Milton Keynes: Open University Press, 1993.

105 BUSS, Paulo Marchiori. Promoção da saúde e qualidade de vida. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro,

Atribui-se uma responsabilidade pessoal e da comunidade em melhorar as condições físicas e psicossociais nos espaços onde as pessoas vivem, estudam, trabalham e se divertem.106

O programa de municípios saudáveis inclui quatro fases: i) o início e a determinação de prioridades; ii) a preparação de um plano de ação; iii) a unificação dos comitês organizadores e a execução das atividades; iv) a criação de um sistema de informação para a avaliação e monitoramento do processo.

O processo de estruturação de um Município Saudável depende da articulação das políticas públicas municipais saudáveis, da ação intersetorial e da participação comunitária. A mediação intersetorial entre a população e o poder público, assim como a capacitação para o exercício da cidadania e do controle social são contribuições para a prática da promoção da saúde. A mudança na legislação e a introdução de inovações nos programas de Agentes Comunitários de saúde e de Saúde da Família, além da ampliação do piso básico do financiamento dos serviços da atenção básica, podem influenciar na melhoria da qualidade de vida e nas condições de saúde. Para tanto, é importante a contribuição de movimentos como a Agenda 21 e a proposta de desenvolvimento local.107

Uma experiência interessante relatada por Ana Maria Girotti Sperandio e colaboradores108 é o projeto “Programa Comunidade Saudável” desenvolvido na região dos Amarais, em Campinas, para transformar uma comunidade carente em uma comunidade saudável. O agente desencadeador da proposta foi uma organização da sociedade civil chamada Instituto de Pesquisas Especiais para a Sociedade (IPES), constituída por professores de diferentes institutos e universidades do Estado de São Paulo em parceria com a Universidade de Campinas (UNICAMP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP). A Metodologia empregada utiliza como estratégia a formação na comunidade de Núcleos de Trabalho e Pesquisa (NTP), integrados por docentes e alunos da universidade, profissionais dos equipamentos sociais da comunidade e moradores capacitados pelos cursos de extensão a atuarem como agentes comunitários. Essa estratégia tem como finalidade estimular o “empoderamento” pela comunidade dos resultados e da metodologia da pesquisa.

106 ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUDE (OPAS). La salud en las Americas. v. 1. 1998.

Disponível em: <http://www.paho.org/Spanish/DD/PUB/SEA1998.pdf>. Acesso em: 20 out. 2010.

107 BUSS, Paulo Marchiori. Promoção da saúde e qualidade de vida. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro,

v. 5, n. 1, p. 176, 2000.

108 SPERANDIO, Ana Maria Girotti. Caminho para a construção coletiva de ambientes saudáveis. São Paulo-

O curso de extensão para a formação de agentes comunitários de saúde contribuiu para que eles começassem a atuar na região; que a comunidade participasse do II Fórum Social Mundial de Porto Alegre; para a criação de cooperativa de trabalho em artesanato; para o trabalho de alfabetização de adultos; e para a criação do Fórum Social dos Amarais, em que se discutem as políticas públicas e os problemas da região.

As autoras relatam também a iniciativa de desenvolver um trabalho de construção coletiva de espaços, comunidades e municípios saudáveis na região do Estado de São Paulo em 2003. A partir da edição do “Guia para Prefeitos para Promover a Qualidade de Vida”, no Foro de Promocion de la Salud em las Américas, realizado em Santiago do Chile, percebeu-se a necessidade de construção de uma Rede de Municípios Potencialmente Saudáveis, ou seja, um espaço no qual os diversos municípios se relacionem entre si, identificando seus objetivos, suas metodologias de trabalho e agindo em rede, criando possibilidades individuais e coletivas de buscar subsídios para a reconstrução de uma sociedade melhor na perspectiva da qualidade de vida.

Na verdade, o que se pretende é reconstruir caminhos para viabilizar um novo movimento e interação entre o Estado e a sociedade, entre universidade, gestores públicos, comunidade e organização da sociedade civil em busca de algo que deve ser comum: o espaço saudável e a melhoria da qualidade de vida. A rede que se iniciou com 6 municípios já contava com 18 municípios do Estado de São Paulo em 2004. A maioria dos municípios está desenvolvendo suas propostas de projetos a partir do eixo de participação social e intersetorialidade.

O município de Itatiba, por exemplo, decidiu desenvolver uma proposta de Núcleo da Criança e do Adolescente, formado por cinco secretarias municipais: Governo, Ação Social, Educação, Saúde e Esportes e Cultura, além do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Tutelar. O que mostra a importância da intersetorialidade no programa desenvolvido.

A cidade de Pedreira passou a discutir a forma de implementar o projeto Saúde do Escolar nas escolas e o do Lixo, construídos a partir dos conhecimentos adquiridos na rede. Um exemplo desse esforço é o projeto Eco-Pedreira – uma cooperativa de catadores de lixo para geração de renda, e o Projeto Escolas Promotoras de Saúde com enfoque nas potencialidades dos adolescentes.

O município de Vinhedo passou a repensar o seu modelo de saúde, desenvolvendo propostas de projeto integradas com a Secretaria Municipal de Educação, Promoção Social e Cultura, ao considerar os princípios de intersetorialidade da rede, participação popular,

construção de parcerias e trocas entre os líderes políticos dos diferentes municípios. O grupo de diabéticos da cidade tem a possibilidade de colher da horta comunitária alimentos mais saudáveis para suas condições de saúde. Eles próprios vêm cuidando das plantas e das hortaliças (o que serve igualmente de atividade terapêutica).

Estas experiências vêm demonstrando que aprender a planejar, a executar e a avaliar, respeitando as individualidades e as coletividades, são estratégias importantes. O trabalho em rede tem permitido a constatação de que “existem pessoas com desejos parecidos no sentido de ter novas expectativas para as suas vidas e para seus espaços, transformando-os em melhores e possíveis de viver com saúde, educação, paz, amor, ambiente saudável e com sustentabilidade. E é com elas que devemos trabalhar”.109

Em outro estudo, Rosilda Mendes e colaboradores analisaram o processo de implementação e avaliação de projetos de melhoria de qualidade de vida em quatro municípios de São Paulo que adotaram o projeto Cidades Saudáveis: Santo André, Piracicaba, Bertioga e Limeira.110 O trabalho mostra a importância da parceria entre os municípios e as universidades, bem como o empenho dos prefeitos assumirem o projeto como uma política de governo, permitindo assim a articulação entre as várias secretarias municipais. Nesses municípios, o governo local foi o grande indutor do processo de adoção e implementação da política, que contou com forte apoio da sociedade civil, incluindo o setor privado.

Em todas as propostas o setor saúde participou das iniciativas não apenas como indutor, mas como integrante do processo. As propostas executadas pelo setor saúde foram definidas no processo mais amplo de planejamento estratégico para o município. Em todos os casos identificou-se na implementação das iniciativas uma forte mobilização social.

As autoras concluem que todas as políticas públicas que tenham como critério decisório a capacidade de modificar a qualidade de vida da população devem necessariamente ser gestadas a partir de um planejamento conjunto e estratégico que represente a união de todos os setores.