4.3 Gjentakelsesfare
4.3.3 Lovbryterens atferd og sosiale og personlige funksjonsevne
Fazenda Dow:
Foto superior esquerda – unidade de produção de sementes. Autor: arquivo da empresa, 2004. Foto superior direita – unidade de pesquisa. Autor: Gilmar José Ribeiro, 2005.
Foto inferior esquerda – área de trabalho dos técnicos em pesquisa. Autor: Gilmar José Ribeiro, 2005 Foto inferior direita – escritório da fazenda. Autor: Gilmar José Ribeiro, 2005.
A modernização atingiu também os fazendeiros tradicionais do município, uma vez que foram, praticamente, obrigados pelas circunstâncias a aderirem a esse modelo agrícola moderno. Assim, do mais jovem ao mais velho, a maioria procurou se adequar ao processo de modernização da agricultura, o que, por sua vez, contribuiu para a desarticulação, de forma acentuada, das tradições existentes até então, como a troca de dias de serviços, o mutirão e as festas religiosas. O senhor R. A da S. P., que é de uma família tradicional de fazendeiros, conta como era e o que mudou na vida da fazenda:
Eu ainda me lembro quando eu era moleque, na época do meu pai fazia o serviço da lavoura era com os bois, colhia de cutelo, tinha a tradição do terço levantar São João, São Pedro, Santo Antônio, a família era muito religiosa. Hoje tá tudo dentro da modernidade, tem a tecnologia, na roça tem energia, tem televisão, carro pra ir na cidade a qualquer hora, máquinas para fazer a plantação, o trator, a colhedeira, hoje a gente faz a irrigação, hoje é fácil viver no campo mas a vida é mais corrida. Hoje o cerrado é produtivo, tem o adubo,
o calcário, a fungicida, o herbicida, tem assistência técnica. Hoje não é possível produzir sem a agroindustria. Hoje, até o capim tem que ser plantado que nem a lavoura, senão, não dá nada (R.A.S.P. Conforme trabalho de campo em 19/10/05).
Portanto, a modernização da agricultura rompeu com hábitos e costumes tradicionais, trazendo novas relações de trabalho e também novos hábitos impostos pela tecnologia, que suprimiu o tempo que era, anteriormente, dedicado às conversas e à religiosidade.
A modernização trouxe novas perspectivas para as áreas de cerrado, pois as novas tecnologias possibilitaram melhorar a produção e aumentar a produtividade. Porém, não se pode negar que trouxe aspectos negativos, eliminando uma cultura historicamente construída, com o jeito do cerradeiro de vestir, de andar, de falar, de comer e de tratar as pessoas, traduzido pela população como cultura caipira.
O senhor A. A. F., o mais jovem dos fazendeiros contactados por nós e que está inserido nesse modo de produção moderno, descreve a vida na fazenda e as mudanças que ocorreram com a modernização:
Eu peguei uns tempo antigo de plantar para a subsistência levantava cedo e tratava dos porco e das galinha depois ia capiná, nesse tempo arava a terra era com os boi. Em outubro a gente plantava o milho, em fevereiro tinha que dobrá ele pra fazer limpa de terra e plantar o feijão que era chamado de feijão do tempo. Os pais eram muito religiosos, rezava terço levantava santo, a gente foi crescendo e foi acabano tudo isso. Hoje eu planto soja, milho, café, crio gado mais é tudo com tecnologia fazendo a correção do solo, o plantio direto, usando o adubo a inseticida etc. Hoje a gente faz a irrigação tem as máquinas pra plantar e pra colher. Hoje na fazenda tem energia, televisão, telefone, viver no campo é mais fácil, tem praticamente tudo que tem na cidade, a ocupação é constante a gente não tem tempo pra nada é mesma coisa da cidade. Hoje a gente não tem tempo de ficar preocupando com rezar (A.A.F. Conforme trabalho de campo em 17/10/05).
Por esse depoimento, podemos perceber que as mudanças impostas pelo processo de modernização provocaram transformações também na maneira de pensar e nas práticas religiosas das populações rurais.
Na perspectiva da modernização, o senhor I. J. F., que viveu práticas antigas na fazenda e hoje está integrado à modernidade, traça um paralelo do antigo com o moderno:
No tempo que eu era menino até os brinquedo da roça era diferente, na lavoura a gente prantava era com os boi a coiêta era feita de cutelo de noite todo dia tinha que rezá com a mãe, quando não chovia a gente fazia procissão até nos pé da cruz punha pedra e rezava pra chuvê, a Semana Santa a gente guardava ela era muito respeitada o povo tinha mais fé e rezava mais. Hoje tudo é na base da tecnologia, até previsão do tempo a
gente tem, tem irrigação tudo isso ajudou para o povo parar de rezar . Hoje a média de leite dos gado é alta a gente tem a pastagem mecanizada com adubação e tudo mais, hoje a gente planta no plantio direto, um boi a gente matava com cinco anos, hoje mata com dois, o progresso ta muito intenso e a cada dia aumenta mais. A vida hoje é muito mais fácil, tem divertimento pra todo lado. A religião mudou porque o padre faz a obrigação dele reza a missa e só mas o tratamento não é igual das outras igrejas, elas dedica mais principalmente pras pessoa que tão precisano, vai nas casa dá uma assistência melhor, a tecnologia mudou a maneira de pensar do povo, o que segura mais o povo hoje é a televisão, o povo não tem tempo pra rezar porque tem muita coisa pra fazer e ai vai largando a reza de lado (I.J.F. Conforme trabalho de campo em 27/10/05).
Por esse depoimento, podemos perceber a dimensão das mudanças que ocorreram no cerrado indianopolense, em função da modernização agrícola.
As atividades do campo deixaram de ser pura e simplesmente a agricultura, pois surgiram novas funções, muitas delas ligadas ao ramo da agroindústria, como a avicultura que é hoje uma realidade muito forte na área rural do município, o que pôde ser constatado durante nossas visitas ao campo, uma vez que observamos um número muito grande de granjas, espalhadas por toda a área rural, mostrando uma presença muito forte dessa atividade.
O senhor L J. P., que é produtor rural e trabalha com a avicultura, descreve aspectos práticos desta atividade:
A granja hoje é um bom negócio, eu uso iluminação e ventilação automática, o sistema é integrado com a Sadia de Uberlândia, a produção é para a exportação hoje conseguimos abater num prazo entre vinte e oito e trinta dias, uma das vantagens é que gasta pouca mão-de-obra e eu ainda consigo mexer com outras coisas, pois também planto café. A vida hoje na roça é mais fácil porque tem tudo que tem na cidade aqui a gente tem energia elétrica, antena parabólica, computador, telefone celular etc. hoje se a gente não usar a tecnologia a gente fica pra trás, porque hoje tem que ter qualidade no que produz para atender o mercado (L.J.P. Conforme trabalho de campo em 14/10/05).
Nesse sentido, somos levados a entender que a modernização agrícola ocorre de forma intensa nas áreas de cerrado, com o objetivo de atender a determinados interesses. Desse modo, ela se torna seletiva e excludente, aprofundando as contradições no campo, uma vez que destrói formas antigas de sobrevivência e modos de vida tradicionais. Porém, a realidade é que o cerrado indianopolense está modernizado e grande parte do que nele se produz é exportado. Indianópolis não é mais aquela terra da simplicidade, do frango caipira com quiabo ou aquela do mutirão e das tradicionais festas religiosas, ela é a da modernidade; está globalizada.