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3. Results

3.2 Longitudinal development of the gut microbiota

Os povos que habitavam Cuba em períodos anteriores à chegada de Colombo em 1492 à Ilha classificam-se em cinco grupos: 1) Ciboney Guayabo Blanco, 2) Ciboney Cayo Redondo, 3) Mayarí, 4) Sub-taínos e 5) Taínos. Qualquer tentativa de aproximação às culturas aludidas corre o risco de não ser totalmente fidedigna aos fatos. Nesse sentido, Las Casas134 afirmou: “como [os índios cubanos] duraram pouco [...] nem os que chegamos lá primeiro [a Cuba] nem os que depois assolaram aquela Ilha entenderam

131

ORTIZ, Fernando. El pueblo cubano. La Habana: Editorial Ciencias Sociales, 1997, p. 7. 132

Idem. Ibid., p. 22. 133

Idem. Ibid., p. 23. 134

Bartolomeu de las Casas, sacerdote espanhol da ordem dos dominicanos e historiador. Escreveu vários textos, uma de suas obras mais conhecidas é a Historia de las Indias, editada, pela primeira vez, em 1875. Las Casas chegou a Cuba por volta de 1512, convidado pelo governador espanhol da Ilha, Diego Velázquez. Supostamente, ele teria de submeter aos índios e convertê-los ao cristianismo. Mas, Las Casas tornar-se-ia num forte defensor dos direitos dos índios. Iniciou campanhas contra os abusos a que eram submetidos. Argumentava que tais abusos eram contrários ao espírito do cristianismo, o que lhe fez ganhar o qualificativo de Protetor dos Índios. Num outro momento, Las Casas propôs a substituição da mão de obra escrava dos índios pela dos africanos. Logo se arrependeu e escreveu um testemunho intitulado

Brevísima relación de la destrucción de las Indias. GUERRA, Ramiro. Manual de historia de Cuba, pp.

48, 49, 56 e 60; Bartolomé de las Casas in Encyclopaedia Britannica 2003; BERGES CURBELO, Juana, HERNÁNDEZ URBANO, Eva, RAMÍREZ CALZADILLA, Jorge. La religión en la historia de Cuba, p. 5.

coisa nenhuma [dos costumes] [...] porque depois que ali entramos nunca tiveram um dia de alívio”135. Apesar de a fragilidade das fontes e da limitação dos dados existentes sobre os antigos povoadores da maior das Antilhas, vale a pena tentar captar alguns lampejos das remotas tradições que temperaram as identidades culturais da nação cubana.

Acredita-se que os Ciboneyes Guayabo Blanco são os povoadores mais antigos do arquipélago cubano136. Alimentavam-se fundamentalmente, de produtos do mar e auxiliavam-se, para seus labores cotidianos de objetos de pedra. Considera-se que esse povo guardava certa semelhança com grupos não ceramistas do norte da Venezuela e que estava quase extinto à chegada de Colombo à Ilha. Cientistas estimam que a permanência dos ciboneyes em Cuba remonta-se ao século XX a. de C. e que poderia ter-se estendido até o século X da era atual. Mas, aclara-se que estes critérios alteram-se a partir dos resultados da pesquisa mundial sobre Antropologia e Pré-história, que em forma sistemática oferece informações que indicam que tanto a origem do ser humano quanto suas mais primigênias manifestações culturais produziram-se em datas bem mais antigas. No caso do continente americano “é normal pensar [...] em manifestações humanas que correspondem a 30 ou 40 mil anos anteriores a nossa era”137. No que se refere à pré-história cubana “temos dados que nos fazem estudá-la num marco de tempo que pode estar além dos quatro mil anos antes da chegada de Colombo às nossas terras”138.

Opina-se que o segundo grupo, Ciboney Cayo Redondo, era o de maior desenvolvimento entre as comunidades não-ceramistas do período meso-índio. Tinha uma agricultura incipiente e se alimentava basicamente, da pesca e coleta de frutas. Alguns escritores, cientes de que cálculos a respeito dos períodos históricos podem resultar imprecisos, marcam a data de permanência deste povo nas ilhas caribenhas entre o século XII a. C. e o XVII da era atual.

No caso dos Mayarí, ainda precisa-se de um maior aprofundamento nas pesquisas. Tal comunidade ocupa “um lugar independente na visão cultural de nossos

135

GUERRA, Ramiro. Manual de historia de Cuba, p. 11. 136

Cf. página XIX do comentário ao primeiro capítulo do livro de GUERRA, Ramiro. Manual de historia

de Cuba. 2da. ed. La Habana: Editorial Pueblo y Educación, 1985.

137 Idem. 138

primitivos povoadores”139. As informações parecem indicar que os mayarí constituíam “um grupo ceramista”140, que tinha “características Meso-Índias e Neo-Índias”, que “suas manifestações culturais existiram entre os séculos IX e XI de nossa era”, mas que têm sido “pouco estudadas”141.

O quarto grupo, Sub-taínos, considera-se o mais numeroso povo que sofreu os embates da conquista espanhola. Eram descendentes da família aruaca e povoavam quase todo o território cubano. Estes agricultores e ceramistas, possivelmente viveram entre o século VIII e XVI da era atual. Já, o quinto grupo, taínos, é considerado como neo-índio, agricultor, ceramista, construtor de muros de terra, que mantinha contatos sistemáticos com povoadores da ilha chamada La Espanhola142.

Em meio a essa diversidade de nomes, que procura identificar os antigos povoadores e as diversas culturas que existiram em Cuba antes da irrupção hispânica na Ilha, alguns historiadores, no intuito de compendiar características, usaram somente dois termos: ciboney e taínos143. O primeiro, relativo aos “primigênios” habitantes “naturais e nativos da Ilha”, de cultura primitiva e que moravam na parte ocidental de Cuba; o segundo, para identificar “a classe cultural mais desenvolvida, possivelmente procedente de Haiti, cujos vestígios encontram-se na região oriental”.

Na opinião de Guerra144, a palavra taíno “parece aplicável às tribos pacíficas araguacas da ilha Hispaniola (Haiti e Dominicana)”145, ao passo que o vocábulo ciboney poderia estar relacionado com a frase “homem das cavernas”146, isto é, uma referência ao tipo de moradia usada por esse povo.

Ciboneyes, se comparados com os taínos, tinham uma cultura menos desenvolvida. Eles falavam uma língua bem diferente das dos outros povos indígenas147. No ano de 1492 a sua população tinha decrescido consideravelmente. “Seus restos

139

GUERRA, Ramiro. Manual de historia de Cuba. 1985, p. XIX. 140 Idem. 141 Idem. 142 Idem. 143

Um desses exemplos é Ramiro Guerra, que baseia a sua escolha nos trabalhos do arqueólogo norte- americano M. R. Harrington, e nos escritos de Bartolomeu de Las Casas. Cf. Idem. Ibid., p. 2.

144

Ramiro Guerra (1880-1970) desenvolveu uma destacada atividade intelectual em Cuba. Formou-se como doutor em Pedagogia na Universidade de La Habana. Considera-se que foi o primeiro professor da Cátedra de História de Cuba na referida instituição. Foi diretor da Escola Normal para Professores. Publicou numerosas obras sobre a história de Cuba.

145 Idem. 146 Idem. Ibid., p. 4. 147 Idem. Ibid., p. 2.

arqueológicos são também proporcionalmente escassos”148 e as pesquisas nessa direção “não se tem realizado de uma maneira sistemática [...] por isso, os conhecimentos relativos a esses povoadores primitivos estão sujeitos a muitas ampliações e retificações”149. A presente pesquisa partiu da abordagem da cultura taína, que foi a que se depararou com a trazida pelos europeus a Cuba no ano de 1492, oferecerendo-lhe certa resistência, pelo menos até 1555.

1.2. Taínos: procedência, assentamento e interação com os instrumentos da civilização150