NORGE: STAT- STAT-FYLKE-KOMMUNE
5.2. Lovbestemmelser og praksis som regulerer overvannshåndtering
Nos últimos anos, evidencia-se no cenário internacional um notado esforço na área da sociologia para a compreensão do turismo (e.g.: COHEN, 1984; ENZENSBERGER, 1996; PAGET; DIMANCHE; MOUNET, 2010; EDENSOR, 2001; ROSSETTO. 2012). Temas como a sociologia do lazer (e.g.: WILSON; 1980; HAMMERICH, 2003; MALCOM; MANSFIELD, 2013), da cultura e do turismo ganham destaque (e.g.: COHEN, 1979; 1984; BRUMARU; TALOŞ, 2011). No Brasil esta realidade se apresenta distinta, nota-se ainda um esforço incipiente quando se trata da utilização de uma visão sociológica no estudo do turismo.
Pela limitação de uma ampla compreensão existente nestes estudos, Cohen e Cohen (2012) apontam a necessidade de abordagens sociológicas voltadas à apreensão do turismo que abarquem aspectos além da teorização sobre a relação entre o turismo (ocidental) e a modernidade, ou a compreensão da verdadeira autenticidade da atividade, tendo como autenticidade aquilo que é autêntico e buscado pelos turistas numa experiência turística.
Edensor (2001, p. 61), por sua vez, sugere que independente da perspectiva emprestada ao estudo do turismo é necessário analisá-lo sem desconectá-lo do cotidiano, dado que ele acontece de forma entrelaçada ao quadro sociocultural do destino, tanto que é algo corriqueiro, comum a todos aqueles que integram este quadro. Além disso, o turismo não é um campo de estudo isolado, ele encontra pontos de convergências com os estudos organizacionais (FREITAG; TISCOSKI; MORETTO NETO, 2011).
Deste modo, os estudos organizacionais podem representar um caminho para a compreensão do fenômeno turismo. Como mencionado, a perspectiva evocada para o estudo das organizações, e por sua vez do turismo, trata-se dos EBP. Destaca-se que esta relação não é vaga, é utilizada com base em autores como Edensor (2001); Jóhannesson (2005); Cohen e Cohen (2012) e Duim (2007) que em seus estudos já apontam para a emergência das práticas.
Edensor (2001, p.60) aborda o turismo na perspectiva do paradigma da performatividade, considerando-o um fenômeno social a partir do qual atores podem interagir.
Nas palavras do autor, o turismo se trata de ―um processo que envolve a (re) construção em
curso da praxis e do espaço em contextos compartilhados‖. Ou seja, apreende-se a partir deste conceito as possiblidades que o turismo oferece de que processos organizativos possam acontecer de maneira situada.
Assim como Edensor (2001) trata da performatividade, de forma complementar Cohen e Cohen (2012) apresentam este e mais dois paradigmas que nas suas concepções muito têm a contribuir para a noção de turismo numa visão mais ampla, sejam estes: a mobilidade e a Teria Ator-Rede - TAR. Mesmo Cohen e Cohen (2012) não indo a diante na explicação do conceito de prática, este último paradigma, como já mencionado, trata-se de uma teoria dentro do escopo dos EBP. De forma similar, a partir de Jóhannesson (2005) é perceptível o direcionamento do turismo ao campo da prática, mesmo o autor não se aprofundando nas explicações do conceito e os seus pressupostos. Todavia, ao apontar o paradigma da TAR algumas premissas são levantadas, indicando pontos de interseção com outras teorias da prática além da TAR.
De um modo geral, os estudos em turismo já começam a despertar para o uso da TAR (e.g.: JÓHANNESSON, 2005; PAGET; DIMANCHE; MOUNET, 2010; DUIM; REN; JÓHANNESSON, 2012) no intuito de debater e compreender questões filosóficas do turismo, o que este fenômeno realmente é, uma vez que a TAR está relacionada à semiótica/estrutura, fenomenologia e etnometodologia (CALÁS; SMIRCICH, 1999). Estas questões implicam em um redirecionamento epistemológico e metodológico, ou seja, em novas formas de se fazer pesquisa em turismo (JÓHANNESSON, 2005; BOTTERILL; PLATERNKAMP, 2012).
Com efeito, este movimento de busca por outros meios pra compreender o turismo resignifica a ação do turismo como um fenômeno incompleto e produzido cotidianamente, em que o sincrônico (as práticas analisadas sem ser considerado a sua evolução e cronologia) dá vez ao diacrônico (em que se considera a evolução das práticas ao longo do tempo) incidindo em mudanças na orientação das pessoas em relação a atividades, ao ―como‖ estas se portam, são, comunicam-se, conectam-se, o que elas realmente fazem (COHEN; COHEN, 2012).
Em síntese, estas abordagens, cuja dinâmica se encontra ilustrada na Figura 05, são importantes por acompanharem um movimento atual e crescente na sociedade, e por sua vez, no campo do turismo que é visto como o centro das mudanças culturais correntes nos últimos anos (URRY, 2001). É importante, especialmente no caso da TAR pelas mudanças decorrentes das novas tecnologias e a consideração dos elementos não-humanos como agentes no processo de transformação do turismo (REN, 2011).
Figura 05 – Paradigmas da abordagem social do turismo
Fonte: Autora (2014), baseada em Cohen e Cohen (2012).
Estas considerações já apontam a possibilidade de que discussões sobre a sociomaterialidade, até então pouco evidenciada no estudo de organizações turísticas e no turismo (ORLIKOWSKI; SCOTT, 2013) e que é a abordagem adotada neste estudo, sejam aceitas e mais que isso, necessárias. No turismo, a sociomaterialidade representa pensar na sua produção pautada na relação entre atores-humanos – turistas e não turistas; e os não- humanos – objetos e artefatos, incluindo a imaterialidade, ou seja, os elementos humanos intangíveis – as leis, a cultura, a linguagem, a música e a dança, a exemplo, que são
condicionantes sociais (LEONARDI, 2012; DUIM; REN; JÓHANNESSON, 2005; DUIM; REN; JÓHANNESSON, 2012).
Deste modo, observamos que ao seguir com este quadro teórico este estudo tem o potencial de gerar um corpo de conhecimento útil para o avanço do campo, por meio de uma perspectiva mais completa, já que utilizamos a lente dos EBP, sobretudo a materialidade, e reconhecemos o papel da aprendizagem. A abordagem dos EBP possibilita que seja moldado um novo pensamento teórico a respeito de como o turismo é produzido, quais seus elementos caracterizadores e como ocorrem os processos de aprendizagem e geração de conhecimentos (NICOLINI, GHERARDI E YANOW, 2003) que sustentam os processos organizativos dos elementos materiais e imateriais do turismo (CZARNIAWSKA, 2008, 2013; LEONARDI, 2012).
O processo organizativo do turismo, por sua vez, é abordado como um processo cotidiano constituído centralmente por uma ou várias práticas sociomateriais que compõem a textura organizacional do turismo em um determinado campo situado, o que permite que ele seja reconhecido como turístico. Analisar esta relação pode ser um meio de compreender como um determinado espaço é socialmente construído, tornando-se turístico.
Assim como já mencionado na primeira parte deste referencial teórico, na busca pela compreensão do processo organizativo no contexto do turismo consideramos a organização como um campo simbólico em que a materialidade e a linguagem se somam na criação de significados, e guarda a razão de ser das suas atividades cotidianas (BISPO; GODOY, 2012; CZARNIAWKA, 2013). À luz das práticas, as organizações são vistas como espaços complexos em que a inovação, a aprendizagem e a criação do conhecimento ocorrem na relação diária entre o ambiente e os elementos anteriormente mencionados (ORLIKOWSKI, 2007; CZARNIAWSKA, 2008), por meio da integração de indivíduos, colocada por Latour (2005) como coletividade. A abordagem das práticas permite compreender fenômenos coletivos que ocorrem nos processos organizativos (GHERARDI, 2012; BISPO; GODOY, 2012). Deste modo, falar de turismo, nesta perspectiva, é falar de práticas, organizações, processos organizativos, de aprendizagem e desenvolvimento de conhecimento, com todo o peso que o arcabouço teórico dos EBP o empresta, de modo que o turismo também se torna tema relevante nos estudos organizacionais.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Neste capítulo apresentaremos os procedimentos metodológicos aplicados para a realização da pesquisa. Inicialmente teceremos algumas considerações sobre o método, seguindo pela apresentação da etnometodologia enquanto teoria e método. Apresentaremos na sequência a Orla Marítima de João Pessoa/PB como campo de estudo, as etapas seguidas na operacionalização da pesquisa, finalizando pela apresentação dos procedimentos realizados para a análise dos dados.