4 Political, Economic and Communicative Mechanisms of the LPP
4.3 Communicative and Educational Aspects of Project Intervention
4.3.1 Local Communicative Strategies and Channels
Através da leitura das obras “História da Educação – da antiguidade aos nossos dias”, de Mario Alighiero Manocorda (1989), “História da Educação”, de Maria Lucia de Arruda Aranha (1996), “História da Pedagogia”, de Franco Cambi (1999) e, “História das ideias pedagógicas”, de Moacir Gadotti (2005), encontramos subsídios para o desenvolvimento deste tópico: Uma rápida viagem pela História da Educação.
Porém, mesmo se em linhas gerais e, sem a pretensão de esgotar o assunto, apresentamos nos quadros 1A e 1B abaixo, uma síntese da evolução histórica da educação, focalizando suas principais características.
Quadro 1A – Evolução Histórica da Educação: Período Primitivo, Antiguidade e Período Medieval
Período histórico Principais Características da Educação Período Primitivo - Desde o
aparecimento na Terra até cerca 4000 a.C
1.Não existia educação formal; 2.Objetivo era ajustar a criança ao seu ambiente físico e social, através da aquisição das experiências; 3. Os chefes de família eram os primeiros professores e em seguida os sacerdotes.
Antiguidade - Desde cerca de
4000 a.C. até 476 (data da queda do Império Romano do Ocidente)
Oriente
1.O surgimento da escrita; 2.Transição da sociedade primitiva para a civilização; 3.Surgimento da cidade e do estado; 4.Mantinha a cultura dominante através da educação.
Grécia
1.É o berço da civilização, tendo como seus principais representantes: Sócrates, Aristóteles e Platão; 2.Tem como princípio o desenvolvimento individual do ser humano; 3.Preparação para o desenvolvimento intelectual da personalidade e a cidadania; 4.Ideais pautados na liberdade política e moral e no desenvolvimento intelectual.
Roma
1.Não existia democratização; 2.A educação dava ênfase à formação moral e física (formação do guerreiro); 3.O ideal de Direitos e Deveres.
Período Medieval - De 476
até 1453 (Data da conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos e consequente queda do Império Romano do Oriente)
1.A religião surge como elemento singular, que, exposto à racionalidade, acentua a preocupação apologética, isto é, a defesa indiscutível da fé cristã; 2.Basicamente a educação na Idade Média é dividida em duas tendências: a educação Patrística1 e a educação a Escolástica2; 3.A educação medieval
restaurou o valor do conhecimento teórico, e, de certa forma, subestimou as atividades práticas e manuais, isso sendo observado com maior destaque no período de produção feudal; 4.Conhecido como o século das trevas; 5.Educação conservadora; 6.Criticava a educação grega (liberal) e romana (prática); 7.Foi desenvolvido um novo conceito de educação, onde os pensadores acreditavam que as palavras possuíam em si a capacidade de resgatar a experiência humana esquecida; 8.Fundação da Companhia de Jesus (jesuítas).
Fonte: “História da Educação – da antiguidade aos nossos dias”, de Mario Alighiero Manocorda (1989); “História da Educação”, de Maria Lucia de Arruda Aranha (1996); “História da Pedagogia”, de Franco Cambi (1999) e “História das ideias pedagógicas”, de Moacir Gadotti (2005), organizado por Maria Goretti Reynaud Rodrigues, 2011.
1Filosofia contida nos trabalhos dos Padres da Igreja (de onde se originou o nome) inicia-se no período decadente do Império Romano, no século III. Auxilia a exposição racional da doutrina religiosa, preocupando-se principalmente com a relação entre fé e ciência, com a vida moral, com a natureza de Deus e da alma. Seus representantes principais foram Clemente de Alexandria, Orígenes e Tertuliano. Porém, a figura de principal destaque é Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona.
2A especulação filosófico-teológica que se desenvolve do séc. IX até o Renascimento é denominada escolástica, assim designada por ter sido dominante nas escolas surgidas durante o Renascimento carolíngio.
Quadro 1B – Evolução Histórica da Educação: Período Moderno e Período Contemporâneo
Período histórico Principais Características da Educação
Período Moderno – De
1 453 até 1 789 (Eclosão da Revolução Francesa e Período Contemporâneo)
1.Século XVII, época de grandes transformações tecnológicas, marcou o fim da transição entre feudalismo e capitalismo, surgiu uma nova corrente de pensamento o Iluminismo3. Forneceu o principal slogan da Revolução Francesa:
"Liberdade, igualdade, fraternidade"; 2.Separação entre a igreja e o estado; 3.O século XVIII - considerado por alguns autores, como o século pedagógico. Neste período as ideias revolucionárias de educação nacional e individual, e as características da pedagogia moderna se desenvolveram; 4.A racionalidade atinge o seu ponto culminante. Suas ideias pedagógicas, influenciaram a concepção do pensamento tornando-se prática nas escolas até os nossos dias.
Período Contemporâneo -
De 1789 até nossos dias
1.A educação ganhou novos conceitos. Tornando-se um dever do estado e não obrigação da igreja, sendo assim, torna-se ao mesmo tempo laica; 2.Novo sistema de ensino – educação para o trabalho. A educação que era oferecida pelo estado universal (“para todos”) e gratuita, cumpria essa função; 3.Surgiu a figura do pedagogo, como a pessoa que irá pensar o método de ensino e orientar o educador que terá a função apenas de transmissão de conhecimento; 4.Surgiram experiências de escola voltadas aos ideais anarquistas e socialistas, que eram as referencias teóricas da classe trabalhadora daquele período.
Fonte: “História da Educação – da antiguidade aos nossos dias”, de Mario Alighiero Manocorda (1989); “História da Educação”, de Maria Lucia de Arruda Aranha (1996); “História da Pedagogia”, de Franco Cambi (1999) e “História das ideias pedagógicas”, de Moacir Gadotti (2005), organizado por Maria Goretti Reynaud Rodrigues, 2011.
Os paradigmas e a história das várias épocas evidenciam a criação de novos conhecimentos capazes de transformar os costumes e as culturas. Estudar estes pensamentos muitas vezes conflituosos e suas contradições parece-nos um desafio. Porém, analisando a evolução histórica da educação e o pensamento de seus principais representantes, encontramos pontos de convergência entre estes e a proposta pedagógica de Chiara Lubich, a Pedagogia da Unidade. Para compor o quadro comparativo abaixo, apoiamo-nos nas obras de: Mario Alighiero Manocorda (1989), Maria Lucia de Arruda Aranha (1996), de Franco Cambi (1999) e de Moacir Gadotti (2005).
Quadro 2 – Educação: Comparativo entre o pensamento de Chiara Lubich, Commenius, Rousseau, Kant, Hegel e Vygotsky
Autor Chiara Lubich / Pedagogia da Unidade
Comennius (1592 - 1670)
- Reconhece a igualdade de direito de todos os homens ao conhecimento;
-"Ensinar tudo a todos", defendia sua pedagogia a qual resumiria os princípios e alicerces que dariam ao homem condições de colocar-se no mundo como ator da história e não como mero espectador.
- Educação e escolas são projetos voltados para a formação humana;
- Não é um projeto elitista, é proposto em todos os ambientes e em todas as latitudes, é universal e popular; pode realizar-se desde as crianças e jovens, ou mesmo partir dos educadores e pais.
Rousseau (1712 - 1778)
- A verdadeira finalidade da educação era ensinar a criança a viver e a aprender a exercer sua liberdade.
- A finalidade educativa é formar homens novos, empenhando-se em suscitar e abrir espaço à mundialidade com atenção a todas as culturas, procurando favorecer a integração das mesmas.
Kant (1724 – 1804)
- O ato pedagógico deve garantir que os interesses do homem estejam voltados a si próprio, àqueles que os cercam e, enfim, ao bem universal;
- O desenvolvimento harmônico de todas as aptidões humanas;
- O ser humano é dotado por natureza, de uma inteligência criadora e ativa, é um ser destinado a ultrapassar os próprios limites.
- É sua prioridade estimular a educação do pensamento, da reflexão, da pesquisa. Porém, tudo segundo a ótica do apreender para servir, na procura de um saber
compartilhado, no interesse do bem comum;
- Educar é colaborar na realização do ser humano, para que desenvolva e coloque em luz todas as capacidades e potencialidades que possui dentro de si.
Hegel (1770 – 1831)
- A idéia de educação é entender que o homem só alcançará a sua realização quando chegar a consciência de que a verdadeira libertação do ser humano existirá se houver engajamento e reconhecimento de sua dependência em relação às instituições sociais, isto é, da família, associações civis, estado, etc;
- Inaugurou a idéia de uma Educação que teria a responsabilidade de atuar socialmente e, para atender a demanda do desenvolvimento social deveria adaptar constantemente as técnicas e métodos pedagógicos.
- A educação pode ser entendida também como processo político no sentido da busca do bem comum;
- Um projeto de homem-mundo, isto é, um projeto aberto à todos os apelos da humanidade, nas quais se inspiram as ações educativas.
Vygotsky (1896 – 1934)
- As potencialidades do indivíduo devem ser levadas em conta durante o processo, pois, a partir da relação com indivíduos mais experientes e, com sua história, as potencialidades são transformadas para circunstâncias que ativam nele projetos processuais na área do conhecimento ou comportamental;
- O ensino não deveria orientar-se para etapas intelectuais já alcançadas, mas sim, para etapas ainda não atingidas pelos educandos, funcionando como motor propulsor de novas conquistas, e do desenvolvimento potencial do educando.
- A educação, como processo de catalisação de competências para capacitar cada um para empreender; - Considera a educação como um itinerário que o educando (indivíduo ou comunidade) deve percorrer com a ajuda dos educadores, em direção a um “dever ser” válido para ele e para a humanidade.
Fonte: Mario Alighiero Manocorda (1989), Maria Lucia de Arruda Aranha (1996), de Franco Cambi (1999) e de Moacir Gadotti (2005), organizado por Maria Goretti Reynaud Rodrigues.
Percebe-se que, de maneiras e com linguagens diferentes, adequadas ao tempo e à situação social, histórica e econômica da época e ambiente, para muitas correntes pedagógicas, educar é, formar homens e mulheres capazes de crítica e autocrítica. Homens e mulheres capazes de pensamento criativo e transformador, pessoas que se posicionam frente à realidade, construtores da própria história e, por conseguinte, construtores de um mundo mais humano e fraterno.