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6. Inntekt, samvær og bidrag. Multivariate analyser

6.3. Logistisk regresjonsanalyse. Analyse av individdata

A introdução da leitura cartesiana de Foucault no meio acadêmico francês não se deu sem percalços. Suas opiniões expressas em 1961 em História da Loucura na Idade Clássica foram vistas com reserva e encontrou o silêncio da maior parte dos pesquisadores de Descartes. Silêncio que a contenda estabelecida com Jacques Derrida alguns anos depois só fez alongar, visto que poucos desejavam arbitrar a polêmica.

O primeiro a tomar partido publicamente é Jean-Marie Beyssade. Um pouco mais jovem que Foucault, Jean-Marie foi colega de Jacques Derrida na École Normale Supérieure de Paris, entre 1953 e 1954, onde ambos seguiram os cursos oferecidos por Foucault. Em 1965, ao se tornar assistente de Foucault, toma conhecimento do artigo que Derrida publicara em 1963. Na época, jovem pesquisador da filosofia cartesiana, Jean- Marie interessa-se pela discussão e redige algumas notas em que criticava a leitura dos dois protagonistas do debate, porém resolve mantê-las para si. Somente em 1972, quando é lançada a segunda edição da tese de Foucault, acrescida de "Mon corps, ce papier, ce feu", movido “de paixão”70 pela explicitação da abordagem, JM Beyssade

atualiza suas anotações. Antes de enviá-las à Revue de Métaphysique et de Morale, as submete aos amigos Foucault, Derrida, e aos seus mestres cartesianos Ferdinand Alquié e Marcial Guéroult. Em 1973 o artigo “Mais quoi ce sont des fous" é lançado.

O fato é que nas mãos de JM Beyssade, a leitura de Foucault adquiria uma desejada feição subversiva daquilo que Jean-Marie denominava o "dogmatismo da ordem"71. Há muito tempo se instalara no ambiente acadêmico francês uma primeira

querela cartesiana. Ocorrido na década de 50, este primeiro divisor de águas dos estudos contemporâneos de Descartes contrapunha a leitura existencialista do cogito assumida por Ferdinand Alquié à abordagem que se tornaria um clássico dentre os estudos

70 BEYSSADE, Jean-Marie. “Dossier" In Descartes au fil de l'ordre, p. 40. 71 BEYSSADE, Jean-Marie. “Mais quoi ce sont des fous”, p.274.

cartesianos, Descartes segundo a ordem das razões, de Martial Guéroult. O debate terá nova edição a partir de 1968, quando um Congresso sobre Descartes ocorrido em Bruxelas trará um debate entre as nuances desta contraposição desta vez discutidas por seus antigos alunos, dentre eles Jean-Luc Marion e Jean-Marie Beyssade72

Jean-Marie Beyssade toma como ponto de apoio as palavras de Foucault de 1961, considerando o texto de 1972 como uma forma de explicitação do que já fora apresentado em História da Loucura. Foucault, em carta, discorda da justiça do procedimento, alegando que JM Beyssade "aferrolhou73" o texto novo pelo antigo no

intuito de criticá-lo por certas posições assumidas naquele primeiro momento, não obstante o segundo texto fosse elaborado "num estilo, com um método e um grau de aproximação totalmente diferentes"74 do primeiro.

Em primeiro lugar, JM Beyssade chama atenção ao fato de Foucault ter colocado a loucura ao lado do sonho e de todas as formas de erro75. Argumenta que a

particularidade da dúvida cartesiana está justamente na ordenação de seus argumentos, o que a diferencia das dúvidas colocadas na época pelos céticos e acadêmicos76. E neste

sentido, ressalta que o importante neste caso é precisar que a loucura é convocada depois dos erros dos sentidos e antes do argumento dos sonhos, e não ao lado de. A segunda crítica de Jean-Marie Beyssade elucida a questão. Na pergunta lançada por Foucault (“Será que essa possibilidade de ser louco não faz com que ele corra o risco de ver-se despojado da posse de seu próprio corpo, assim como o mundo exterior pode refugiar-se no erro, ou a consciência adormecer no sonho?”), Jean-Marie Beyssade identifica uma

72

Para saber mais sobre disputas de questões cartesianas, vide JM BEYSSADE em Descartes au fil de

l'ordre, Paris: Press Universitaires de France, 2001, e a ainda, MACHEREY, Pierre, "Querelles

cartésiennes I, II, III" In: stl.recherche.univ-lille3.fr/seminaires/philosophie/macherey/

Macherey20022003/Macherey2003.html, textos de novembro de 2002.

73 FOUCAULT em carta de 07/11/72, escrita a Jean-Marie Beyssade. In BEYSSADE, JM. Descartes au fil de l'ordre, p. 42.

74

FOUCAULT em carta de 07/11/72, escrita a Jean-Marie Beyssade. In BEYSSADE, JM. Descartes au fil

de l'ordre, p. 42.

75 No caminho da dúvida, Descartes encontra a loucura ao lado do sonho e de todas as formas de erro.

Será que essa possibilidade de ser louco não arrisca lhe privar da posse de seu próprio corpo, assim como o mundo exterior pode refugiar-se no erro, ou a consciência adormecer no sonho?”. FOUCAULT, Histoire de la Folie à l’Age Classique, p. 67.

tripartição indevida77: o meu corpo, o mundo exterior e a consciência. Argumenta que a

tripartição subentendida nesta pergunta tem por base uma divisão qualitativa que não está presente ainda na primeira meditação, mas, antes disso, a primeira meditação coloca uma divisão quantitativa de graus de intensidade, a saber: a dúvida que se detém sobre o pouco sensível ou muito distanciado e a dúvida que se volta às evidências cotidianas, as coisas manifestas ao espírito, sobre as quais, ao contrário do que me é muito distante ou pouco sensível, não seria sensato duvidar. Neste sentido, não teria sentido chamar atenção a uma “consciência” que adormece no sonho.

No contexto do debate, analisando a primeira meditação segundo a cronologia da dúvida inserida na ordem das razões do texto cartesiano, Jean-Marie Beyssade78 critica

tanto a posição de Foucault, que coloca a loucura ao lado do sonho e de todas as formas de erro, como também a posição de Derrida para o qual Descartes teria preterido o exemplo da loucura pelo do sonho porque o primeiro “não é revelador da fragilidade da idéia sensível”79 enquanto no segundo “a totalidade absoluta das idéias de origem

sensível se torna suspeita”80. O erro de Foucault seria o de abolir a cronologia da dúvida

e o de Derrida seria o de sustentar uma suposta preterição de Descartes motivada por uma hierarquia entre gêneros de conhecimento que ainda não fora anunciada.

Se ao citar Guéroult, Derrida deixa claro que está a analisar a leitura de Foucault baseado na ordem das razões do texto cartesiano, Jean-Marie Beyssade afirma que, mesmo assumindo esta perspectiva, a análise de Derrida não estaria correta, pois, neste caso, o justo seria elucidar a economia da dúvida cartesiana a partir dos elementos que são apresentados na própria ordem do texto, e assim sendo, não teria sentido justificar ou recusar o argumento dos sonhos ou o argumento da loucura, baseado, como fez Derrida, em vocábulos e conceitos que não estão presentes ainda na primeira meditação. Em outras palavras, ele afirma que esta análise peca por estar “certa demais”. No entender do historiador da filosofia cartesiana, seria necessário determinar a significação cronológica da dúvida cartesiana sem aderir a uma hierarquia dos gêneros de conhecimento que

77

Ibidem, p. 278-279.

78 Cf BEYSSADE, Jean-Marie. “Mais quoi ce sont des fous”, p.280. 79 DERRIDA. “Cogito e História da Loucura”, p. 42.

ainda não foi colocada81. Deste modo, Jean-Marie Beyssade julga inadequada a inserção

no texto de Derrida de justificativas baseadas em conceitos como “origem não-sensível e não-imaginativa” ou “coisas simples e inteligíveis” ou “totalidade absoluta das idéias de origem sensível”, presentes nas citações anteriores. Estas expressões remetem ao entendimento da origem do conhecimento e, conforme argumenta Jean-Marie Beyssade, esta só virá à tona ao final da quinta meditação. Ao final do quarto parágrafo da meditação primeira, tudo o que se sabe é o que meditador acabara de afirmar no terceiro parágrafo: que tudo o que ele aprendeu até então como o mais verdadeiro e seguro, lhe veio através dos sentidos.

JM Beyssade adere à interpretação de Foucault sobre a dupla ordem. Identifica no discurso da ascese o apoio recíproco que acontece entre o sujeito que se modifica e os acontecimentos discursivos, apoio este a que o próprio Descartes teria feito alusão em uma carta a Gassendi através do termo cohaerentiam. Segundo sua leitura desta carta, “a coerência é mais forte que a ordem das razões, que somente constitui uma fórmula parcial e a ela subordinada”82. No entanto, discordará de Foucault quanto aos motivos da

exclusão da loucura. Foucault diz que, “eu [moi] que penso, [je] não posso estar louco”, ou seja, o meditador tem que excluir a possibilidade de estar louco antes de enunciar a primeira certeza (do cogito), e então, esta impossibilidade seria uma primeira qualificação do sujeito. JM Beyssade discorda da interpretação de Foucault de que a loucura foi excluída das Meditações porque o meditador não poderia colocar-se no lugar do louco. Ele crê que ela foi rejeitada em prol do argumento do sonho pela complacência de Descartes ao homem honrado que se ofenderia com a comparação. Trata-se, no seu entender, de uma simples “complacência em benefício do inventário”83. Com efeito, ele

afirma que “O valor do projeto metafísico vem justamente do que ele inclui, ao invés do que ele exclui, estas experiências marginais”84. Esta complacência de Descartes não

dissimula nenhum requisito e por isto não há nenhuma certeza que pode ser afirmada antes do cogito. JM Beyssade arremata dizendo que Foucault não admite esta idéia e

81

Cf BEYSSADE, JM. Mais quoi ce sont des fous, p. 278.

82 Ibidem, pp. 293-294. 83 Ibidem, p. 282. 84 Ibidem, p. 289.

acaba por rejeitá-la “passionalmente”85.

Contudo, apesar de reconhecer que existam, tal como Foucault apregoa, duas ordens no texto, que JM Beyssade nomeia “regra da coerência” e “regra da ordem”, ele não invalida totalmente a hipótese de Derrida sobre a presença de uma segunda voz presente ao longo das Meditações. Para tanto, utiliza como suporte desta possibilidade um diálogo de Descartes inacabado e não datado: La Recherche de la Vérité, no qual Poliandre, um noviço em filosofia de espírito muito curioso, faz a Eudoxe, que representa o filósofo no diálogo, a objeção de que o erro dos sentidos não é suficiente para fazer desacreditar do que é manifesto. No diálogo, o filósofo provoca esta objeção de bom grado, ele consente nesta resistência “em benefício do inventário”86. Com efeito,

Beyssade diz que “o metafísico não é aqui intolerante ao olhar do louco, que ele baniria, mas tolerante, complacente, ao olhar do honnête homme que já o baniu”87.

Ou seja, o argumento de Beyssade é que Descartes não pode fingir que se re- posiciona diante da resistência do não-filósofo porque, pelo menos até o final da primeira meditação, nenhuma verdade foi encontrada. Ao contrário, para além do fingimento, Descartes pretenderia mesmo incitar esta resistência porque só a passagem por este desvio solicitado pelo noviço, suposto Poliandre, é que permitirá ao meditador introduzir motivos mais fortes para se duvidar dos sentidos. Com efeito, JM Beyssade chega a afirmar que “neste momento do itinerário, a filosofia se reduz a este modo de implicação no discurso, a este consentimento providencial ao discurso dogmático”88.

JM Beyssade admite que muitas das passagens das Meditações tornam-se incompreensíveis se não admitirmos a presença desta voz. Neste ponto, quanto à presença desta “voz” nas Meditações, JM Beyssade posiciona-se com Derrida. Porém, defende que, de modo algum se possa dizer que a reação de Descartes à resistência do não-filósofo seja fingida, pois:

85

Cf BEYSSADE, JM. "Mais quoi ce sont des fous", p. 289.

86 Ibidem, p. 282 87 Ibidem, p. 285.

No momento do itinerário que nós consideramos, é impossível aprisionar a pluralidade de vozes no assujeitamento de uma hierarquia: nenhuma verdade “definitiva e detida” permite ao filósofo julgar as resistências que ele encontra, para lhe atribuir a um objetor ingênuo e, por exemplo, “fingir” que se re-posiciona diante dele.89.

O honnête homme, o homem cujo bom senso ainda não foi corrompido pelo ensino doutrinário e portanto ainda não traz pre-juizos ou preconceitos, este é o leitor visado pelas Meditações segundo Jean-Marie Beyssade, pois para Descartes a busca da verdade deveria dar-se de preferência pela intuição natural, a razão proba, ainda íntegra, não corrompida. Tanto que em La Recherche de la Vérité, não é um caso que os personagens principais chamem-se pelos nomes de Eudoxo, aquele que representa a “doxa” verdadeira, verdadeira opinião, Epistemon, aquele que adere à falsa doutrina e, o principal deles, Poliandre, conforme já dito, aquele que pensa por si. De fato, neste sentido, podemos lembrar da farta correspondência que Descartes manteve, por exemplo, com uma mulher sem vínculos acadêmicos, Elizabeth da Boêmia.

Com efeito, esta questão é central em Descartes, no pensamento de Jean-Marie Beyssade. O verbete “Descartes” da enciclopédia de história da filosofia organizada por François Châtelet que Beyssade assina inicia-se com as seguintes palavras: “Enfim veio Descartes. Se não foi o primeiro a filosofar na França, foi um dos primeiros a filosofar em francês para as pessoas de condição, para as mulheres, assim como em latim para a internacional dos eruditos”90.

A posição de JM Beyssade é bastante curiosa porque apesar de declarar-se abertamente ao lado de Foucault, entra em clara rota de colisão com o pilar central da tese foucaultiana sobre a exclusão da loucura. Um ponto está salvaguardado. Ambos concordam que é possível fazer uma análise das Meditações que faça emergir a série dos exercícios meditativos. Esta concordância, dirá Foucault, “c'est pour moi l'essencial”91.

Foucault não compreende como JM Beyssade pode concordar com a ordem da ascese,

89

BEYSSADE, JM. "Mais quoi ce sont des fous", p. 282.

90

BEYSSADE, JM. "Descartes". In: CHATELET, F (org.) História da Filosofia, vol. 3, Rio de Janeiro: Zahar, 1981, p.81

91 FOUCAULT em carta a JM BEYSSADE de 07/11/72. BEYSSADE, Jean-Marie. “Dossier" In Descartes au fil de l'ordre, p. 41.

denominada por este “regra da coerência”, mas não pode assentir que alguma (des) qualificação seja adquirida antes do cogito. É uma consequência necessária. Diz ele: “Parece-me que se pode resumir a situação da seguinte maneira: você estaria de acordo em dizer que a prova da loucura concerne à qualificação do sujeito meditando; mas você recusa que a qualificação de não-louco seja adquirida definitivamente neste nível”92.

Foucault convida o amigo a observar que a loucura foi excluída por um “gesto furtivo”93, abrupto. E o motivo (cérebro perturbado) não se coadunava na ordem do

texto. Apelar a uma voz exterior, alegando a correlação com o diálogo inacabado de Descartes, não era uma solução, pois na meditação “não existe pluralidade de voz”94.

Qual o estatuto então dar a este “gesto furtivo” se não aquele de um “acontecimento discursivo”? “O jogo das qualificações e das desqualificações não atrapalham a ordem das razões”95.

De um modo geral, JM Beyssade posiciona-se ao lado de Foucault, mas com relação a esta questão, ele encontra-se a meio caminho entre os dois filósofos. Por um lado, julga correta e oportuna a identificação de dois discursos paralelos, o da ascese e da demonstração. Por outro lado, admite a possibilidade da presença fragmentada de uma voz “exterior”. Contudo, discorda de Derrida quanto ao caráter fingido desta voz. Para ele, o que particulariza o projeto cartesiano é a inclusão do honnête homme e este é o motivo da exclusão da loucura, ou seja, não se trata de valorizar a loucura nem de afirmar que o louco não pensa. A possibilidade de ser louco não foi excluida porque o louco não pensa mas porque sua exclusão era requerida pela adesão que Descartes deseja obter do homem honrado. É o que permite JM Beyssade afirmar que "Loucos e sonhadores têm seu lugar na nau cartesiana que vai em direção ao novo mundo da segunda meditação. Mas o exemplo do louco, diferentemente daquele do sonhador, não consegue fazer com que o honnête homme suba nesta nau"96.

92

Foucault em carta a JM Beyssade de 07/11/72. In .BEYSSADE, Jean-Marie. “Dossier" In Descartes

au fil de l'ordre, p. 43. 93

Ibidem, p. 42. 94 Ibidem, p. 43. 95 Ibidem, p. 42.

Por outro lado, a conversa de JM Beyssade com Martial Guéroult será animada por outro tom, mais duro. Em primeiro lugar, Guéroult diz que o método da ordem das razões é, segundo Descartes, prescrito como o único que permite compreender o que quer que seja em seus escritos. Por isso mesmo, não teria o menor sentido pensar que uma crítica ao que costumou-se denominar o "dogmatismo da ordem" constitua algum ataque frontal a ele, Martial Guéroult, pois, quando muito, isto significaria uma afronta ao próprio Descartes. Mesmo porque não existiria nenhuma regra da coerência que subordine a ordem das razões.

Martial Guéroult acusa JM Beyssade de forçar o texto cartesiano no intuito de produzir uma conclusão incorreta de que Descartes somente seguira a ordem das razões tanto quanto pode97.

Constitui um "disparate"98 para Guéroult afirmar que a ordem das razões seja uma

"fórmula parcial e subordinada"99 da ordem da coerência, pois isto significaria, no limite,

inverter o cartesianismo. Note-se que ele se refere somente à tese de JM Beyssade sobre a ordem da coerência, sem entrar no mérito da posição de Foucault. Aliás, convém ressaltar que Foucault jamais afirmou que uma ordem subordinasse a outra, mas que existiam elementos que não se encaixavam na ordem das razões, o que o levou a formular a hipótese do "acontecimento discursivo". A questão de JM Beyssade é um pouco diferente, ele não entra no mérito dos acontecimentos discursivos, mesmo porque ele se opõe à tese foucaultiana de que o estatuto de não louco tenha sido adquirido antes do cogito. Se ele apóia a tese de Foucault, não é porque ele apóie seu argumento central, mas porque ele vê ali uma forma bem sucedida de se contrapor à sistematicidade da ordem das razões, "norma rigorosa"100 que teria sido "imposta"101 por M. Guéroult e que,

segundo suas análises, tem funcionado como um tipo de camisa de força dos estudos cartesianos. O que o levaria a proferir palavras como estas: "Para dar um estatuto

97

M. GUÉROULT em carta de 11/01/74 a JM BEYSSADE. In BEYSSADE, Jean-Marie. “Dossier" In

Descartes au fil de l'ordre, p. 44. 98

Idem. 99

BEYSSADE, Jean-Marie. “Mais quoi ce sont des fous”, p.293.

100 BEYSSADE JM em carta de 18/01/74 a M GUÉROULT In BEYSSADE, Jean-Marie. “Dossier" In Descartes au fil de l'ordre, p. 48.

aceitável à recusa da loucura, é necessário portanto buscar em qual medida o que segue pode reagir ao que precede, isto é, voltar ao o que Descartes chamou a ordem das razões, ao dogma que conduziu M. Guéroult às admiráveis análises, mas que também traria algumas consequências temerárias à maior parte dos comentadores que pagassem o preço de admitir as conclusões de Foucault"102.