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planlegging med hensyn til klimaendringer og usikkerhet

conflitos históricos em que diferentes línguas, abordagens e filosofias lutam por reconhecimento e aceitação. Conforme o autor, as raízes históricas dos estudos organizacionais são caracterizadas pelo conjunto de trabalhos que ganhou expressividade a

partir da segunda metade do século XIX. Além disso, as ―incertezas ideológicas‖ e os ―remendos técnicos‖ que por muito tempo foram utilizados nos estudos organizacionais estão

sendo questionados pelos estudiosos contemporâneos, que buscam identificar quais os meios intelectuais mais apropriados ao seu estudo, considerando vários fatores, dentre estes, sua posição geográfica e o seu atual contexto social (DAVIS, 2010).

Nesse sentido, é possível perceber que a criação e o desenvolvimento da teoria organizacional envolve o contexto social e histórico em que ela foi criada e recriada, fazendo com que a teoria organizacional seja sujeita a procedimentos metodológicos comuns, mas que podem ser revisados por intermédio dos quais modelos e teorias explicativas são negociadas e debatidas.

Destarte, torna-se necessário conhecer e investigar perspectivas de estudos organizacionais que emergiram a partir da linha de desenvolvimento do campo e que foram sendo negligenciadas na medida em que se reforçava (reificava) a visão de organização alinhada às perspectivas dominantes. Por isso, neste estudo as organizações são observadas a partir do olhar da prática nos chamados Estudos Baseados em Prática (EBP) cuja ênfase se encontra nos fenômenos do cotidiano organizacional. Mas a final, o que são os EBP? O que é prática? Antes de tudo, torna-se necessário conhecer estes termos e, ainda, a noção de processos organizativos como um conceito integrante à prática.

Os EBP se tratam de um movimento científico que tem como foco de estudo os fenômenos da vida cotidiana (BISPO, 2013). A expressão foi cunhada por Silvia Gherardi a qual percebeu a necessidade de criar um termo guarda-chuva que abrigasse o contingente crescente de estudos que iam de encontro com abordagens racionais e funcionalistas, e que

comungavam o fato de considerarem a ação da organização, o cotidiano e os processos sociais de aprendizagem. Gherardi tinha o propósito de promover um avanço nestes estudos a partir de um marco comum de desenvolvimento, portanto, em 2000 articulou a edição especial da

Organization Journal (v. 7, n. 2) que reuniu parte dos artigos apresentados no encontro da

Academy of Management de 1998 no intuito de disseminá-los. Mais tarde, a partir destes artigos, em 2003, tendo a frente da edição Davide Nicolini, Silvia Gherardi e Dvora Yanow, foi publicado o livro: Knowing in Organizations: A Practice-Based Approach (GHERARDI, 2008; BISPO, 2013).

Apesar de uma diversidade de estudos, o corpo teórico de prática ainda é heterogêneo, embora esteja unido na crença de que fenômenos como o conhecimento e a atividade humana, ciência, poder, linguagem, instituições sociais e transformação histórica ocorrem dentro do e são aspectos ou componentes do campo de práticas (SCHATZKI, 2001). Na concepção do autor (p.11):

O campo de práticas é o nexo total de práticas humanas interligadas. A ―abordagem da prática‖ pode, assim, ser demarcada como todas as análises que (1) desenvolvem um corpo teórico sobre práticas, seja no campo de práticas ou algum subdomínio do mesmo (por exemplo, a ciência), ou (2) tratam o campo de práticas como o lugar para estudar a natureza e a transformação do seu objeto.

Mesmo sendo colocada por Schatzki (2001) esta heterogeneidade nos estudos, o movimento das práticas tem crescido passando a ser foco da atenção de pesquisadores em toda a parte do mundo. No Brasil é possível encontrar um número considerável de interessados no tema, um montante aproximado de 123 autores e coautores que produzem nesta área, dentre estes Cristiano de Oliveira Maciel; Silvana Anita Walter; e Marcelo Bispo (BISPO; SOUZA; CAVALCANTE; 2014). Recentemente a Sociedade Brasileira de Estudos Organizacionais2, cumprindo um dos objetivos, qual seja o de incentivar e disseminar a produção de conhecimento original que reconheça a especificidade do contexto das práticas, destinou um espaço à discussão de estudos realizados com base nos EBP – o Congresso de Estudos Organizacionais, que em 2014 teve sua segunda edição incluindo 8 grupos de trabalho.

Ao falar das raízes dos EBP, é necessário conhecer o real sentido do termo prática, denominado por Gherardi (2006; 2012) como prática social. Na concepção de Nicolini (2013), quando se utiliza a abordagem dos EBP é quebrado o modo tradicional de

como os fenômenos organizacionais são compreendidos, dado que por meio dessa abordagem o pesquisador é levado a perceber aspectos do cotidiano que abordagens tradicionais encobriam. Recuperando as raízes dos EBP, evidenciamos inspirações teóricas de importantes segmentos da filosofia e da sociologia, na qual listamos dentre os seus importantes teóricos no caso da filosofia Wittgenstein, Aristóteles, Heidegger e Taylor; e dentre os advindos da sociologia estão Bourdieu, Giddens, Garfinkel e Latour (BISPO, 2013); entrando recentemente nesta lista Schatzki e Reckwitz. Desde a década de 1950 o sociólogo Garfinkel direcionava seus estudos a compreender a ação coletiva na organização do cotidiano, criando uma teoria que passa a representar uma alternativa no estudo das práticas sociais, sendo esta a etnometodologia (BISPO, 2013) a ser apresentada no capítulo 4 deste trabalho.

Os EBP se tratam de uma abordagem que permite compreender a ordem social, os fenômenos coletivos que ocorrem nos processos organizativos (GHERARDI, 2006; BISPO; GODOY, 2012) numa perspectiva pós-humanista, já que consideramos os elementos não- humanos na análise social, uma vez que as entidades não são apenas elementos da prática, são condicionantes da sua existência, em que as atividades são parte corpórea das práticas, são mediadas por artefatos e objetos híbridos (SCHATZKI, 2001).

O referido autor esclarece o antagonismo existente entre o paradigma do humanismo e do pós-humanismo. Expomos aqui em síntese no intuito de esclarecer o posicionamento epistemológico adotado neste estudo. O humanismo se enquadra no modernismo e tem sido um paradigma culturalmente aceito e seguido com marco no início do século XIX, tendo a sua frente à ideia de que os significados, valores e verdades são criados pelos seres humanos, únicos agentes na produção social (humanidade como o centro de tudo) e sua ação um caráter racional/moral. A crença deste paradigma é alicerçada nas principais correntes epistemológicas – a realista e relativista, a partir das quais a natureza e o pensamento social poderiam ser mais bem compreendidos. Já o pós-humanismo, um dos ganchos do pós-modernismo (CALÁS; SMIRCICH, 1999), desafia o modernismo ao remover a posição do ser humano como único protagonista para análise dos fenômenos sociais. Na perspectiva das práticas, isso implica dizer que na realidade é preciso considerar de maneira relevante os elementos não-humanos como componentes e determinantes na produção social.

Todavia, é importante esclarecer que ao se falar da prática, dentro da abordagem das praticas, o entendimento vai além da noção de rotina, ação individual, ou simplesmente o fazer determinada atividade. Embora seja possível alcançar algumas definições para o termo, parte com pressupostos e significados distintos. Gherardi (2006) se preocupa com o fato de que ao conceituar o termo prática é possível incorrer no risco de reduzir seu significado e a

ampla gama de elementos que o termo abriga. A seguir, no Quadro 01 apresentamos o conceito de prática a partir dos principais autores enquadrados na corrente sociológica.

Quadro 01 – O conceito de prática na tradição sociológica

Tradição sociológica Entendimento sobre práticas

Bourdieu A teoria de prática para Bourdieu está na relação entre as práticas dos atores e as estruturas objetivas sociais introduzidas, que são mediadas pelo conceito de habitus entre estas duas dimensões que ocorre de forma tácita (GHERADI, 2006).

Giddens As práticas são entendidas como procedimentos, métodos ou técnicas executados de forma hábil pelos agentes sociais, o que sugere uma certa relação com as preocupações dos etnometodologistas (COHEN, 1979). Garfinkel As práticas são realizações contingentes em que todo o ambiente deve ser

entendido como auto-organizador no que diz respeito ao seu reconhecimento e ordem social (GARFINKEL, 2006).

Latour Realidade social organizada formada por conexões e associações entre atores (humanos e não-humanos), na qual interesses são trasladados (negociados) incidindo na criação de redes de atores (LATOUR, 2005). Schatzki A pratica é considerada a interligação por meio de regras sociais (leis,

estatutos padrões de comportamento, etc.), entendimentos construídos socialmente ao longo do tempo (contextual), e estruturas teleafetivas (orientação, objetivos, emoção) entre fazeres e dizeres organizados (SCHATZKI, 2001)

Reckwitz As práticas sociais é o mundo social, não apenas a mente, o discurso ou a interação. São consideradas conexões de elementos humanos (mentais e corporais) e elementos não-humanos (objetos, conhecimento, emoções) na realização de atividades não rotinizadas em forma de um ―bloco monolítico‖ sustentado pela união de vários elementos sem os quais a prática não seria possível. Destaca-se o fato de que os citados elementos são inerentes à prática e não aos indivíduos e influenciam na ação e no comportamento dos indivíduos (RECKWITZ, 2002).

Fonte: Adaptado de Bispo (2013, p. 145)

Gherardi (2006) afirma que a noção de prática respeita princípios que podem ajudar a desenhar um melhor entendimento do termo. Destarte, cinco características são apontadas, em suma: (a) a prática se refere à forma como os significados são atribuídos a determinado grupo de execução de atividades (situadas) e como o reconhecimento dessas atividades é obtido; (b) a prática se relaciona à fragmentação temporal em que um conjunto de atividades ocorre; (c) a prática é um fenômeno reconhecido socialmente; (d) a prática reflete a forma como o mundo é organizado; (e) a prática é dinâmica e inacabada.

Desse modo, uma prática pode ser considerada ―um modo relativamente estável no tempo e socialmente reconhecido de ordenar elementos heterogêneos em um conjunto

coeso‖ (GHERARDI, 2006, p. 34). Ainda sobre o entendimento das práticas, nas palavras de

Gherardi (2009b, p.536):

Práticas não são apenas padrões recorrentes de ação (nível de produção), mas também padrões recorrentes de ação socialmente sustentada (produção e

reprodução). O que as pessoas produzem em suas práticas situadas não é só trabalho, mas também a (re) produção da sociedade. Neste sentido, a prática é um conceito analítico que permite interpretação de como as pessoas alcançam o ser-no-mundo. A prática não é reconhecida fora do seu significado intersubjetivamente criado e o que torna possível a reprodução competente de uma prática e o seu refinamento ao ser praticado (ou o seu abandono) é a negociação constante do que é pensado para ser uma maneira correta ou incorreta de praticar dentro da comunidade de seus praticantes.

Outra característica do estudo das práticas apresentada por Gherardi (2006) se trata da sua possibilidade de conhecer as organizações em suas particularidades, suas representações de conhecimento construídos por meio das práticas, dentre outros elementos relacionados às dimensões humana, social e cultural dos indivíduos integrantes da prática, a exemplo do turismo. Ainda conforme a autora, o mundo social se estrutura e se reconstrói a partir da ação dos atores sociais e da interação com os elementos não-humanos, ou seja, o curso destas ações faz com que as organizações se perpetuem ou se transformem em novas configurações ao longo do tempo. Isso reflete o modo como o turismo é visto neste trabalho, como uma prática sustentada por processos organizativos. Com efeito, por considerar que a prática estudada envolve vários elementos pouco explorados, torna-se elucidador conhecer como o material e o social se integram à produção de uma prática.